Orphin de Liofen.
Uma cavaleira em busca de honra e glória.
Como a maioria das crianças de Carpe, ela cresceu ouvindo as histórias de prestígio da família Jervain.
Então, depois que se tornou uma cavaleira, naturalmente veio e bateu à porta deles.
Como era uma cavaleira promissora, apesar de ter nascido mulher, não enfrentou nenhum obstáculo, de modo que logo foi capaz de fazer um juramento de lealdade e dedicar sua espada aos Jervain.
Que daria de bom grado sua vida ao Norte, e em nome dos Jervain.
Assim, ela jurou e se comprometeu.
Mas o Norte era implacável.
As bestas mágicas se reúnem incessantemente e os inimigos procuram a menor fraqueza.
No entanto, isso só tornou a tarefa mais honrosa.
Sua causa era proteger os Jervain, e assim contribuir para a proteção do próprio Reino. Um sentimento de orgulho queimava em um canto de seu coração.
Mesmo tendo nascido como mulher, decidi viver como uma Cavaleira.
Posso lutar por algo mais honroso do que isso?
Ela ficou satisfeita com sua escolha.
Claro, até que conheceu a ovelha negra dos Jervain, ou seja, o Callius.
— Kuhk!
Chaeeng – chaeng!! Kugugugugu!
‘tschk tschk’ (Onomatopeia de algo chacoalhando)
‘Isso é pesado.’
Apenas um golpe, mas o peso desse golpe era incomum. Sua mão tremia e sua espada tremia. Suas luvas foram rapidamente encharcadas com sangue de suas palmas rasgadas.
Tuk, ttuk.
Gotas vermelhas caíram e se infiltraram na neve congelada.
— Haa, Haa!
O ar frio fluía para os pulmões.
Mas, em contraste, todo o corpo queimava com calor e suor.
— Hooo…
Ela ouviu rumores de que ele se tornou um Peregrino.
Então, tinha uma certa esperança para o sucesso dele.
Mas Orphin ficou muito desapontada assim que viu Callius.
A qualidade de seu poder espiritual, bem como o ímpeto visível, eram tão carentes a ponto de serem chamados insignificantes.
Não importava se ele se tornasse um Peregrino, Callius permanecia Callius. Uma ovelha negra raramente vista e uma pilha de somente lixo.
Apenas estar vivo era um pecado.
Mesmo assim, ela suspirou, porque ainda simpatizava.
Porque ele ainda era inútil.
Então, mencionou a velha história.
Se você mostrar qualquer arrependimento…
Se você pedir desculpas, se você se desculpar…
Ela decidiu perdoá-lo dizendo que estava tudo bem, já que ele era jovem. Mesmo que tivesse manchado a honra dela, não era apenas a loucura da infância?
Eu ainda carrego essa velha lembrança, mas se você se desculpar com sinceridade, vou te perdoar.
Entretanto.
Ele era indiferente sobre o passado e nem se importou em ouvir, como se nem se lembrasse.
Ela já tinha decidido perdoá-lo, mas a verdade é que seu coração ainda pesava com aquilo.
Então, agora estava tranquila.
Ele ainda permanecia um pedaço incorrigível de lixo, e era o que Orphin queria.
Em seguida, desembainhou a espada.
— Mas por quê?!
Kaang!
Como! Como ele poderia empunhar uma espada tão pesada, quando seu nível de poder divino não era maior do que uma formiga!
Orphin não conseguia entender.
Seu antigo mestre estava segurando sua espada na frente dela com um rosto inexpressivo.
Callius von Jervain.
Ela duvidava que ele fosse realmente a pessoa que uma vez conheceu.
‘Diferente.’
Havia muitas diferenças da pessoa que ele era antes para a de agora.
Ele não parecia mais um nobre imaturo que não conseguia nem segurar a espada corretamente.
Olhos afiados.
Um rosto sem emoção.
Uma expressão terrivelmente indiferente.
— …!
Foi então que Orphin ficou indignada.
Ela sentiu como se tivesse sido completamente ignorada.
Como se seu oponente não tivesse nenhuma atenção para gastar com ela. Mesmo que, entre os dois, ela tenha lançado a maior parcela de ataques.
No entanto, a espada de seu oponente recebeu seus ataques e contra-atacou ainda mais forte.
Kaang!
Obviamente, brandia a espada diretamente em sua direção todas as vezes, mas a ponta da espada sempre acabava desviando para o céu ou para o chão.
A luta que ela assumiu que acabaria em alguns ataques agora estava perto de dezenas, ou centenas.
— Haa, haa, haa!
Seus músculos estavam cansados, seu coração parecia que estava prestes a explodir e gotas de suor escorriam por seu rosto.
Sua respiração sem fôlego e rápida criou fumaças brancas no ar, mas o idiota na frente dela estava apenas imóvel e olhando para ela com seus olhos cinzentos.
huuuur.
A raiva encheu sua garganta.
— Aaahhhhhh!
Ela espremeu todo o seu poder reserva e concentrou seu poder divino em sua espada.
A energia da espada subiu da lâmina como luz e flutuou acima da neve profunda.
Se for isso…
Se for isso, será capaz de cruzar a lacuna entre nós e tocá-lo.
Huuuung!
Mas foi então que…
Hwiii – chaeaeng!
A espada de prata que apareceu apenas por um momento encheu seus olhos com sua luz deslumbrante.
Hwiiiik, puk!
A espada deixou sua mão e caiu no chão.
Entre os dois, as energias deixadas pela espada vibravam como pétalas no ar.
— Ah.
As pétalas de energia da espada dançavam no ar.
As pétalas prateadas e quebradas eram transcendentemente bonitas à luz do sol.
Orphin, percebendo que estava ajoelhada na neve, soltou uma risada.
Na frente dela, aquelas impiedosas pupilas cinzentas de Callius apareceram novamente.
Uma derrota completa. Foi a derrota de Orphin, e uma indesculpável.
— Me mate.
Orphin curvou o pescoço exposto, indefesa.
Sreung!
A espada de Callius apontou para Orphin.
A premonição da morte a cobriu como uma sombra.
Porém…
Chwaaaak!
Ela se assustou.
Não foi o Orphin que Callius cortou.
Era uma Psammophis gigante e branca.
**TL/N: Psammophis é um gênero de cobra e uma tradução seria Cobra-da-Areia.
A cabeça do réptil gigante rolava na neve.
— Parece que estão se reunindo aqui por causa do cheiro de sangue.
Callius, que colocou Lucen de volta na cintura, calmamente começou a se afastar rapidamente.
— Você vai sair assim? Sem terminar!! Você vai manchar minha honra de novo!
Orphin gritou, mas a resposta a deixou atordoada.
— Foi apenas um duelo de prática. Você tem que tirar a vida do seu oponente depois de um treino?
Dizendo isso, Callius desapareceu silenciosamente na Floresta Branca.
Orphin, que olhava para a trilha deixada por ele com um rosto vazio, finalmente se levantou e agarrou sua espada.
— Apenas um duelo de… prática?
Sorrindo amargamente, ela logo voltou para se juntar aos Cavaleiros que haviam vindo encontrá-la.
— Ele foi embora?
— Sim.
— O que você fez? Você não parece muito bem, Capitã.
— Não foi nada.
Só se lembre disso.
— Um duelo de prática, um rápido.
Várias emoções apareceram e desapareceram no rosto de Orphin.
No entanto, essa esgrima não deixou sua mente.
‘Tanta habilidade… Ele escondeu seu poder antes?’
Confusa Orphin logo levou os Cavaleiros de volta ao Castelo Jevariano.
Em uma noite escura,
Depois de passar um dia e meio caçando as bestas mágicas dentro da Floresta Branca, Callius chegou a uma pequena pousada perto da fronteira.
Ele procurou Bernard, mas não conseguiu encontrá-lo.
Só encontrou Orphin ao invés disso.
Zzzzzz!
Os roncos vibravam mesmo fora de casa.
Bump!
Quando ele abriu a porta, Bruns pôde ser visto dormindo na cama, roncando.
Os olhos de Callius ficaram frios.
A Floresta Branca era um lugar bastante perigoso, então disse para Bruns descansar aqui, já que levá-lo junto seria um incômodo.
Mas não se sentiu bem quando o viu descansando com toda essa mordomia.
O mestre voltou de uma luta sangrenta com as bestas mágicas na Floresta Branca sob uma nevasca furiosa, e o servo estava dormindo confortavelmente.
Com o estômago cheio, nada menos.
— Bruns.
Callius chamou com uma voz pesada.
No entanto, não houve nem um tique em resposta.
Em vez disso, Bruns só roncou mais alto, como se afirmasse ainda mais que estava dormindo.
A paciência do Callius já havia atingido seu limite, então chutou imediatametne o Bruns, que ainda estava deitado na cama.
Puk – bump!
— Ugh! Que canalha!
Bruns acordou e gritou de surpresa, mas tudo o que viu foi Callius, com neve acumulada na cabeça e nos ombros.
— Oh meu Deus, o senhor está de volta!
Bruns imediatamente inclinou a cabeça.
Os olhos do Callius estavam tão frios que pareciam rasgar sua pele.
Bruns arqueou as costas ainda mais para baixo e se afastou.
— Por que só tem uma cama?
— Ah, oh, isso. Isso é, hum. Porque só tem um quarto aqui.
— É um lugar pequeno perto da fronteira, o que você quer dizer com não tem espaço?
Por que só tem um quarto vazio?
Em resposta à pergunta, Bruns coçou a nuca como se também não entendesse o motivo.
— Ah, sim. Eu também perguntei porque era estranho… Eles disseram que é porque amanhã é um dia de caça.
— Caça.
Teoss!
Callius se sentou na cama e acariciou o queixo, imerso em pensamentos.
— Entendo. Agora parece ser aquela época.
— Você sabe?
— Não é grande coisa. Provavelmente é porque a estação de reprodução está se aproximando.
A época de reprodução das bestas mágicas dentro da floresta.
A reprodução requer muita nutrição, e para as bestas mágicas, o principal suplemento nutricional era comer humanos.
Portanto, caçar se referia a uma caça em grande escala para as bestas mágicas, levando um grande exército de soldados para a Floresta Branca, para garantir que nenhuma besta saia e ataque civis.
— Acho que tem Cavaleiros Errantes vindo de todos os lugares, então não tem mais quartos.
Os Cavalheiros Errantes, que têm origens ambíguas ou buscam a honra não importando os meios, geralmente visam o Norte como destino.
No entanto, os Jervain não são uma família em que qualquer pessoa possa entrar, porque está em um patamar muito elevado até mesmo entre as famílias conhecidas por sua esgrima.
Assim, eles realizam um concurso de caça.
Para a família Jervain, em qualquer caso, havia mais benefícios do que perdas.
— O que gostaria de comer? Considerando o quanto o mestre come…
— Vou comer no restaurante. Eles estão prontos?
— Sim, eu dei uma palavra de antecedência.
— Então, vamos.
— Sim! Eu vou te guiar.
Há necessidade disso?
Era apenas uma pousada de três andares.
Não era um lugar grande, você podia ir até o primeiro andar e encontrar o restaurante.
— Meu mestre está aqui, como eu disse antes, traga a comida!
— Ah, um instante.
Já que era uma pousada no Norte…
O dono também não deu uma impressão normal.
Embora fosse careca, as cicatrizes em seu rosto e os músculos do braço bem forjados pareciam bastante impressionantes.
Callius se sentou, olhando uma vez para aqueles que já estavam comendo na sala de jantar.
‘Isso é irritante.’
A maioria das pessoas aqui eram cavaleiros que vieram participar da competição de caça.
Eles lutaram entre si.
Com o capuz, os outros não conseguiam ver a cor de seus cabelos e olhos, então pensaram que ele também era um Cavaleiro para competir.
Ele estava se cansando por nada porque os Cavaleiros exibiram seu espírito dentro do pequeno restaurante.
‘Eles não são Cavaleiros, são bandidos.’
A aura parecia se prolongar.
Posso ver o que vocês estão fazendo.
— Ah, aí está a nossa refeição.
— Nada mal…
Bruns conhecia bem o apetite de Callius, pois o viu comer de perto.
O dono do restaurante colocou dezenas de grandes pratos na mesa.
No prato, uma variedade de quantidades generosas de carne foram organizadas por porção.
E então o prato principal.
Kwaang…!
No centro da mesa, uma besta desconhecida, torrada inteira.
— Nosso famoso prato do norte, dragão terrestre grelhado!
— Oh, oh!
— Bom.
Fiquei preocupado com a comida, pois era uma pousada bastante pequena, mas me enganei.
Um dragão terrestre.
Embora não seja um dragão de verdade, mas mais como um lagarto.
Os lábios de Callius se curvaram.
Imediatamente, ele pegou o garfo e faca e cortou as patas traseiras do dragão terrestre grelhado.
A gordura espirrou dentro da boca.
As pernas tinham muito músculo, então pensou que a carne poderia ser dura ou pegajosa, mas esse não era o caso.
Em vez disso, era macia, os temperos e o molho permeavam profundamente o corte, então tinha gosto de pés de porco.
— Nada mal.
Callius continuou cortando elegantemente o dragão torrado com uma faca.
— Mas, irmãos, vocês podem comer tudo isso? Odeio que minha comida seja desperdiçada.
— O que você acha do meu senhor! Alguém que come como se estivesse carregando uma carroça no estômago! Podemos até pedir mais, então, por favor, relaxe, mestre!
— Bruns.
— Oi, mestre! Quer mais?
— É melhor arrancar sua boca ou arrancar sua língua? A escolha é sua.
— Eu escolho manter minha boca fechada…
O dono da pousada riu.
— Sinto muito, mas por favor, seja paciente. Acabei de ficar sem ingredientes.
— É o suficiente.
— Então, estou feliz! Haha!
O proprietário sorriu alegremente e voltou para o saguão.
Kkikig!
— Mestre, uma refeição.
Era um convidado.
Um homem com uma grande espada nas costas.
À primeira vista, ele era um homem forte e, olhando para os traços em sua armadura, podia-se dizer que era bastante agressivo.
— Sinto muito, mas o jantar acabou.
— Então, o que é aquilo?
— Esse foi o último prato. Infelizmente, você está um pouco atrasado. Quero te dar uma refeição, mas não posso fazer mais porque estou sem ingredientes.
O dono disse que era uma pena, mas não parecia muito triste.
Os olhos do homem se voltaram para Callius e os outros, que estavam comendo tão suntuosamente que as pernas da mesa rangiam sob o peso da comida.
Jeok, jeok. Kkikig!
Toda vez que ele dava um passo, a tábua de madeira do chão gemia e rangia.
Teosss.
— Ei, você. Você não vê que meu mestre está comendo!?
— Os servos devem ficar fora disso.
— O quê?
Puk.!
O punho do Cavaleiro partiu o ar.
— Kkkeuk!
Kudang!
Bruns desabou, batendo contra a mesa e não parecia que poderia se levantar.
No entanto, Callius, que ainda estava comendo o dragão da terra, não se importava.
Ele tinha comido graciosamente a carne das patas traseiras com sua faca e garfo, e agora restavam as patas dianteiras, bem como as partes especiais do dragão terrestre grelhado: o pescoço e o peito.
Por fim, mas não menos importante.
A bochecha, a parte mais especial de um dragão terrestre grelhado.
Era a parte que mais ansiava.
— Já que estou com tanta fome. Se possível, vamos comer juntos.
Udududuk.
O homem imediatamente arrancou a cabeça do dragão terrestre com a mão e começou a mastigá-la inteira.
O garfo de Callius parou.
— Oh, proprietário. Você cozinha muito bem! Quão delicioso isso é!? Especialmente essas bochechas, são incríveis!
Os olhos que olhavam para ele estavam cheios de vida.
O Cavaleiro gigante parecia ter se apaixonado pelo sabor do dragão terrestre grelhado, então estendeu a mão novamente depois de comer a cabeça inteira.
Ele estava se movendo para arrancar uma perna dianteira.
Em seguida, o garfo de Callius voou pelo ar.
Puk!
Keuk…!!
O garfo perfurou o dorso da mão do Cavaleiro.
— Ei, seu maldito…
— Se quiser morrer, tente fazer algo. Seu pescoço vai voar para fora no momento em que fizer o menor movimento.
A garganta do Cavaleiro balançou para cima e para baixo sob o olhar daqueles olhos estranhamente frios.
Ele não podia puxar o garfo ou segurar sua espada, então por um momento só podia olhar desajeitadamente para a mão na mesa.
Mas a dor o fez esquecer o medo.
— Seu filho da puta!
Ppok!
Ele puxou o garfo, jogando fora, e estendeu a mão para a espada atrás das costas.
Mas Callius foi um passo mais rápido.
A faca que ele segurava na mão se moveu.
Cheolkong!
A armadura do Cavaleiro caiu.
O homem ficou surpreso por um momento e congelou com a mão no cabo da espada atrás das costas.
Callius tentou cortar a cabeça do Cavaleiro com uma faca, mas não conseguiu.
— …
Ele só podia cortar as costuras da armadura, então a enorme armadura que o Cavaleiro estava usando caiu no chão.
A causa foi que um velho o puxou por trás.
Teosss.
O cavaleiro seminu agora tinha suor frio escorrendo da ponta do queixo.
— Khahahaha! Seu temperamento explosivo continua o mesmo de sempre, pelo que vejo.
— Ah! Que piada. A garganta deste velho quase foi explodida!
— Se ao menos tivesse sido explodida.
A essa altura, Callius não teve escolha a não ser parar de comer. O desagrado durante a refeição de repente se tornou irrelevante.
Teosss.
O velho se arrastou para o assento de frente para Callius, ofegante com a abundância de comida.
— Sim, você precisa desse tipo de refeição para manter seu estômago em forma. Conseguiu dinheiro de algum lugar? Não me diga que roubou aquela Bolivian de novo?
No entanto, de imediato, a espada do Callius cortou a mesa como um tigre ágil.
Kaang!
Kkig, kkikigigig!!
Faíscas brilhavam como fogos de artifício esplêndidos.
— Ei, que espada maravilhosa!
O velho ainda estava sentado à mesa, mas sua espada que recebeu o ataque de Callius foi revelada.
Uma lâmina vermelha, que simbolizava uma Espada Espiritual.
Um relâmpago azul fluía pela lâmina brilhando intermitentemente.
— É apenas esta espada?
O dono da Espada Trovão, Rakan, e o único Paladino no Norte.
— Bernard.
Bernard, o Raio Azul.