Cap. 41 – Reverberação do Passado (1)
— Hum, hã? Senhor Rudger? O que é isso…?
— Leia.
— Tá?
— Se ler o que está ai, vai pelo menos conhecer um caminho que você nunca viu antes.
Rene ainda não entendia como isso aconteceu. Por que Rudger a levou ao escritório e deu um livro?
— É de verdade?
Com um olhar de descrença, Rene olhou atentamente para o título [Entendendo a Magia Não Elemental]. Até onde sabia, a sua magia era raríssima, e ela nunca a usou em público.
Quando olhou com atenção para a capa, notou que o nome do autor não estava no livro. Não havia sequer um selo indicando que foi publicado.
“Não é falso?”
— É normal duvidar.
— Sim. Ah! Ah, não! Não é assim…!
Estava tão exposto na cara dela assim? Ela tocou com pressa a sua bochecha e controlou a expressão. Felizmente, Rudger não aparentava ter nenhuma intenção de repreendê-la por isso.
— Não há problema em ler e julgar. Será mais útil do que não saber nada.”
— Mesmo na torre, não havia informações sobre a magia não elemental…
— Meu código-fonte está presente lá?
Em resposta a uma refutação tão maravilhosa, Rene mordeu os lábios com força. Então era real?
— Onde você conseguiu algo assim…?
— Por uma conexão.
Com isso, a cabeça dela se inclinou um pouco para o lado. Que tipo de conexão poderia obter com algo como este livro?
— Você, senhor Rudger, também sabe alguma coisa sobre magia sem atributo?
A visão dela sobre ele era tão natural que não teve escolha a não ser pensar que ele havia adquirido conhecimento ao de fato experimentar magia não elemental.
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Se ele fosse o Rudger que criou o código-fonte mágico, ela tinha a expectativa de que ele pudesse saber o que os outros não sabiam.
— Conheci uma pessoa assim antes.
— Céus, tinha outros usuários magia sem atributos além de mim. Então, onde ele está agora?
— Não mais entre nós.
— Ah…
A voz dele parecia ter um pouco de arrependimento, ao contrário do habitual. Pelo menos, foi isso que ela sentiu.
— Sinto muito.
— É coisa do passado.
— Então, este é o último livro que ele deixou?
— Sim. É o resultado da sua pesquisa sobre os próprios poderes mágicos enquanto em vida. É algo que não existe nem na torre.
— Por quê…?
Ele não entregou à Torre, mas sim a Rudger? Ela não conseguiu acompanhar isso.
— Foi porque ela quis assim.
Ah! Era uma mulher. E o que ele queria dizer com aquilo? Rene de repente se perguntou quem era a outra maga não elemental.
— Mas não seria melhor pro público entregá-lo à Torre?
— Mesmo que você entregue à Torre, um lugar cheio de velhos gananciosos, não reconhecerão este livro. Alguns vão admitir isso e não vão mostrar a ninguém além deles mesmos. É muito melhor dar a alguém que realmente precisa, então vou mantê-lo até que eu encontre alguém digno.
Em resposta, Rene olhou para ele de novo.
— Se ler o livro e trabalhar duro, com certeza encontrará um novo caminho.
— Então, não tem como aprender magia de outros atributos?
— Até onde sei, sim.
Por mais que não demonstrasse, ela possuía um desejo de usar magia elemental tão colorida e bonita quanto as outras.
— Está desapontada?
— Sendo honesta, sim. Mesmo apenas um elemento seria bom, então eu queria usar.
Outros lidam com dois, três ou mais, e pessoas talentosas lidam com cinco pra cima. De repente, Rene se lembrou do que havia mostrado a ela na aula.
Pensando melhor, quantos elementos ele podia usar? Ele revelou fogo, água, terra e vento, e até usou o gelo no início.
— Um elemento.
Na verdade, Rudger ponderou com calma a respeito do que ela havia dito sem conhecer o seu coração.
— Rene, você está dizendo isso porque não entende, mas usar apenas um elemento nunca deve ser tomado de ânimo leve.
— Sim? Não seria bom usar um?
— Todos… para ser exato, os magos têm, pelo menos, dois elementos inatos. Então, se você só lida com um, o que você acha que vai acontecer?
— Hã, hum… Sem talento? — Rudger balançou a cabeça. — Não.
— Uma pessoa que usa apenas um único elemento é uma pessoa com talento infinito e incomparável com esse elemento.”
Enquanto Rudger falava, Rene abriu a boca em descrença. Apenas alguns magos podiam usar só um elemento. Mas eles não eram fracos; contrário, era mais do que isso.
— Rene, você acha que a magia elemental usada por um mago pode afetar a magia do mesmo atributo? Por exemplo, um mago que lida com o elemento fogo suprime as chamas.
— Hã, não é normal?
Ela tinha esse tipo de bom senso.
Poder usar o elemento fogo não significava que você poderia lidar com o fogo. Era também um fator que muitos não entendiam. Se fosse um mago ígneo, não seria afetado pelo fogo? Se fosse um mago que lidava com o metal, ele daria conta de todos os tipos? Então, por que não mostrava grande poder na guerra?
Isso estava errado. A “expressão” e “manipulação” do elemento eram dois conceitos completamente diferentes.
— Sim, normalmente é. No entanto, existem magos que nascem com apenas um. A magia que eles usam é diferente por completo daquela dos magos comuns. Um mago de atributo único e conhecido pelo público recebe o título de “cor elemental” na Torre Mágica. Dizem que todos chegaram ao extremo de seu elemento.
— Isso que significa usar um único elemento…
Ela sentiu que o seu próprio conhecimento estava faltando, e seu rosto avermelhado. Como poderia um único elemento ser uma parede tão grande? Se assim fosse, ela teria mesmo que viver desse jeito sem conseguir lidar com eles?
“Ela estava apavorada.”
— Rene, o que você acha da magia sem atributos?
— Hã… Isso não significa que as propriedades não existem?
— Se eu perguntar a uma criança aleatória a respeito, vou receber a mesma resposta.
— Desculpe…
— O mundo fala assim, mas não está claro se de fato existe magia sem nenhum atributo.
— Sério?
— Um exemplo típico seria a magia do som.
— A magia do som existe? — perguntou, inclinando um pouco cabeça.
— Sim. Mas o som é, sendo preciso, um tipo de onda que viaja através do ar. Você acha que ele também é magia do vento, certo?
— Acho que sim.
— Errada. Vento e som não têm nada a ver um com o outro. Embora seja derivado dele, o som está mais para uma onda causada por vibração.
— Hum, mais alguma coisa?
— Mesmo que não seja ar, a onda sonora se espalha pela água. Então, podemos dizer que o som é uma propriedade da água?
— Isso… não.
— E veneno? O que é veneno?
— Veneno… o quê?
— É um pouco mais comum do que os chamados não atributos, mas, mesmo assim, os magos de veneno são raros. O veneno com que lidam pode mesmo ser natural?
— Hã, hum… semelhante às plantas?
— Então, qual é o veneno dos animais?
— Sim, há isso também.
Ela explicou o veneno pelo que sabia.
— Ugh. Em primeiro lugar, o próprio veneno é uma espécie de autodefesa criada por plantas e pequenos animais para sobreviver em um ecossistema, não é? Não seria um pouco vago chamar de elemento da natureza?
— Sim. Não é razoável considerar o veneno como uma propriedade da natureza na era atual do conhecimento químico, juntamente com o desenvolvimento da ciência. Mas o veneno existe como um atributo, afinal. A própria magia corrompe e derrete alguma coisa. Caso contrário, a propriedade de decomposição pode ter que existir.
— Verdade.
— Mas veneno e som não podem ser incluídos nos dez elementos. Por que isso?
— Porque o número de pessoas que usam é pequeno?
— Se enxergar assim, as pessoas com os poderes mágicos de luz e escuridão também se enquadram nessa categoria. Também são casos raros.
— Mas a luz e a escuridão existem na natureza.
— Então vou fazer outra pergunta. Rene, o que é a natureza?
— Humm…
O que era a natureza? Quais eram as propriedades e elementos implícitos nela? Não era o mundo? O mundo era inclusivo demais? E quanto aos elementos?
— Pensando bem, acho que não consigo definir com clareza a natureza.
— Claro. Os próprios humanos não podem definir o mundo.
— É?
Com as palavras que provavelmente não sairiam de sua boca de professora, Renu logo se expressaria com alguém aqui.
— Os magos julgam-se racionais e tentam ver o mundo colocando-se dentro da estrutura de tal razão.
— Com certeza. Em primeiro lugar, a magia é a expressão do mistério através da razão e da vontade humana.
— Deste ponto em diante, foi uma ideia estereotipada. Rene, tenha uma mente mais livre. Quando você acha que o metal que existe entre as dez propriedades agora apareceu?
O metal não foi originalmente avaliado como um elemento; ele saía do solo e era agrupado como um atributo da terra. Porém, à medida que a ciência avançou e todos os tipos de máquinas e ferramentas feitas de ferro se tornaram cada vez mais populares, o metal foi adicionado à lista dos dez elementos.
— Mesma coisa com o gelo. Ele é apenas uma mudança que acontece quando a água fica abaixo do seu ponto de congelamento. Afinal, água e gelo não são a mesma coisa?
Contudo, no final, as propriedades da água e do gelo são separadas. O mesmo vale para a luz e a escuridão.
— Rene, você pensa na magia que existe agora como algo perfeito, sem espaço para melhorias.
— Ah…
Com as palavras de Rudger, Rene sentiu um raio atingindo a sua cabeça. Até agora, pensava na própria magia como algo que não podia mais ser tocado, algo em um estágio muito distante. Mas era isso mesmo? A magia não poderia mais mudar?
Ele, percebendo que ela sentia algo, balançou a cabeça.
— Eu enfim descobri. Um mago deve controlar a magia, não ser controlado por ela.
Ele levantou e caminhou em direção à janela. Através da janela de vidro transparente, viu o cenário da academia, que seria responsável pelo futuro desta era.
— O mundo muda, e é claro que fazemos parte disso. O mesmo acontece com a magia. Atributos, que antes eram quatro, agora são dez, mas esses dez não constituem tudo. Pode haver atributos desconhecidos que ainda não foram revelados. Vinte, trinta ou até mais.
O coração dela bateu mais forte ou ouvir.
— O mesmo vale para a sua magia. Pode não ter atributos agora, mas no futuro, pode adquirir um nome novo. Não agora, mas com certeza em algum momento.
Com essas palavras, ela teve uma visão vaga de algo. Ela não tinha nada além de um futuro de sucesso no qual alcançou grandes conquistas em uma área. Era o que ela sonhara, e era tão deslumbrante que ela sem querer cerrou os punhos.
Rudger desviou o olhar da janela e se virou.
— Ah.
Rene, voltando à realidade, soltou uma exclamação. Por alguma razão, a aparência do professor olhando para ela de costas para a luz que descia da janela era muito diferente da sua aparência coercitiva habitual.
O homem semelhante a uma coluna de aço estava longe de ser encontrado. Ali estava um buscador como ela.
— Não tenha medo de ser diferente. Não tenha medo do desconhecido. Confie que você pode se tornar um pioneiro que entrará para a história.
Ela abriu os lábios para dizer algo, mas emitiu som nenhum.
Como se algo pesado estivesse pressionando o seu peito, mesmo os seus pensamentos eram distintos. Porém, não parecia tedioso e doloroso. Essa foi a maior alegria que ela já provou.
As palavras dele rasgaram o futuro precário que ela mantinha até agora. Nenhuma palavra saiu, mas ela ainda queria dizer “obrigado”.
— Então, boa sorte no futuro. Se certifique de ler o livro. É uma tarefa pessoal dada apenas a você.
Com gentileza, o vento o envolveu, a levantou do seu assento e a levou para fora do seu escritório.
— Ah, eu…
Ela se virou e tentou dizer algo. Entretanto, a porta se fechou antes que ela pudesse falar.