Capítulo 2 – Por favor. (Parte 1)

Parecia bastante provável que o agressor desconhecido tivesse escalado o penhasco para atacar Yume. Haruhiro e a party mantiveram uma distância cautelosa da borda enquanto avançavam.

Eles sabiam, pelo fato de a magia de luz ter funcionado, que o poder do deus da luz, Lumiaris, se estendia até aquele mundo. No entanto, como Mary lhes contou, ao lançar Sacrament, a magia havia sido muitas vezes mais exaustiva que o normal. Além disso, levou muito mais tempo para as feridas de Yume se curarem. Haruhiro achou isso estranho. Normalmente, Sacrament era um feitiço que curava todas as feridas instantaneamente.

Eles tentaram fazer Ranta invocar seu demônio para ver o que aconteceria, e ele apareceu como de costume. Parecia uma pessoa com um manto roxo sobre a cabeça, com dois buracos no lugar dos olhos, e abaixo deles uma boca semelhante a um corte. Ele carregava uma lâmina semelhante a uma faca na mão direita e uma arma parecida com um porrete na mão esquerda. Tinha pernas, embora flutuasse no ar. Aquele era o demônio de Ranta, Zodiac-kun… mas com apenas um terço de seu tamanho normal.

Então, o poder do deus das trevas, Skullhell, também chegava àquele mundo. No entanto, devido à questão da distância, talvez, ou alguma outra causa, Lumiaris e Skullhell só conseguiam prover cerca de um terço de sua proteção usual.

Bem, seja um terço ou um quarto, ainda era melhor que nada. Graças a isso, Yume sobreviveu. Louvado seja Lumiaris.

Embora eles conseguissem usar magia de luz agora, ainda não podiam relaxar. Haruhiro vigiava atentamente qualquer presença. Naturalmente, isso era exaustivo. Sempre que ficava tão difícil a ponto de ele pensar que poderia quebrar, sua mente voltava para a imagem de Yume à beira da morte. Ele nunca queria passar por aquilo de novo. O que era um pouco de luta agora comparado àquilo? Ele só precisava aguentar firme. Se ele conseguisse suportar, significava que ainda não estava no limite.

Por mais que o tempo passasse, o céu não clareava. O sol naquele mundo parecia incrivelmente tímido. No fim, o sol nunca nasceu, e a luz semelhante a uma chama que ele havia vislumbrado além do cume distante se apagou. Quando a noite chegou, ficou escuro como um breu, fazendo-o perceber que, mesmo durante o dia, ainda estava relativamente claro.

Todos estavam em silêncio. Ocasionalmente, Ranta dizia algo idiota, como se tivesse acabado de lembrar que era algo que ele fazia, mas nunca se desenvolvia em uma conversa de verdade. Sempre que alguém parava de andar, faziam uma pausa.

O amanhã que ele não conseguia imaginar como manhã chegou, e então a noite, mais escura do que a própria noite, também chegou. Suas esperanças de esperar pela manhã foram em vão. Ainda assim, sempre que as chamas no cume se apagavam, ele sentia o peito apertar com um sentimento de impotência.

Todos eram soldados voluntários, mesmo que não fossem muito bons nisso, então estavam todos carregando rações de emergência e água. Seus suprimentos rapidamente se esgotaram.

Ranta ocasionalmente invocava Zodiac-kun e conversava com o demônio. Talvez estivesse tentando se distrair. Haruhiro começou a duvidar da própria sanidade. Mesmo quando via luzes à frente, pensava que eram um sonho ou uma ilusão. Estava vendo coisas que não podiam ser reais. Deviam ser ilusões.

Havia luzes como fogueiras que piscavam aqui e ali. Não parecia ser um fenômeno natural. Se não fosse uma ilusão, provavelmente estavam sendo acesas por alguma forma de vida inteligente. Haveria alguma ligação entre essas formas de vida e o emboscador que quase matou Yume? Ele não tinha como saber.

O terreno estava em uma leve inclinação descendente. Qual seria a distância até a luz? Um quilômetro, talvez?

Conforme se aproximavam, ele foi entendendo a situação. As luzes não eram ilusões. Ele conseguia ver algumas construções com clareza. Conseguiu identificar um prédio que parecia uma torre de vigia. As luzes pareciam vir de fogueiras e lamparinas. Havia fogos acesos pendurados nas beiradas dos prédios e na torre de vigia. Havia talvez uns vinte deles.

Não era grande o suficiente para ser chamada de cidade. Talvez uma pequena vila.

A questão era os residentes. Ele os chamava de residentes, mas, obviamente, não eram humanos.

— O que… devemos fazer? — Haruhiro perguntou, hesitante.

— Cara, o que você quer dizer com “o que”? — Ranta suspirou. — …O que vamos fazer?

— Keehe… Não pergunte, seu pedaço de lixo, Ranta… Preocupe-se e agonize com isso… até morrer… Ehehehe.

— Não fala desse jeito, mesmo que seja brincadeira, Zodiac-kun — Ranta disse. — Agora não. Isso é meio deprimente. É sério…

— Não se preocupe… Kehe… Kehehe…

— Bom, eu não tô preocupado, sabe? — Ranta respondeu, defensivo. — Eu sei que é só seu senso de humor sombrio, beleza?

— Ehehehe… Ehe… Isso é um mal-entendido… Zodiac-kun sempre fala sério… Ehe…

— Não acredito, sério?! De verdade?!

— Ranta-kun tá cheio de energia, né — Kuzaku murmurou.

Quem foi que disse: “Se você tem energia, pode fazer qualquer coisa”? Haruhiro não achava que com energia dava para fazer tudo. Mas sem energia, provavelmente havia muitas coisas que não poderiam ser feitas. Então, não deveria ser algo ruim Ranta estar recuperando a energia, mas ele era barulhento e irritante.

— Não devíamos nos aproximar sem cuidado… — Shihoru disse, hesitante.

— Ela tá certa — Mary concordou. — Não sabemos o que pode estar à espreita, afinal.

— Mas dá uma vontade de descobrir o que tá acontecendo ali — o estômago de Yume roncou alto. — …Ah. Uff. Yume… tá ficando com fome…

Claro que está, Haruhiro pensou.

Honestamente, a fome e a sede deles estavam atingindo níveis perigosos. Eles precisavam arranjar mais água e comida logo, ou estariam acabados.

— Eu vou espiar — Haruhiro disse. — Fiquem aqui.

— Estamos contando com você, ladrão. — Ranta deu um tapa no ombro de Haruhiro.

Isso o irritou, mas Haruhiro se segurou, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Ranta: — Se algo acontecer, conto com você pra cuidar do resto.

— C-Certo. Bem, se chegar a esse ponto. S-Só volta, tá, seu idiota? Inteiro.

— É meio assustador quando você age assim — Haruhiro murmurou.

Haruhiro mudou instantaneamente seu estado de espírito. Primeiro, eliminou sua presença—Hide.  Segundo, moveu-se com a presença eliminada—Swing. Terceiro, usou todos os seus sentidos para detectar as presenças dos outros—Sense.

Em outras palavras, ele usou Stealth.

Ele imaginou a si mesmo deslizando para debaixo da terra sem fazer som, tornando-se uma toupeira e se movendo pelo solo. Ao mesmo tempo, erguia seus olhos e ouvidos para fora da superfície, olhando e ouvindo. Sentindo.

Ouviu um som.

Clang, clang! Era o som de algo duro sendo batido.

A luz mais próxima vinha da fogueira no topo da torre de vigia. Havia um fosso a cerca de 25 metros da torre. Parecia ter uns dois metros de largura, mais ou menos. Sua profundidade era desconhecida. Provavelmente não era raso, no entanto.

Havia uma criatura humanoide sentada na torre de vigia. Seu tronco era estranhamente grande, enquanto sua cabeça era pequena. Aquela pequena cabeça estava envolta em algo como um pano. Seria aquele um arco e uma aljava de flechas pendurados em suas costas? Aquela criatura era, sem dúvida, um vigia. Os habitantes da pequena vila estavam se protegendo contra intrusões com o fosso, e ainda tinham um vigia de plantão. Não ia ser possível entrar lá, afinal.

Não, era cedo demais para fazer essa conclusão. Haruhiro virou à esquerda, avançando em direção ao rio. Logo, encontrou um penhasco.

Ele chamava de penhasco, mas tinha apenas dois ou três metros até o fundo. Não seria impossível descer. Havia um leito de rio lá embaixo. O rio fluía logo além dali. Parecia que estavam canalizando a água do rio para o fosso.

Quando olhou do rio para o fosso, havia outra torre de vigia. Havia uma fogueira acesa no topo dela, e também um vigia ali. Mas esse vigia era muito menor do que o primeiro. Tinha um corpo roliço, com o tamanho de uma criança humana. Ainda assim, sua cabeça estava envolta em pano, assim como o primeiro. Quanto ao armamento, aparentemente também usava arco e flecha.

Haruhiro decidiu chamar aquela de Torre B, e a primeira de Torre A. Ele voltou para onde estava a Torre A, prosseguindo na direção oposta.

O fosso eventualmente começou a se curvar. Ele conseguia ver várias construções claramente. Todas de um andar, e não mais de dez delas. Eventualmente, chegou a outra torre de vigia. Torre C. A Torre C era grande e robusta. Um portão. A Torre C foi construída como parte de um portão. Havia uma ponte saindo daquele portão aberto. Feita de madeira. Era solidamente construída. A ponte sobre o fosso parecia forte o suficiente para suportar o peso de uma carroça.

Havia um vigia na Torre C também. Este não estava sentado, mas em pé. Ao contrário dos vigias da Torre A e B, esse tinha um físico estranhamente longo e magro.

Havia algo esquisito sobre aqueles braços. Muitas articulações? Parecia que ele tinha dois, talvez três cotovelos. Como os outros vigias, a cabeça estava envolta em pano, mas se projetava nas extremidades. Além disso, havia uma cauda. O vigia da Torre C tinha uma cauda.

Pelo menos, ele poderia dizer que os vigias das Torres A e B e o da Torre C pertenciam a raças diferentes. Se Haruhiro usasse seu bom senso, essa era a única conclusão possível.

O vigia da Torre C era da mesma raça que os restos esqueléticos que Ranta havia encontrado? Ele tinha uma cauda. O cadáver tinha oito dedos também. E o vigia? Isso ainda era incerto. Haruhiro não conseguia contar quantos dedos ele tinha.

O vigia da Torre C de repente olhou em sua direção.

Fui notado? Haruhiro prendeu a respiração e permaneceu parado. Se ele entrasse em pânico e tentasse fugir, isso só pioraria a situação.

O vigia pegou o arco que estava pendurado nas costas, colocando uma flecha. Ele puxou a corda do arco.

Merda, pensou. Quero correr. Preciso fugir. Não… Espera. Não é certo ainda que fui encontrado. Além disso, tudo bem. Se ele disparar uma flecha, não será tarde demais para correr. Provavelmente.

O vigia soltou a corda do arco e girou a flecha que não foi disparada. Então, como se dissesse: Deve ter sido minha imaginação, inclinou a cabeça para o lado.

Isso mesmo. Foi só sua imaginação… Okay? Haruhiro respirou fundo e começou a se mover.

Aquele vigia era perigoso e muito esperto. Será que ele tinha feito barulho? Haruhiro não achava que sim. Além disso, havia um barulho constante e regular, então ele poderia fazer um pouco de barulho sem problemas. Mas o vigia da Torre C percebeu algo. Haruhiro decidiu que era melhor tomar cuidado.

Continuou a explorar. Passando pela ponte, seguiu a curva do fosso. Após confirmar a presença da Torre D e da Torre E, chegou a um penhasco. O leito do rio estava abaixo.

Em outras palavras, essa vila estava em um círculo deformado, cercada pelo fosso e pelo rio.

Para entrar na vila, eles teriam que atravessar a ponte, passar pelo fosso ou nadar pelo rio para chegar ao leito do rio do lado da vila.

Seria perigoso nadar no rio no escuro. Eles poderiam muito bem se afogar. Provavelmente poderiam conseguir nadar através do fosso, mas escalar a parede do outro lado seria problemático.

Isso significava que, fundamentalmente, atravessar a ponte era a única opção. Claro, se ele tentasse atravessar abertamente, provavelmente seria atingido pelo vigia. Poderiam remover o vigia com o arco de Yume ou a magia de Shihoru? E depois? Forçar a entrada? Os seis? Havia pelo menos quatro outros vigias armados com arcos, e não havia garantia de que não houvesse mais.

Podiam vencer? Ou melhor, era uma situação de ganhar ou perder? Não parecia que sim. O objetivo de Haruhiro e da party era apenas obter água e comida. Se a party conseguisse demonstrar que não eram hostis de alguma forma, os residentes poderiam deixá-los entrar? Então, poderiam trocar suas posses ou dinheiro, o que fosse necessário, por comida e água potável? Seria impossível? Não ia dar certo…?

Haruhiro tomou o mesmo caminho de volta, observando a vila do outro lado do fosso enquanto ia.

Ele avistou vários residentes e ficou surpreso. Eles não eram apenas pessoas; na verdade, havia alguns que não eram humanoides. Essa era a melhor maneira de descrever a situação.

Os mais diferentes tinham seis braços semelhantes a insetos, com corpos parecidos com bolas de pelos. Aqueles também tinham as cabeças envoltas em algo. Os residentes aqui não eram um pouco diversos demais…?

Quando retornou aos seus companheiros e deu a versão resumida do que havia visto, Ranta bateu no peito, bufando de entusiasmo.

— Deixa comigo. Tenho uma ideia.

— Kehe… Tenho um bom pressentimento sobre isso… Kehehehe… Parece que o Ranta está indo em direção ao descanso eterno… — disse Zodiac-kun.

— Ei, isso não me parece um bom pressentimento nem um pouco, sabe? — Ranta rebateu. — Além disso, já disse isso antes, mas se eu for pro descanso eterno, você vai sumir também, entendeu, Zodiac-kun?

— Ohhh, cavaleiro das trevas… Kehe… Vamos ser abraçados juntos pelo Lorde Skullhell… Ehehe…

— E-eu acho que ainda é cedo pra isso, né? Olha, eu ainda tenho muita coisa que quero fazer… tipo brincar com uns peitos e—Espera, o que você tá me fazendo dizer?!

— Ninguém te fez dizer nada… — Haruhiro massageou a testa com os dedos.

— Você só queria dizer “peitos” — disse Yume, e Haruhiro achou que ela provavelmente estava certa.

— Você é o pior. — Mary praticamente cuspiu as palavras para ele.

Shihoru disse algo terrivelmente duro em voz baixa. — Espero que o Zodiac-kun esteja certo… sobre essa previsão…

— Hmph! — Ranta não se abalou. — Não pensem que vocês, pessoas medíocres, podem me machucar com esse nível de calúnia mesquinha. Bom, só esperem. Logo, logo, vocês vão se ajoelhar e implorar por perdão, tenho certeza. Aí eu brinco com os peitos de vocês. Sem reclamações. Ah, só as meninas, é claro.

—…Você tem um coração muito duro, Ranta-kun — disse Kuzaku.

— Isso mesmo, Kuzacky. Meu coração é feito de diamante, entendeu? Agora, todos vocês, me sigam. Vou ensinar o jeito certo de lidar com isso.

Não era como se Haruhiro tivesse uma ideia melhor. Se não desse certo, eles estariam apenas de volta à estaca zero. Decidiu deixar Ranta cuidar da situação. Então, todos se aproximaram da ponte.

Ranta colocou o elmo, baixou a viseira e, em tom arrogante, disse a Haruhiro e aos outros: — Vocês esperem aqui.

— O que você tá planejando fazer? — Naturalmente, Haruhiro foi quem perguntou.

— Tá tudo bem, então cala a boca. Se eu estiver certo sobre isso…

— Kehe… Você é o Ranta… Deve estar errado… Kehe… Kehehe…

— Vamos descobrir em breve, tá bom? — disse Ranta, começando a andar.

Não acredito, pensou Haruhiro. Só por precaução, fez com que o restante da party se preparasse para fugir. Você vai mesmo? Vai mesmo até lá? Isso é loucura, sabe disso? Tá tão desesperado assim?

Mas Ranta caminhava com uma confiança incrível. Ele até começou a cantarolar enquanto ia. Será que ele finalmente surtou?

Haruhiro e os outros só podiam prender a respiração e observá-lo em silêncio. Ranta já estava bem próximo da ponte. O vigia da Torre C notou Ranta, puxou o arco e preparou uma flecha. Mesmo aquele idiota do Ranta deveria sentir um arrepio ao ver isso.

Ele hesitou—mas não parou. Continuou andando.

Sério? Pensou Haruhiro. Não, cara, a flecha vai em sua direção. Ele com certeza vai atirar.

— Certo, certo. — Não estava claro o que ele estava pensando, mas Ranta disse isso enquanto acenava com a mão.

Ele logo estaria atravessando a ponte. Finalmente, pisou nela.

O vigia abaixou o arco.

— …Não pode ser — disse Haruhiro, boquiaberto.

— Bem-vindos, bem-vindos. — Ranta atravessou a ponte rindo.

De que adianta você dizer “bem-vindos”, cara? Haruhiro pensou indignado. Tipo, por que você tá de boas? Não entendo.

Quando Ranta cruzou a ponte sem incidentes, olhou para o vigia da Torre C.

— Ohh. Eu. Meu. Amigo. Amigos? Companheiros. Juntos. Eu trago eles. Aqui. Agora. Tá bom?

O vigia inclinou a cabeça para o lado. Não parecia que tinha entendido. Bem, claro que não entenderia.

— Ótimo. — Mesmo assim, Ranta fez sinal de positivo. — Certo. Meus. Companheiros. Juntos. Agora. Tá bom, tá bom.

Então, deixando o vigia claramente confuso para trás, Ranta voltou para Haruhiro e os outros, animado.

— Aí! O que acharam disso?! Eu estava certo, hein! Ajoelhem-se diante de mim! Me adorem! E vocês, meninas, me deixem tocar nos seus peitos!

— Nunca vou deixar você tocar neles… — disse Shihoru, cobrindo-se com os dois braços.

— Ranta, você provavelmente acabaria machucando eles se fizesse isso. — Talvez ela simplesmente não entendesse, mas Yume ocasionalmente dizia coisas um pouco estranhas. Haruhiro gostaria que ela tivesse mais consciência dessas coisas, mas era difícil adverti-la sobre isso.

— Mas… — Mary inclinou a cabeça para o lado. — Por que? Eles parecem claramente desconfiados de pessoas desconhecidas.

— É um mistério, com certeza — Kuzaku também não parecia aceitar a situação.

— Será que— — Haruhiro estava prestes a dizer algo, mas Ranta o interrompeu.

— Seu idiota! A resposta é minha! Eu tive um lampejo de inspiração! Não roube meu momento, Parupirorin!

— Ehe… Seu rosto… Você escondeu seu rosto… Por isso te deixaram entrar… Ehehe…

— Zodiac-kun?! Você vai contar pra eles?! Ei?! Eu queria ser o primeiro a dizer isso, sabia?! — Ranta gritou.

Além dos cinco vigias, todos os moradores que Haruhiro viu estavam com os rostos cobertos por panos ou algo assim. Haruhiro também achou isso estranho e chamou sua atenção.

Disso ele formulou a teoria: “Cobrir o rosto é a condição para entrar na vila.” Isso estava certo, mas arriscar a vida para testar a ideia… era imprudente.

Estava tudo bem deixar isso passar porque no final deu tudo certo? Como líder, ele se preocupava um pouco com isso. O que ele deveria fazer? Ele teve uma ideia.

— Ranta. — Haruhiro se virou para ele com uma atitude séria. — Funcionou, então tudo bem. Mas, mesmo assim. O que você teria feito se não tivesse dado certo? O que teria acontecido? Você pensou nisso, nem que seja um pouco?

— Hã? Não tenho tempo pra pensar nessas coisas, seu idiota. Além do mais, eu vou te dizer uma coisa: Ranta-sama nunca erra.

— Você poderia ter se metido em sérios problemas. É isso que eu estou tentando dizer aqui.

— E-Ei, é minha vida, eu faço o que eu quiser com ela, tá bom? Sou um homem livre, sabia…

— Não fale isso na frente dos nossos companheiros — disse Haruhiro. — Se algo acontecesse com você, todos nós, inclusive eu, ficaríamos mal.

— Cala a booooooca! P-P-P-P-P-Pare com isso, você está me deixando envergonhado! E-E-E-E-Eu entendi, cara?!

— Então, daqui pra frente, prometa que será mais cuidadoso.

— T-Tá bom, eu só preciso fazer isso, certo? E-Eu prometo! Pronto, isso deve ser suficiente!

— Você não vai fazer isso de novo, certo? — Haruhiro perguntou.

— N-Não vou!

— Ótimo. — Haruhiro rapidamente deu as costas para Ranta.

Não ria, ele disse a si mesmo. Não posso rir agora. Acabei de fazer o papel de “Líder Apaixonado”. Mas, ainda assim, o Ranta é surpreendentemente fraco pra esse tipo de coisa. É hilário. Não, não, isso não é bom. Se eu pensar em como isso é engraçado, vou acabar rindo.

Deixe um comentário