SS Bônus
Os 6 calouros
Observação: Este SS não é do volume atual. Originalmente, pertence ao Ano 2, Volume 2, mas só foi lançado agora, junto com a adaptação em mangá que cobre esse volume. Portanto, embora o conteúdo esteja vinculado ao Ano 2, Volume 2, tecnicamente, trata-se de um conto novo que acabamos de receber.
Tsubaki olhava pela janela de dentro do café. Sua expressão carregava um traço de seriedade, mas também um toque de fragilidade passageira.
No final do seu olhar, caminhando em ritmo constante, estava o aluno do segundo ano, Ayanokoji Kiyotaka.
“Você quer subir para a Classe A, Tsubaki?” perguntou uma voz ao lado dela.
“…Na verdade, não”, respondeu ela suavemente, com os olhos ainda fixos na figura lá fora. “Mas se esse é considerado o objetivo final desta escola, então não é dever de cada aluno se dedicar ao máximo por ele?”
Utomiya, sentado ao lado dela, deu de ombros levemente. “Não nos conhecemos há muito tempo, mas… você não parece o tipo de pessoa que vive por dever.”
“Talvez, mas você não é o mesmo, Utomiya-kun? Você também não parece se importar muito com a Classe A ou privilégios especiais.”
Seu olhar deixou Ayanokoji e se voltou para o garoto ao seu lado. Utomiya, imerso no momento, desviou o olhar para a janela com um olhar constrangido
“Hosen e Nanase.”
“Hnn?”
Após a tentativa de Utomiya de mudar de assunto, seu olhar caiu sobre dois alunos do primeiro ano da Classe 1-D, que estavam prestes a passar por Ayanokoji.
Por um momento, pareceu que algo poderia acontecer. Mas, no final, tudo o que se passou entre eles foi uma reverência educada de Nanase.
“Foi uma coincidência ou não?” murmurou Tsubaki.
“Difícil dizer só por isso”, respondeu Utomiya, embora estreitasse os olhos. “Mas a mão esquerda enfaixada de Ayanokoji… me incomoda.”
“Ele estava usando uma…” Ela não tinha notado.
“Talvez algo já tenha acontecido. Com a personalidade do Hosen, não me surpreenderia se ele começasse uma briga.”
“E o Ayanokoji-senpai se machucou? Mas o Hosen-kun parecia ileso.”
“Se eles realmente se chocaram, Ayanokoji provavelmente não revidou. Machucar o oponente de forma imprudente seria muito arriscado.”
“Hã? Mas isso não exigiria um certo nível de habilidade de Ayanokoji-senpai?”
“Sua verdadeira força de combate é desconhecida” admitiu Utomiya, “mas não consigo imaginá-lo perdendo para Hosen. Só de observar seu comportamento e presença, dá para sentir.”
“Você quer dizer… Nível Hosen? Sério? Ele age como se pudesse correr solto como bem entendesse.”
O que surpreendeu Tsubaki não foi a alta avaliação dada a Ayanokoji, mas a baixa colocação de Hosen.
“Isso é só porque as pessoas ao redor dele são fracas. …Provavelmente.”
Percebendo que havia falado demais, Utomiya parou de falar e se interrompeu.
Os homens, pensou Tsubaki, são criaturas que se mostram durões. A maioria acredita ser mais forte que o adversário.
Talvez fosse bem possível que o comentário de Utomiya fosse apenas uma bravata, ou uma autoavaliação exagerada, mas ele não era do tipo que costumava se comportar dessa forma.
Tsubaki, pela primeira vez, sentiu um leve interesse crescer dentro dela por seu colega de classe, Utomiya.
“Talvez eu queira saber um pouco mais sobre você, Utomiya-kun.”
“Pare com isso. Eu não me intrometo na vida de ninguém e não quero que ninguém se intrometa na minha.”
Antes que o clima entre eles pudesse se acalmar, uma voz brincalhona os interrompeu.
“Aah~ que clima é esse? Será que… vocês dois estão namorando?”
Uma sombra caiu sobre a mesa. Uma garota de sorriso fácil e olhar travesso se aproximou. Era Amasawa, da Turma 1-A.
“Não somos.” Utomiya negou imediatamente.
“Sério? Mas vocês pareciam bem próximos~.” A provocação de Amasawa só aumentava.
“Você está imaginando coisas. Veio aqui só para dizer bobagens como essa? Ou estava esperando arrancar algo da gente?”
Seu tom áspero só fez Amasawa sorrir ainda mais. “Ah, não seja tão fria. Não é minha intenção. Mesmo que estejamos em turmas diferentes, ainda somos todos calouros, não é? Deveríamos nos dar bem. Certo, Tsubaki-chan?”
“Desculpe, mas vou passar. Não estou exatamente procurando amigos.”
“Ai, que duro~”, Amasawa respondeu docemente, como se a rejeição tivesse passado direto por ela.
“Então talvez eu deixe o aprofundamento da nossa amizade para outra ocasião. Até mais, Tsubaki-chan, Utomiya-kun.”
Com isso, ela soprou um beijinho para eles antes de virar as costas e ir embora.
“Amasawa-san não sabe sobre o exame especial… certo?”
“Ela não deveria. Só Takahashi e Ishigami sabem. Mas mesmo que ela não saiba dos detalhes, é possível que tenham pedido para ela investigar em busca de informações.”
“Entendo.”
“Ainda assim, um exame especial secreto para atingir apenas um indivíduo — Ayanokoji — é estranho.”
“Talvez seja algo normal nesta escola e simplesmente não tenhamos ouvido falar disso.”
“…Se for esse o caso, então é ainda mais confuso.”
“Olá, Utomiya-kun. E você também, Tsubaki-san.”
A nova voz veio de perto. Yagami, da turma 1-B, que também tinha vindo ao café, parou e se aproximou.
“Yagami”, murmurou Utomiya. “Falando no diabo. Estávamos falando da prova.”
“Não é de surpreender, né? O número de pontos privados em jogo é de outro nível.”
“Você se importa se eu participar da sua conversa?”
“Era só uma conversa fiada e chata”, respondeu Tsubaki categoricamente.
“Não pareceu. Você parecia estar observando Ayanokoji-senpai e Hosen-kun.”
“Ah?”, os lábios de Tsubaki se curvaram levemente. “Então você está nos observando há um bom tempo.”
“Pura coincidência”, disse Yagami suavemente.
“Não importa. Somos inimigos do mesmo jeito”, disse Utomiya, categoricamente.
“É justamente porque somos inimigos que há sentido em conversar”, respondeu Yagami.
Utomiya. Tsubaki. Hosen. Nanase. Yagami.
Cinco alunos do primeiro ano cujas órbitas estavam começando a se aproximar.
E embora Tsubaki e Utomiya ainda não pudessem perceber, até mesmo Amasawa estava enredada nos fios desse peculiar exame especial.
Todos eles compartilhavam um único alvo: Ayanokoji Kiyotaka.
E a partir deste café tranquilo, desta reunião aparentemente ociosa, a história logo se estenderia para a frente — em direção ao julgamento que se aproximava em uma ilha deserta, onde tudo começaria.