Cap. 64 – Perseguindo a Sombra (2)
De noite, dirigi-me às profundezas da floresta, onde os olhos e os passos dos alunos não haviam chegado. Os membros do Amanhecer Negro que roubaram a Pedra Onipotente estavam escondidos dentro desta floresta.
Vi os guardas de Sören os rastreando perto da entrada, porém não entravam. Isso, somado ao fato de que eu estava nas sombras, permitiu-me entrar sem dificuldades.
“Há muitas florestas densas como esta dentro do campus.”
Há três grandes florestas dentro da academia: a “Floresta Secreta”, onde não existiam seres vivos; a “Floresta Silenciosa”, onde todos os tipos de coisas assustadoras e fenômenos psíquicos bizarros aparecem; a “Floresta dos Sonhos”, onde espíritos e fenômenos sobrenaturais ocorrem com enorme vitalidade.
A floresta em si é uma zona fora dos limites que vai e volta entre os níveis de risco dois e três. É surpreendente que tal lugar exista no recinto, mas é ainda mais surpreendente que tenham a deixado em paz.
A consciência de segurança das pessoas neste mundo não deve ser vista da mesma forma que a da Terra no século XXI. Ainda assim, não posso deixar de não entender. Pensei estar acostumado, mas ainda assim, não posso deixar de sentir uma sensação de separação da minha vida anterior.
De qualquer forma, todas as três florestas são designadas como áreas perigosas. Os ladrões estavam na Floresta do Silêncio.
“Uma floresta cheia de bestas mágicas designadas como perigosas e poderosas.”
Ouvi dizer que esta terra foi usada como cemitério antes da fundação de Sören. Os cadáveres empilhados por um longo tempo se espalharam em um fenômeno sobrenatural devido à sua resposta mágica após o estabelecimento da academia.
Se entrar no caminho errado, será possuído por um espírito e se perderá, ou será forçado a “se virar” pelos seus pensamentos. Qualquer um que entrar desaparecerá sem um som. Essa era a origem do “silêncio” no seu nome.
Sören agiu várias vezes em relação à floresta. Parece que alguns dos diretores argumentaram que ela deveria ser erradicada por conta dos perigos. Ainda assim, há uma razão que a permite continuar aqui, e é por conta dela que todos eles falharam.
Se você cortar uma árvore, ela voltará a crescer no dia seguinte.
Diz-se que alguns enlouqueceram e até poderosos magos sofreram colapsos nervosos e pesadelos. Nem o fogo funciona, porque a floresta não queima. Muitos diretores não conseguiram eliminá-la, e no fim, optaram por impor uma proibição de acesso.
“No entanto, ela tem limites, como se fosse desenhada com uma linha. Contanto que você não cruze essa linha, não haverá impacto.”
Não importa se você continuar olhando para ela além da fronteira; se não entrar, está tudo bem.
“Mesmo que os rumores sejam exagerados, deve haver alguns perigos. Eles estão confiantes ou foram forçados a fugir para lá?”
Dei um profundo suspiro e parei de andar. Já faz algum tempo desde que entrei e comecei a ouvir vozes.
— Morra, morra, morra.
— He, he, he. Ódio. Eu odeio isso.
— Socorro. Alguém me tire daqui.
Ficava tocando na minha cabeça, mas não me importava, pois estou sempre passando por algo pior.
Neste ponto, não tinha como me verem, então de imediato desarmei a Ater Nocturnus e ingeri uma pílula mágica.
“Estão por aqui?”
Espíritos esbranquiçados voavam pelo ar ao meu redor, entretanto, sem se aproximarem de mim ou fazerem qualquer dano direto a mim. Em vez disso, olharam e fugiram com estranhos gritos.
Ignorei um pouco os espíritos e procurei vestígios dos fugitivos.
“Encontrei.”
Há pegadas na terra molhada e há cerca de cinco pessoas.
“O número de pessoas é menor do que eu pensava. Ouvi dizer que havia, pelo menos, dez.”
O resto foi se separou na fuga ou então foram pegos. Em outras palavras, essas cinco pessoas que conseguiram escapar são as que têm as habilidades mais fortes.
Segui os passos e continuei andando.
A floresta estava escura sem luz, e mesmo o nevoeiro noturno dificultava o senso de direção. Isso não importava para mim. Segui os traços do chão com passos firmes e fui mais fundo na floresta.
“As pessoas estão esperando lá fora. No momento, estão apenas aguardando na entrada, mas se conseguirem reforços, correrão para dentro.”
Então, antes disso, tenho que terminar meu trabalho. Não como o professor Rudger Chelici, mas como John Doe, o Primeira Ordem do Amanhecer Negro.
Andando, parei quando ouvi um som feito por humanos vindo de além da névoa. No fim da trilha, enfim cheguei ao meu destino.
* * *
— Demires, e agora?
— Tem um grupo de rastreamento fora da floresta.
— Você está certo. Além disso, aqui, mesmo parado, seu coração é corroído. Continuamos assim.
— Cala a boca!
Demires gritou com as palavras do Terceira Ordem.
— Eu tenho um plano! Então, não seja bobo e apenas siga em frente!!
A Terceira Ordem manteve a boca fechada com as palavras de Demires, que estavam perto de uma ameaça, mas sua ansiedade não poderia ser resolvida com apenas isso.
Um de seus companheiros não suportou a magia da Floresta Silenciosa e enlouqueceu. Também não podiam se dar ao luxo de ajudar, então o jogaram no meio da floresta, e não queriam nem imaginar o que teria acontecido com ele.
“Droga. Se a equipe de perseguição entrar, todos nós morreremos, certo?”
Eles acreditavam nas palavras do Segunda Ordem, Demires, e o seguiram, porém já deviam saber que as coisas deram errado. Ele fez isso sem informar a Primeira Ordem, uma declaração irresponsável de que ele assumirá a responsabilidade por tudo.
“No momento, há apenas dois Primeiras Ordens aqui.”
“Mesmo que ele seja de Segunda Ordem, isso pode ser consertado?”
Todos fecharam a boca e reviraram os olhos. Na verdade, ele também estava preocupado. Ele era bom, mas não se importava com as consequências.
“Droga! A Pedra Onipotente é inútil!”
Ele olhou para a pedra do tamanho de um punho em sua mão direita. Era por causa dela que ele estava confiante em seu plano. Ela emitia um poder misterioso, mas isso era tudo. Ela nunca concedeu desejo algum.
“Eu acreditava no poder desta pedra e fiz isso!”
Demires sentiu como se estivesse à beira de um penhasco. Seu plano original era de fazer um desejo e ascender a uma posição mais elevada, então manteve em segredo da Primeira Ordem.
“Droga. Como vou usar isso?”
Obviamente, o poder que fluía era real, contudo, não se misturava com a mana dele, assim como água e óleo. Quando ele fez um desejo sincero e usou o poder mágico, ela permaneceu em silêncio. Não é nada mais do que uma bela pedra mágica agora.
De repente, o som de pisar na grama foi ouvido. Todos ficaram assustados e olharam para o lugar de onde o som estava vindo.
— Quem é você?
Demires gritou, e um homem de terno preto apareceu da escuridão. Todos pensaram ser o inimigo e apontaram seus cajados e armas para ele.
— Todas estão aqui?
Os membros da organização tremeram sem perceber com a voz penetrante irritada. Foi uma espécie de reflexo, e, ao mesmo tempo, perceberam quem era.
Demires, que se acostumara com a escuridão, endureceu sua expressão.
— John… John Doe, Primeira Ordem!
O restante reconheceu Rudger e caiu de joelhos. Demires também mordeu o lábio e abaixou a cabeça.
Rudger assentiu, satisfeito com a reação.
Demires ergueu a cabeça devagar e conseguiu mover os lábios.
— John Doe, o que está acontecendo aqui…
— Segunda Ordem Demires.
— Primeira ordem, senhor!
— Por que vim?
— …….
Em sua pergunta, Demires ficou em silêncio.
“Ele sabe de tudo?”
Havia apenas uma razão pela qual o Primeira Ordem, disfarçado como professor, foi a este lugar em pessoa: queria responsabilizá-los.
A cabeça de Demires estava girando rapidamente. O oponente era um dos únicos sete executivos da organização. Não havia como ele ter ganhado essa posição por networking ou sorte. O codinome “John Doe” era famoso por sua personalidade, um homem que matava membros do Amanhecer Negro se eles se comportassem mal.
“Mesmo assim, não houve críticas da Ordem Zero.”
A Primeira Ordem agora responsabiliza Demires? Se sim, o que ele deveria fazer? Abaixar a cabeça e se desculpar?
“Tem como eu viver? Há muitos lá fora. Como diabos John Doe chegou aqui?”
— Dê-me a pedra.
— Iss…
Demires ergueu a mão trêmula e ofereceu a pedra por educação, mas ao mesmo tempo recitou as palavras mais ideais em sua posição, escolhidas por seu próprio instinto.
— Esta é a relíquia Pedra Onipotente, senhor.
— Sim.
— A dedico à Primeira Ordem.
Ele não deu desculpas, simplesmente ofereceu o item por desespero como um tributo. Feriu sua autoestima, mas ele não teve coragem de ir contra.
Rudger não respondeu por um tempo.
O resto das bocas dos subordinados queimaram com o silêncio. Dez segundos pareceram dez anos.
Rudger pegou a Pedra Onipotente que Demires lhe dera.
— Eu sei.
Os subordinados, que estavam muito nervosos, ficaram aliviados. Como resultado, ele não conseguiu responder adequadamente às próximas palavras.
— E adeus.
— Hã? Como assim…?
A escuridão tremeluziu, e então um espinho saiu e perfurou todos.
Demires olhou para Rudger com olhos arregalados de descrença, prestes a xingar. O Primeira Ordem olhou para ele com olhos frios e inexpressivos e não respondeu.
Os cadáveres perfurados estavam espalhados no chão. Rudger não tinha intenção de mantê-los vivos.
“Esta é a Pedra Onipotente?”
Rudger desembrulhou o pano sobre a pedra, estreitando os olhos. Quando viu o verde-esmeralda escuro, franziu a testa de leve.
“Isso… não é uma Relíquia.”