Cap. 54 – Cobra Vermelha na Lama (1)

Dutri entendeu a situação em um instante.

— Matem eles!

As ordens de Dutri foram rápidas. Se Moriarty foi para se livrar deles, não haveria resposta além de um acordo ou uma grande luta.

Ao comando, os seus homens se moveram. Eles jogaram fora as armas e puxaram adagas; o fluxo, todavia, não foi tão bom.

— Ah! Ah!

— Morra!

Entretanto, o adversário era um mago. No momento em que hesitasse, morreria.

Se corressem de todas as direções juntos, podiam ter a chance de ganhar, visto que Moriarty estava sentado no meio do pub com o lobisomem atrás dele.

Vendo cerca de cem pessoas correndo em sua direção, Hans perguntou a Rudger o que ele faria com os olhos. Rudger não respondeu à pergunta, e em vez disso, agiu.

Ele ergueu o cajado que segurava na mão e bateu no chão de leve. Nesse momento, sombras começaram a fluir ao redor da equipe e se espalharam por todo o pub.

— O quê?

— O que é isso?

Os membros da Sociedade Vermelha tentaram atacar, mas não se moveram. A escuridão engoliu todas as luzes no local.

As sombras criadas eram muito mais escuras do que os becos do lado de fora sem iluminação pública. Era um breu completo, e nessa escuridão Rudger podia se mover como desejasse.

— Cacete! Isso dói!.

— O quê!?

— Não consigo ver nada.

Gritos ecoaram no escuro, significando a morte.

Rudger puxou uma espada da sua bengala e foi avançando nos membros da Sociedade Vermelha.

— S-socorro!

— Chefe, ajude-me! Chefe!

Como seus companheiros morreram um por um, o resto do grupo não conseguiu manter a sanidade. O medo de não ver nada com o som da morte estava se aproximando, e suas mentes não podiam suportar isso.

— Morra! Morra!

— Está aqui.

Enlouquecidos pelo medo, terminaram se atingindo no desespero, transformando, em um piscar de olhos, o pub em uma briga sangrenta.

Rudger usou um feitiço complexo que usava sombras e acrescentou uma maldição para incutir medo no coração enfraquecido do oponente. Era a magia negra de terceiro grau “Sonho do Tolo”. Por mais que não funcione com quem continha uma mente forte, exercia um grande efeito.

— Porra, o que você está fazendo! Pare com isso!

Dutri cerrou os dentes e gritou. Embora não pudesse ver, a sua vontade não foi abalada por tal escuridão, pois tinha uma carta final em que acreditava.

Ao seu comando, os dois homens que estavam de guarda perto dele brandiram as suas espadas, carregando uma aura nas extremidades delas que dividiu o breu mágico.

Com o tempo, a luz voltou, revelando a aparência do pub: um verdadeiro desastre. Dos quase cem, menos de dez, cobertos de cortes e sangue, estavam vivos.

O olhar sanguinário de Dutri se voltou para Moriarty, que estava no centro da tragédia.

“Quem era aquele monstro lobo? Quando ele desapareceu?”

O lobisomem aparentava ter sumido na escuridão, e Moriarty estava sozinho parado com uma espada no meio dos corpos como um ceifador. Nem uma gota de sangue estava nele, mesmo que a área estivesse banhada em vermelho. Dutri sentiu arrepios sem perceber.

— Matem-no!

Os dois guardas se separaram e correram em direção a Moriarty a uma velocidade aterrorizante. Uma pessoa normal teria perdido a cabeça, já que os dois quase-cavaleiros possuíam capacidades de longo alcance.

“Eu não posso levá-los de ânimo leve.”

Eles dominaram a aura e dissiparam a magia de Rudger. Mesmo que fossem mais fortes do que cavaleiros aprendizes, ele não achava que perderia.

Ele pulou para trás e despejou um frasco sob os pés. No segundo seguinte, o frasco explodiu e espalhou uma fumaça roxa por toda parte.

— É veneno?

Entrelaçado com aura, o espadachim de cabelos compridos recuou e protegeu Dutri. Acabava quando o mestre morria, não importava o que dissessem.

O espadachim cortou todas as sombras que vinham da fumaça roxa com seus reflexos transcendentes. Contudo, ele ignorou o veneno pingando do reagente, que explodiu e pulverizou no seu antebraço.

— Porra!

O veneno entrou em contato com a pele. Não importava quanta aura gerasse, não poderia ser parado facilmente.

O que Rudger jogou era mais como uma droga química que dissolvia tudo em vez de um veneno. A menos que ele pudesse se proteger com o escudo da aura, a droga não poderia ser interrompida.

— Que desgraça!

Em um instante, um dos seus braços ficou paralisado e ele brandiu a espada com o braço restante à fumaça roxa. A fumaça foi dilacerada, mas ele não viu Rudger em lugar algum.

— Onde?

— Sai daí! Embaixo!

Um outro que estava observando por trás lhe deu um aviso, mas já era tarde demais. A lâmina de Rudger, que de repente saiu da sombra abaixo, perfurou a mandíbula do homem e se projetou até o topo de sua cabeça.

— Um mago pode usar o corpo a corpo também — disse ele, puxando a espada.

O cadáver superdimensionado se inclinou e caiu para o lado. Ele pensou que poderia vencer se fechasse a distância e impedisse o mago de lançar seu próximo feitiço, portanto, Rudger venceu explorando a brecha do inimigo.

— Quem diabos é você?

— Eu não te disse antes? Professor James Moriarty.

— Não tem como os rumores de um mago que luta assim não terem se espalhado. É estranho que não haja notícias há anos. Você estava escondendo sua identidade?

— Sou obrigado a falar? Você morrerá em breve.

Rudger zombou do homem de cabelos compridos e sorriu maliciosamente para Dutri. A pele do chefe da gangue ficou pálida.

— M-mate ele! Eu te pago pra isso!

Um dos dois encarregados da maior força da Sociedade Vermelha sofreu. Ele só podia confiar agora no de cabelos compridos que o protegia.

Esse subordinado estalou a língua e olhou nos olhos de Rudger. A julgar pelo comportamento dele, parecia muito experiente em combate.

— Não vai fugir?

— Vai vir atrás de mim?

— Ei! — gritou Dutri. — Gee, vai me trair logo agora?!

— Veja a situação. Alguém semelhante a mim morreu sem saber como. Você quer que eu lute contra um monstro desses?

— Eu te dou dinheiro!

— Dinheiro não é mais valioso do que a vida.

— Dobro, o dobro! Não, vai ser o triplo! E incluindo a parte do seu amigo morto! Então mate-o!

O homem hesitou ao ouvir a parte do “triplo do dinheiro”.

“É possível ganhar?”

No início, a presença de Rudger foi bastante intimidadora, mas ele viu a maneira como ele luta. Em essência, lutar era entender o caminho do inimigo e antecipar seus movimentos.

Nesse momento, Rudger puxou a arma da cintura e disparou contra ele.

As duas balas foram desviadas pela espada, mas a sensação foi estranha, como se elas contivessem poder mágico.

“Bala mágica? Até isso?”

Não era algo que os magos que ele conhecia fariam. Dizia-se que os excêntricos faziam coisas estranhas vez ou outra, porém, isso não era muito senso comum.

Rudger disparou outra bala mágica. O homem a desviou com sua espada e concluiu ser impossível manter aquela distância, então ele começou a correr.

Rudger recuou de novo. O quase-cavaleiro era veloz ao extremo, no entanto, havia garrafas de reagente rolando sob de onde Rudger havia saído.

“Você acha que eu vou cair no mesmo truque?”

Decidido que as garrafas espalhariam névoa venenosa após observar o estilo de luta do oponente, ele brandiu a espada antes de serem acionadas. Não adiantou de nada, porque o seu rosto logo se contorceu.

“A espada…”

Quando a garrafa foi cortada, o líquido pegajoso que saiu dela fixou sua espada no chão. Ele usou a aura para libertá-la, deixando uma abertura para Rudger apontar a arma para sua testa.

“Se eu não puder pará-lo, vou desviar!”

Com seus reflexos, ele poderia se esquivar das balas apenas olhando para o oponente puxando o gatilho. Portanto, ele se concentrou na figura adversária. De repente sentiu uma dor ardente no estômago e não teve escolha a não ser olhar para baixo.

 Hum?

Algo como uma lança negra se projetava no seu estômago. Ele lutou para virar a cabeça e viu que era verdade; uma lança feita a partir da sua própria sombra havia perfurado o seu estômago pelas costas.

— C-como…?

“A magia usada pelos magos não era centrada no conjurador?”

Ele não conseguia entender como o feitiço foi ativado de uma direção diferente.

— Eu nunca tinha ouvido falar disso…

Taang!

A bala mágica de Rudger perfurou sua testa. No fim, os dois quase-cavaleiros morreram em vão sem deixar um único ferimento nele. Dutri, que assistiu à cena do começo ao fim, deslizou para baixo em seu assento com um rosto pálido.

Tum. Tum.

Rudger se aproximou devagar e olhou para ele. Seu rosto, de costas para a luz, estava obscurecido pelas sombras, impossibilitando vê-lo bem.

— Venha.

Mas ficou claro que Rudger estava sorrindo.

— Vamos terminar a história.

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