— Aventureiro-kun, você fez bem!

Runoa o elogiou honestamente.

Nas sombras de um beco, ela, junto com Anya e Chloe enfiaram a cabeça na esquina enquanto mantinham um olho no menino e na menina na frente delas.

— De alguma forma, o Cabelo branco está diferente de sempre, parece mais legal, nya!

— Sim, sim, melhor, o que mudou não é só o exterior!

— Inadvertidamente, o menino se tornou um pegador de mulheres assim…! Seu poder de grandiosidade é 800, 900, 1000…! Ainda está subindo!?

Tendo escapado da <Senhora da Abundância>, elas – confiando em Anya que seguiu o cheiro de Syr e os encontrou – estavam monitorando o encontro de ambos. Não, elas estavam entusiasmadas fazendo o que queriam.

Os olhares suspeitos lançados para elas dos arredores também foram simplesmente ignorados. Quanto a Anya, ela estava terminando de comer um crepe e uma batata cozida no vapor que segurava nas mãos.

— Além disso, você viu, nya!? Aqueles movimentos magníficos…!

— Do que você está falando, Chloe, nya?

— Ele está protegendo Syr das multidões o tempo todo! É uma escolta incrivelmente rápida… Se não fosse eu, não veria!

Vendo Bell que ainda estava protegendo Syr até agora, Chloe disse com uma expressão satisfeita por algum motivo.

— O menino não é o <Pequeno Novato> agora, ele é um<Cavaleiro>, nya!

Com essa declaração, “Oooh!” Anya e Runoa ferviam de entusiasmo.

— …

Apenas uma pessoa, Ryuu, estava olhando para os dois enquanto ela empurrava a mão no peito.

 

× × ×

 

Comparando comida, conversando alegremente e intercalando pequenas pausas sentando em um banco.

Syr-san e eu curtimos o festival por um tempo.

Ela parecia olhar para mim de vez em quando, mas quando eu me virava em sua direção, ela entrava em pânico e sorria como se quisesse esconder.

—  Syr-san, ainda há algo que você quer comer?

— Vejamos… Vou abster-me. Comi um pouco agorinha…

— Você comeu uma montanha de frutas há um tempo atrás, afinal.

— Mou, Bell-san!

— Ahaha.

Quando eu disse isso brincando, Syr-san olhou para mim. No entanto, isso também imediatamente se transformou em um sorriso.

De alguma forma, parece certo.

Mesmo que estejamos apenas olhando ao redor, eu estava gostando muito.

Com o tempo, senti que a rigidez do meu corpo também havia desaparecido.

Nesse caso, vamos executar o verdadeiro plano de “encontro” a partir de agora.

— Syr-san, há algo que você queira fazer hoje?

— Ei?

— Se houver algo que você queira fazer, por favor, diga-me sem reservas.

Esse foi um dos ensinamentos da Mestre. O homem tem que liderar constantemente a mulher.

No entanto, você deve perguntar a elas o que elas querem fazer. Verificar suas intenções era essencial.

Um “encontro” era o trabalho conjunto de 2 pessoas. No entanto, não era absolutamente para se tornar um “trabalho”.

Para se divertir com seu parceiro, você não deve deixar nada ao acaso.

Afinal, esse era o objetivo mais importante.

— Vamos ver… não há nada que eu queira fazer especialmente…

— Então há um lugar que eu quero ir. Você me acompanharia?

Segundo ensinamento. Tente expressar o que você pensa. A hesitação era o inimigo.

No entanto, pense que você está constantemente sendo testado por sua parceira, mesmo que ela não queira.

Relaxar era absolutamente proibido.

Confiança e coragem devem ser demonstradas.

— O plano do dia para o encontro deve ser pensado inteiramente por você. Só isso é absoluto. Hedin-san me disse isso.

Ela disse que se não fosse uma coisa que eu pensasse, não teria nenhum significado.

— Eu lhe dei o conhecimento. E também ajuste sua forma de pensar. No entanto, farei apenas isso. Não direi nada relacionado à parte principal. Hedin-san finalizou.

— Eeeeh!? N-não pode ser…

— Idiota. Outras pessoas, livros ou o oráculo dos Deuses, tudo isso são apenas sugestões. Combinando os materiais fornecidos a você, você precisa pensar no que fazer para fazer sua parceira sorrir. Se não for algo que você realmente pense, Syr-sama não ficará feliz. Afinal, sua própria opinião pessoal não existiria.

— !

— Homem e mulher, eles querem compartilhar todos os tipos de alegrias, um encontro é a conclusão disso.

Dentro dos ensinamentos da Mestre, essas palavras são as que mais me marcaram no peito.

A princípio, meu principal motivo era proteger a Familia, mas eu queria que Syr-san se divertisse, queria “me divertir com ela” – esses sentimentos eram reais.

Ela sempre me preparava o almoço. Ela até me recebia no bar às vezes.

No momento em que eu estava sendo esmagado pela distância com aquela flor no pico de uma montanha muito alta, ela me disse “Não está tudo bem mesmo que você não vá em uma aventura?”. Durante o <Jogo da Guerra>, ela me deu um amuleto. Na época em que, devido ao incidente Xenos, meu corpo estava frio e eu não sabia o que fazer, ela me envolveu com calor.

Lembro-me de tudo.

Eu havia recebido muitas coisas dela.

Eu queria devolver a ela um pouco disso.

É por isso que, embora eu nunca tenha saído, darei tudo de mim.

— … Eu entendo. Por favor, deixe-me acompanhá-lo ao lugar que você quer ir, Bell-san!

Syr-san se levantou e sorriu para mim.

Estou feliz, também retribuo o sorriso com as bochechas coradas.

— Como vai ser longe, vamos de carruagem.

Dali seguimos para a rua por onde passavam as carruagens puxadas por cavalos.

O que parei levantando a mão, não era uma carruagem coberta onde as pessoas andavam em uma simples carroça nem era uma carruagem barata que podia ser comumente vista dentro de Orario, era um Cabriolet2 no qual eu havia instalado um isolador de vibração, uma Pedra Mágica. Carruagens normais tremiam violentamente, mas esse dispositivo tinha a função de absorver choques, e os impactos dos buracos não seriam sentidos.

2 Carro de duas rodas cuja estrutura é conversível e aberta na frente.

Naturalmente, isso também foi um conhecimento ensinado pela Mestre, a ponto dela me ameaçar dizendo que no momento em que eu andar de carruagem com Syr-san, pelo menos deve ser um desse tipo.

Se eu estivesse sozinho, eu poderia correr, mas como eu estava junto com Syr-san, uma carruagem seria apropriada.

Carros de alta qualidade não eram baratos, mas você não deveria ser mesquinho. Durante o treinamento com a Mestre, ganhei despesas militares suficientes.

A inusitada carruagem em que o cocheiro se sentava na posição elevada na parte traseira começou a correr ao som do chicote.

Embora tivesse uma estrutura pequena com boa manobrabilidade, nós dois conseguimos nos sentar perfeitamente nos assentos macios.

Como a decoração também era magnífica, provavelmente eu estava sendo muito cuidadoso, mas parecia que estávamos chamando a atenção das pessoas que passavam na rua. Talvez também porque seus olhares foram atraídos pela bela mulher sentada ao meu lado.

Como a carruagem não passou pelo Central Park, mas pelo Distrito Sudeste, os impactos não desapareceram completamente. Toda vez que ela tremia, nossos ombros se tocavam e Syr-san e eu sorrimos timidamente um para o outro.

— Syr-san, sua mão.

— Muito obrigada.

Saindo primeiro, peguei a mão de Syr-san.

O lugar a que chegamos depois de descer da carruagem era a Rua principal leste.

Embora em menor grau do que no Distrito Comercial do sul, mesmo aqui era muito animado. Parecia estar comemorando algo no anfiteatro onde o Monsterphilia foi realizado, enquanto aplausos eram ouvidos.

Enquanto eu estava de mãos dadas com Syr-san, viramos na Rua principal e entramos em um beco.

O beco estreito estava coberto de enfeites e lindas flores, e também tinha a cor da festa.

— Ei? Aqui é…

Syr-san olhou em volta como se tivesse percebido algo.

Muito em breve, depois de avançar pelo beco…

— Ah, Bell Nii-chan!

— Além disso, Syr Onee-chan também!

Muitas crianças nos esperavam com rostos sorridentes.

— Rye-kun? E fina-chan?

— Waa, Syr Onee-chan, você é muito elegante!

— Que!? Bell Nii-chan também está vestido pomposamente!

Não posso subestimar…

— Ahaha…

Enquanto Syr-san estava surpresa, a Dogman Fina, o humano Rye e o meio-elfo Roux vieram em nossa direção.

As crianças do orfanato ficaram muito felizes por termos vindo.

— Oh, Bell-san. Você realmente veio.

Olá, Maria-san.

Maria-san, que era a diretora do orfanato e mãe de Rye e dos outros, também veio nos receber.

Este lugar ficava bem na entrada da Rua Dédalo.

As pessoas que moravam nas favelas estavam montando barracas logo abaixo de uma grande e larga escadaria da entrada. Para ser mais preciso, um mercado realizado em conjunto com o “Festival da Deusa”

Rye e as crianças do orfanato também estão abrindo uma barraca aqui.

— Qual é a barraca que você está abrindo, Fina?

— Vejamos — Cerveja!

Buhh, eu cuspo.

Sem dúvida, ao lado de Fina que ria alegremente, vários barris estavam empilhados.

Abrindo a torneira do barril, saiu cerveja.

— Um velho Anão disse que se fosse um festival, este seria o mais vendido! Nós também ajudamos a fazer!

Atrás de Rye, que estufava o peito parecendo orgulhoso, um anão de rosto vermelho, talvez um conhecido da Rua Dédalo, ergueu o polegar em nossa direção e sorriu. Sem dúvida, se estamos a falar de uma festa, a bebida era uma parte indispensável, e de qualquer forma, certamente havia pessoas que bebiam secretamente desde pequenos, mas… Rye e os outros, eles não bebem, certo?

As crianças me perguntaram com expectativa “Você quer beber? O que gostaria de beber?”, mas eu acenei enquanto sorria nervosamente. Obviamente, era inaceitável beber no meio de um encontro com Syr-san. E também senti que a Mestre iria me atacar com Magia…

Depois disso, fomos arrastados pelas crianças.

Fina puxou a mão de Syr-san, Rye empurrou minha cintura e Roux agarrou-se firmemente ao meu braço como um irmãozinho mimado (irmã?). As outras crianças também estavam muito animadas e gritavam: “Olha isso!” “Olha isso!”, sem nos deixar recuperar o fôlego.

— Biscoitos de aveia! Pedimos um forno e fizemos!

— Syr Onee-chan, Bell Onii-chan, experimente-os…

Além da cerveja, eles também vendiam biscoitos marrons ligeiramente disformes e salgadinhos de vegetais retirados da horta do orfanato. Eles provavelmente também foram feitos por Fina e os outros. Depois de pagar, experimentei e estavam deliciosos. Maria-san cuidou de nós com ternura enquanto brincávamos com eles como da primeira vez que vim ao orfanato.

No incidente Xenos, Rye e os outros se machucaram.

Uma vez fui rejeitado.

No entanto, tive sorte de poder rir novamente com as crianças dessa maneira.

— Syr Onee-chan, vamos dançar!

— … Sim. Vamos dançar!

Provavelmente apreciando a cerveja que beberam, os favelados de rostos vermelhos trouxeram seus velhos instrumentos musicais. Os tons que começaram a soar não combinavam muito entre si, mas ainda era uma melodia agradável, fazendo com que as mulheres demi-humanas se excitassem e convidassem Syr-san para o meio da rua.

Assim começou uma dança folclórica no estilo da Rua Dedalo.

Como se imitassem a canção de ninar que ouvi no momento em que cheguei ao orfanato, eles formaram uma roda e começaram a dançar.

Syr-san sorriu gentilmente.

Você provavelmente poderia chamar isso de sorriso amoroso.

Ela dançou de mãos dadas com as crianças e enquanto fingia estar com raiva da amazona que veio abraçá-la por trás, pegou-a nos braços fazendo-a se contorcer. Olhando para sua figura sorridente, estreitei meus olhos enquanto olhava para ela de um lugar um pouco distante.

Assim como quando a vi naquele dia. Não era a garçonete do bar, era um Syr-san que eu não conhecia.

Eu queria ver aquela figura inocente mais uma vez.

— Bell Onii-chan!

— Você não pode, Finna. Bell-san tem que descansar depois de tudo.

Fina correu para me abraçar com energia enquanto eu estava sozinho na beira da rua.

Enquanto a repreendia levemente, Maria-san disse “Aqui está” e me deu um suco de fruta.

Agradeci e recebi o copo de madeira.

— Eu aprecio você vindo. Mas está tudo bem? Vocês dois estavam curtindo o ‘Festival da Deusa’, não estavam…?

— Você está errada, Maria-san. Eu realmente pensei em muitas coisas… mas vim aqui porque pensei que se fosse aqui, Syr-san ficaria feliz.

Quando contei meus verdadeiros sentimentos sem nenhuma mentira, Maria-san, que tinha uma expressão perturbada, sorriu lentamente. Sorrindo, mais uma vez ela me disse “muito obrigada”, e retribuí sua gratidão esticando um pouco as costas e dizendo “também”.

— Bell Onii-chan, você está muito legal hoje!

Fina, que esfregava a bochecha na minha barriga e balançava o rabo cor de creme, ergueu o rosto.

Quando eu estava me envergonhando por ser elogiado tão francamente —

— Syr Onee-chan também está usando roupas íntimas incrivelmente fofas! No momento em que a abracei há pouco, pude ver até por suas roupas! Sem dúvida é o que chamam de “Roupa do amor”!

Eu me pergunto se Fina é uma especialista em roupas íntimas.

— Bell Onii-chan! Onde você vai dormir com Syr Onee-chan hoje?

— O que você está dizendo!?

Não pude deixar de gritar bem alto, quando Fina perguntou com os olhos brilhando.

Essa garota ao menos entende o significado do que ela estava dizendo…?

— Mas, hoje é o festival da fertilidade, certo? Maria Okaa-san disse que hoje é o dia em que mais crianças nascem no ano!

Meu rosto se contorceu e eu fiquei vermelho.

Num instante, com uma velocidade que surpreenderia até um aventureiro, Maria-san cobriu a boca da inocente enquanto gritava “Fina!?”.

Fina disse “Mugu~!?” com uma voz abafada, e Maria-san riu com um “A-Ahahaha” com seu rosto vermelho e expressão infinitamente desconfortável. Eu só pude soltar uma risada vazia.

Uma atmosfera um tanto desconfortável pairava no ar.

Não deveria ser assim… eu também não poderia imaginar esse cenário.

Sem um rubor saindo de minhas bochechas, tentei olhar na direção de Syr-san.

— Ai!

Entre as crianças que dançavam, um menino Hobbit caiu no chão.

Foi também uma grande queda. Em seu braço havia um arranhão manchado de vermelho.

— Ossian!

A voz de Rye soou alta.

A divertida apresentação também foi realizada temporariamente.

Naquele momento, suas lágrimas se juntaram em um instante e caíram de seus olhos redondos.

E então, mais rápido que Maria-san e eu que corremos.

Syr-san levantou seu corpo.

— Você está bem, Ossian-kun?

— Sir, Onee-chan…!

— Dói, né? Você quer chorar? Está tudo bem, Onee-chan conhece um feitiço que vai fazer você sorrir imediatamente.

Dizendo isso, Syr-san se ajoelhou e abraçou Ossian.

Sem se importar que seu vestido ficasse sujo, ela o abraçou com ternura.

Ossian conteve desesperadamente a voz e começou a chorar no peito de Syr-san.

Sua mão branca acariciou suas costas e naquele momento, como se pegasse um bebê, ela deu um tapinha nele.

 

¶Eu choro. Eu choro.

Já que você não está lá.

Um jardim de flores, lágrimas vermelhas, o ouro que floresce.

A luz que você ainda não viu guia você e eu.

Eu sorrio. Eu sorrio.

Acho que um dia poderei encontrar.¶

 

O que foi tecido aos poucos, foi um “feitiço” como uma canção de ninar.

Ninguém se mexeu. Os olhos de todos foram roubados.

Sua figura era como a de uma Deusa confortando uma criança.

Sua bela voz ecoou baixinho na esquina da rua Dédalo.

— … Eu estou bem. Vão vou mais chorar.

— De verdade? Incrível!

— Então vamos sorrir?

Como se atraído pela sorridente Syr-san, Ossian sorriu também.

Diante daquela cena, um sorriso se espalhou no rosto de todos e aplausos foram ouvidos em um instante.

Encantado com aquela cena, meus lábios também se curvaram e fui em direção a Syr-san junto com Maria-san.

Desinfetando a ferida de Ossian, demos-lhe tratamento médico.

— Obrigado, Okaa-san, Bell Onii-chan!

Sorrindo assim, ele recuperou seu vigor.

Ele claramente parecia encantado com Syr-san.

— Bell-san, nós vamos fazer isso também?

— O que?

— A continuação da dança. Afinal, nem todo mundo dançou o suficiente.

Syr-san levantou-se e disse isso enquanto olhava em volta.

Rye, Fina, Roux e depois também Ossian. Todas as crianças mostraram sorrisos e comemoraram.

Era hora de recomeçar.

Eu também sorri e estendi minha mão para Syr-san me deixando levar pela atmosfera.

— Você dançaria comigo — com a gente?

— Com muito prazer!

De mãos dadas começamos a dançar.

Com Syr-san e eu como centro, uma dança improvisada começou. Nenhum rótulo era necessário. Tudo bem se fosse divertido. Ossian, Rye e os outros dançaram com as mãos entrelaçadas.

Por fim, apareceram crianças que começaram a brincar alegremente de ocarinas. Os adultos também tiraram barris e começaram a jogar à sua maneira para não perder para eles.

Todos aplaudiram ou bateram os pés.

A pequena orquestra sem nome encheu a Rua Dédalo com a sua música enquanto dançavam.

Ao ouvir o tom alegre, outros convidados também apareceram.

Fina e Roux seguraram as mãos das pessoas que chegaram e ampliaram a roda de dança.

A música não parava de tocar e as risadas não paravam.

Esquecendo que eram as favelas, a Rua Dédalo estava fervilhando de tanta gente.

 

× × ×

 

— Haa… nós dançamos muito.

Sentando-se em um banco de tijolos, Syr-san soltou um suspiro confortável de cansaço.

Enquanto descansávamos, diante dos nossos olhos Rye e os outros, ainda cheios de vitalidade, dançavam com os outros convidados. Uma situação como esta certamente não era algo comum na Rua Dédalo. Muita gente compareceu às bancas e marcou o momento de maior prosperidade da Rua Dédalo. Inesperadamente, a bondade de Syr-san para com as crianças atraiu esse momento.

— A música agora era incrivelmente linda. Que “feitiço” é esse?

No lugar de Maria-san que estava ocupada, desta vez entreguei a ela um suco de fruta.

Syr-san me agradeceu e recebeu, mostrando um pouco a língua.

— Foi improvisada. Tentei cantar qualquer coisa.

— Huh? De verdade?

— Sim. Eu queria que Ossian-kun e todos sorrissem.

Surpreso, sentei-me ao lado dela e olhei para suas roupas.

Para estancar as lágrimas de Ossian, suas lindas roupas ficaram sujas. As marcas de lágrimas molhadas ainda estavam a vista. Mas a poeira, e mais do que tudo, o sangue vermelho da queda deixou uma mancha em seu bolero.

Talvez percebendo meu olhar, os olhos de Syr se estreitaram.

— Fiquei um pouco suja, mas não ficou fofo? Parece um padrão incomum!

Aqueles que não conheciam as circunstâncias, certamente não diriam que era bonito nem como bajulação.

Mesmo assim, essa pessoa estava sorrindo.

Sem qualquer expressão de desgosto. Como se ela não se importasse. Ou melhor, de muito bom humor.

De alguma forma, eu também me senti de bom humor.

Embora eu definitivamente não o fizesse, não pude deixar de querer abraçar essa pessoa na frente dos meus olhos.

E então, pensei que sempre quis ver aquele sorriso que está diante dos meus olhos.

— Bell-san, você sabia de antemão que Rye-kun e os outros abririam uma barraca aqui?

— Sim. Maria-san me disse. Você estava planejando vir também, não estava?

— Isso mesmo… Eu queria saber se eu poderia vir sozinha outro dia.

Enquanto olha do banco para as pessoas que caminham

Enquanto desço a rua Dédalo em profunda emoção, Syr-san murmurou, parece que você viu através de mim.

— Várias coisas aconteceram até hoje, mas… eu queria brincar com Rye e os outros junto com você novamente, Syr-san.

A Rua dédalo foi quase reconstruída.

Rye e os outros que viviam em um abrigo temporário até agora puderam finalmente retomar suas vidas normais.

Eu disse a ela que queria que nós dois víssemos aqui e celebrássemos várias coisas.

Como se estivéssemos voltando às nossas memórias.

Syr-san estreitou os olhos.

— Estou muito feliz.

E então ela disse isso como se estivesse saboreando o sabor.

— Incrivelmente, feliz… é um encontro extremamente maravilhoso.

Ela olhou para mim enquanto sorria como uma flor.

Era impossível acabar não ficando fascinado.

Mas, mais do que isso, havia algo pressionando meu peito e, naturalmente, meu rosto se abriu em um sorriso.

— …? Ei Bell-san?

— Não… Estou feliz também.

Certamente, talvez, neste momento eu estava sorrindo como Rye e os outros.

Embora eu também estivesse ciente de que parecia um tanto infantil, eu honestamente expus esses sentimentos.

— Se você pode aproveitar o encontro, estou feliz com isso.

Com esses sentimentos brotando em meu peito, um grande sorriso encheu meu rosto.

Quando o fiz, Syr-san congelou.

Seu rosto pareceu ficar vermelho.

Achei estranho, mas definindo minha mente, levantei-me.

— Syr-san, vamos comprar roupas!

— B-Bell-san?

— Ainda há muitos lugares que quero ir com você!

Pegando a mão dela, puxe-a levemente.

Anunciando minha despedida para Maria-san, Rye e os outros em voz alta, acenei com a mão em resposta às palavras de “Até mais!”, E saí com a confusa Syr-san.

Eu também estava gostando de alguma forma.

Eu queria devolver muito mais coisas para Syr-san, queria que ela fosse feliz!

 

× × ×

 

— Isso é bom. Diante dessa pessoa, a defesa é um péssimo plano.

O garoto de cabelos brancos estava puxando a mão da garota de cabelos grisalhos.

Hedin murmurou para si mesma enquanto olhava para aquela cena.

Em uma esquina, no telhado de um templo, uma cabeça mais alta que os prédios ao redor.

As vozes dos cidadãos se divertindo ecoaram lá de baixo no “Festival da Deusa”.

— Se você for passivo, sua chance nunca chegará. Assim, você só pode atacar. Tomar ações inesperadas abala Syr-sama, para tornar este dia especial, apenas continue assumindo a liderança – Mas se você tiver a ideia errada, no instante em que mostrar qualquer gesto obsceno, você morrerá.

Atualmente, os membros da <Familia Freya> estavam apenas no meio da implantação com Syr e Bell no centro.

O nome da estratégia era “Guardião de Flova” (nomeado por Hogni) e eles vigiavam como escoltas do telhado dos edifícios como Hedin, das sombras ou se misturando entre os cidadãos como guardas particulares. Não, seria mais correto dizer que eles os “cercaram”.

Se algum perigo se aproximasse da garota (Syr), eles se moveriam instantaneamente virando seu escudo e espada para eliminar a ameaça.

Portanto, no caso de Bell tentar levar Syr para um local suspeito, ele instantaneamente se depararia com a aniquilação em suas mãos. O indefeso (patético) coelho – embora sentisse os muitos olhares o perfurando e estivesse coberto de suor frio em seu coração – não percebeu que estava tendo um encontro com sua vida em jogo enquanto caminhava sobre uma fina camada de gelo.

— Embora, certamente seja inútil se preocupar que uma pessoa inexperiente como você perca o controle sobre si mesmo.

Originalmente, não haveria tanto poder de combate colocado na “escolta feminina”.

Ela ficaria bem com um ou dois aventureiros de primeira classe escoltando-a das sombras.

A razão pela qual um grande número de aventureiros de segunda classe estava se mobilizando era porque hoje era o “Festival da Deusa” e mais do que tudo, porque Syr estava acompanhada por Bell, a quem ela claramente é favorecia.

Para ser franco, os membros estavam com ciúmes do menino.

Em outras palavras, para a <Familia Freya> a garota chamada “Syr Flova” era uma existência tão importante.

— Até agora ela aprovou, então…

Por outro lado, Hedin, que estava correndo para vigiar, tinha seus próprios objetivos.

A pretensão era ser a escolta de Syr.

Sua verdadeira intenção era a “fiscalização” da nomeação. Não apenas assistir.

Mesmo agora ela estava de olho na escolta de Bell, a quem aplicou uma profunda “reforma de consciência”.

Tudo isso foi apenas para cumprir o desejo de Syr.

Apenas no caso de Bell parecer que faria algo tolo, Hedin pretendia lançar uma ou duas de suas magias com relativa seriedade. Assim como <Hildrsleif>, com seu controle preciso do Poder Mágico e uso de Magia considerada a melhor da cidade, seu feixe discreto certamente miraria apenas para seu alvo e o menino certamente desapareceria do campo de visão de Syr. Depois disso seria o “castigo” com o nome de treino.

É ruim de lembrar e devastadoramente ineficiente… Porém, assim como eu supunha, apenas minhas expectativas não serão traídas.

Hedin relembrou o treinamento de 5 dias e renovou sua percepção de Bell Cranel até agora.

Sem dúvida ele estava monopolizando o favor da Deusa que Hedin amava e respeitava e ainda por cima, ele rapidamente ganhou poder, ele não era diferente de uma monstruosidade descarada, mas passado o treinamento até agora, ele mostrou seu próprio valor.

Hedin odiava “incompetência”.

As existências que continuaram a viver sem rumo não passavam de escravas de seu próprio orgulho inútil. Como ela era uma elfa de vida longa, Hedin não podia aceitar a preguiça das outras espécies que não podiam viver muito. Sua própria espécie exibindo seu próprio sucesso estava fora de questão. Sempre pensou que eles (os incompetentes) deveriam trabalhar desesperadamente.

Ao mesmo tempo, Hedin valorizava a “capacidade”.

E então, aos que tinham habilidade e não poupavam esforços, acrescentava uma certa avaliação.

Com isso em mente, Bell Cranel tinha um ponto de aprovação.

Ele estava literalmente apostando sua vida em viver ao máximo. Como Nv. 1 derrotou um Minotauro, enfrentou Apollo e Ishtar e lutou no incidente dos Xenos. Pelo que ouvi recentemente, seguiu em frente preparado para morrer nos Pisos Profundos. Passando por “aventuras” que uma pessoa normal não poderia imitar, ele estava alcançando Hedin, uma aventureira de primeira classe.

Mesmo que ele morresse no meio do caminho e desaparecesse da memória de todos, apenas Hedin, que valorizava sua atitude, se lembraria disso em seu coração—paradoxalmente, apenas aqueles que não morressem alcançariam as existências chamadas de “Aventureiros de Primeira Classe”, porém—

O menino fez acontecer antes dos óculos de Hedin.

Mesmo desta vez, embora condições impossíveis lhe fossem impostas, ele não fugiu.

Independentemente de seu motivo, ele estava tentando se livrar de sua “incompetência”.

Essa verdade foi reconhecida por Hedin, a quem chamou de Mestre.

E então, embora fosse impossível para ela ter qualquer sentimento por ele, mesmo por engano – Hedin tinha “expectativas” do menino.

— … Você será capaz de realizar o “desejo” dela?

Aquele murmúrio que se desfez no vento e sumiu, não chegou aos ouvidos de ninguém.

Mas, em vez disso, alguém se aproximou por trás.

— Que diabos você está murmurando? É nojento.

— …Até eu posso afundar em meus sentimentos. Não fique bisbilhotando de maneira tão vulgar, seu gato de merda.

— Obviamente você estava falando sozinha, não jogue sua própria estupidez em mim.

O Catman, Allen.

Com um desgosto que fazia duvidar que fossem da mesma <Família>, ambos trocaram palavras sem se olharem.

Allen, que estava segurando uma longa lança de prata, parou ao lado de Hedin, que estava olhando para Bell e os outros.

— Os outros grupos estão fora de controle. Gestão é o seu trabalho, faça alguma coisa. Não fique aí parada assistindo.

Com aquelas palavras indelicadas que quase cuspiram a seus pés, Hedin suspirou.

Quanto à posição, Allen era o vice-capitão. Ele próprio odiava esse papel, mas Hedin, que havia sido recomendada, renunciou e ele teve que assumir. Essa foi uma história de muitos anos atrás.

Admitindo honestamente seu próprio erro, Hedin retribuiu seu entendimento sem palavras, mas de repente, sentindo-se curiosa, lançou-lhe um olhar.

— E você?

Você não sente animosidade em relação ao jovem Bell que se reflete nos olhos de Syr?

Hedin perguntou sem mais palavras.

Não pergunte o que você já sabe.

Allen respondeu como se isso fosse estúpido.

— Minha lealdade é com a Deusa.

Como se dissesse que o assunto estava encerrado, Allen saltou daquele lugar sem fazer barulho.

Sem que ninguém percebesse, ele perseguiu o menino e a menina que avançavam.

Hedin silenciosamente olhou para suas costas que desapareceram nas profundezas de seu campo de visão em um piscar de olhos, e também mudou de lugar para dar instruções.

 

× × ×

 

Saímos da Rua Dédalo e a primeira coisa que fiz foi comprar uma muda de roupa para Syr-san.

— Você está incrivelmente linda, Syr-san!

Um bolero fofo igual ao original. O vestido em si não tinha grandes manchas.

Sacando dinheiro com o que chamaríamos de habilidade de homem, transmiti a ela minhas impressões sorrindo.

— O-Obrigada…

Syr-san me agradeceu ficando vermelha.

— Você tem uma pétala no cabelo, Syr-san!

Enquanto caminhávamos pela rua, estendi minha mão em direção à cabeça de Syr-san.

A chuva de pétalas que foi usada para o festival foi espalhada pelos prédios à esquerda.

Esquerda e direita. Acariciando seu cabelo, removi as pétalas de pêssego claro que se agarravam a sua franja.

— Desculpe…

Syr-san ficou vermelha e começou a agir de forma suspeita movendo constantemente os olhos da esquerda para a direita.

— Vamos dar as mãos, Syr-san!

Sentindo seu olhar em minha mão, sugeri isso.

Percebendo que ela estava olhando para minha mão direita que estava vazia, eu me mexi e segurei sua mão esquerda. Como desculpa por ter esquecido de segurar sua mão, sorri para ela.

— Uuu~

Syr-san ficou vermelha e choramingou como um cachorrinho.

— Huh…?

E então, quando estávamos perto da Rua principal leste, Syr-san explodiu.

—  Isso é estranho!! Você parece absolutamente bizarro, Bell-san!!

Syr-san começou a gritar bem no meio da rua e nem preciso dizer que eu e as pessoas ao redor ficamos chocados.

—  Não há como um garoto tipo um coelho como você dizer frases fofas como me chamar de linda tão fluentemente, Bell-san!

—  M-Mesmo se você disser isso…

— Antes que eu pensasse “estou um pouco cansada” você propôs uma pausa, e antes que eu pensasse “quero dar as mãos” você percebeu perfeitamente! O menino que sempre diz “Calabouço, Calabouço, Calabouço” com apenas a palavra Calabouço na cabeça e não consegue entender nem um pouco do coração de uma donzela, nunca poderia ter consideração por tal coisa!

— M-mesmo que você não diga até esse ponto…

Que impressão tenho nos olhos de Syr-san? Enquanto eu estava profundamente chocado em meu coração, perguntei com medo.

— V-você não gostou?

— Eu estou feliz! Muito feliz! Mas não deveria ser assim!!

Incapaz de controlar a vermelhidão de suas próprias bochechas, Syr-san estava descontando sua frustração em mim.

Agora ela parecia estar tendo um ataque de raiva.

Embora fosse fora do personagem, achei suas ações infantis fofas.

— Sério, mesmo que eu tivesse planejado tirar sarro de você quando você ficasse tímido como sempre quando eu segurava sua mão! Também, por exemplo, várias coisas…!

Aah, eu poderia imaginar…

Se eu não tivesse o treinamento da Mestre, agora estaria sendo provocado por Syr-san.

Eu não sabia se isso era bom ou ruim, mas parecia que Syr-san não gostou.

Não pude deixar de me sentir um pouco preocupado, naquele momento—

— Nn…? Hee, eles estão vendendo uvas com calda.

Na barraca próxima, encontrei balas de uva cobertas com calda de xarope alinhadas.

Rapidamente comprei aqueles doces que eram fofos como uma joia.

— Você gostaria de comê-los, Syr-san?

Quando entreguei o doce que estava empalado em um pequeno espeto de madeira, os ombros de Syr-san se contraíram.

— Veja de novo! Você planeja me alimentar com um “Aan~”, certo!?

— Não, eu particularmente não vou fazer isso toda vez…! Eu estava pensando em dar a você!

— Uu~uu~

Rosnando de novo como um cachorrinho, ela me ameaçou.

Oprimido por sua aura, sorri com preocupação.

— Er, então você não quer?

Ouvindo isso, Syr-san—

Como esperado, ela olhou para baixo enquanto corava e murmurou.

— … Eu te amo.

Sua voz pareceu desaparecer, misturando-se à agitação.

Eu tentei entregar para ela, mas ela continuou me olhando como um gato caprichoso, então desistindo eu levei o doce à sua boca.

Ela o mordeu com seus pequenos lábios.

A calda na superfície quebrou e a uva dentro fez um som suculento.

De tudo o que havia comido até então, este era o mais doce e azedo.

Isso era o que seu rosto corado dizia.

 

× × ×

 

— Guha!?

— Chloe!?

Chloe cuspiu sangue.

O lugar era a sombra de um beco. Diante do súbito colapso do gato preto que, sem castigo, vigiava o encontro de Syr e Bell, Anya e Runoa gritaram ao mesmo tempo.

— Não adianta mais, nya… Agora que penso nisso, por que estamos tentando flertar com aquele casal idiota, nya…?

— Eu não queria ver, uma Syr assim, no outono do meu mundo… esse é o último poema de Chloe…

— Decidimos ficar de olho no encontro de Syr! Vamos, respire novamente!

— Chloe! Você não pode morrer!

Atingido pela onda agridoce, a força vital da única Chloe e das outras foi severamente reduzida.

Enquanto Anya e as outras estavam fazendo barulho sem levar em conta a inconveniência dos outros, Ryuu—

— S-Syr, que ousada… M-mesmo algo assim…!

Cobrindo o vermelho com as mãos, ela olhou para o menino e a menina pelos espaços entre os dedos.

O que Bell e Syr estavam fazendo era um flerte de mais que amigos e menos que amantes, mas para a ingênua e pura Elfa Arqueira, o encorajamento era muito forte. Murmurando “Aah!” e “N-Não pode ser”, ela não tirava os olhos.

Pode-se dizer que Ryuu e as outras estavam à mercê de cada movimento de Syr e Bell.

— Tch.

Por outro lado, havia a <Família Freya>.

Os aventureiros encarregados de escoltar Syr estalaram a língua para o menino.

— Foda-se, seu coelho filho da puta.

E, ao mesmo tempo, havia os arredores.

Os rudes aventureiros que passavam por ali, dirigiam olhares cheios de ciúmes e intenções assassinas para o <Pés de Coelho> que estava acompanhado por uma linda garota.

…D-De alguma forma, parece que estou sendo observado por cerca de 100 pessoas…

E então, o menino que era sensível a olhares para si mesmo, sentindo o número de olhares e a pressão de sua animosidade aumentar com o nível de constrangimento de Syr, começou a suar frio em silêncio.

Seu encontro de fertilidade com a garota estava longe de terminar.

Fim do Capítulo.

Deixe um comentário