Cap. 38 – Aula de Atributo Elemental (3)

Olhei para Aidan, pálido e um pouco perplexo por dentro.

“Que diabos ele tá fazendo?”

No começo, pensei que ele estava fazendo algo contra mim. Pedi para ele parar, mas ele está expressando a sua insatisfação sutilmente agora?

“Vendo a reação dele, não parece ser esse o caso.”

Ele não sabia o que fazer, então ele não estava atuando. Em outras palavras, era verdade que ele sabia como manifestar o atributo elemental, que podia ser dito como a base da magia dos elementos. Não dava para acreditar. O proprietário de um tipo [incomum] de magia não podia fazer uma coisa tão básica?

“O que faço?”

Achei que ele fosse promissor, mas vendo ele impedido desse jeito, vi que estava errado. Em primeiro lugar, foi devido ao tipo especial de magia que ele pôde entrar em Soren?

“Ignorá-lo seria o caminho a seguir.”

Não havia necessidade de cuidar de alguém que não podia seguir nem as lições básicas. Quanto mais fazia isso, mais eu desperdiçava o precioso tempo dos outros alunos.

Falei, ao fazer os alunos da primeira e segunda série se juntarem, que não tinha intenção de ser atencioso com quem não conseguia acompanhar, não foi?

Talvez ele, que talvez conhecesse os meus segredos, ficar na aula sozinho fosse bom para mim. Sim, não precisava fazer nada. O mundo era, por natureza, um lugar frio.

* * *

— Aidan, o que está fazendo?

Ele fechou os olhos com força, predizendo a si mesmo o que estava chegando.

— Eu, isso…

— Você não pode nem manifestar os elementos. Vai se rebelar contra mim agora?

Todos os olhos se voltaram para os dois, Rudger franziu a testa e se virou para os alunos.

— Os alunos que estão prestando atenção em nós já aperfeiçoaram a manifestação do elemento? Vou ter que verificar eu mesmo.

Eles de imediato viraram a cabeça e voltaram às suas tarefas anteriores.

Aidan estava suando profusamente e não sabia o que fazer.

— Aidan.

— Hum…?

— Você ainda não conseguiu expressar de modo adequado os elementos? — perguntou Rudger, se recostando.

— Sim… Eu tenho vergonha.

Ele queria enfiar a cabeça num buraco. Todos os outros que entraram estavam seguindo o conteúdo da matéria muito bem, diferente dele, atrasado.

A entrada de Aidan em Soren também se deu por conta de uma espécie de “exceção especial” aplicada, e a magia básica que outros poderiam fazer ainda estava faltando nele.

— Quais elementos você pode usar? Sabe disso?

— Fogo, água e vento.

Já que ele lidava com um tipo especial de magia, pensei que ele se especializasse em mais. Era do conhecimento geral que, quanto mais talentosa uma pessoa fosse, com mais elementos ela poderia lidar.

— Então, vou começar com fogo.

— Sim.

— Vou te ensinar porque não posso deixar os alunos ficarem para trás na primeira aula.

— Mas eu…

— Detesto com todas as forças ter alguém assim na minha aula. Discordâncias não são aceitas. Concentre-se.

— Ah, sim!

— Reúna a sua magia. Uma manifestação básica deve ser possível, certo?

— Sim.

Ele assentiu e criou uma esfera mágica. Era uma manifestação básica que qualquer um poderia fazer se aprendesse um pouco de magia.

— Pense em transformar esse poder em um atributo. Como acabei de dizer, numa chama.

— Deixa comigo.

Com atenção, ele olhou para a esfera. Tracy e Leo deram a ele um olhar de apoio. Todavia, não importava o quão focado estivesse, era difícil manifestar o atributo fogo. No momento em que ele se perguntou se era o caso, Rudger abriu a boca.

— Vá com calma e não pense demais. Não importa o quanto tente pensar no fogo, é difícil no começo. Portanto, não faça apenas pensar com a lógica, mas também sinta. Use os sentidos.

— Sentir…?

— É, use os seus sentidos. Imagine um fogo ardente. Feche os olhos e concentre-se.

— Certo.

Aidan se concentrou no conselho, e a imagem do fogo veio à sua mente. Contudo, não foi fácil.

— Concentre-se. Relembre o momento em que o fogo foi a coisa mais intensa presente.

— Sim.

Ao dizer isso, ele sentiu como se estivesse segurando algo. E aí pôde se lembrar devagar do momento mais impressionante possível: a sensação da queima de lenha numa casa de campo.

A família dele estava observando o fogo. Naquele tempo, o escarlate vibrava para lá e para cá na lareira.

— Agora pense no som do fogo — falou Rudger.

Em vez de responder, Aidan seguiu as instruções em silêncio.

O barulho subindo ao vento e o som da lenha estalando… Os quebra-cabeças foram montados um por um na cabeça dele.

— O próximo passo é usar o olfato.

O jovem viajou para as profundezas do seu subconsciente. Sentia o odor pungente da lenha e o cheiro sutil de carvão. A família dele costumava cozinhar guisado sobre as chamas.

— Você não tem senso de gosto, então pense no tato. Trata-se de reviver as sensações sentidas na pele ao enfrentar o fogo.

Seguindo a orientação, ele criou uma memória perfeita do seu passado. Os sentidos reunidos, um por um, recordavam vividamente as lembranças dele.

Ele se recordou de um momento de oito anos atrás. Um dia, durante o inverno gelado, uma nevasca soprava pelas janelas azuis-escuras. Envolto em roupas grossas para evitar o frio, ele pôs lenha na fornalha para evitar que o fogo ardente se apagasse.

As suas duas irmãs se agarraram a ele, choramingando, então toda a família se sentou em frente à lareira e comeram juntos. As duas tagarelavam, a sua mãe reclamava e o seu pai sorria para elas.

Ele não conseguia comer comida extravagante, e um vento frio soprava através das rachaduras as roupas dele, que não estavam muito boas. Aquela lembrança era tão vívida quanto o que aconteceu.

O fogo não estava muito quente e também não era assustador, então a chama fazia um calor suave. Ele se lembrou de poder passar o inverno frio com conforto.

— É isso.

— Ah…

Aidan abriu os olhos ao som da voz do professor e viu uma pequena esfera de chamas queimando sobre as mãos. Ele arregalou os olhos como se estivesse incrédulo com as chamas semelhantes àquelas da sua memória. Era calorosa, não quente demais, e macia ao invés vez de destrutiva.

— Nada mal.

Ele ficou atordoado com o elogio. Rudger, que havia apenas criticado os alunos que eram chamados de gênios, falou bem dele. Na verdade, ele se perguntou se poderia chamar aquilo de elogio, mas as palavras foram positivas.

A maioria dos outros alunos, que estavam prestando atenção na conversa enquanto fingiam foco nas suas atividades, ficaram surpresos.

— A chama é mais do que um elemento normal; ela pode ser chamada de sua própria chama. Em vez de copiar o que os outros ensinaram e manifestar cegamente isso, você está expressando o elemento fogo que sentiu. Essa é a sua magia.

— A minha magia?

Ele olhou para a esfera de fogo que criou, como um homem de espírito perdido, mas perdeu a concentração e ela desapareceu que nem uma miragem.

— Aidan.

— Sim, professor?

— Não se esqueça dessa sensação.

Rudger foi ao próximo aluno e deixou Aidan, ainda sentindo como se estivesse sonhando. Leo e Tracy, que estavam observando ansiosos ao lado, bateram no braço dele.

— Aidan, você é incrível!

— Como você fez isso?

— Hã, hum?

O elogio alimentou o entusiasmo dos alunos que ainda não haviam sido avaliados. Então Rudger olhou para todos e abriu a boca.

— Como devem ter notado, é o método que eu estava tentando falar no início ca conferência. É a aplicação dos sentidos através da experiência.

Os alunos esperaram a próxima explicação na aplicação dos sentidos.

— Atributos elementais devem ser baseados em uma compreensão básica do elemento. Mesmo uma criança de três anos sabe que o fogo é quente e que o gelo é frio. Se você é um verdadeiro mago, tem que pôr algo especial.

— Algo especial?

— Pense no elemento que deseja manifestar, não como uma memória vaga, mas como um momento intenso que você teve. Use não só a visão, mas os cinco sentidos para senti-los também..

Depois de seguirem o conselho dele, responderam com alegria.

— Uau!

— Muito melhor do que antes!

As palavras dele não eram falsas. Ao comparar as lembranças e experiências, se recordavam dos elementos de forma mais profunda, os manifestando melhor. Até o sentimento do próprio elemento mudava de acordo com a sua experiência e inclinação.

Naquela hora, um grito forte irrompeu de um lado.

— Ai, meu Deus. Loucura, loucura. O que é isso?

— Elementos misturados? Ela já está usando isso?

Flora, a feição demonstrando confiança, era o centro da atenção atônita de todos. Ela combinou dois elementos, fogo e gelo, em um.

A forma do fogo ardente havia se transformado no gelo azul-claro, mas estava se movendo pouco a pouco, como uma ondulação. Era a chamada chama congelada.

“Hum. Isso não é nada.”

No início, ela estava planejando usar apenas um elemento com moderação. Fez isso simplesmente porque pensou que seria o suficiente para impedi-la de ser criticada por Rudger.

Ela já tinha aprendido a manifestar os atributos através dos cinco sentidos, e a sinestesia mágica única dela tornou possível manifestá-los com um grau muito maior de excelência acima dos outros.

Ao ver Rudger ajudando cuidadosamente um garoto do primeiro ano, e até o elogiando no fim, algo quente surgiu no coração dela. O seu orgulho não tolerava a situação.

“Você vai me elogiar também.”

Não bastava implementar um elemento com perfeição. Ela era Flora Lumos, e mesmo dentro de Soren, ela nunca deixou o título de gênio.

Não seria prejudicial à sua autoestima se a sua magia fosse de apenas um único elemento? Então ela fez com dois, que podiam ser considerados opostos.

Fogo e gelo podiam coexistir se as duas técnicas mágicas fossem coordenadas para que não infringissem uma à outra e sejam tecidas juntas. As características delas eram fundidas e transformadas numa nova forma.

O aninhamento de elementos podia ser considerado um nível avançado de atributo elemental. Ela poderia com facilidade combinar dois, mas de repente ficou gananciosa. Ela pensou que fosse porque estava numa condição boa e num estado de espírito elevado. Talvez agora conseguiria um aninhamento triplo que nunca fizera antes.

“Fogo congelado. Se eu colocar o elemento vento nele e fazê-lo girar…”

Seriam três sobreposições de elementos ao adicionar um aos existentes. Ela nunca pôde fazer isso antes, mas sentiu que poderia ter sucesso agora. Quando imaginou o rosto de Rudger depois que conseguisse, sentiu vontade de rir. Porém, não demorou muito para que a aparência dela mudasse.

“O quê?”

Ela foi a primeira a “ver”. No momento em que as três cores estavam prestes a se misturar lindamente, de repente perderam a forma e colidiram entre si. Isso significava que a magia fluía em uma direção diferente das suas intenções e falhava.

“Não!”

No final, a ganância se transformou em raiva.

Os três atributos colidiram, gerando uma energia intensa. Ela cerrou os dentes e tentou contê-los, mas não foi tão fácil quanto pensava.

A magia, que já havia cruzado o limiar, estava fora do controle dela, e à medida que os três elementos se fundiam em um, começavam a emitir luz cada vez mais intensa.

— Hã?

A magia intensa sentida no centro da sala de aula também fez os alunos perceberem que algo estava estranho.

— Flora, pare!

A sua melhor amiga, Cheryl, que estava sentada ao lado dela, gritou, mas Flora não conseguiu responder. Mordendo os lábios com força, só podia tentar suprimir em desespero a magia prestes a correr solta; foi perdendo mais e mais o controle.

“Eu tenho que parar isso de alguma forma!”

Se isso continuasse, explodiria. Nesse caso, com a determinação de não infligir nenhum dano aos arredores, ela se cercou de uma barreira mágica. Mesmo que a magia ficasse selvagem, a tempestade não se espalharia.

Ela fechou os olhos com força. Naquele momento, sentiu uma mão quente.

— Hum?

Ela abriu os olhos, e Rudger estava parado na frente dela depois de entrar ao quebrar a barreira. Ele a encarou enquanto segurava suavemente as costas da dela, agarrando a magia.

“Como?”

— Concentre-se, Flora Lumos — disse, adicionando a sua própria magia.

— Senhor?

— Não desista. Controle a sua magia.

Ela olhou fixamente nos olhos dele. Não havia nenhum sinal de medo neles, mesmo na frente do poder mágico que poderia explodir a qualquer momento.

— Vou ajudá-la.

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