Death God of the Drifting Moon
Capítulo 63
— Como é que existe uma pessoa assim?
Maun franziu a testa e olhou para Pyo-wol, que estava comendo sozinho no primeiro andar do restaurante.
Nos últimos quatro dias, Pyo-wol só esteve no quarto, exceto para as refeições.
Ainda havia algo que ele não conseguia entender mesmo que ouvisse atentamente o que estava acontecendo no quarto, mas seu coração não estava tão abafado quanto costumava estar.
Porque o fato de Pyo-wol estar no quarto não mudou.
— Não entendo. Ficar em um quarto com um rosto desses. Se fosse eu, teria seduzido uma garota que passasse e levaria para o meu quarto. Existe uma garota que não vai se apaixonar se eu tiver um rosto assim?
Pyo-wol tinha um rosto muito bonito que até um homem poderia apreciar. Não, ele tinha uma atmosfera que não podia ser expressa simplesmente chamando-o de bonito.
É uma atmosfera glamorosa que parece atrair as pessoas só de olhar para ele.
De fato, entre as mulheres que vinham comer na pousada, havia muitas que conversavam com Pyo-wol.
Todos elas, com seus rostos corados, torciam seus corpos e entregavam uma carta a Pyo-wol.
Pyo-wol era bom com elas. Ele não dizia uma palavra de desagrado. Ele apenas olhava para elas com indiferença. No entanto, as mulheres gostavam de receber a atenção de Pyo-wol.
Tal cena se repetiu várias vezes, a ponto de Maun ter dor de estômago.
O rosto de Maun também não era tão ruim. Ele achava que pertencia a uma categoria bastante decente. Mas quando ele falava com as mulheres, muitas vezes elas ficavam assustadas e fugiam como se ele tivesse uma praga.
Nenhuma mulher jamais lhe mostrou um sorriso caloroso, ou, pelo menos, não lhe mandou olhares o suficiente para fazê-lo se sentir bem.
Como Maun, que só tinha essa experiência em comparação com Pyo-wol, ele não tinha escolha a não ser ficar insatisfeito.
— De qualquer forma, as mulheres não conhecem homens de verdade. Os homens não são apenas seus rostos.
Embora Maun resmungasse, ele não tirou os olhos de Pyo-wol. No entanto, a vigilância em seu rosto suavizou bastante.
Nos últimos quatro dias, Pyo-wol não tomou nenhuma ação. Ele não encontrou mais ninguém e não entrou em contato com nenhuma outra seita.
Por via das dúvidas, Maun chegou a perguntar várias vezes ao garçom para verificar se Pyo-wol estava no quarto. Maun pensou que a vida diária de Pyo-wol se repetiria enquanto não houvesse incidentes.
Ainda assim, como o comando de Jang Mu-Ryang ainda estava em vigor, ele continuou monitorando, mas sua atenção começou a relaxar pouco a pouco.
Foi o mesmo para os colegas que estavam observando do outro lado.
Eles preferem seguir Pyo-wol quando ele sai.
— Esse homem nem sai, o que ele está fazendo?
— Quanto tempo temos que vigiar?
— Não sei! Se houver algum movimento, diga-me então. Vou fechar meus olhos por um tempo.
No fim, havia até uma pessoa deitada na cama e fechando os olhos enquanto vigiava. Mas ninguém lhe disse nada. Porque todos os outros sentiam o mesmo.
Todos lentamente fecharam os olhos.
Maun e seus outros colegas também…
Então, naquele momento, Pyo-wol começou a se mover.
Tarde da noite, Pyo-wol saiu silenciosamente da pousada.
Quatro homens observavam, mas ninguém notou o movimento de Pyo-wol. Se fosse simplesmente fugir da pousada, ele poderia fazer isso a qualquer momento. Porque a furtividade de Pyo-wol estava em um nível que Maun e seus companheiros nunca poderiam notar.
O que Pyo-wol pretendia era incutir neles uma falsa noção preconcebida de que ele não se movia. Então, ele fingiu não saber que eles estavam usando um garçom para verificar se ainda estava no quarto.
Como essas coisas foram repetidas por quatro dias, o estado de alerta de Maun e outros diminuiu. Pyo-wol sabe que a concentração humana não dura muito.
Como esperado por Pyo-wol, Maun e seus colegas se concentraram apenas no primeiro e no segundo dia, enquanto a partir do terceiro dia começaram a relaxar. E quando quatro dias se passaram, eles estavam completamente relaxados.
Sua concentração e tensão agora se foram completamente.
O primeiro requisito de um bom assassino é que ele deve ser capaz de diminuir a vigilância do inimigo e ser paciente até lá. Para um assassino, no momento em que o inimigo está relaxado é uma oportunidade de ouro para desferir um golpe fatal.
Para Pyo-wol, agora era um momento.
Ele se moveu no telhado do pavilhão a uma velocidade assustadora.
O destino era a Casa das Cem Flores, uma seita formada por mulheres da zona sul da cidade. A localização da Casa das Cem Flores foi previamente conhecida através da Woo Seon-ha.
Graças a isso, Pyo-wol conseguiu chegar perto da Casa das Cem Flores sem se perder na lotada Chengdu.
O tamanho da Casa das Cem Flores era muito grande.
Assim como Clã do Rio Dourado cresceu com o apoio da seita Qingcheng, a Casa das Cem Flores também recebeu apoio da seita Emei.
Dezenas de pavilhões que se elevavam acima do muro alto mostravam o quão poderosa era a Casa das Cem Flores no sul da cidade.
As discípulas montavam guarda na porta da frente da Casa das Cem Flores. No entanto, suas posturas eram muito relaxadas.
Ainda assim, por causa do orgulho que a Casa das Cem Flores é uma seita bem conhecida em Sichuan, então ninguém ousaria atacá-la. Mesmo se alguém atacasse, eles não se preocupavam muito, porque se o sinal de emergência tocasse, os mestres lá dentro sairiam.
A negligência deles era uma grande oportunidade para Pyo-wol.
Pyo-wol se escondeu na Casa das Cem Flores, evitando os olhos das pessoas imediatamente.
Era a primeira vez que vinha à Casa das Cem Flores, mas Pyo-wol já conhecia a topografia da área, a disposição do pessoal e a localização do quartel-general militar.
Graças à Seon-ha.
Pyo-wol lembrou-se de todas as palavras que ela disse inadvertidamente.
Pyo-wol olhou para o prédio da frente mais à esquerda. Era um quarto de hóspedes vazio que só era aberto quando convidados importantes chegavam a Casa das Cem Flores. Agora estava sendo usado pelos discípulos da seita Emei.
Pyo-wol subiu imediatamente para o telhado do auditório. Os discípulos de Emei estavam em alerta ao redor do auditório vazio, mas não notaram a presença do Pyo-wol.
Pyo-wol pulou em uma das telhas do telhado e se infiltrou no pavilhão.
* * *
— A irmã deve retornar à seita principal assim que o sol nascer.
— Irmã mais velha!
Com as palavras frias de Jeong Hwa, Yong Seol-ran olhou para ela com surpresa. Foi completamente inesperado para ela.
— Mesmo que você esteja aqui, não há nada que possa fazer. Seria melhor para você voltar para a seita principal e ficar ao lado da mestra.
— Mas a mestra ordenou que eu ajudasse.
— Se não tivéssemos assinado um contrato com a Corporação da Nuvem Negra, é claro que eu teria recebido sua ajuda. Mas o contrato com a Corporação da Nuvem Negra foi bem, e não há mais nada para a irmã fazer. Então volte.
— Não posso.
— Irmã! Você não vai ouvir minhas ordens?
A voz de Jeong Hwa ficou mais fria.
Yong Seol-ran olhou para Jeong Hwa sem dizer uma palavra por um momento.
“Haaaa!”
Yong Seol-ran estava prestes a soltar um suspiro. Ela sabe há muito tempo que Jeong Hwa tinha medo dela.
Yong Seol-ran nunca mostrou nenhum sinal de se tornar a líder da seita. Ela nem tinha pensado nisso. Ainda assim, Jeong Hwa desconfiava de Yong Seol-ran como uma concorrente em potencial.
Não importa o quanto Yong Seol-ran expressasse que ela não tinha intenção de ser a líder da seita, Jeong Hwa não acreditava nela.
Em um dos olhos de Jeong Hwa, os sentimentos de desconfiança e ódio em relação ao Yong Seol-ran eram visíveis. Yong Seol-ran reprimiu à força um suspiro e disse…
— Não sabemos quando enfrentaremos a seita Qingcheng em Chengdu, então não devo ficar aqui?
— Com o que está tão preocupada? A Casa das Cem Flores nos ajudará aqui. Se isso não funcionar, podemos usar a Corporação da Nuvem Negra como escudo. Não há necessidade da Irmã estar aqui. Isso é apenas um enorme desperdício de recursos humanos.
— Irmã!
— Não importa o que minha irmã mais nova diga, minhas intenções não vão mudar. Vou enviar uma carta separada à Mestra, para que você possa voltar em segurança.
— Ok. Se for o desejo da Irmã mais velha, então…
No fim, Yong Seol-ran aceitou a opinião de Jeong Hwa. Porque ela percebeu que não importa o quanto ela se opusesse, Jeong Hwa não aceitaria.
Se ela continuar a discutir com Jeong Hwa sobre isso, no final, todas as suas conversas voltarão ao início.
— Volte assim que o sol nascer amanhã.
— Eu farei isso.
Yong Seol-ran se levantou e saiu.
Jeong Hwa olhou para as costas de Yong Seol-ran com o olho que lhe restava.
Tak!
Quando a porta finalmente se fechou, ela vomitou as palavras que queria dizer há muito tempo.
— Essa vadia atrevida. Como você ousa agir assim na minha frente?
Yong Seol-ran era quem Jeong Hwa mais odiava na seita Emei. Apenas estar no mesmo quarto com ela era considerado aterrorizante ao ponto de estremecer.
Embora ela odiasse Yong Seol-ran desde o momento em que ela entrou na seita, seu ódio atingiu seu pico depois que perdeu um olho para um assassino sete anos atrás.
Mesmo antes que a perda de seus olhos pudesse desaparecer, ela foi muito repreendida por sua mestra, Gu Hwasa-Tae, a Abadessa das Nove Calamidades.
A razão foi que o relacionamento com a seita Qingcheng havia piorado por não lidar adequadamente com o assassino. Como resultado, ela foi quase exilada por dois anos.
Se o conflito com a seita Qingcheng aumentasse e houvesse um confronto direto, ela teria que passar toda a sua vida isolada no pequeno eremitério do Monte Emei.
Foi um retorno tão dramático, mas sua ansiedade não foi embora.
Ela não conseguia dormir bem porque achava que um dia poderia ser abandonada como eremita novamente. A ansiedade se transformou em ódio, e o ódio se voltou para Yong Seol-ran, que havia entrado na caverna subterrânea com ela.
Porque ela assumiu a responsabilidade por tudo e foi exilada em um pequeno eremitério, enquanto Yong Seol-ran não foi punida.
Era injusto com Yong Seol-ran, mas seu ódio era grande demais para mudar o coração de Jeong Hwa.
Foi então…
— Tia! Posso entrar?
Uma voz familiar foi ouvida do lado de fora. A energia gelada que estava no rosto de Jeong Hwa desapareceu, e um sorriso assumiu.
— Sim. Entre.
— Ok!
Ao ouvir a resposta, Seon-ha entrou na sala. Ela andou levemente e chegou bem na frente de Jeong Hwa.
— Eu vi Yong Seol-ran sair. Você pediu para ela ir embora?
— Sim.
— Você fez bem. Eu estava desconfortável com ela ficando aqui também.
— Certamente, a irmã tem uma atmosfera única que deixa os outros desconfortáveis. Eu também não gosto da atmosfera dela.
— Isso mesmo.
Ela sorriu suavemente e acenou com a cabeça.
— Mas o que está acontecendo para você visitar?
— Estou aqui apenas para falar com minha tia.
— Como você pode ser tão legal?
Jeong Hwa olhou para Seon-ha com uma expressão satisfeita no rosto. Seon-ha sentou-se ao lado de Jeong Hwa com um sorriso no rosto.
— Você está com um homem? Parece estar mais bonita.
— Não.
— Não importa se está se encontrando com alguém. Só não dê o seu coração. Os homens são inacreditáveis, então se você der a eles todo o seu coração, só vai se machucar.
— Eu sei.
— Ho-ho! Parece que há um homem com quem está ficando.
— Existe, mas vale a pena usá-lo.
— Sério?
Jeong Hwa mostrou curiosidade. Então, Seon-ha ficou animada e explicou.
— Você sabe que o jovem mestre dos Clã do Trovão está morto, certo?
— Não foi por isso que saímos? Mas qual é a conexão?
— A pessoa que matou Nam Ho-san pode ser a pessoa que eu conheci.
— Tem certeza?
A atmosfera de Jeong Hwa mudou. Porque era uma história bem chocante.
— Não é certeza.
— Então por que está falando assim?
Na verdade, ela nem tinha certeza de que Pyo-wol matou Nam Ho-san. Porque Pyo-wol não confirmou a ação até o fim. Ela assumiu que ele o havia matado, mas não havia provas.
— Vou verificar primeiro.
— Ok.
— Se quiser, eu posso trazê-lo para a tia então.
— Se essa é a sua ideia… Mas qual é o nome dele?
— Eu vou te dizer quando chegar a hora.
— Seon-ha!
— É porque eu não quero cometer um erro com minha tia. Eu lhe direi quando tiver certeza.
— Ok. Espero que não seja tarde demais.
— Não vai demorar tanto.
— Certo, então.
— Obrigada, tia!
Seon-ha sorriu.
Isso porque Jeong Hwa, que era tão dura com os outros discípulos da seita Emei, foi infinitamente misericordiosa com ela.
De repente, Pyo-wol veio à mente.
“Ele realmente o matou?”
Eles já dormiram juntos algumas vezes. Ainda assim, o fato de que ela não conseguia entender completamente seus verdadeiros sentimentos a deixava com medo. Ela sentia como se estivesse assombrada.
Jeong Hwa, que viu o rosto rígido de Seon-ha, fez uma expressão confusa.
— Por que…
Naquele momento.
— Kyaa-ak!
De repente, um grito dilacerante foi ouvido do lado de fora. Jeong Hwa e Seon-ha se entreolharam surpresas. Elas correram para o local onde o grito foi ouvido.
Era o quarto em frente à residência de Jeong Hwa.
Vários discípulos da seita Emei já haviam se reunido na frente da sala. Seus rostos estavam pálidos.
— O que está acontecendo?
— Oh, o quarto particular de Gongseon!
Os discípulos da seita Emei eram incapazes de falar.
Jeong Hwa os empurrou e entrou na sala.
Uma mulher estava deitada no quarto como se estivesse dormindo. Ela era Gongseon, uma discípula direta de Jeong Hwa. Gongseon era uma das duas grandes discípulas da seita Emei, e era ensinada por Jeong Hwa.
Então ela chamou Jeong Hwa de mestra, e Jeong Hwa também a considerava sua discípula direta.
— Gongseon!
Jeong Hwa rapidamente abraçou Gongseon.
Naquele momento, o pescoço de Gongseon se abriu, e sangue fresco escorreu como uma cachoeira e molhou o peito de Jeong Hwa.
— Não! Não pode ser! Quem diabos fez isso com Gongseon…
Sangue vermelho estava no único olho de Jeong Hwa.
— Se-seita Qingcheng! Foram eles que enviaram um assassino para matar a irmã mais nova Gongseon!
— Temos que nos vingar agora.
Os discípulos da seita Emei exigiram vingança.
Gongseon se assemelhava a Jeong Hwa e tinha uma personalidade tóxica. Então ela também atraía muito ressentimento dos outros discípulos. Mas essa era a história enquanto ela ainda estava viva.
Enquanto ela fosse uma discípula pertencente à mesma seita, eles tinham que se vingar, não importando quais fossem suas circunstâncias pessoais.
Jeong Hwa murmurou enquanto segurava o corpo de Gongseon.
— Seita Qingcheng! Eu nunca vou lhes perdoar. Vou me certificar de matar todos vocês.