Capítulo 345
Ciel Lionheart (4)
Recuar graciosamente poderia ter sido uma escolha. Os sentimentos de Ciel pertenciam aos primeiros experimentados por uma garota de treze anos. Além disso, havia um ditado: O primeiro amor muitas vezes permanece não realizado.
Então, ela poderia ter se consolado, dizendo que era inevitável, e seguir em frente. Ciel sabia que não era mais a criança que costumava ser.
Havia uma transição de ser uma criança para ser uma adulta, o processo chamado envelhecimento. Isso envolvia aprender por meio de várias experiências, o tempo vivido e os anos que restavam.
No futuro, ela poderia perceber quão insignificantes eram as emoções que ela nutria quando criança. Ela poderia ter buscado consolo no pensamento da inevitabilidade. Se ela considerasse isso como algo que não deveria ser, apesar de ser seu primeiro amor, então mesmo que ela acalentasse esses sentimentos… Se o outro construísse afeto com alguém que não ela, então talvez…
Ela não queria rotular tais coisas como vitórias ou derrotas.
Mas e se ela fosse forçada a reconhecê-lo como uma derrota?
Ela ainda era jovem, e o mundo era vasto. Talvez um dia…
Talvez, apenas talvez…
— O quê…?
Mas Ciel Lionheart não desejava tal consolação. Primeiros amores muitas vezes permanecem não realizados? Que bobagem estavam falando? Claro, alguns poderiam murchar amargamente essas palavras clichês e triviais.
Mas Ciel não pensava dessa maneira.
Quem poderia dizer que os sentimentos de uma garota de treze anos eram triviais? Por que o tempo à frente importava mais do que o tempo passado? Importava mais porque havia mais tempo pela frente dela? Completo absurdo.
Se algo, a vida mais longa que ela tinha para viver tornava impossível renunciar aos seus sentimentos atuais. Através de suas experiências e ao entender melhor o mundo, ela encontrou convicção em seus sentimentos. Com a idade, suas emoções apenas se aprofundaram. Como adulta, ela valorizava profundamente os sentimentos que tinha desde a infância.
Assim, ela não podia se contentar com mero consolo. As emoções que construiu desde o primeiro encontro fizeram Ciel acreditar na conexão destinada deles.
Primeiro amor? Que ele não retribuiu seus sentimentos e não a amou? Escolhendo outra pessoa em vez dela?
Derrota?
Lágrimas escorriam enquanto Ciel cerrava os dentes. Vitória ou derrota? Acima de tudo, Ciel não podia aceitar tal noção.
Desde o início, Ciel Lionheart nunca havia realmente lutado, nem mesmo uma vez. Na verdade, ela nunca havia realmente confrontado Eugene. É verdade, Ciel ainda era jovem, e o mundo era vasto. Mas havia uma coisa da qual ela estava certa.
Em um reino onde o tempo parecia expansivo, ela sabia que nas muitas décadas ou séculos que ela poderia viver, nunca mais abrigaria emoções tão puras e desesperadas como aquelas que ela sentira quando era apenas uma garota de treze anos prestes a entrar na adolescência. Não importava quão vasto fosse o mundo, a possibilidade de encontrar alguém superior ao seu primeiro amor parecia insondavelmente pequena.
Pretender ser altiva, se envolver em travessuras brincalhonas ou soltar um sorriso astuto não oferecia ajuda em momentos como este. Se os sentimentos fossem puros e desesperados, a exibição também deveria ser igualmente fervorosa.
Por favor, olhe para mim, por favor, não me abandone.
Mesmo que fosse lamentável e miserável, ela tinha que se apegar.
Lamentável e miserável. Será que era realmente?
Nem um pouco.
Ciel não sentia nem um pingo de vergonha nas lágrimas que derramava ou nos gritos desesperados que soltava. Ela não tinha a intenção de preservar qualquer semblante de dignidade, nem desejava ficar parada enquanto oferecia um sorriso dócil. Ela havia resolvido lutar, se debater e chorar no lodaçal de suas emoções.
E ela fez exatamente isso.
— E daí? — Ela exigiu.
O que ele acabara de dizer?
— Reencarnação?
Não foi muito tempo depois de Eugene pronunciar essa palavra que Ciel respondeu. Apenas alguns segundos, embora parecesse uma eternidade para todos eles.
Kristina, Anise e Sienna estavam totalmente perplexas. As duas Santas podem não ter sabido de tudo sobre Ciel, mas estavam bem cientes do orgulho dela, de sua postura altiva e de sua natureza travessa.
Vê-la chorando e lamentando era o suficiente para deixá-las em desordem… mas trazer à tona a reencarnação, não para qualquer outra pessoa, mas para Ciel? Para alguém que ele conhecia desde a infância?
“Ou talvez seja…” Sienna engoliu em seco enquanto olhava para Eugene. Embora soubesse pouco sobre Ciel, sugerir reencarnação neste momento parecia uma jogada sábia. Os lamentos angustiantes da jovem eram dolorosos demais para suportar.
Mas se ela descobrisse que o objeto de suas afeições não era seu companheiro de toda a vida, mas a reencarnação de um herói de trezentos anos atrás, talvez ela aceitasse o raciocínio clichê de ‘É inevitável’. Afinal, não era uma mentira e não podia ser evitado.
— Você é a reencarnação de Hamel? — Ciel perguntou.
De todos na sala, o peso do tempo parecia mais pesado sobre Ciel. A reencarnação de Hamel, ele disse. No momento em que ela ouviu essas palavras, uma cascata de lembranças da idade de treze anos inundou sua mente. Era uma revelação quase inacreditável. No entanto, estranhamente, Ciel não duvidou. A ideia da reencarnação sozinha dissipou muitas incertezas que ela tinha sobre Eugene.
— Então… e daí? — Ciel cuspiu enquanto segurava o peito.
Ela não tinha ceticismo. Eugene Lionheart, a quem ela conhecia desde os treze anos, era a reencarnação de um herói de trezentos anos atrás — Hamel.
— Só porque você é essa pessoa, isso significa que você não é o Eugene Lionheart que eu conheço? — Sua pergunta cheia de lágrimas deixou Eugene visivelmente atordoado. Ciel continuou, ofegando por ar, lutando contra o aperto de Eugene em seu pulso. Ela declarou com certeza inabalável: — Não importa se você renasceu. Você é Eugene Lionheart. Foi como Eugene Lionheart que você entrou na minha vida.
Ele hesitou.
— Mas—
Mas Ciel cortou.
— Você uma vez disse que não fui eu quem te amou primeiro. Não, eu não vejo assim. Porque para mim, você não é Hamel, mas Eugene.
Pode ter sido um argumento frágil. Mas Ciel não estava preocupada com isso. Desde suas memórias mais antigas, ela era uma pessoa que obtinha o que desejava por qualquer meio necessário. E naquele exato momento, ou melhor, durante toda a existência de Ciel Lionheart, o homem diante dela era o que ela mais desejava.
— Então…
Ela estendeu a mão, agarrando os ombros de Eugene mais uma vez. Lágrimas haviam borrado sua visão, e as palavras sinceras que ela havia pronunciado anteriormente tornaram sua respiração ofegante. Seu coração doía, sentindo como se tivesse sido completamente consumido pelas chamas. Tudo o que restava era uma pilha de cinzas.
— Então…
Ela hesitou momentaneamente enquanto procurava as palavras certas.
Humilhação?
— Me veja. — Ela implorou enquanto baixava a cabeça.
Definitivamente não era.
Eugene ficou sem palavras. Ele não via Ciel apenas como uma irmã. Se ele tivesse que expressar em palavras, ela era apenas uma criança, uma criança que ele conhecia desde que ela era pequena. E essa criança agora implorava para que ele não a visse mais assim!?
— Eu… — Eugene não sabia o que dizer.
Do ponto de vista de Ciel, Eugene sempre estava olhando para algo ao longe. Mas a distância que ela sentia não se limitava apenas ao olhar dele, mas a ele como pessoa inteira. Eugene mesmo se sentia distante de Ciel. Agora, ela finalmente entendia por que ele tratava a ela e ao seu irmão como meras crianças.
Ela continuou.
— Eu estou bem aqui.
Eugene Lionheart estava perdido em memórias de trezentos anos atrás. Estava priorizando um vínculo forjado em um passado distante.
Ela forçou com a voz quebrada.
— Eu estou aqui com você também. — Sua voz mal era elegante; chorar a tinha tensionado, tornando-a rouca.
— Covarde. — Ciel murmurou, seus olhos vermelhos e inchados. Ela forçou um sorriso. — Pare de fugir do presente, Eugene Lionheart. Mesmo que você tenha sido Hamel em sua vida passada, agora… Agora, você é Eugene.
Ele permaneceu em silêncio, absorvendo suas palavras.
— Tudo o que você disse me parece cruel e covarde. Afinal, você nunca respondeu verdadeiramente aos meus sentimentos. — Ciel implorou desesperadamente.
Eugene fechou os olhos, um turbilhão de emoções saindo como um suspiro. As emoções que não escaparam pesavam fortemente em sua língua. Ele percebeu que ficar em silêncio naquele momento e evitar seu olhar era, de fato, um ato de covardia.
— Eu… — Eugene abriu os olhos lentamente. Sua voz vacilou, impedida pelos olhos injetados de lágrimas.
Embora as palavras de Ciel variassem em tom, as emoções carregadas em cada frase sempre pesavam, até mesmo perfuravam, como se o rasgassem.
— Eu nunca te olhei dessa maneira antes. — Eugene disse.
Os olhos de Ciel vacilaram.
— Eu posso ter percebido você me olhando assim, mas nunca senti o mesmo. Me dizer para não fugir do presente… Ciel, tais palavras parecem cruéis para mim. — Eugene sussurrou.
Os ombros de Ciel tremeram, tremendo com a emoção reprimida.
Eugene continuou.
— Porque em minha vida passada, eu fui um tolo. Eu morri como um… e como se isso não fosse o bastante, eu renasci. Nem sei por que me foi concedida outra vida. Mas quando descobri como o mundo havia mudado após minha reencarnação, você sabe o que eu pensei primeiro?
Eugene forçou um sorriso amargo e balançou a cabeça.
— Parecia uma merda. — Ele admitiu, pausando para respirar. — Quando eu morri como Hamel, pensei que tinha resolvido todos os meus arrependimentos, mas isso não era a verdade. Eu fui covarde, fugindo de desafios que se tornaram insuperáveis. Agora, dado outra vida, como posso… me afastar do meu passado?
Ciel enxugou furiosamente as lágrimas.
— Talvez minha resposta pareça covarde para você. Mas é assim que eu sou. Como você disse, agora eu sou Eugene, mas também sou Hamel. É por isso que não posso compartilhar os mesmos sentimentos que você mantém. — Eugene respondeu firmemente.
— Eu… Eu não me importo. — Ciel sussurrou, lágrimas rolando novamente por suas bochechas. — Mesmo que tenha sido assim o tempo todo, começando de hoje, ou amanhã, ou mesmo a partir de agora…
Ela não conseguiu terminar sua frase. Ela cobriu a boca com a mão, tentando desesperadamente abafar seus soluços. Seu coração se sentia despedaçado, esvaziado de todas as emoções. Seus gritos se libertaram, não importava o quanto ela tentasse, pois suas mãos eram pequenas demais para contê-los.
— Ah… Uwahh…
Por quê?
Por que chegou a isso? Por que ela não podia ter o que mais desejava? Por que ela não podia ouvir as respostas que procurava?
Os soluços angustiantes de Ciel ecoaram pela sala silenciosa. Ao vê-la, os olhos de Sienna, também, começaram a brilhar com lágrimas. Tentando manter suas próprias emoções sob controle, ela inclinou a cabeça para trás e tentou desviar seus pensamentos. No entanto, mesmo a lendária Arquimaga não conseguiu impedir a inundação de lágrimas que ameaçavam transbordar.
Mas Sienna não era a única que chorava, pois um mar de lágrimas havia se formado há muito tempo dentro do manto de Eugene.
Ramira estava esfregando incessantemente os olhos enquanto derramava torrentes de lágrimas, enquanto Mer mordia com força a bainha de seu vestido. Lágrimas escorriam pelo rosto dela, mas ela conseguia manter seus soluços silenciosos.
— Não… importa. — Ciel sussurrou novamente. Ela não podia fazer nada além de repetir suas palavras. — Mesmo que você nunca tenha me olhado dessa maneira, mesmo que você não compartilhe meus sentimentos, eu… eu não me importo.
Ela tinha se preparado para este momento há muito tempo, pensando que poderia suportar tudo.
— Mas por favor… por favor, não… me despreze—
A voz de Ciel quebrou, e ela não conseguiu terminar seu apelo.
Desprezo? A simples pronúncia da palavra foi tão inesperada que os olhos de Eugene se arregalaram em choque.
— Espere, Ciel, o que diabos—
Eugene nem conseguiu terminar sua frase.
Crash!
Um barulho de quebra ecoou, fazendo todos se assustarem e olharem para cima.
— Santa Rogeris?
Sob os pés de Kristina, o chão de mármore liso havia se rachado.
Tum, tum, tum!
Ao caminhar, Kristina deixava cair pedaços de pedra presos às solas de seus sapatos. Eles deixavam pegadas profundas e claras à medida que Kristina se aproximava de Ciel com passos largos.
— O que está acontecendo—
Ciel, também, foi interrompida.
Slap!
Um tapa feroz virou seu rosto para o lado. Todos presentes ficaram atordoados, de boca aberta. Eugene, em particular, ficou tão alarmado que agarrou Kristina.
— Por que você bateu numa criança?! — Ele gritou.
— O que você disse? — Retrucou Kristina.
— O quê? — Eugene estava perplexo.
— Sir Eugene, repita suas palavras. — Disse Kristina com uma voz perigosamente tranquila.
— Não, por que você está batendo numa crian—
Sentindo perigo, Eugene não terminou sua frase. A atmosfera tensa fez seu corpo reagir instintivamente.
Whoosh!
Um tapa afiado quase atingiu o rosto de Eugene.
— Você desviou? — Perguntou Kristina severamente.
— Espere—
Mas Eugene foi interrompido antes que pudesse dizer muito.
— Não desvie.
Não estava claro se era Kristina ou Anise. Na verdade, não importava quem era. Se ele desviasse, a retaliação seria apenas pior.
Swish!
Outro tapa virou a cabeça de Eugene para o lado.
— A Senhorita Ciel não é uma criança. — Kristina declarou com um brilho sinistro nos olhos.
[Oh, Deus acima…] Anise, que tinha estado chorando silenciosamente, procurou instintivamente o céu ao testemunhar o ato inesperado de Kristina.
— E Senhorita Ciel. — A cabeça de Kristina se virou.
Ciel estava olhando para Kristina enquanto segurava sua bochecha dolorida. Ela não conseguia compreender por que tinha sido esbofeteada.
— Não. Ciel. — Kristina falou com uma voz suave e ao mesmo tempo comandante, depois de se aproximar dela antes de perguntar. — O que você está fazendo agora?
— O quê…? O que você quer dizer…? — Ciel perguntou em estado de confusão.
— Você me insultou. — Declarou Kristina.
Insulto? Ciel lutou por uma resposta, seus lábios apenas tremendo. Nenhuma defesa ou contra-argumento lhe ocorreu.
Kristina a encarou e continuou.
— É uma arrogância flagrante e o insulto resultante disso. Você também me ignorou. Você agiu como se seu amor por Eugene agora, não o Hamel do passado, fosse tudo o que importava.
— Mas—
Ciel tentou argumentar, apenas para ser imediatamente interrompida.
— Se isso não é um insulto ou negligência em relação a mim, o que é? — Disse Kristina.
— Eu… Disse algo errado? Santa Rogeris, você também não está olhando para o Herói, não para Eugene? Além disso, você acredita que Eugene renasceu—
Novamente, Ciel não conseguiu terminar. Um tapa afiado encontrou sua bochecha.
— Você está enganada. Mesmo que não valha a pena argumentar, Ciel, suas lágrimas parecem ter nublado seus pensamentos. Porque Eugene me via como pessoa, não como a Santa. Eu também o vejo não como um herói, mas como Eugene. Reencarnação? Eu não me importo com essas coisas. Eu, Kristina Rogeris, amo o Eugene Lionheart atual.
— Por quê…? O que eu fiz de errado para você me bater?! — Ciel gritou enquanto segurava a gola de Kristina. Ela já havia sido devastada, mas a Santa a havia esbofeteado duas vezes para piorar a situação. — Sim, eu posso ter te insultado e ignorado. Mas…! Não há motivo para você me bater…! Eu… eu conheci o Eugene antes de você. Eu fui a primeira…!
— Foi você quem apenas observou. — Disse Kristina com um sorriso. — Sim, você viu o ‘Eugene Lionheart’ desde que ele era uma criança. Mas é só isso, não é? Você pede para não ser tratada como uma criança, mas agora, está chorando e fazendo birra como uma. Tolice.
— Santa Rogeris…! — Ciel advertiu.
— É claro, como uma Santa compassiva, não vou ignorar seu desejo. Como você queria, não vou tratá-la como uma criança. — Os lábios de Kristina se curvaram em um sorriso. — Então, eu zombo de você como uma igual. O que você fez enquanto a Senhorita Sienna estava selada? O que você fez antes de eu encontrar o Eugene? Talvez você sempre tenha adiado seus sentimentos, pensando algum dia, mais tarde. Oh, eu entendo, Ciel. Você estava com medo, não estava? Com medo de confessar, caso o vínculo de irmãos desaparecesse.
O rosto de Ciel empalideceu.
Olhando nos olhos de Ciel cheios de lágrimas, Kristina sussurrou:
— O que você carecia? Carecia de coragem. É por isso que está aqui agora, chorando e se agarrando. Sua arrogância e medo fizeram você perder Eugene.
Com essas palavras, Ciel perdeu sua racionalidade. Em um acesso de emoção, ela esbofeteou Kristina. Embora Kristina pudesse ter evitado, ela não o fez. Não precisava. Desde o momento em que a mão de Ciel tocou seu rosto, Kristina foi envolvida por uma luz protetora.
— O quê…? O quê…?! — As palavras falharam para Ciel.
— O que há de errado? Você está com raiva? — Kristina perguntou com um sorriso.
Com raiva? Claro, ela estava. Estava furiosa a ponto de enlouquecer. O que alimentou ainda mais a fúria de Ciel foi o fato de que as palavras de Kristina eram verdadeiras. Lágrimas escorreram pelos olhos de Ciel enquanto ela respirava arfante.
— Então, você vai desistir? — Kristina perguntou.
— C-Cale a boca! — Ciel sussurrou.
— Então você não quer desistir, é isso? — O sorriso zombeteiro de Kristina desapareceu. Calor infundiu sua voz anteriormente gelada. De todos os presentes ali hoje, ela tinha ressoado mais com as palavras de Ciel. — Você não quer perder para um passado distante que mal conhece, não é?
Ciel olhou para Kristina enquanto ela expressava os pensamentos internos de Ciel.
— Você deseja que ele a veja aqui e agora, não deseja? — Kristina perguntou enquanto os olhos de Ciel se arregalavam ouvindo essas palavras.
— Independentemente de quem estiver ao lado dele, você deseja ficar com ele, não é? — Kristina continuou com outra pergunta.
Ciel não conseguiu mais manter a mão na gola de Kristina. Cambaleando para trás, ela desabou em um sofá, murmurando finalmente:
— É natural…
— Se isso é verdadeiramente o que você sente, simplesmente pedir para não ser desprezada não será suficiente. — Kristina estendeu a mão para Ciel. Pensando nas bofetadas doloridas que havia recebido antes, Ciel instintivamente assumiu uma postura defensiva. Mas desta vez, não houve tapa.
— Você deve fazer com que ele a ame. — Kristina cerrou o punho diante de Ciel com orgulho. — Não apenas implorar para não ser desprezada. Você deve se esforçar para fazê-lo amá-la.
— Santa Rogeris…? — Ciel estava perplexa com essa declaração repentina.
— Errado. — Com uma expressão resoluta, Kristina balançou a cabeça. — Me chame de Irmã.
— O quê…? — Ciel achou que deveria ter ouvido errado.
— Me chame de Irmã, Ciel. — Kristina então abriu o punho cerrado e usou essa mão para levantar Ciel. — Vamos para o meu quarto.
— Por quê? — Ciel perguntou, ainda chocada.
— Temos muito o que discutir. — Kristina disse simplesmente.
Sem esperar pela resposta de Ciel, Kristina a arrastou à força. A resistência de Ciel foi inútil contra sua aderência surpreendentemente firme. Sienna, que tinha estado empatizando com as emoções de Ciel e chorando amargamente, foi subitamente surpreendida pelo som de um tapa e a repreensão subsequente.
Se reunindo, ela tentou seguir Kristina e Ciel.
— Não venha, Senhorita Sienna. — Disparou Kristina.
— Eh…? Por quê? — Sienna perguntou confusa.
— Você conhece o Sir Eugene desde sua vida passada, não é? — Kristina disse sarcasticamente.
Sienna foi recebida com um olhar penetrante. Então, mas e quanto à Anise? Sienna queria gritar, mas o olhar severo da atual Santa fez com que a lendária Arquimaga, que havia vivido por trezentos anos, permanecesse sentada em silêncio.