Combo 12/50
A voz estrondosa de Termiboros ressoou na mente de Lumian.
— Sim.
Uma gargalhada escapou de Lumian.
Suas palavras exalavam sarcasmo quando ele respondeu: — Então, Aurore e toda a vila foram exterminadas só para que você pudesse colocar os pés neste solo?
— Por que diabos eu deveria ajudá-lo a quebrar suas algemas? Se você se transformasse em um anjo com uma bênção, eu poderia ter roubado suas habilidades repetidamente com o ritual que acabei de realizar, sob os olhos atentos da poderosa existência. Até, é claro, eu também me deleitaria com o status angelical do caminho da Inevitabilidade. Então, eu poderia trazer vida de volta a Aurore e restaurar todos à era pré-destruição de Cordu. Quão patético você pareceria então?
!!
— Se você possuir a característica de Beyonder correta, posso esperar até ascender como um Anjo do Caminho do Caçador, conquistando um poder equivalente às suas habilidades de Inevitabilidade. Assim que meu exército for vasto o suficiente, vou libertá-lo, esmagá-lo, subjugá-lo e fazê-lo ressuscitar Aurore. Inferno, eu poderia ser capaz de fazer isso sozinho. Vou sujeitá-lo a uma eternidade de tormento até o fim dos tempos.
— Nunca tive desejo pelas benãos do caminho da Inevitabilidade, mas agora que sei que o ritual foi feito para sua descida, estou salivando com a ideia de drenar todo o seu poder e orgulho.
Quanto mais Lumian divagava, mais sua adrenalina aumentava. Sua poção Provocador pareceu digerir um pouco.
A voz de Termiboros era estranhamente firme, imperturbável pelo discurso de Lumian.
— Encontrei meu quinhão de Beyonders no cosmos e vi legiões de raças agraciadas pelo toque do Senhor. A maioria deles não consegue cruzar o limiar da divindade porque um passo extra destruiria sua existência física e mental.
— A busca pela divindade está repleta de perigos. Você tem tanta certeza de que pode realmente evoluir para um anjo?
— Você deve estar ciente de que não estamos falando de probabilidades mínimas aqui. Dizer que é uma chance em um milhão ou uma em dez milhões nem sequer começa a capturar a enorme tarefa de ascender ao nível do Anjo.
— Se você morrer no caminho Beyonder, Aurore Lee fará o mesmo. O selo que prende você irá dissolver naturalmente, me libertando da minha situação.
Lumian jogou a cabeça para trás e riu.
Sua risada ricocheteou nas paredes cavernosas da pedreira, aumentando o silêncio misterioso e o peso do subsolo.
— Então, por que você não está sentado aí, esperando que eu chute o balde? — Lumian pegou a lâmpada de carboneto e saiu da caverna da pedreira. Um sorriso enigmático apareceu em seus lábios. — Eu não dou a mínima para o que você está tramando ou qual é o seu objetivo. Eu não poderia me importar menos se você é um santo ou um pecador. Tudo que sei é que Aurore e todos na Vila Cordu estão mortos por sua causa.
Ele parou por um momento, seu rosto contorcido em um sorriso maníaco.
— Alguém tem que pagar caro por isso. Guillaume Bénet, você e até mesmo seu suposto senhor!
Termiboros ficou em silêncio. A voz estrondosa que enchia a mente, o coração, a corrente sanguínea, a medula óssea e as cavidades de Lumian desapareceu completamente.
Ufa… Lumian soltou um suspiro, segurando a lâmpada de carboneto enquanto navegava pelo subsolo escuro como breu.
Apesar da brevidade da conversa, ela o esgotou.
Na visão de mundo anterior de Lumian, a corrupção era apenas isso — corrupção. No seu extremo, era comparável ao poder concedido por um deus maligno. O conceito de um Anjo sendo selado dentro dele estava além de seus sonhos mais loucos!
Em meio aos destroços da Vila Cordu, no topo da montanha carmesim, estava o corpo de um gigante de três cabeças e seis braços — um navio projetado para um Anjo que chegava. Era um mistério o quanto ele se diferenciava de um anjo genuíno, mas já enchia Lumian de uma sensação de invencibilidade.
Se ele não tivesse se lembrado de seus atos vis, poderia ter sido levado a tentar.
De onde estava, jurar lealdade ao Eterno Sol Ardente e ao Deus do Vapor e da Maquinaria não parecia diferente de se submeter à existência oculta conhecida como Inevitabilidade. Na pior das hipóteses, ele se perderia.
Recuperando a compostura, os sentidos de Lumian de repente vibraram. Ele correu para uma alcova lateral, usando cascalho solto para apagar a lâmpada de carboneto.
Momentos depois, os passos apressados de três pessoas ecoaram no túnel adjacente, logo engolidos pela escuridão.
“O subsolo de Trier também é um centro de atividades…” Lumian esperou alguns minutos antes de desenterrar a lâmpada e retomar o caminho ascendente.
A interrupção permitiu-lhe organizar seus pensamentos e considerar um enigma.
Dado que a corrupção dentro dele era uma entidade viva, o Anjo do domínio da Inevitabilidade, Termiboros, por que seu apelo por uma benção foi bem-sucedido?
Termiboros não era apenas poder bruto sem consciência, respondendo automaticamente ao ritual correto. Ele poderia negar a concessão da benção.
“Será que Sua prisão é tão severa que Ele nem consegue resistir ao ritual?” O pensamento fez Lumian perceber por que Termiboros estava tão desesperado para fugir.
De acordo com a Madame Mágica, com cada benção que concedida, Termiboros enfraqueceria marginalmente e a corrupção correspondente diminuiria.
Simultaneamente, o selo imposto pela grande existência não diminuiria. À medida que o poder de Termiboros desaparecesse, Ele ficaria acorrentado à beira da extinção. Eventualmente, até mesmo Sua consciência poderia ser expurgada.
Lumian se firmou e começou a repetir as declarações de Termiboros.
“Imemoriais, Acima das Sequências, ele disse Imemoriais e Acima das Sequências…”
A cabeça de Lumian latejava, como se algo estivesse tentando sair de seu crânio, no instante em que lembrou desses tópicos.
Ele interrompeu suas lembranças abruptamente e murmurou para si mesmo, com uma sensação residual de pavor persistente: “Apenas possuir certo conhecimento pode causar danos sérios? Se eu não tivesse sido protegido pelo selo da grande existência, estaria morto ou afligido por anormalidades?”
“Eu estava pensando em explorar o desespero de Termiboros para escapar, para sangrá-lo, obrigando-o a responder à magia ritualística, aumentando assim a probabilidade de sucesso e o eventual impacto. Mas parece que o Anjo tem muitos truques na manga para me ferrar, mesmo em seu estado aprisionado…”
“Preciso agir com cuidado. Antes de realmente encarar Termiboros, devo pedir à Madame Mágica que verifique meu plano em busca de quaisquer falhas.”
Nesta frente, Lumian duvidava que a vice-presidente da Sociedade de Pesquisa dos Babuínos de Cabelos Encaracolados, Hela, oferecesse qualquer conselho viável. Somente a Madame Mágica, que conseguia entrar e sair do loop temporal sem esforço e enfrentar facilmente o colosso no topo da montanha carmesim, era digna de sua confiança.
Perdido em um turbilhão de pensamentos, Lumian, com a lâmpada na mão, voltou ao mercado acima do solo, aproveitando sua intuição e memória afiadas de Caçador.
Ele tentou falar em voz baixa: — Termiboros
Nenhuma resposta veio.
Lumian pretendia perguntar se o Anjo, aprisionado dentro dele, estava ciente dos acontecimentos em Cordu. Após um exame cuidadoso, concluiu que Termiboros provavelmente não sabia.
Termiboros só se materializou em Cordu no final do ritual antes de ser algemado. Ele estava alheio aos detalhes intrincados.
Ufa… Lumian soltou um suspiro, examinando sua condição atual.
Sua poção Provocador passou por uma digestão adicional. Era o mesmo que deduzir um novo princípio de ação.
“Provocar uma entidade superior acelera a digestão da poção Provocador? Ah, sim, esta é uma entidade de alto escalão dentro do domínio da Inevitabilidade. De certa forma, é uma dica do destino. Isso se alinha um pouco com os princípios que deduzi…” Lumian refletiu com uma risada.
Se não fosse pelo silêncio de Termiboros, ele o teria provocado três vezes ao dia, como refeições programadas!
Refletindo sobre isso, Lumian sentiu que provocar um anjo e em troca digerir um pouco da poção não era uma troca digna.
Ele levantou a hipótese de duas razões. Primeiro, Termiboros foi selado e apresentava uma ameaça relativamente baixa. Em segundo lugar, Termiboros não foi genuinamente provocado.
Balançando a cabeça, Lumian conteve seus pensamentos, arquivando assuntos cujas soluções lhe escapavam.
Ele refez seus passos até a subterrânea Rue Anarchie e subiu os degraus de pedra em direção à superfície.
Depois de apagar a lâmpada de carboneto e voltar ao Auberge du Coq Doré, Lumian notou imediatamente Charlie nos degraus do lado de fora.
Charlie fumou um cigarro, olhando para o céu branco-acinzentado com um semblante sombrio.
— E aí? — Lumian se acomodou ao lado de Charlie.
Charlie soltou um suspiro. — A senhorita Ethans se mudou.
— Isso não é uma coisa boa? — Lumian perguntou, seu sorriso inabalável.
Charlie gaguejou, parando por alguns segundos antes de admitir: — Sim, é mesmo. Muitas pessoas por aqui conhecem ela e seus feitos. Fuuu
Lumian estalou a língua e levantou-se, aproximando-se do bartender e apresentando 5 coppets em moedas de cobre.
— Meio litro de Whiskey de Maçã Azedo.
O vendedor respondeu com um sorriso: — Entendi.
Ele acabou servindo Lumian mais do que o volume de bebida solicitado.
As sobrancelhas de Lumian se arquearam, mas ele se absteve de questionar. Ele voltou para Charlie, sentou-se e comentou com indiferença: — Parece que o cara do Whiskey me reconhece?
Charlie riu.
— Ele pode estar ciente de que você está com a gangue de Savoie. Não, o Savoie Mob.
Lumian tomou um gole de Whisky Azedo e perguntou: — Como ele descobriu?
Charlie limpou a garganta.
— Depois de dar a notícia à senhorita Ethans ontem à noite, fui ao bar porão para tomar uma bebida e mencionei sua entrada no Savoie Mob e sua aquisição do Auberge du Coq Doré.
Uma imagem vívida passou pela mente de Lumian:
Charlie, com cerveja na mão, subindo em uma pequena mesa redonda, agitando os braços atarracados.
— Senhoras e senhores, prestem atenção! Você não acreditaria na bomba que caiu no motel hoje! Ciel, nosso residente do quarto 207, agora está dando as ordens para o Savoie Mob e mandou o Poison Spur Mob embora!
Com um suspiro prolongado, Lumian virou-se para Charlie e brincou: — Você só está preocupado que a polícia não venha bater na minha porta, não é?