Capítulo 1
Um fio único de fumaça trilhava pelo céu pálido.
Poderíamos o rastrear abaixo para encontrar a sua fonte, uma fazenda pequena de topo de colina.
Especificamente, um edifício pequeno de tijolos à margem da fazenda.
A fumaça da chaminé subia pelo ar como uma pincelada ascendente.
Uma moça estava no fogão da pequena construção, soprando vigorosamente enquanto limpava o suor de sua testa.
Sua pele tinha o brilho saudável de uma pessoa criada sob o sol. Ela era carnuda em todos os lugares que uma garota deveria ser, mas não era mole.
— Hmm… Dessa forma?
Vaqueira limpou a fuligem de suas bochechas com o pano que estava em cima do ombro do seu avental de trabalho e semicerrou os olhos, satisfeita.
Seus olhos brilhantes estavam fixados na carne de porco pendurada cuidadosamente dentro do galpão, visível pela janela.
A fumaça o envolvia, trazendo gradualmente a gordura, juntamente com um aroma irresistível.
Bacon defumado.
Todos os anos eles pegavam porcos que haviam engordado com bolotas e margaridas, e os defumavam assim.
Havia bastante carne de porco na pequena construção, e eles as deixariam defumar o dia todo. Eles manteriam o processo por vários dias; bacon era um produto de trabalho intensivo.
Costumeiramente, ele ajudaria nessa hora, mesmo que o fizesse silenciosamente.
— Bem, acho que quando se tem trabalho, se tem trabalho — disse Vaqueira a si mesma, depois riu como se isso não a incomodasse nem um pouco.
Ela o conhecia, afinal. Ele voltaria para casa em segurança, sem dúvidas, e então ajudaria como sempre fazia.
Essa crença vinha tão naturalmente a ela que quase não precisava pensar sobre isso.
— Arre!
Ela sentiu uma sensação boa se alongando enquanto se erguia, depois de se agachar por tanto tempo para ver o fogo.
Ela se pôs de pé, com os braços estendidos, os peitos fartos saltando, estalando as articulações e liberando mais um grande suspiro.
Quando ela levantou o rosto, uma coroa de luz se movia sobre a floresta escura amontoada no horizonte.
Alvorada. O sol. O início de um novo dia, embora de fato, o dia dela já estivesse bem encaminhado.
Para além da colina, os campos de trigo que se estendiam de ambos os lados da estrada apanhavam os raios do sol e brilhavam. O vento dobrava as plantações suavemente, criando ondas em um mar de ouro. O ruído dos caules não soava muito diferente do oceano.
Ou assim Vaqueira imaginava, de qualquer forma. Ela nunca tinha ido à beira-mar.
Logo, os galos da fazenda notaram a aproximação da manhã e começaram a cantar.
Suas exortações persuadiram as pessoas da cidade de seu sono, e fluxos finos de fumaça apareceram no horizonte. Havia bastante, embora fosse tão cedo.
A luz da manhã revelava quão vibrante e viva a cidade era.
Faixas se agitavam em cima de edifícios, flâmulas em forma de dragões ou deuses eram açoitadas na rajada de vento.
O mesmo vento foi até Vaqueira, roçando suas bochechas enquanto passava.
— Uau… — Ela tremeu um pouco com o frio.
O vento trazia uma sensação agradável contra sua pele suada, mas era mais desconfortavelmente frio do que fresco.
O sol se esforçava em se erguer pelo horizonte irradiado com uma luz tênue.
Era outono.
A estação da colheita havia chegado. O verão tinha terminado, e era hora para se preparar para o inverno.
Ambas a fazenda e a cidade ficavam movimentadas.
Vivas e prósperas, era uma das estações mais lindas do mundo.
Embora para Vaqueira, o mundo sempre foi bonito.
Ela sabia que todo mundo estava trabalhando duro, incluindo ele.
Contudo, ela também sabia que ele viria ajudá-la. E quando o fazia, sim!
— Vou preparar um pouco de ensopado com os nossos bacons frescos!
Primeiro, ela teria de garantir que ele estivesse cheio e descansado.
Só de pensar nisso seu coração se iluminou, e ela quase ignorou seu caminho de volta para a casa principal.
Afinal, caía também na hora do festival.
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O quinto goblin caiu por volta do meio-dia.
Uma pedra assobiou pelo ar e o apanhou na cavidade ocular, esmagando o osso e acertando finalmente o cérebro.
O goblin desabou onde estava com uma pancada seca.
O sol brilhava na entrada de um túnel que lembrava um massacre.
— ………Hmph.
Um guerreiro observava vigilantemente das sombras de algumas pedras nas proximidades.
Ele usava uma armadura de couro encardida e um capacete de aço de aparência barata. Em seu quadril se pendurava uma espada com um comprimento estranho, e um escudo pequeno estava em seu braço.
Esse guerreiro maltrapilho era Matador de Goblins.
Tudo o que ele tinha feito até agora foi subjugar os guardas, e ele já estava no quinto goblin.
Isso não queria dizer, no entanto, que ele tinha prejudicado muito seus oponentes.
Haviam se passado mais de duas semanas desde que os goblins tinham tomado a mina, que era a única fonte de recursos dessa aldeia.
Quem saberia quantos mais poderiam estar se escondendo além das garras da entrada desse túnel?
Algumas mulheres locais foram raptadas. Não havia se passado tempo o bastante para quaisquer crias potenciais fornecer reforços. Mas, reféns queriam dizer menos opções abertas para ele. E devido aos aldeões precisarem usar essa mina no futuro, truques envolvendo gás venenoso ou inundações também não eram úteis.
Presumivelmente, o número restante é menor que dez. Enquanto considerava, suas mãos colocavam agilmente outra pedra na funda.
Ele estava junto de um monte de terra escavada, onde não existia medo de ficar sem munição.
Com muita atenção ao campo de batalha era possível utilizar uma funda durante todo o combate.
— O-o que acha, Matador de Goblins, senhor?
Perto dele estava uma jovem donzela segurando firmemente um cajado de monge com as duas mãos.
Ela era franzina e bela, vestida com vestimentas simples, mas branquinhas. Era Sacerdotisa.
Matador de Goblins respondeu sem olhar para ela.
— Por “o que” você se refere…?
— Quero dizer, hum, o que te parece? O que faremos?
— Ainda não sei.
Enquanto falava, ele atirou outro projetil pelo ar.
— GOORB?!
Ele dividiu outro crânio de goblin, um que tinha se aventurado para investigar os corpos dos guardas.
— Seis.
O goblin caiu curvado para frente e rolou para o túnel. Matador de Goblins contou baixinho.
Era simples, atraindo semelhantes.
Não que os goblins “gostassem” uns dos outros em qualquer sentido significativo. Muito provavelmente, aquele que saíra só teve o seu dia de sorte e foi forçado a ir olhar.
Mas, o princípio era o mesmo: use inimigos mortos ou feridos como isca para atrair outros inimigos, depois mate-os.
Foi assim que ele tinha alcançado um total de seis mortes até agora. Ele recarregou sua funda de forma profissional.
— Mas, de qualquer forma, isso é um problema.
— Tipo…?
— Eles têm equipamentos.
— ……Ah.
Agora que ele havia mencionado isso, ela também pôde notar.
Embora fossem bem rudimentares, todos os goblins mortos usavam armaduras e carregavam armas.
Uma espada, uma picareta, uma clava, uma lança, uma adaga. Algumas produzidas pelos goblins, outras simplesmente roubadas.
— Eles não disseram que três mulheres jovens tinham sido raptadas? — perguntou Sacerdotisa, com desconforto evidente no rosto. — Temos que nos apressar… — Mesmo assim, ela não fez nenhum movimento apressado.
Haviam passado mais de seis meses desde que Sacerdotisa tinha se tornado uma aventureira.
Mais de seis meses desde que tinha escapado por um triz da morte naquela primeira missão. Meses no qual ela estivera cara a cara com a morte em batalha.
Ela ainda era apenas Obsidiana, o nono ranque, mas em muitos aspectos ela já não era uma amadora. Quando ela ouviu que os goblins haviam raptado uma aldeã, ela já não se apavorou.
Ou talvez ela tivesse simplesmente se tornado indiferente…?
A ansiedade, nascida da sua experiência crescente, se espalhou pelo seu pequeno peito.
Mais uma razão para ela fechar os olhos e agarrar seu cajado, rezando para a toda-compassiva Mãe Terra. Ela rezou para que os goblins mortos pudessem alcançar a felicidade pós-morte, e que as mulheres capturadas fossem resgatadas em segurança.
— O pedido demorou demais para chegar até nós… Ei. — Matador de Goblins esperou silenciosamente ela terminar suas orações, depois falou. — Você pode revistar seus corpos?
— Hã? — Ela ergueu a cabeça, surpresa, mas seus olhos só encontraram o capacete inexpressivo dele.
— Eu quero recolher seus equipamentos.
— Ah, hum… — Sacerdotisa não foi capaz de responder imediatamente, olhado para trás e para frente, entre os corpos e o elmo.
É claro, não era que ela estivesse com medo ou que os corpos fossem impuros. Goblin ou não, cadáveres ainda eram cadáveres.
Ela não condenaria qualquer ação que ele escolhesse tomar, mas poderia ela, um membro do clero, profanar aqueles corpos?
— Se não pode fazer isso, então me dê cobertura.
— Ah! Sim, senhor. — Sacerdotisa assentiu. — Se possível, eu preferiria…
Matador de Goblins não deu nenhuma confirmação, apenas partiu correndo de imediato.
Ainda no mesmo lugar, Sacerdotisa deu um suspiro. Ela continuava pensando que estava acostumada com isso, mas de alguma forma nunca esteve.
Suor se formou em sua testa apesar do vento cada vez mais frio. Ela estava incrivelmente alerta. Ela desejava que seus companheiros estivessem com eles, especialmente a elfa.
Embora todos eles fossem tecnicamente um grupo, eles nem sempre se aventuravam juntos. Era assim que as coisas eram hoje. Mas…
— Ai-ai…
Sacerdotisa se viu soltando outro suspiro.
Ela tinha muitas coisas em que pensar, muitas coisas para fazer.
Mas, Matador de Goblins continua obcecado por goblins…
Discutir coisas nem sempre seria produtivo, é claro, mas com ele você mal conseguiria sequer chegar nesse ponto.
— O-oops, preciso se concentrar…!
Ela voltou a si repentinamente, balançando a cabeça rapidamente.
Essa não era hora de se distrair.
Ela segurou o cajado embaixo do braço, preparando sua funda. Ela respirou fundo.
— Você… Você está bem?
— Sim.
A resposta leve, mas firme, flutuou até ela.
Matador de Goblins se aproximou dos cadáveres com o seu habitual passo despreocupado, mas ágil.
— Hmm… Como eu pensei — murmurou ele. — Mas não há tempo para olhar ao redor.
Ele não tinha qualquer utilidade para suas armaduras e capacetes. Ele saqueou uma espada, bainha e tudo mais da cintura de um goblin, pegou a adaga de outro e coletou a picareta de um terceiro.
Com os equipamentos furtados em mãos, ele foi de volta pelo mesmo caminho que veio.
— GORB! GRROOORB!!
— Matador de Goblins, senhor! Eles chegaram…!
Matador de Goblins seguia em frente enquanto Sacerdotisa disparava atrapalhadamente uma pedra com a funda.
Logo atrás dele, um goblin e seu hálito fedorento saíram da entrada da mina.
Os aventureiros não eram os únicos capazes de usar os goblins como isca. Os monstros sobreviventes provavelmente pensaram que tinham utilizado os corpos dos seus companheiros para atrair os humanos.
Mas, a pedra de Sacerdotisa acertou o goblin no ombro, e ele deu um grito alto.
— Ótimo.
Longe de Matador de Goblins permitir essa oportunidade ser desperdiçada.
Com uma velocidade contradita pela sua armadura completa, ele lançou alguma coisa por cima do ombro com a mão direita.
Era a espada de sua cintura.
— GBBR?!
Ela perfurou a garganta do goblin com um toc enfastioso. Matador de Goblins nem sequer tinha se virado para lançá-la. A espada que ele tinha roubado já estava em sua mão quando as costas da criatura atingiram o chão da caverna.
— Sete. Outros?
Matador de Goblins avançou entre as sombras das rochas, arremessando os prêmios no chão.
— Pelo que vejo — disse Sacerdotisa, inspecionando a entrada do túnel — nenhum.
— Muito bem.
Ele se focou rapidamente em ordenar as armas roubadas.
Ele prendeu a bainha vazia no seu cinto, a usando para embainhar a espada que segurava. A adaga, também, foi para sua cintura.
Tratar os goblins como um arsenal era a sua estratégia clássica.
— Estamos indo.
— O quê? Indo?
Agora reequipado, Matador de Goblins se pôs de pé.
Sacerdotisa, ainda agachada, pestanejou para ele com perplexidade.
— Achei que essa mina só tinha uma entrada.
— Tem. De duas semanas atrás. — Matador de Goblins levantou a picareta e a esticou para ela.
— Que!
O movimento casual foi fácil de se confundir com um ataque.
Sacerdotisa olhou com reprovação para o capacete.
— Matador de Goblins, senhor! S-seja cuidadoso com isso!
— Olhe.
— O que devo ver aqui…?
Intrigada, ela se inclinou obedientemente para a picareta, analisando atentamente.
Estava bem usada, velha e suja, provavelmente deixada na mina. Suas extremidades estavam desgastadas pelo uso implacável. Elas exibiam manchas carmesim-escuras… e partículas de terra.
— …?
Sacerdotisa sondou a terra com a ponta do seu dedo branco. Ainda estava úmida, novíssima.
— Matador de Goblins, senhor, o que isso quer dizer…?
— Sim.
Matador de Goblins assentiu e colocou a picareta no ombro.
Ele estava bem ciente que os goblins não tinham conhecimentos de metalurgia.
Eles não cavavam buracos para encontrar recursos; pelo menos, ainda não.
Isso só poderia significar uma coisa.
— Eu cavaria um túnel lateral e planejaria um ataque surpresa.
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Ele acabou por ter toda a razão.
Matador de Goblins partiu para o lado da montanha anteriormente intacto.
Mas agora, eles encontraram um túnel novo, juntamente com goblins rastejando para fora do buraco como vermes.
Todos eles estavam sujos de lama, cansados e claramente aborrecidos… em outras palavras, uma oportunidade perfeita.
— GUAAUA?!
— Oito.
Matador de Goblins lançou calmamente a picareta, reivindicando sua próxima vida. A ferramenta poderia estar desgastada, mesmo assim, era afiada o suficiente para quebrar o esterno da criatura e perfurar seu coração.
Com a visão do seu companheiro caído, os outros goblins começaram uma barulheira terrível.
E quem poderia os culpar? Era de se esperar.
Esses caras tinham ido em raides no qual era seus equivalentes à noite, e então eles foram forçados a cavar esse túnel de emboscada.
Eles não conseguiram dormir, cheios de fadiga e os goblins superiores estavam estalando o chicote atrás deles. Foram-lhes informados que suas recompensas seria uma jovem sacerdotisa, mas eles pensavam que quando seu turno chegasse, eles não a achariam muito diferente de qualquer outra prisioneira. Naturalmente, tudo isso minou a moral deles.
Matador de Goblins preferia o “crepúsculo”, mas a “meia-noite” também funcionaria.
Caso contrário, qual seria a importância dessa tática?
Matador de Goblins fez rapidamente um balanço dos goblins, jogados em confusão pela sua emboscada.
— Uma lança, uma picareta, duas clavas, nenhum arco ou conjuradores.
E só dois aventureiros.
— Vamos — disse ele.
— S-sim, senhor!
Assentindo, Sacerdotisa o seguiu o melhor que pôde.
Ele nunca tinha e nunca seria tão tolo a ponto de jogar fora a iniciativa que adquiriu com um ataque surpresa.
Matador de Goblins avançou como uma flecha no inimigo enquanto Sacerdotisa erguia alto seu cajado.
— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos!
Uma área invisível deu a ele uma proteção adicional além do seu escudo, repelindo as lanças dos goblins que finalmente se recompuseram.
Esse era o milagre de Proteção.
— GRRORG?!
— Nove… Dez.
Matador de Goblins nunca parava de se mover.
Sua espada moveu rapidamente quando eliminou um goblin com lança, depois abriu a garganta daquele com a picareta.
Sacerdotisa coordenou com Matador de Goblins sem sequer uma única palavra entre eles.
Isso era o resultado de meio ano juntos. Segurando seu cajado com uma das mãos, ela preparou a funda com a outra.
— GOORB?!
A lança se dividiu em dois contra o campo de força, e o goblin, agora desarmado, logo encontrou uma espada em seu crânio.
Matador de Goblins nem sequer deu uma olhada quando a criatura caiu, miolos impregnaram a lâmina, mas com um chute, ele trouxe a picareta à sua mão.
Ele não gostava de armas de duas mãos, mas pelo menos seu escudo estava atado em seu braço. Ele não teria nenhum problema em brandi-las.
— Próximo.
Goblins eram monstros débeis, os mais fracos dos fracos; nada a se temer.
Eles gabavam do tamanho e inteligência cruel de crianças, talvez o monstro mais comum do mundo inteiro.
Sim… sem dúvida.
Lutando contra alguns deles ao ar livre, Matador de Goblins podia ver onde alguém poderia acreditar nessa reputação. Não era de se admirar que muitos aldeões durões tentavam se aventurar depois de expulsar algumas das pequenas criaturas de suas aldeias.
Um goblin veio até ele com um golpe estranho de clava, e Matador de Goblins o apanhou com ambos os braços, depois o seu coração, com a picareta.
Sangue imundo jorrou de sua ferida.
— GOOROROROGB?!
— Onze.
Ele nem se preocupou em perder tempo puxando a picareta de volta. Ele simplesmente a deixou cair com o cadáver.
Enquanto ele se virava para o último goblin, uma pedra passou zunindo.
— Hi… yah!
— GBBOR?!
O goblin berrou estupidamente quando a pedra se chocou em sua bochecha com um som seco.
A criatura caiu. Matador de Goblins saltou nele sem hesitar e enfiou sua adaga em seu coração.
— Doze.
Ele deu uma torcida violenta com a lâmina para ter certeza, então pressionou o goblin até ele parar de se contorcer.
Por fim, ele expirou.
Quaisquer que fossem as vantagens que alguém pudesse ter, não havia tempo para relaxar quando em menor número.
Mas, por fim, houve uma calmaria.
— Hum, Matador de Goblins, senhor? — Sacerdotisa se reuniu com ele, olhando em sua bolsa por um odre. — Quer algo para beber?
— Sim.
— Tome.
Ele pegou casualmente o saco de couro, feito com o estômago de um animal de fazenda. Ele retirou a tampa e bebeu pelo seu visor aberto.
Sua longa relação tinha levado Sacerdotisa preencher a pele com um vinho tinto diluído.
— Precisa ter certeza de ter o suficiente para beber.
— Verdade.
Tanto quanto poderia dizer, ele estava mantendo uma boa condição física… à sua própria maneira. Ainda assim, parecia ser só o mínimo necessário.
Acho que seria estranho dizer que estou tentando cuidar dele…
Embora ela acreditasse certamente que ele era alguém que valia a pena cuidar.
Glub, glub. Enquanto ele bebia, ela pensou.
— Foi um bom disparo — murmurou ele.
Ela não captou imediatamente o que o comentário queria dizer e lhe deu um olhar confuso. Mas ela logo se deu conta de que ele estava falando da funda.
— Ah… tenho praticado.
Ela formou um punho em frente o seu pequeno peito e assentiu firmemente.
Não que ela tivesse algum orgulho em aprender artes mortais. Mas, de certa maneira, ela estava fazendo isso para ajudar pessoas, por isso, talvez se poderia considerar uma das suas provações.
Se ela estivesse completamente indefesa diante do perigo, só seria um fardo para seus companheiros. Ela tinha começado a aprender a funda apenas para se proteger, mas a arma provara ser notavelmente versátil.
Matador de Goblins terminou de beber obstinadamente e recolocou a tampa.
— Bom trabalho.
…Oh!
Ele lançou as palavras casualmente, mas elas fizeram o coração dela palpitar.
Suas bochechas, todo seu rosto, ficaram repentinamente quentes.
Ele… acabou de me elogiar, não é?
Ela dificilmente poderia pedir a ele para repeti-las, por tão incomum que foram.
Mas Matador de Goblins continuou a falar como se nada de estranho tivesse acontecido.
— Nós reduzimos seriamente seus números. Há provavelmente só dois ou três restando, incluindo o hob.
— Um… Um hob…?
A voz de Sacerdotisa se atenuou, não satisfeita com esse cenário.
— Não vimos nenhum totem — disse Matador de Goblins com um pequeno aceno, estendendo calmamente o odre para ela. — Aqui, beba.
— Hã? Ah…
Sacerdotisa o aceitou com uma certa hesitação. Ela tocou seus lábios cuidadosamente com o indicador esbelto e pálido.
— C-certo…
Matador de Goblins ignorou a relutância dela em colocar seus lábios no odre. Em vez disso, ele usou os trapos esfarrapados do goblin próximo para limpar a gordura de sua adaga, depois a retornou ao seu quadril. A próxima foi sua espada, ainda enfiada na sua vítima.
Ele se apoiou contra o cadáver e extraiu a lâmina, verificando o fio e limpando a sujeira antes de embainhá-la.
Ele confirmou o conteúdo de suas bolsas, o estado dos seus equipamentos e finalmente assentiu.
— Está pronta?
— Ah… sim, senhor.
— Então vamos.
Um hobgoblin. Dois guarda-costas. Quinze monstros ao todo.
O que lhes aconteceu não foi difícil de imaginar.
Surpreendentemente, havia uma pequena luz entre tal escuridão; todas as mulheres estavam seguras.
Mas, como elas iriam encontrar a felicidade de novo depois de serem violadas por goblins?
Sacerdotisa não conseguia imaginar.
— Ele não usa palavras suficientes! De forma alguma! Sempre! — Alta-Elfa Arqueira bateu na mesa com sua caneca. — Entendi. Isso é verdade? É verdade. Goblins, goblins, goblins… Já chega!
Suas orelhas se moviam para cima e para baixo, refletindo seu copo de vinho agitado.
Seu rosto, normalmente quase translúcido, estava vermelho-vivo enquanto seus olhos começaram a se revirar.
Era um estado impróprio para um alto-elfo, ou seja, ela estava bêbada.
A noite tinha caído. Apesar de se situar em uma cidade fronteiriça, a taverna da Guilda dos Aventureiros era bem frequentada.
A maioria dos clientes tinham acabado de terminar um trabalho ou estavam se preparando para começar um, e gritos apaixonados para louvar os caídos ou animar os feridos intercalavam o barulho.
Posto isso, Alta-Elfa Arqueira e a fumaça de raiva que surgia de suas orelhas não mereciam atenção. Mas, se o clima do bar e a sua embriaguez fossem bem juntos, era outra questão.
Lanceiro — nessa altura um rosto familiar — deu um gole em sua caneca imensa de ale e disse: — Você está chateada com isso agora? Há quanto tempo o conhece?
— Quando eu pergunto se ele tem planos, não me importo se ele diz “Goblins”. — Ela não estava chateada. Alta-Elfa Arqueira assentiu a alguém, embora ninguém estivesse realmente lá. — Ele é Orcbolg, certo? Fico feliz em ignorar isso. Mas! — Ela bateu sua caneca de novo, derramando o vinho que deixou uma mancha vermelha em seu peito. — Essa não é a resposta que espero quando peço um pouco de ajuda!
— Em outras palavras — disse Lanceiro, arrastando uma tigela de nozes para longe de Alta-Elfa Arqueira — ele te deixou.
— Não!
Ela bateu com a caneca, embora dessa vez colocou toda sua força nisso e levantou um verdadeiro tsunami de vinho do copo. Lanceiro se abaixou para evitar a espuma voadora.
Alta-Elfa Arqueira contraiu os lábios e fez um som de desgosto, porventura, lamentando o desperdício.
— Esse é o problema com vocês humanos. Vocês são tão bons em fazer de tudo por uma coisa!
— Mas ele te rejeitou por sua pequena aventura, não foi, moça?
— Calado, anão!
Ela balançou o copo para ele. Mas graças a sua altura ínfima, ela só acertou o ar.

Talvez porque a sua mira era ruim, apesar de ser tanto uma elfa quanto uma arqueira; ou talvez porque ela estava podre de bêbada.
Anão Xamã estava tão vermelho quanto sempre. Apalpando sua barba branca, ele disse com enorme seriedade: — Se me perguntasse, eu diria que você deveria se oferecer para ajudá-lo.
— Se eu estiver sempre fazendo isso, ele vai começar a pensar que eu quero ajudá-lo.
— E não está?
— Não!
Ela se sentou mal-humorada e resmungou para si mesma.
— Goblins isso, goblins aquilo. Suje sua roupa! Não olhe para os meus itens! Todas as vezes…
Anão Xamã meramente balançou a cabeça com um chilique.
— Nunca vi alguém ficar tão bêbada com um único copo de vinho. Pelo menos ela é devagar com as moedas.
— Não é o máximo relaxar de vez em quando?
A última observação veio de Lagarto Sacerdote, que estava dando mordidas alegremente em uma rodela inteira de queijo. A visão disso tomava dele a seriedade que normalmente acompanhava um clérigo lagarto.
— Néctar! Doce néctar! Se todo o mundo tivesse uma cama e uma refeição tão boa quanto essa, não haveria mais guerras.
— Isso e vinho, talvez. E então lutaríamos sobre o que comer com eles.
— Nada é fácil no mundo material.
Lagarto Sacerdote pareceu ponderar sobre as suas palavras, com seus olhos vagueando pela taverna.
— Dessa vez, meu senhor Matador de Goblins foi sozinho com nossa querida sacerdotisa. Talvez alguns se sintam ameaçados com isso.
— Há, muitas, rivais, não? — disse uma mulher voluptuosa saboreando elegantemente seu vinho, Bruxa tinha um sorriso fraco.
Ela furtou um pouco de comida do prato de Lanceiro enquanto os olhos dela se viravam significativamente para o lado.
— Tenho certeza que não sei do que está falando — disse Garota da Guilda com uma risada.
Ela ainda estava com o uniforme, embora seu horário de trabalho tivesse terminado. Talvez ela só parou na taverna antes de ir para casa. Suas bochechas estavam vermelhas pela bebida.
— Meu, quão… despreocupada.
— Não, não exatamente. — Garota da Guilda brincou com o copo na mão, esperando os distrair um pouco. Enquanto ela o girava delicadamente, ondas em miniatura percorriam o vinho. — Só estou… esperando minha oportunidade.
— Esperando… por cinco anos, não?
Não havia nada que Garota da Guilda pudesse dizer. Ela apenas tomou um gole do copo com uma expressão ilegível.
Quando ela foi designada para a filial da Guilda nessa cidade, ele foi um dos aventureiros colocados sob sua responsabilidade.
Como ela poderia deixar de notá-lo enquanto ele fazia aquilo que tinha de ser feito?
Ela o via quando ele partia, depois esperava pelo seu regresso. Não havia nada dramático nisso, sem dúvida, mas…
Os sentimentos e afetos das pessoas também se construíam nessa espécie de cotidiano.
Embora nesse aspecto, eu também compreendo a abordagem desse homem.
Ela olhou para Lanceiro, a quem Bruxa interrompia toda vez que tentava dizer alguma coisa. Até Garota da Guilda podia dizer que ele estava claramente dando em cima dela.
Ele era bastante bonito, extrovertido e gentil com as mulheres. A única falha nesse diamante era sua tendência em flertar.
Ele era inteligente, forte, bondoso e animado. Ele fazia um bom dinheiro, e embora pudesse ser um pouco indisciplinado, ele não chegava a ser insuportável. Objetivamente falando, ele parecia um homem decente. Garota da Guilda não tinha especificamente antipatia por Lanceiro. Salvo as vezes em que ele costumava gozar de Matador de Goblins.
Mas, bem, ela não se apaixonava por cada homem meio decente que via. Nem era obrigada a responder da mesma forma só porque alguém tinha se apaixonado por ela.
— Hmm.
Mas talvez, ela pensava, isso a tornava uma rival no amor.
Costuma se dizer que a amizade das mulheres é instável, mas Garota da Guilda não tinha tanta certeza.
O membro do grupo de Lanceiro, Bruxa, estava sentada sem seu chapéu característico, mas com um sorriso inescrutável.
— Isso, é muito, complicado.
— Para nós duas.
As duas mulheres trocaram um sorriso irônico, depois assentiram amigavelmente uma a outra. O homem não pareceu notar.
— Parece que tem havido uma enorme quantidade de missões relacionadas a demônios, tendo em conta que o Deus Demônio deveria ter sido derrotado. — Lanceiro tomou um gole de ale, talvez finalmente endireitado por Bruxa. — O que está acontecendo?
Talvez ela pudesse conversar com ele sobre isso. Garota da Guilda se sentiu um pouco mal por ele, mas aventuras era um tema seguro.
— Meus superiores parecem achar que os nossos heróis deixaram passar alguns dos caras maus.
— Acho que só lidar com os inimigos do alto escalão não significa que todo mundo poderá voltar para casa. — Lanceiro pegou uma noz e a colocou na boca, mastigando ruidosamente. — Demônios são perigosos.
— Eles podem se disfarçar de humanos, entre outros estratagemas. Eles não são fáceis de lidar. — Lagarto Sacerdote assentiu severamente para Lanceiro, juntando as suas palmas em um gesto estranho. — Fiquei muito grato por sua ajuda a esse respeito.
— Não fale disso! Havia uma missão, e eu a peguei. — Ele ignorou a gratidão de Lagarto Sacerdote. — E quando a sua aventura funciona como um encontro, também não é ruim.
Como Lagarto Sacerdote tinha dito, dessa vez, os cinco tinham lidado com um demônio em forma humana.
A missão em si fora terrivelmente mundana: investigar um novo culto que tinha se espalhado por uma cidade.
A cidadezinha ainda se gabava de um templo do Deus Supremo, mas parecia que tinham perdido seu implemento sagrado. A missão envolveu recuperá-lo. Todavia, quando a questão de saber se os goblins estavam envolvidos surgiu, a resposta foi um rotundo não.
Não era uma missão de goblincídio.
“Então irei em uma de extermínio de goblins” disse Matador de Goblins, e Sacerdotisa seguiu atrás dele com um “Desculpe” e curvou a cabeça.
“Está bem, vamos lidar com isso nós mesmos!” exclamara Alta-Elfa Arqueira, mas mesmo ela sabia que eles estariam menos preparados para o combate sem ele.
Justo quando eles estavam decidindo como resolver essa questão, Lanceiro os chamou.
Foi perfeito. Os cinco formaram um grupo temporário e deram início as suas investigações…
Naturalmente, eles encontraram provas suficientes de sequestros, tráfico de drogas, furto e extorsão.
Quando eles encontraram o implemento roubado, um diamante azul lapidado que se parecia com um olho, eles souberam muito bem o que estava acontecendo.
Encontrar a sede do culto, onde eles praticavam seus rituais bizarros e capturar seu líder, era só uma questão de tempo.
— UUUUUUU…! AKAATERRRAAAABBBBB!!!
Face ao diamante, o segundo em comando do culto se revelou ser o verdadeiro cabeça; um demônio. É claro.
E por fim, o demônio abandonou seu disfarce e enfrentou os aventureiros em uma batalha épica.
— Como se lembram, foram as minhas flechas que deram o golpe final.
— Sim, nós sabemos. Está tudo escrito claramente no relatório. — Garota da Guilda notou o testemunho de Alta-Elfa Arqueira na sua papelada.
Agora, a atiradora estava ilustrando a batalha dramaticamente com gestos selvagens.
Garota da Guilda nunca se cansava de vigiá-la. A elfa era facilmente 2.000 anos mais velha que ela, mas parecia como uma irmã mais nova.
— Talvez você tenha bebido o suficiente…
— Não tem problema. Estou bem! É só um copo de vinho tinto. Está tranquilo!
Alta-Elfa Arqueira estava completamente embriagada e longe de estar “bem”.
Bem, todo mundo precisa experimentar uma boa ressaca uma vez em suas vidas. Garota da Guilda colocou um sorriso irônico e resolveu ajudar a elfa a subir as escadas quando o efeito do álcool se fosse, depois tomou outro copo. Ela se inclinou para trás delicadamente, aproveitando a sensação do vinho em sua língua. Ela lembrou das palavras de Bruxa de alguns minutos antes.
Muitas rivais.
Comparada com a sacerdotisa, que podia ir com ele em aventuras, era verdade que Garota da Guilda estava em desvantagem porque tudo o que poderia fazer era esperar.
Que desvantagem? Não seja tonta.
Por aqui, mesmo uma recepcionista poderia tomar a ofensiva.
Ainda assim, ela tinha um pouquinho de medo de dar esse passo…
Ela estava surpresa com o quanto adorava suas relações como empregada da Guilda e com os aventureiros. Mas, caso venha parar aqui…?
Pelo canto do olho, ela viu Bruxa admoestando Lanceiro enquanto ele tentava falar: “Está com problemas, senhorita?”.
Garota da Guilda se viu dando um pequeno suspiro. E naquele momento…
— …?
A porta vaivém do edifício rangeu ao abrir.
Depois surgiu o som de passos casuais e indiscretos.
As orelhas de Alta-Elfa Arqueira se levantaram, como um predador apanhando o som de um coelho.
Então eles o viram: um aventureiro com um equipamento ridiculamente de segunda categoria. Equipamentos tão patéticos que causava agitação até entre os ranques Porcelana, os completo novatos. Um aventureiro cuja roupa única era conhecida por cada um da Guilda.
Matador de Goblins.
— Eu cuido da papelada. Descanse.
A ordem brusca foi direcionada para a sacerdotisa seguindo atrás dele.
Ela quase não conseguia suportar o cansaço. Sua cabeça balançou para cima e para baixo, com as pálpebras meio fechadas.
As magias de um sacerdote eram chamadas de milagres porque, exatamente como o nome implicava, o conjurador fazia uma súplica direta aos deuses no céu. O esforço que isso exigia não era menor que de um guerreiro na linha de frente, e isso havia desgastado seriamente essa jovem esbelta.
— …Siimm, senhor… Hm…
— O quê?
— Boa noite… Matador de Goblins, senhor…
Ela assentiu bruscamente com as palavras de Matador de Goblins e foi subir as escadas.
Ele esperou que ela chegasse com seus pés trêmulos em segurança no segundo andar antes de ir.
Mas os outros não poderiam só observar ele andar até a recepção.
— Ei, Orcbolg, aqui! — chamou Alta-Elfa Arqueira a todo pulmão, depois que reconheceu seu companheiro distinto por meio do efeito do álcool. Ela se levantou e balançou seu copo de vinho loucamente para ele, espirrando seu conteúdo no lanche de Lanceiro.
Ele mastigou lentamente uma noz encharcada de vinho, ganhando uma risada de Bruxa.
Matador de Goblins veio até a mesa e se deparou com a cena.
— O que foi?
Anão Xamã e Lagarto Sacerdote partilharam um olhar e deram de ombros.
Eles não tinham certeza se achavam ou não reconfortante que Matador de Goblins fosse exatamente o mesmo logo após uma aventura como sempre.
— Você sabe muito bem o que! — Alta-Elfa Arqueira, no entanto, não parecia satisfeita. Ela bateu na mesa repetidamente e olhou para o capacete de aço. — Quando você volta de uma aventura, você deveria dizer oi pelo menos!
— É mesmo?
— É!
Alta-Elfa Arqueira bufou. Garota da Guilda sorriu para ela, então deslizou para o lado. Ela gesticulou para Matador de Goblins se sentar, o que ele fez gentilmente. Ela virou seu sorriso para ele e disse: — Bem-vindo de volta, Sr. Matador de Goblins. Como foi?
— Farei o meu relatório — disse ele, depois inclinou a cabeça. — Seu turno não acabou?
— Ah, vamos — disse Garota da Guilda, fazendo bico com um pouco de aborrecimento. — Eu sou sempre a primeira a ouviu sobre suas aventuras. Por que não me diz?
— Hum. — Matador de Goblins cruzou os braços e pensou. Então ele declarou: — Havia goblins.
— Uau, quem poderia adivinhar? — grunhiu Lanceiro. Ele deu de ombros e balançou a cabeça como se dissesse: Esse cara não entende. — O que nossa querida Garota da Guilda está perguntando é, o que você fez que se destacaria sobre o que nós fizemos?
Matador de Goblins voltou a pensar.
— Abatemos quinze deles.
Lanceiro sabia que não poderia esperar uma anedota pormenorizada sobre a aventura de Matador de Goblins, mas até ele baixou a cabeça decepcionado.
— Vamos, Matador de Goblins. Diga alguma coisa interessante!
Bruxa cerrou os olhos distraidamente e colocou o copo na boca.
— Talvez, não há nada interessante, para dizer…
— Quando Corta-barba está metido, suponho que não haveria.
— Nós falamos do meu senhor Matador de Goblins. Ele tem suas peculiaridades.
— Eles tinham equipamentos.
Anão Xamã e Lagarto Sacerdote assentiram conscientemente um ao outro, mas Matador de Goblins balançou a cabeça.
— As mulheres sequestradas estavam todas bem.
— Sério? — pestanejou Garota da Guilda. — Isso é maravilhoso, mas… bastante incomum.
Ela esteve trabalhando aqui durante cinco anos, e raramente ouviu falar em tal coisa.
Embora carecesse de experiência real com aventura, ela tinha ouvido mais sobre isso que qualquer outra pessoa. Certamente mais a ver com goblins. Às vezes as informações vinham antes que as mulheres fossem raptadas, outras vezes logo depois. Às vezes duas semanas depois.
— Elas estavam sendo mantidas como comida…? Ou alguém no comando as queria como reféns?
— Não. — Ele balançou a cabeça. — Elas estavam feridas e aterrorizadas.
— Isso foi em uma mina, não foi?
— Visarem uma mina foi bastante estranho.
— Significando que não estavam atrás de comida. Hmm…
Garota da Guilda demonstrou como ela estava entre os poucos que podiam seguir a conversação de Matador de Goblins. Ela tocou o dedo contra os lábios enquanto digeria os pedaços de informações que ele partilhou.
Ela não reparou em Lanceiro exclamando: “Então, talvez eu devesse estudar sobre goblins!”.
Nos casos que envolviam goblins, de cada dez sequestros, oito a nove vezes eram mulheres jovens. Mas isso era em grande parte para as usar como escravas sexuais, brinquedos para descarregar a raiva.
Da mesma forma que as pessoas achavam os goblins repugnantes, os goblins não conseguiam tolerar os humanos.
Garota da Guilda conhecia muitos exemplos de brutalidade que, como uma boa mulher, fazia ela desejar que não tivesse ouvido dizer nem ler sobre eles.
Poderia se esperar que ela ficaria contente ao ouvir a notícia do resgate.
— …Hmm. Então nós não sabemos o suficiente para dizer alguma coisa…
Algo parecia incomodar Garota da Guilda. Ela inclinou a cabeça, tentando entender o que era.
Talvez fosse o mesmo com Matador de Goblins. Ele disse desapaixonadamente:
— Esse é o meu relatório preliminar. Vou apresentar um mais detalhado mais tarde. Dê uma olhada.
— Claro. Como é obvio, meu turno acabou por hoje, por isso será a primeira coisa para amanhã cedo.
— Sem problema.
— Não de minha parte, não está! — irrompeu Alta-Elfa Arqueira.
Deitada na mesa, ela olhou para Matador de Goblins, se esforçando em fazer seu olhar exaltado devidamente ameaçador.
— …Quem se importa com o seu relatório estúpido? Você deveria cumprimentar seus amigos e companheiros antes! …Embora eu saiba que os goblins são importantes para você — murmurou ela.
O homem armadurado balançou a cabeça lentamente.
— Você já sabe que estou aqui. Não há necessidade.
— Não importa. Devia fazer isso de qualquer forma.
— É assim que é?
— …Todo mundo estava preocupado com você.
Isso provocou um murmuro “…Estavam?” de Matador de Goblins. — Eu vou mudar.
— Que bom. — O rosto de Alta-Elfa Arqueira se derreteu em um sorriso suave, finalmente contente.
Suas orelhas balançavam com seu humor melhorado.
Ela jurava que quando eles alcançavam 2.000 anos, os elfos eram considerados adultos, mas ela certamente não agia assim. Francamente, ela pode ser meio que uma vergonha para com seus antepassados alto-elfos.
Ao menos, isso é o que Anão Xamã estava pensando quando Garota da Guilda se moveu silenciosamente.
Ela se inclinou indiferentemente e pôs a mão no joelho de Matador de Goblins.
O movimento foi surpreendentemente natural, e ela parecia totalmente séria.
— A propósito, Sr. Matador de Goblins.
— O quê?
— O, hum, o festival da colheita é depois de amanhã.
— Sim.
Garota da Guilda respirou e soltou um suspiro. Ela colocou a mão no peito, como se tentando conter fisicamente seu coração acelerado.
— Você tem… algum compromisso?
A atmosfera mudou instantaneamente.
Até mesmo os aventureiros tagarelando e bebendo nas proximidades pararam para ouvir, se esquecendo das pessoas na mesa deles.
Ela sentiu seus nervos enrijecer assim como eles ficavam entrando em uma masmorra.
Bruxa usou Silêncio para impedir Lanceiro de exclamar: “Eu estou livre!”.
Os olhos de Alta-Elfa Arqueira estavam abertos, mas sua embriaguez lhe permitiu apenas oferecer um murmúrio moroso e incoerente.
E no centro do clima indescritível, Matador de Goblins disse.
— …Goblins.
— Ah, quero dizer… algum plano não-goblinsesco?
— ……Hum.
Com esse simples som, Matador de Goblins abaixou a cabeça como se perdido em pensamentos.
Ou talvez sem palavras. Ambos seriam uma visão incomum.
Enquanto todos à sua volta esperavam com a respiração suspensa, só Garota da Guilda ainda tinha um sorriso no rosto.
Depois de um momento, Matador de Goblins disse: — …Não, suponho que não.
— Sabe, vou estar livre a tarde toda nesse dia.
Ela parecia estar esperando por algum tipo de resposta.
É agora ou nunca!
Era o festival da estação, e ela tinha planejado por esse momento. Ele tinha acabado de terminar uma missão de goblincídio, e a recompensa pelo seu trabalho duro e incansável lhe permitia tirar uma folga quando realmente precisasse.
Tinha também o vinho. Emprestando as forças do álcool, ela pensou que essa seria sua melhor chance.
— Eu… Eu pensei que t-talvez gostaria de ir… ver o festival comigo.
— …
— Di… digo, o festival… pode não ser completamente seguro, certo?
Um dos seus dedos desenhava formas sem sentido em sua palma. Garota da Guilda observava o capacete de aço.
A mesma coisa medíocre que ele sempre usava que escondia seu rosto por detrás.
A única maneira que ela poderia o alcançar era se manter falando, embora sua voz estivesse cada vez mais tensa graças ao seu coração acelerado.
Para Garota da Guilda, cada segundo que ele ficava calado parecia como… um minuto? Não, uma hora.
— …Está bem.
Matador de Goblins assentiu.
A voz dele poderia ter sido desapaixonada, quase mecânica, mas não havia dúvida sobre o que ele disse.
— Você é sempre de uma grande ajuda para mim.
— Ah, certo… Eu… Obrigada — disse ela se curvando, jogando sua trança no ar.
Ops. Se diz “obrigada” nessa situação?
Ela estava um pouco preocupada, mas era uma coisinha de nada, completamente subjugada pela alegria se espalhando rapidamente pelo seu coração.
— Ah… oh, certo! Sr. Matador de Goblins, gostaria de algo para comer?
— Não, estou bem. — Balançando firmemente a cabeça, Matador de Goblins se levantou do banco. Como sempre, ele verificou sua armadura, escudo e luvas com um olhar experiente, então assentiu.
— Assim que eu fizer meu relatório, voltarei durante o dia.
— A-ah, En… Entendi. — Garota da Guilda sentiu uma mistura estranha de emoções, desapontada, mas também satisfeita com sua resposta bem característica.
— Nesse caso, hum…
— O dia do festival da colheita, ao meio-dia, na praça. Pode ser?
— Sim!
— Tudo bem então.
Matador de Goblins assentiu, então inquiriu todos na mesa.
— O que vocês irão fazer?
Garota da Guilda conseguiu manter suas mãos longe da cabeça, mas seu rosto traía claramente seus sentimentos. Ela deveria ter esperado isso.
Lagarto Sacerdote e Anão Xamã pareciam o mesmo. Eles se limitaram a dar de ombros e decidiram fazer o que poderiam para ajudar.
— Minha intenção é passar esse dia desfrutando de uma refeição com Mestre Conjurador.
— Ah, sim! Eu sempre quis beber com Escamoso em uma mesa. Essa será uma boa oportunidade.
Anão Xamã bateu em sua própria barriga, depois esfregou as costas de Alta-Elfa Arqueira.
— Venha conosco, Orelhuda. Não importa o que digam, elfos e anões têm um longo relacionamento!
— Bwah? — Um ruído em desacordo deixou sua boca. Era o tipo de som informe que uma criança fazia como protesto de se levantar da cama.
— Ah, vamos lá… Eu lhe darei um copo de vinho!
— …Está bem.
— Entendi. — Matador de Goblins aceitou a resposta deles com sua frieza habitual, então se preparou para ir.
Lanceiro abriu a boca como se fosse dizer algo, mas Bruxa o interrompeu. — Nós dois temos um encontro.
— Vou indo, então.
Sem muitas palavras de despedida. Como sempre.
Ele foi para a recepção e sinalizou para a funcionária mais próxima para fazer seu relatório, depois foi para fora.
Seu passo ousado não continha qualquer sinal de hesitação, como sempre.
Ele era um aventureiro um tanto estranho.
O grupo o viu indo, incapaz de dizer algo.
— Meu deus — disse Lagarto Sacerdote, dando um suspiro de admiração. — Um feito muito impressionante.
— Heh… Ah-ha-ha… Fico feliz que deu tudo certo. — Garota da Guilda corou timidamente e brincou com sua trança.
— De fato. — Bruxa sorriu, dando a Lanceiro pálido uma palmadinha. — Você, se esforçou, também.
Anão Xamã deixou escapar um suspiro exasperado. — A peito-plano aqui poderia aprender uma coisa ou outra de vocês.
— Ah, cale sua matraca. — Alta-Elfa Arqueira se virou devagar e fastidiosamente para olhar para o anão. — Eu só quero ir em uma aventura juntos. Aquele idiota não vai mesmo vir comigo!
— Sim, moça, você falhou bem miseravelmente.
— Aa… Aaaaah!
— Ah, ora. Aqui, tome uma bebida.
Ele derramou uma quantidade boa de vinho no seu copo. Ela lhe poupou com um olhar rápido antes de colocar o copo em sua boca com um leve aceno.
Garota da Guilda, vendo tudo isso, franziu sua testa apologeticamente.
— Hum… Eu… Eu sinto muito…
— Pfft. Como se eu ligasse. Eu já te disse, eu não penso nele dessa forma. — Alta-Elfa Arqueira deu goles delicados em sua bebida, observando Garota da Guilda. — Ei — disse ela.
— Sim?
— Foi uma boa fala: “Algum plano não-goblinsesco?”. Posso usar ela?
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Quando Matador de Goblins deixou a Guilda, um aroma doce o envolveu.
Que aroma pode ser esse…?
Enquanto ainda estava pensando, uma rajada de brisa fresca levou embora o cheiro.
Quando o sol se pôs, o calor do dia recuou como se nunca tivesse existido.
A noite se aproximou. Ele olhou para um céu gelado repleto de estrelas.
As luas gêmeas, cheias com a promessa de uma colheita abundante, brilhava com uma luz que era de alguma forma metálica e inorgânica.
— Hum.
Já era outono.
Mas isso não significava muita coisa para ele.
Após a colheita, as incursões dos goblins provavelmente aumentariam.
Havia um estilo de luta apropriado para a primavera, bem como um para o verão, para o inverno, e, claro, para o outono.
Ele examinava as ruas silenciosas.
Os estandartes e flâmulas estavam penduradas antecipadamente para o festival, juntamente com as torres de madeira, projetando uma rede complexa de sombras no chão. Matador de Goblins se entrelaçou por elas enquanto caminhava.
Essas eram ruas que ele conhecia bem, mas cada vez que ele passava por uma sombra, ele formava um punho reflexivamente.
Provavelmente não havia nada se escondendo na escuridão. Mas os goblins poderiam aparecer a qualquer momento e em qualquer lugar.
Nem todas as preparações eram úteis, mas uma pessoa nunca poderia deixar de estar preparada.
Esse era um dos princípios mais preciosos de Matador de Goblins.
— Oh, aí está você!
Dessa forma, ele pôde apanhar a voz inesperada, mas familiar, com facilidade.
O cumprimento vivo e amigável não correspondia muito com a noite, embora talvez ele precisasse da luz.
— Ah — disse Matador de Goblins. — Você veio me encontrar?
Era, é claro, Vaqueira.
— Heh-heh! — Com um sorriso em seu rosto e um salto de seu peito, ela foi rapidamente na direção dele. — Gostaria de dizer que sim. Por acaso eu estava na cidade. Trabalho, sabe.
— É mesmo?
— Sim, é. — Ela assentiu firmemente. O capacete encardido a seguiu atentamente.
— Uma entrega?
— An-ham. — Vaqueira acenou com a cabeça. — Falar com um cliente. Tio me disse para cuidar disso para aprender sobre o lado das questões comerciais.
— É mesmo? — disse ele de novo, assentindo.
O sol estava ausente e a cidade escura, deixando os dois sozinhos na negritude. A rua fora do portão da cidade estava ainda mais solitária e escura.
— …Quer ir para casa?
— Sim, vamos.
Eles partiram, dando passo ao lado do outro.
Eles seguiam suas próprias sombras se estendendo pelos ladrilhos e iam silenciosamente para casa.
Não com pressa, mas tampouco lentamente.
A falta de conversa não os incomodava. Às vezes era muito bom.
— Ah…
Com um vuum, o vento fresco soprou de novo e trouxe aquela fragrância agradável com ela.
Matador de Goblins parecia não perceber bem o que lhe lembrava.
Uma pétala de flor dançou pelo ar, acompanhando a brisa e o cheiro.
Matador de Goblins olhou para cima. Ele viu uma árvore coberta por flores douradas.
— Ah, é uma flor-do-imperador. — Vaqueira seguiu o olhar dele para cima e usou sua mão para proteger seus olhos da luminosidade. — Já está florescendo. Acho que é nessa estação.
Tinha sido o aroma da flor.
— Isso mesmo — murmurou Matador de Goblins, agora que ele sabia de onde o odor vinha.
Era estranho como a estrutura das flores amarelo-clara fazia até mesmo as luas frias parecerem quentes.
Quando ele começou a se afastar, sentiu uma sensação suave envolver de repente sua mão esquerda.
Vaqueira tinha entrelaçado sua mão na mão enluvada dele.
Ela estava corando o bastante para ser visível, seus olhos se desviaram bem ligeiramente.
— Pode… Pode ser perigoso, andar enquanto você olha assim para cima. Está… Está escuro.
— …
— Desculpa. Eu…?
Ela olhou para o rosto dele, tentando decidir como tomar seu silêncio.
Depois de um momento Matador de Goblins, com sua expressão oculta pelo capacete, balançou lentamente a cabeça.
— Não.
— Hee-hee.
Vaqueira partiu, puxando Matador de Goblins atrás dela.
Matador de Goblins podia sentir o calor das mãos de Vaqueira através de sua armadura. Agarrando-se a essa sensação, ele seguiu atrás dela.
Ela olhou para ele de soslaio.
— A propósito…
— O quê?
— Sabe o que a flor-do-imperador simboliza na linguagem das flores?
— Linguagem das flores? — repetiu Matador de Goblins, como se nunca tivesse ouvido a expressão antes. — Não, não sei.
— Bem, então acho que devia descobrir.
Ela soou muito parecida com uma criança tentando imitar um adulto.
Vaqueira riu e sorriu deliberadamente, balançando levemente seu dedo indicador.
— Para mim, acho que te cai bem.
— …Vou me lembrar disso.
Matador de Goblins assentiu, e Vaqueira respondeu com uma espécie de “Hmm” de afirmação.
Toco no assunto?
Vaqueira havia conseguido quebrar o gelo.
Despeito do seu capacete, ele não era difícil de se decifrar. Ainda assim, ele poderia ser surpreendentemente teimoso, então ela teria de usar a cabeça.
— …O festival está chegando… já é depois de amanhã.
— Sim, é. — Ele assentiu assiduamente. — Eu fui convidado.
— Guah?! — Uma exclamação estranha escapou dela.
— O que foi?
— Não, eu… uh, digo… Quem te convidou? E o que você disse?
— A recepcionista da Guilda. Acho que você a conhece.
Vaqueira assentiu.
Garota da Guilda. Elegante, competente e atenciosa. Uma jovem madura.
— Não tive motivos para recusá-la. Eu perguntei a todo mundo se queriam vir junto, mas parece que todos têm planos.
Vaqueira parou de andar de repente.
— …O que foi?
— Ah… Ahh-ha-ha-ha-ha-ha!
Com sua mão livre, ela brincou com seus cabelos para o distrair.
Gah. Ela me passou a perna…
Entendendo ou não o que ela estava pensando, Matador de Goblins repetiu desapaixonadamente: — O quê?
— …Ahh, não é nada. — Vaqueira balançou lentamente a cabeça.
Não… Não é nada demais. Não é?
Então ela não tinha conseguido o que queria.
Ela não estava certa de que deveria dar voz aos seus pensamentos agora, mas eram apenas palavras, certo?
— Eu só… eu estava esperando ver o festival com você, também. Só isso.
— Estava?
— É.
Ela assentiu, assim eles ficaram em silêncio de novo.
Antes que percebessem, os ladrilhos tinham dado lugar a uma estrada de terra, e eles saíram pelo grande portão principal.
Na primavera, essa colina se preenchia com margaridas. Era onde os aventureiros travaram a batalha com os goblins. Agora, com a aproximação do inverno, tudo o que restava eram as pastagens e seus próprios passos barulhento.
Escutando atentamente, ele podia ouvir o bzzz, bzzz fraco dos insetos, e a respiração da sua velha amiga ao lado.
Havia ficado mais frio, mas não o suficiente para que suas respirações esfumaçassem.
— …Ei.
— O quê?
— Que horas é o seu encontro?
— Meio-dia.
As luzes cintilando da fazenda estava aparecendo ao longe.
Matador de Goblins manteve seus olhos — seu elmo, na verdade — em frente enquanto respondia calmamente.
— Ah — sussurrou Vaqueira, movendo sua mão trêmula ao peito. — Então… Posso te convidar para ir pela manhã?
— Sim.
— O qu…?
Ela esteve prestes a retrair tal pedido atrevido, e agora tudo que podia fazer era ficar a olhar fixamente.
O capacete encardido se misturava tão bem com a escuridão que ela mal conseguia dizer onde acabava o aço e onde a noite começava.
Tal e qual ela não conseguia dizer bem se ele estava sendo sincero.
Ele era fácil o bastante de entender, mas… não estava ela projetando seus próprios desejos em suas palavras?
Vaqueira engoliu em seco. Ela desejou que sua voz não tremulasse.
— S-sério?
— Por que eu mentiria?
Não havia nenhum indício em sua voz.
Claro que ele não era o tipo de homem que diria uma mentira tão estúpida. Ela sabia disso.
— Mas, isso… Você tem certeza…?
— Não é essa a questão. — Ele desconsiderou facilmente sua pergunta preocupada. — Você me convidou.
— Ah… Então… você não se importa?
— Não me importo.
— Iupi!
Vaqueira não poderia ser culpada pela exclamação animada depois da resposta objetiva dele.
Ela pulou no ar, seu peito generoso balançou e girou na frente dele.
— Muito bem, é um encontro! A manhã do festival.
— Sim. — Afligido, Matador de Goblins inclinou a cabeça, perplexo. — Isso te fez tão feliz?
— Que pergunta!
Vaqueira lhe lembrou com um sorriso enorme o que ele já deveria ter percebido.
— Já passaram quase dez anos desde que fui em um festival com você!
— Tem?
— Tem sim.
— …Entendi. — Matador de Goblins balançou a cabeça com a maior seriedade. — Não tinha notado.
Eles podiam sentir, mesmo que pouco, o cheiro de creme fervendo. Vaqueira havia deixado os lacticínios cozinhando quando pensou que estava pronto, indo se encontrar com ele sobre o pretexto de um recado.
A casa agora estava bem na frente deles.
