Cap. 84 – A Primeira Prova (3)

Tim, tim.

O sinal tocou, anunciando o fim da prova.

— Acabou. Se forem pegos escrevendo agora, tratarei como cola e a sua prova será zerada — disse, a voz séria. — Assistente Sedina.

— Sim.

Quando ele chamou seu nome, Sedina se levantou e sem demoras recolheu as provas uma por uma. Os alunos, estonteados, soltaram profundos suspiros ao largarem as folhas.

— Eu deveria ter estudado um pouco mais.

— Ah! Eu sabia! A fórmula está correta, mas errei na conta!

— Ei, essa é a maneira certa de fazer isso? O que você escreveu?

— Ugh, é frustrante. Eu cometi um erro!

— Eu não posso dizer, mesmo se eu olhar no livro.

Eles se reuniram e discutiram brevemente as respostas, o que não alterava o que já haviam escrito.

Após recuperar todas as oitenta provas, Sedina as organizou e levou para Rudger.

— Bom trabalho.

Rudger pegou os papéis do teste.

— Todo mundo teve dificuldade com essa prova. Ainda faltam dois dias para a próxima, então não exagerem e tentem se ajustar.

Claro que, mesmo dizendo isso, os alunos que se amontoavam fariam o mesmo. Ainda assim, como professor, ele apenas aconselhou.

Depois de falar, Rudger saiu da sala de aula.

— Uau.

Esta foi a primeira prova deles na academia, e embora tenha acabado de terminar, Rene sentiu um alívio profundo.

“Não, ainda temos muitas provas, não é? Não vamos ser negligentes já.”

Ainda assim, pensar nisso positivamente era a melhor decisão. Graças à sua revisão constante, nenhuma das vinte perguntas foi submetida em branco.

Ao bater o olho nas questões, se perguntou o que era tão difícil, mas quando olhou com cuidado, percebeu que não era o caso. Sentindo o fluxo, resolveu os problemas de forma que três horas se passaram em um instante.

“É um alívio que tenha havido tempo suficiente para resolver tudo.”

Ela ia perguntar a Erendir se ela se saiu bem.

“Mas como ela é uma princesa e veterana, deve ter se saído melhor do que eu.”

Ao contrário dela, que ficou intrigada no início, Erendir imediatamente começou a resolver os problemas. Rene não teve escolha a não ser adiar a ação por um tempo.

— Veterana?

— Qual o problema?

— Ah, não. É que… você parecia um pouco envergonhada.

— Sério? Foi por isso que me chamou?

Era como Rene disse. Erendir estava inquieta e sua confiança havia desaparecido. Suas pernas tremiam, e ela gaguejava como uma pessoa que falhou.

Ah, não, não tem jeito, certo?”

Rene ignorou seus pensamentos negativos e perguntou a Erendir.

— Você foi bem? Como o senhor Rudger falou, tudo que caiu ele ensinou em sala!

— Sério…?

O que queria dizer com “sério”? Assim que ouviu, Rene sentiu os cantos de sua boca se contorcendo sem querer. Seus pensamentos ansiosos estavam se tornando realidade.

— Isso… Não sei se posso perguntar.

— Hum? Não importa. Pergunte o que quiser.

— A prova… você falhou nela?

Erendir, antes confiante, fechou os lábios com força. Ela estava até virando a cabeça para evitar o olhar; as orelhas vermelhas contrastavam com seu cabelo loiro. Ela estava envergonhada.

— Não me diga que…

Até sua própria imaginação parecia insultá-la, mas ela não pôde deixar de indagar.

— Você falhou na prova de verdade?

Quando perguntada, Erendir balançou os ombros. A partir desse gesto, Rene percebeu que Erendir, a terceira princesa do império, o ídolo de todos, foi mal na prova.

— De verdade? Não, deve ser porque você não está se sentindo bem hoje. Recentemente, teve muito com o que pensar. Uma revisão do futuro do país? Foi por causa disso, né?

Erendir deve ter sido a que mais focou na prova, mas Rene estava tão confusa que teve que acreditar naquilo. Pelo menos, acreditava que a princesa era uma ótima pessoa que podia ocupar os primeiros lugares em qualquer campo.

— Rene, minha caloura.

Erendir, que recuperou a compostura até certo ponto, abriu a boca.

— Dizem que cada um tem sua própria área. Se há algo em que você é bom, há algo em que você é ruim. Então, o que isso significa é que ninguém é bom em nada. Você entende?

— Digo… você não está em uma condição ruim ou cansada hoje… Você falhou?

— Rene, eu não passei porque não fui boa o suficiente.

— Apenas no caso, qual foi sua classificação no ano passado?

Pelo que Rene lembrava, Sören continha mais de oitocentos alunos por série. Quanto maior a nota de uns, mais estudantes pressionados desistiam, então o número de veteranos diminuía consideravelmente a cada ano para que um número correspondente de novos alunos entrasse.

Erendir estava no segundo ano, então não seria surpresa se suas notas fossem baseadas nos oitocentos alunos de quando ela estava no primeiro ano.

— Por que você está perguntando isso? Não me diga que você está julgando as pessoas por suas classificações também.

— Você não está nos quinhentos melhores, está?

No momento em que viu que os olhos de Erendir se arregalarem ao se virar, Rene ficou assustada. A princesa, um modelo, era mesmo muito ruim com a parte teórica das coisas!

Foi um grande choque.

Mesmo os outros nobres se sentiam sobrecarregados e não se aproximavam dela imprudentemente, então ela estava sempre sozinha. Ela parecia uma típica estudante perfeita, mas ficava quase abaixo da média em situações que exigiam a teoria.

— Nas aulas práticas, minha classificação é alta! — exclamou Erendir, desesperada.

Não era mentira. Nas aulas teóricas, ocupava o quingentésimo lugar de oitocentos, mas era uma dos trinta melhores quando se tratava de habilidades práticas.

Por ter nascido em uma boa família e ter uma linhagem forte, seus poderes mágicos eram muito melhores do que os dos outros alunos. Sua classificação prática só era possível porque teve uma boa educação antes de entrar em Sören.

Quando ela viu que Erendir estava para explodir em lágrimas, Rene logo assentiu e falou.

— Ah, bem, isso é possível! Além disso, hoje em dia, há uma forte tendência de colocar mais ênfase na prática do que na teoria, certo?

— Não é? Admito que não sou boa quanto a conhecimento, mas também tenho orgulho de minhas habilidades como maga.

“Como esperado, você não deve julgar as pessoas pela aparência delas”, pensou, um pouco decepcionada.

Ela sentiu que a nobre imagem da terceira princesa que conhecia estava arruinada.

* * *

Em seu escritório no último andar do prédio principal da academia, a diretora, Elisa, olhou pela janela.

— As primeiras provas começaram.

Wilford, que trouxe os refrescos, assentiu com as palavras de Elisa.

— Espero que todos os alunos obtenham bons resultados.

— Se tentarem, é certo de que conseguirão.

— Acho que sim.

Um total de quatro provas eram realizadas em um semestre. Não só os alunos, mas também os professores se cansavam. Sobretudo, como o objetivo era criar elites de magos, as provas eram bastante intensas e radicais. Por isso que havia muitas desistências ao longo do tempo.

Na primeira prova do primeiro semestre, os alunos que se orgulhavam de serem gênios competiram com os que estavam em uma situação semelhante pela primeira vez e perceberam o quão estreito era o poço em que viviam.

No caso de estudantes cujos corações estavam partidos, não era incomum que deixassem Sören depois da primeira prova.

— Espero que muitos aguentem desta vez.

— É por isso que você pediu que eles fizessem o primeiro teste de ânimo leve.

— Sim. Mas as crianças fadadas à desistência desistirão.

Ela não via a competição em si como algo ruim. Todavia, era sua opinião honesta. Ela queria evitar que alunos fossem arruinados pela concorrência excessiva. Como diretora, procurava garantir que um grande número obtivesse uma ótima educação e espalhasse seus talentos.

— E os novos professores? Devem ter feito questões como professores pela primeira vez. Não estavam nervosos?

— Gostaria de dar uma olhada?

Wilford trouxe o documento das provas e entregou à diretora. No caso das questões, foi possível porque ela tinha o direito de ver.

Entre os novos professores que davam provas teóricas estavam Bruno, da turma de estudos de golens, Chris Benimore e Rudger, que eram encarregados do sistema de manifestação.

Em particular, esta prova foi um confronto curioso dos dois novos professores, já que eram opostos e aplicavam provas teóricas da mesma matéria.

— Bem, o senhor Bruno perguntou sobre o circuito mágico que impulsiona o golem e a sua mecânica estrutural. A dificuldade em si parece estar na média.

— Sim. Ele tem um carinho especial por golens, então acho que está tudo bem.

Elisa analisou as questões da prova de Bruno e assentiu, satisfeita. Ele não mostrou nada que excedesse as expectativas.

— Em seguida, Chris Benimore e Rudger Chelici.

— Eu tenho que compará-los?

— Na verdade, você não pode fazer isso sem uma comparação.

Wilford assentiu com um sorriso irônico.

Elisa rapidamente examinou as perguntas da prova de Chris.

— Bem, ele fez questões envolvendo a liberação de mana e atributos elementais.

— Sim, e é…

— O mesmo vale para o senhor Rudger.

Não importava o quão diferentes fossem as séries de que estavam encarregados, fazer questões envolvendo as mesmas coisas que Rudger era como declarar guerra a ele.

— Deve ter machucado seu orgulho perder a aposta.

— Desde aquele dia, a facção de Hugo Burtag foi forçada a abaixar a cabeça por quase uma semana.

— Certo. Foi tão refrescante vê-lo manter a boca fechada. Sinto que recuperei minha antiga autoestima.

Elisa sorriu para as perguntas de teste de Chris.

— Acredito que esta prova é uma simples vingança para Chris. Não, não acho que seja simples, ele parece ter colocado seu coração e alma nisso.

Como resultado, a prova dele estava cheia de problemas. Repleta de jargões, pontilhados com todos os tipos de palavras difíceis e quebra-cabeças complexos e entediantes.

— Que tipo de prova é essa? Ele está apenas se gabando de seu conhecimento.

Elisa estalou a língua e balançou a cabeça.

A arrogância excessiva e o orgulho próprio de Chris acabaram levando-o ao ponto de ele aumentar a dificuldade da prova para um nível absurdo. Os alunos poderiam resolver esses problemas de forma adequada?

— Eu disse a ele para dar o básico para o primeiro teste, mas ele já está brincando assim. Em particular, essa teoria é algo que os alunos aprendem na terceira série.

Mesmo que fosse algo que fosse ensinado na terceira série, havia estudantes que já aprenderam: os estudantes nobres educados antes de se juntarem a Sören. Por outro lado, os comuns não.

O problema era que ele discriminava os estudantes plebeus e favorecia os estudantes nobres.

— Sério.

Elisa tinha uma dor de cabeça, mas também não podia culpar Chris por isso. A prova depende do professor, e se ela interferisse nisso, não acabaria bem. Não podia fazer o que quisesse.

— Bem, vamos ver como o senhor Rudger lidou com o problema.

Se fosse o seu eu habitual, poderia ser mais ou menos o mesmo que Chris ou talvez as perguntas fossem monótonas por causa de sua atmosfera rígida em excesso?

Elisa olhou para as perguntas da prova de Rudger com isso em mente.

— Como é…?

Ela arregalou os olhos.

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