Capítulo 2 – Eu quero proteger você. (Parte 2)
Aquele desgraçado do Ranta os havia traído. Eles haviam perdido um companheiro, e de um jeito que ninguém esperava. Se perdessem mais alguém, o estrago seria enorme.
Ele queria chorar. Porque, por mais que quisesse fazer algo, Kuzaku não podia fazer nada. Ele só conseguia ficar ali, sem agir. Kuzaku rangeu os dentes.
— Vamos acabar com isso de uma vez — Rock gritou do campo de batalha à frente deles.
Rock montou em Arnold, desferindo socos em seu rosto, gritando — Dah! Dah! Dah! Dah! — Cada golpe era pesado.
Arnold era um double-arm com quatro braços, mas Rock havia cortado fora um dos braços esquerdos dele, e o braço esquerdo restante e um dos braços direitos estavam gravemente feridos. Mesmo assim, Arnold agia como se isso não importasse, usando os outros dois braços para se defender. Mas o ataque feroz de Rock estava rompendo até mesmo essa defesa. Será que a luta já estava decidida?
— Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah! Dah!
O punho de Rock acertava Arnold direto no rosto. Houve gemidos dos membros da Forgan que assistiam. Se ele continuasse recebendo tantos golpes, não aguentaria. Dizem que, se a cabeça de um morto-vivo fosse destruída, isso seria suficiente para eliminá-lo.
Ele conseguiria. Assim mesmo. Arnold já não conseguia se defender. Rock tinha vencido. Sem dúvida.
Sem perceber, Kuzaku gritou: — Acaba com ele!
Então aconteceu.
— KYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY.
Arnold soltou um grito aterrorizante e pulou bem alto, levando Rock junto.
Como ele fez isso? Arnold estava de costas, com Rock em seu estômago, montando nele. Nessa posição, como ele poderia saltar direto para cima?
Pensando racionalmente, era impossível. No entanto, os mortos-vivos não eram normais. Seria isso?
Arnold, com Rock em seu estômago, conseguiu saltar o que parecia ser três metros no ar.
Rock arfou de surpresa e tentou se afastar, mas Arnold não permitiu e usou seus três braços restantes para agarrar Rock. Não, não apenas para agarrá-lo. Arnold mudou de posição no meio do ar. Ele girou.
Arnold ficou por cima, e Rock por baixo.
Além disso, Arnold usou seus três braços e as duas pernas para apontar a cabeça de Rock direto para o chão.
Ferrou? Kuzaku pensou freneticamente. Ele vai cair de cabeça?
— Whaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
— SYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY.
— Rock! — Arara, que até então assistia à luta em um estado meio atordoado, gritou o nome de seu campeão.
O mau pressentimento de Kuzaku se mostrou correto. Rock se chocou contra o chão de cabeça.
Será que ele vai ficar bem depois disso? Não sei.
Arnold pulou de Rock e então o chutou.
Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Chute. Ele chutava e chutava e chutava mais Rock. Rock nem tentava se defender. Estava sendo chutado o máximo possível.
Os membros da Forgan começaram a aplaudir.
Os companheiros de Rock não se moviam. Nem Moyugi, nem Tsuga, nem Kajita, e nem Gettsu, o mirumi de listras de tigre que Rock mantinha como animal de estimação.
Shihoru desviou o olhar, incapaz de continuar assistindo. Yume não desviou, mas suas bochechas estavam infladas com uma quantidade ridícula de ar.
Kuzaku murmurou: — Awww…
Não, “awww” não era a coisa certa a se dizer naquele momento, definitivamente não era, mas foi a única coisa que conseguiu sair de sua boca.
Eles iam perder? Ou era mais como se já tivessem perdido? Tipo, quase certamente? Se Rock perdesse, o que aconteceria ali? Quem sabia?
Kuzaku não sabia. Sua mente estava completamente em branco. Talvez isso fosse o que significava ser fraco. No final, não importava o que acontecesse, pessoas fortes provavelmente nunca pensavam que iam perder, ou que tudo estava perdido. Se não fosse assim, seria impossível virar o jogo. E, provavelmente, seus companheiros deviam acreditar nele.
Arnold foi dar outro chute em Rock. Rock se enrolou naquela perna. Ele se movia quase como uma cobra. Mesmo parecendo que já poderia estar morto.
Não era isso? Ele estava fingindo o tempo todo? Durante todos os chutes de Arnold, Rock esperava uma chance de contra-atacar?
Se ele estava, isso exigia uma resistência absurda. Quão resistente ele era? Ele tinha coragem demais. Certamente havia algo de errado com ele.
Rock tentou puxar Arnold para o chão. Arnold usava a perna esquerda para tentar chutar Rock para longe, mas não estava indo tão bem.
Rock gritou: — Yaaaah! Toma essa! — Será que ele estava atacando as articulações? Tipo o joelho, ou o tornozelo? Parecia que ele tentava quebrá-las.
Arnold, sem a menor intenção de deixar isso acontecer, gritou: — KAAAAAAAAAAAAAAAAAA! — Ele torceu o corpo, usou os três braços, tentou todo tipo de coisa. Mas Rock não soltava sua perna direita. Ele não soltava.
Os dois caíram.
Caíram e rolaram.
— KU…!
De repente, Arnold parou de resistir.
Um pouco antes, Kuzaku achou ter ouvido um estalo alto. Seria a perna dele? A perna direita. Rock finalmente teria acabado com a perna direita de Arnold? Devia ter sido isso.
Rock soltou a perna de Arnold por conta própria, rolou para trás para ganhar alguma distância, depois assumiu uma postura baixa.
Arnold também se levantou, mas mantinha a perna direita levantada. Não havia dúvida. Arnold não conseguia mais usar a perna direita. Ele ainda conseguiria lutar mesmo com uma perna machucada?
Kuzaku certamente não conseguiria. Primeiro, não conseguiria se mover direito. Nem fincar os pés no chão. Não conseguiria fazer muita coisa.
Rock também não estava ileso. Seu rosto estava todo inchado e até sangrava. Com a quantidade de chutes que levara, não seria surpresa se tivesse alguns ossos quebrados, mas parecia que seus braços e pernas estavam bem por enquanto. Mesmo que não tivesse ossos quebrados, certamente estava cheio de hematomas.
Ainda assim, a maneira como ele se movia dava a impressão de que não sentia nada.
Rock se aproximou de Arnold, soltando um soco. Era um jab de esquerda. Com uma combinação rápida, jab, jab, jab, ele acertou o rosto de Arnold.
Arnold pode ter tentado desviar, mas não conseguiu. Aquele combo de três jabs foi seguido por um direto de direita, um gancho de esquerda e mais um direto de direita, depois um uppercut de esquerda e um golpe no corpo, um direto de direita no queixo, seguido por outro uppercut de direita no mesmo lugar, um gancho de esquerda na lateral do rosto, e imediatamente um direto de direita para finalizar.
— Olha isso. Não tem como ele não fazer algo… — Kuzaku não sabia bem o que estava dizendo, mas podia perceber que os ataques de Rock não eram aleatórios. Tinha que ser uma arte marcial ou algo assim. Rock sabia como lutar com os punhos. Ele não era um amador. — Boxe…
Sim. Isso. Boxe.
Ele sabia o que era. Foi só por um instante, mas uma imagem surgiu na mente de Kuzaku. Dois homens de calções curtos, usando luvas grossas nas mãos, se golpeando.
Aquilo. Aquilo era boxe. Ele tinha visto uma luta de boxe; mas onde, e quando…?
Ele não sabia. Não conseguia se lembrar. A imagem que havia aparecido tão claramente em sua mente desaparecera por completo.
Boxe. A palavra permanecia. Rock era um boxeador. Um lutador.
Kuzaku sentiu uma urgência repentina. Boxe. Boxeador. Essas palavras, o conceito, ele precisava gravá-los em sua mente agora, ou os esqueceria. Sentia que já havia esquecido muitas coisas assim. Perdido-as.
Rock partiu para o ataque. Era unilateral. Ele bombardeava Arnold com socos cuidadosamente direcionados.
Isso não era uma luta. Seus movimentos de pés estavam em outro nível. A diferença era imensa.
Olhando mais de perto, Arnold ainda se movia. Ou pelo menos tentava. Mas Rock sempre dava a volta, ficando à sua frente. Quando Arnold tentava correr, Rock ia naquela direção. Em seguida, o atingia com um soco.
Mesmo quando Arnold tropeçava, parecendo que ia cair, Rock o segurava com outro soco. Arnold nem sequer conseguia desabar.
Kuzaku meio que entendeu o porquê. Era porque Rock era um boxeador. Rock estava em seu auge quando estava de pé, socando. Lutar no chão, ou seja, usar técnicas de imobilização, assumir uma posição montada e então atacar o oponente, não era o forte de Rock.
Seus punhos. Rock pretendia resolver isso com seus punhos. Ele confiava neles.
— Rockyyyyyy! — Kuzaku se assustou quando Sakanami começou a torcer o corpo e a gritar. — Quatro! Rocky dois! Três! Quatro!
Do que ele estava falando? Será que ele tinha algum parafuso a menos? Certamente não parecia são. No entanto, como se os gritos estranhos de Sakanami tivessem ativado algo, Rock ficou visivelmente mais rápido.
— Uau… — Kuzaku deixou escapar um murmúrio de admiração. Abrindo bem os olhos ou piscando, não conseguia enxergá-lo direito. Rápido. Ele era rápido demais. Os socos de Rock eram rápidos demais para que seus olhos acompanhassem.
O que quer que estivesse tentando fazer, Arnold não conseguia bloquear, desviar, esquivar, abaixar, ou evitar. Cada um dos socos de Rock acertava Arnold. Todos eram acertos limpos. Neste ponto, Arnold não era mais que uma marionete morta-viva, ali apenas para apanhar. Não, nem uma marionete; era um saco de pancadas morto-vivo.
Os membros da Forgan estavam em silêncio. Eles também sentiam a derrota iminente de Arnold. Na verdade, eles não apenas sentiam, já deviam ter praticamente aceitado.
A luta estava decidida. Rock só não estava tentando encerrá-la. Se ele parasse de atacar, Arnold desabaria. Por que Rock não fazia isso?
Seja qual fosse o motivo, Rock continuava a sequência de golpes. Arnold ainda não estava grogue. Será que era nisso que Rock estava pensando? Acontece que era exatamente isso. Rock lançou seu enésimo direto de direita. Não parecia que ele tinha feito para finalizar, e seus movimentos ao preparar o soco ficaram mais amplos, resultando em um golpe chamado de “telegraphed punch”. Era um soco normal, rápido demais, e para Kuzaku parecia um direto perfeito.
Então, Arnold o parou com a boca.
Ele abriu a boca tão grande que parecia ter deslocado a mandíbula e que rasgaria as bochechas, e o punho de Rock entrou direto. Foi assim que pareceu.
Naturalmente, Rock tentou puxar o punho imediatamente, mas Arnold aproveitou a chance para morder e segurá-lo. Seus dentes superiores e inferiores cravaram-se no braço de Rock, mordendo com força.
Com um suspiro alarmado, Rock acertou Arnold no estômago e nas têmporas com o punho esquerdo. Eram socos afiados, e poderosos, sem dúvida, mas não como os de Rock. Rock estava abalado.
Arnold, por outro lado, parecia estar calmo.
Arnold agia como se os socos de Rock não significassem nada para ele. Ele segurou a cabeça de Rock com as mãos esquerda e direita.
Kuzaku soltou um “Ah!” involuntário.
Seus polegares. Os polegares de Arnold estavam nos olhos de Rock. Ele estava empurrando ambos os olhos ao mesmo tempo com os polegares. Se ele apenas machucasse um pouco os olhos, tudo bem, mas se fosse mais que isso, a carreira de Rock como boxeador estaria…
Não, esse não era o problema aqui!
— Chega! — alguém gritou.
Quando aquela voz alta ressoou pelo local, parecia que toda a névoa do Vale dos Mil havia desaparecido. Não que isso fosse acontecer. Mas era como se pudesse dissipar a névoa. Não era apenas alta; era uma voz incrivelmente clara também.
— Jumbo — alguém disse. Provavelmente um dos membros da Forgan. Isso levou a uma sequência de pessoas chamando aquele nome.
— Jumbo.
— Jumbo!
— Jumbo.
— Jumbo!
— Jumbo.
— Jumbo!
— Jumbo.
— Jumbo!
Jumbo.
Aquele orc estava em pé no topo da colina, observando em silêncio o confronto entre Rock e Arnold até agora.
Foi ele? Ele disse isso? Chega. Ele os parou?
De qualquer forma, que orc era aquele.
Para Kuzaku, ao pensar em orcs, a imagem mais forte que tinha era dos que enfrentou na Fortaleza de Observação Deadhead. Em seguida, vinham os que viviam em Waluandin, em Darunggar.
Em ambos os casos, eram maiores que os humanos, tinham inteligência semelhante e eram um pouco rudes, como se sempre resmungassem. Ele sempre assumiu que os orcs, como raça, eram todos assim. Mas aquele orc não se encaixava em nada nessa imagem. Ele era uma espécie à parte.
Para começar, o que era aquele kimono que ele usava, aberto na frente? Era de um azul profundo, com um padrão de flores prateadas. Kuzaku nunca tinha visto uma peça de roupa tão bonita em Grimgar ou Darunggar. Será que o orc tinha feito aquilo? Se sim, era um trabalho incrivelmente detalhado.
Seus cabelos negros esvoaçantes pareciam que ele apenas os deixava crescer, mas não davam a menor impressão de sujeira. Provavelmente, ao menos, os penteava.
E então havia seu rosto. O nariz era baixo e largo, como se estivesse achatado. Bem característico de um orc. Ele tinha dentes parecidos com presas aparecendo nos cantos dos lábios. Isso também era típico dos orcs. Era claramente um orc, mas não parecia ser como os outros.
Quando Kuzaku viu o rosto de um orc pela primeira vez, honestamente, achou que eram feios. Não havia como dizer que eram legais. Tipo, as fêmeas orcs, provavelmente eram horríveis? Não muito melhores que goblins nesse aspecto.
Sim. Eles eram como goblins grandes e resistentes. Basicamente, essa era a imagem que Kuzaku tinha dos orcs.
Jumbo era diferente. Talvez ele tivesse um pouco da aparência de orc, mas, na verdade, pertencia a uma raça diferente. Como uma espécie de super-orc. Aqueles olhos laranja, não eram normais. Superior. Era isso. Superior. Ele era uma forma de ser mais elevada.
Dito isso, mesmo que não ao mesmo nível, todos os orcs da Forgan tinham essa mesma aura que Jumbo transmitia. Talvez tentassem imitar a roupa e o comportamento de Jumbo. Ou, quem sabe, assim como havia tanta variedade entre os humanos, orcs também vinham em muitos tipos, e havia orcs como aquele por aí.
Aquele que parecia ser o representante deles, Jumbo, desceu a colina. Ele não pulou. Nem correu. Descia num ritmo surpreendentemente tranquilo, apenas andando.
— Sua batalha… — Jumbo colocou uma mão nos ombros de Arnold e Rock. — …será decidida por mim.
— Hã…? — Rock disse, parecendo atônito.
— Ih…?
Rock e Arnold aparentemente tentaram olhar para Jumbo. Mas Rock estava com os polegares de Arnold nos olhos, e Arnold tinha o braço direito de Rock na boca, dificultando o movimento das cabeças. Mesmo se não fosse por isso, ambos estavam machucados e exaustos. Eram uma visão e tanto, mas Jumbo parecia não se importar. Estava tão calmo e sereno que parecia deslocado na situação.
— Se isso continuar, vocês dois vão morrer. Arnold, meu companheiro, e você, o soldado voluntário humano—Rock, certo? Acho que seria uma pena se qualquer um de vocês morresse aqui. Por isso, declaro sua luta um empate.
— Não, cara… Você não pode simplesmente decidir isso — retrucou Rock.
— Oh… Fah…
— Ei, Arnold, você também não pode aceitar isso, né?
— Uh…
— Ah. Não dá pra falar assim, né? Vou tirar meu punho agora. Tudo bem, certo?
— Nu…
— Estou tirando. E meus olhos estão doendo, então tire os polegares também.
Parece que Arnold afrouxou a mandíbula. Rock puxou seu braço direito da boca de Arnold.
— Eu disse que dói! Já tira as mãos de mim, Arnold!
— Mu… — Arnold soltou cautelosamente a cabeça de Rock.
— Droga! — Rock saltou para trás, esfregando os olhos de olhos fechados. — Não consigo ver nada. Se eu ficar cego, isso não vai ter graça. O que você vai fazer se eu nunca mais conseguir ver o rosto da Arara?
Tsuga murmurou: — Pode dar qualquer resultado… — Como se aquilo não tivesse nada a ver com ele. Bem, talvez tecnicamente não fosse problema dele, mas não eram companheiros?
— Um empate, é? — Moyugi deu um passo à frente. — Não me importa como queira chamar, mas gostaria que as coisas fossem um pouco mais claras. Você é o Jumbo, certo? Como, precisamente, pretende resolver isso?
Houve um murmúrio incômodo entre os membros da Forgan. Era fácil entender por quê. A atitude de Moyugi era extremamente insolente. Até Kuzaku, que teoricamente era seu aliado, se sentiu ofendido, então os membros da Forgan deviam estar absolutamente indignados.
Será que o Jumbo vai surtar? Kuzaku se perguntou.
Mas não parecia que ele fosse.
— Para ser exato… — Jumbo se virou para Moyugi, como uma folha flutuando ao vento. — Se vocês se retirarem agora, eu não colocarei as mãos em vocês. Vocês podem nos atacar outro dia. Podem escolher nos esquecer. A partir daqui, vocês são livres para fazer o que quiserem.
— Entendo. — Moyugi assentiu, com um ar arrogante. — E se não concordarmos?
— …Não, espera aí, Moyugi. — Rock olhou ao redor. Ele parecia incapaz de ver, mas estava procurando alguém? — Arnold! Você está bem com isso?! Essa era a nossa luta! Eu não sei se esse cara é o seu comandante ou algo assim, mas você vai simplesmente deixá-lo nos atrapalhar?!
— Kuu… — Arnold olhou para Jumbo.
— Ele não entende — sussurrou Tsuga, sorrindo. — Nossa língua.
Kuzaku sentiu um leve espasmo no rosto. Esse Jizo, parece ser um cara de bom senso, mas talvez ele tenha uma personalidade meio cruel?
— Está empatado — disse Jumbo para Arnold. — Retirada, ambos.
Provavelmente estava dizendo isso em outra língua que o morto-vivo Arnold entenderia.
Arnold se sentou.
— E… gari.
Eu concordo. Era o que parecia que Arnold estava dizendo.
— Mas que droga! — Rock chutou o chão, parecendo bem insatisfeito, mas… isso não era um mau desenvolvimento. Na verdade, poderia ser uma oportunidade melhor do que esperavam.
Kuzaku olhou rapidamente para Shihoru e Yume. Elas entenderam sem necessidade de palavras. Estavam com o mesmo pensamento que ele.
Rock e sua party planejaram esse ataque por vingança, porque Arnold havia matado Tatsuru, o namorado de Arara, mas, por mais frio que fosse dizer isso, Kuzaku e os outros dois não tinham nenhum apego a essa questão. O motivo pelo qual decidiram ajudar Rock era talvez dez a vinte por cento por obrigação, mas os restantes oitenta a noventa por cento eram para salvar sua companheira, Mary.
O que teria acontecido com Haruhiro? Mary estaria a salva? Isso ainda não estava claro, mas Kuzaku e as outras duas naturalmente precisavam considerar sua própria segurança. Se Rock e os outros desistissem da vingança e se retirassem, fosse por agora ou para sempre, Kuzaku e as outras duas poderiam escapar dali. E então, iriam ao ponto de encontro e esperariam por Haruhiro.
Se Haruhiro voltasse com Mary, seria demais chamar isso de melhor desfecho possível? Se Haruhiro não aparecesse—bem, Kuzaku não queria considerar essa possibilidade, mas se chegasse a esse ponto, pensariam em algo quando acontecesse.