Cap. 62 – Magia de Designação de Coordenadas (2)

Os alunos não gritaram com o aparecimento do novo feitiço, mas seus olhos já estavam em chamas como um vulcão ativo queimando sob as águas profundas.

— Uau!

Enquanto isso, havia um estudante admirando com inveja. Era Aidan.

— Leo, você viu? É o senhor Rudger criando feitiços!

— Leo? Leo!

Quando Leo, que normalmente teria respondido, não disse nada, Aidan balançou o seu ombro.

— Leo, você está bem?

— Hum, hã?

— Qual é o problema?

— Aidan, você… você sabe a grandiosidade disso?

— Sim? Por quê? É ótimo, mas é algo surpreendente?

— Você…

Ele suspirou e balançou a cabeça.

Às vezes, como Aidan, ele pensava como seria confortável estar em uma posição em que não soubesse o que fazer. Era difícil acompanhar a magia inovadora que Rudger havia mostrado.

“É uma magia que transcende o espaço. Mas que merda é esse professor?”

Leo estava ainda mais desconfiado da identidade de Rudger. Como ele, muitos ficaram surpresos. Quanto mais você sabia, mais via. Um dos exemplos era Flora Lumos.

“O quê?”

Por um momento, um cheiro doce permaneceu na ponta do nariz, mas ela quase perdeu a cabeça. Não só isso. Todos os tipos de cores apareceram na frente dela de uma maneira complexa, e ela sentiu como se sua visão estivesse paralisada. A sinestesia da magia, seu talento inato, a estava confundindo naquele momento.

“Eu nunca vi magia assim.”

Por mais que houvesse pouco a aprender, a magia de Rudger era única. O que ela sentia através da sinestesia sempre foi como ver um quadro em uma moldura. Observando, ela poderia dizer como a magia foi feita.

Todavia, a magia que ele estava usando agora diferia do habitual. Em vez de parecer arte, era o centro da exibição de fogos de artifício. Fogos de artifício explodindo de todas as direções e luzes coloridas deslumbrantes. Ela teve dificuldade em se manter sã.

“Onde diabos você aprendeu isso…?”

Ela fechou os olhos com força sem perceber, porém o arrependimento inundou. Ela queria ver essa magia um pouco mais e sentir esse prazer de novo. Com esse pensamento, ela abriu os olhos e depois os fechou de novo devido à estimulação excessiva.

A princesa Erendir assumiu uma feição séria, e Rene ao lado dela, soltou pura animação. Julia Plumhart tinha uma expressão normal, entretanto, seus olhos semicerrados estavam mais afiados do que o habitual.

Após receber a atenção de todos os alunos, Rudger parou.

— O que foi? Estão um pouco intrigados?

Os alunos não conseguiram responder à pergunta porque ainda estavam imersos.

— Deve ser uma magia bem estranha e surpreendente para vocês, mas neste vasto mundo, ela é apenas uma parte muito pequena. Isso não é nada mais do que uma forma um pouco modificada de magia.

Com as palavras dele, não tiveram escolha a não ser duvidar de seus ouvidos por um momento, mas ele foi sincero. Essa magia de designação de coordenadas que ele usava não era nada comparada à “magia verdadeira” com a qual ele estava familiarizado.

— Esse feitiço que fiz não é nada mais do que um truque inspirado na magia de um outro mago.

— Mentira.

— É sério isso?

— Sim. Há diversas outras magias desconhecidas pelo mundo, e qualquer um aqui pode criar e desenvolver sua própria.

Era fácil falar, contudo, nenhum dos alunos desprezou a magia dele. Mesmo que houvesse coisas que inspiravam, transformá-las em suas próprias era diferente.

— Claro, não mostrei para ensinar.

Com as palavras de Rudger, alguns estudantes quase choraram de arrependimento. Como era algo novo mostrado depois do código-fonte, tinham expectativas altas.

— Você não vai nos falar do princípio?

— Se você estão curiosos, pensem e analisem por si mesmos.

— Então, por que você mostrou isso?

— Espero que vejam isso e percebam uma coisa.

Alguns dos alunos viram por que ele lhes mostrou algo que não ensinaria, porém ele também tinha uma intenção.

— Também fiz isso com base na inspiração de outra pessoa. Afinal, a magia não é apenas sobre ter suas próprias criações.

Era claro que a magia nasce de novo imitando a magia dos outros, visto que era quase impossível criar um feitiço do zero. Foi por conta disso que ele mostrou para seus alunos.

— Não tentem deixá-la muito complexa e complicada. Se cavarem muito fundo, terão dor de cabeça, mas às vezes você deve simplesmente replicar.

As palavras dele despertaram a mente dos estudantes. Ele mostrou a magia para evocar a mentalidade dos alunos cansados das aulas chatas.

— Óbvio, muitos estão genuinamente curiosos. Há também os que já estão analisando isso.

Muitos estudantes mudaram suas expressões com suas palavras.

— Se estão curiosos, concentrem-se na aula. O que precisam acima de tudo é de uma base sólida para sublimar com perfeição as ideias que vocês ganharam para transformarem a magia dos outros em sua própria.

— Uma base sólida…

— É verdade?

— Aquele com a base certa poderá analisar e usar a magia do jeito certo quando quiser no futuro. Uma dica: a magia de designação de coordenadas usa o conceito de espaço. Pensem em como perceber o espaço ao seu redor e como enviar a magia para ele.

— É o dever de casa? — perguntou Flora Lumos, sem conseguir se livrar do choque.

— Pode ser. Se a analisarem e até conseguirem até mesmo imitá-la um pouco, é prova de que seguiram bem minhas instruções.

Flora não conseguia se decidir.

— Se algum de vocês achar que dominou esse feitiço, venha até mim e me mostre. Se fizerem isso, darei pontos extras.

As últimas palavras que ele deixou para trás bastaram para inspirar a motivação moderada deles.

— A aula de hoje termina aqui. Todo mundo parece muito cansado, então não darei tarefas hoje. Parece que o que mostrei já é o suficiente.

 Uau!

Quando ele disse que não havia lição de casa, os alunos levantaram as mãos e aplaudiram. Para os que tinham várias aulas por semana, a realidade era que essas tarefas em cada aula eram muito pesadas.

Os alunos, animados, murmuraram entre si.

— Então, até a próxima aula. Preparem-se e revisem minuciosamente.

— Sim! Obrigado!

Em resposta às falas barulhentas dos alunos, Rudger assentiu e saiu da sala.

* * *

Depois da aula, voltei para o escritório e me sentei. Sedina se aproximou lentamente.

— Senhor, eu…

— Pronto. Apenas vá.

— Hã?

— O trabalho de hoje acabou. Volte e descanse.

— Ah, sim.

Acho que ela estava preocupada porque eu parecia um pouco cansado. É um relacionamento unilateral. Olhando para ela, ela continua bonita assim.

Agora, estou mais confortável sozinho. Sedina não se atrevia a me desobedecer, então respondeu em voz baixa e saiu. Então, parei por um momento e peguei a esfera de cristal na mesa.

“É hora da história da Pedra Onipotente desaparecer.”

A Pedra Onipotente é uma relíquia e a fonte do rumor que aqueceu Sören. A diretora disse que a colocaria em um local de armazenamento simples, que depois a traria de volta e que precisava da minha ajuda ao longo do caminho.

Pelo que ela disse, o processo em si não aparentava demorar muito, então era hora da diretora entrar em contato comigo.

Bip.

Vendo a bola de cristal enviando um sinal, a ativei na mesma hora.

— Sim, diretora?

— “Senhor Rudger, é importante.”

A voz da diretora estava séria, ao contrário do que eu esperava. Também ajustei minha postura e esperei pelas próximas palavras dela.

— Qual o problema?

— “A Pedra Onipotente foi roubada.”

* * *

Aquilo aconteceu antes mesmo de eu estar na linha de partida. Parece que não esperavam que o Amanhecer Negro se movesse tão rapidamente.

Depois de pensar por um momento, assumi um tom cauteloso.

— O que aconteceu exatamente?

— “Eu procurei por eles.”

— O que quer dizer?

— “Eles estão infiltrados mais profundamente em Sören do que pensei.”

Após ouvir a conversa, entendi por que ela estava dizendo isso. A existência da Pedra Onipotente era um segredo conhecido apenas por algumas pessoas.

Mesmo que os rumores se espalhassem, ela pensou que seria bom trazê-la de volta à sua localização original, e isso foi um erro. Os inimigos já sabiam e agiram antes que ela começasse seu plano.

Os ladrões estão escondidos dentro de Sören. Ela disse que estão perseguindo-os, mas não sabe quando serão pegos.

— “Acima de tudo, se usarem a Pedra Onipotente, a situação ficará fora de controle.”

— Com certeza.

Não sei o quão poderosa é a Pedra Onipotente, mas é uma Relíquia, então não se pode negar que é um perigo. E se os que a pegaram a usarem do jeito errado? Pode haver grandes baixas.

Declarar um estado de emergência para a academia inteira seria um absurdo, pois causaria pânico nos alunos. Além disso, tornar esse fato conhecido pode prejudicar a reputação de Sören. Já houve muita conversa com o lobisomem, e não podem atrair mais atenção.

Esta é uma batalha contra o tempo, e devemos apagar as chamas antes que elas se espalhem.

— Quando, então?

— “Meia-noite, hoje.”

— Certo.

 — “Você não… vai perguntar mais do que isso?”

— É melhor eu ir logo.

Deixei essas palavras e desliguei.

Eu não posso agir como outras pessoas em coisas que podem me envolver também. As relíquias são armas perigosas que podem explodir uma cidade se usadas da forma errada, e não há garantia de que as consequências não me afetarão. Se eu fugir agora, também serei acusado de ser cúmplice.

— Uau.

Suspirei e desliguei a barreira do som que havia colocado antes de falar com a diretora.

— Sedina.

Quando gritei em voz baixa, pude sentir uma presença esvoaçante através da porta. Sabia há muito tempo que ela não saíra e estava esperando na frente da porta.

— Entre.

Isso foi bom. Eu precisava de informações.

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