SS de Ichika e Nanase

A Vida Amorosa de Nanase

QUANDO A CONVERSA entre as duas finalmente chegou ao fim, ainda restavam cerca de trinta minutos antes do término da reserva da piscina privativa.

Mesmo assim, Nanase parecia pronta para ir embora primeiro.

No instante em que começou a se despedir, Amasawa a chamou.

— Raramente temos a chance de conversar a sós assim. Posso te fazer uma perguntinha?

Nanase parou.

— O que foi?

Ela não acreditava nem por um instante que Amasawa se tornaria uma aliada tão facilmente. Sua expressão quase não mudou, mas, por uma fração de segundo, ela se preparou para o que estava por vir.

— Nanase-chan, algum garoto já se declarou para você? Ou você já namorou alguém?

Olhos arregalados e um sorriso travesso a encaravam.

— Como é…?

Havia inúmeros assuntos que Amasawa poderia ter abordado.

Ayanokoji.

Ishigami.

A Sala Branca.

Nanase esperava algo nessa linha. Em vez disso, a pergunta que recebeu pertencia a um universo completamente diferente, tão inesperado que ela não conseguiu responder imediatamente.

— Então? — insistiu Amasawa, ainda sorrindo. — Já aconteceu?

— Nunca namorei ninguém — respondeu Nanase, rigidamente.

— Uau. Então você é uma garota completamente pura.

— Somos estudantes do segundo ano do ensino médio — retrucou Nanase. — Imagino que aqueles com experiência romântica ainda sejam minoria.

— Nada disso. Não sou especialista no assunto, mas ouvi dizer que a porcentagem gira em torno de cinquenta por cento. Isso significa que uma em cada duas pessoas já teve alguma experiência. E, se você for bonita ou fofa, as chances não seriam ainda maiores?

— Cerca de cinquenta por cento…? — repetiu Nanase. — Isso é verdade?

Nunca havia refletido seriamente sobre esse assunto e, por isso, aquele número lhe pareceu estranhamente irreal.

— Eu passei todo esse tempo na Sala Branca — disse Amasawa despreocupadamente. — E, desde que entrei nesta escola, meus olhos estiveram voltados apenas para Ayanokoji-senpai, então não tenho nenhuma história romântica para contar. Mas você é diferente, não é, Nanase-chan?

Era exatamente o tipo de conversa fútil que garotas normais do ensino médio costumavam ter. Ainda assim, Nanase sentiu uma leve sensação de estranheza escondida sob aquelas palavras.

— Entendo — disse ela. — Como uma forma de sondar o meu passado, é uma pergunta bastante eficaz.

Se Nanase não tivesse crescido em um ambiente familiar comum, sua falta de experiência amorosa não seria algo estranho.

— Ah, você está pensando demais — respondeu Amasawa. — Foi só uma pergunta inocente, nada mais.

— Bem… de qualquer forma, minha resposta continua a mesma.

— Então pelo menos existe alguém de quem você goste? — perguntou Amasawa. — Não me diga que é o Ayanokoji-senpai.

Por um breve instante, a imagem de certa pessoa atravessou sua mente. Mas, naquele momento, ela sequer conseguia se lembrar do sorriso dele.

— Não há ninguém de quem eu goste — respondeu Nanase. — Agora, se me dá licença.

Quase como se estivesse fugindo, Nanase se virou e saiu apressadamente da área da piscina privativa.

— Você tem um lado muito mais fofo do que eu imaginava.

Nanase havia demonstrado apenas o mais leve sinal de perturbação.

Mas, para Amasawa, aquilo já era suficiente para despertar uma pequena centelha de satisfação.

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