Capítulo 2 – Eu quero proteger você. (Parte 3)

— E então? — Moyugi pressionou o dedo médio de sua mão esquerda contra a ponte dos óculos. Sua mão direita estava no punho da espada. — Se escolhermos não recuar, o que pretende fazer?

— Eu — disse Jumbo, com um tom que poderia facilmente ser usado para anunciar uma soneca à tarde —, vou aniquilar vocês, pessoalmente.

— …O quê? — disse Moyugi.

Parecia que nem mesmo Moyugi tinha previsto isso. Naturalmente, Kuzaku também não.

Espera aí, Kuzaku pensou lentamente. O que ele acabou de dizer?

Hã? Como assim? Pessoalmente? O Jumbo pessoalmente? Vocês, tipo… A party do Rock, provavelmente Arara e Katsuharu também, e então provavelmente eu, Shihoru e Yume.

Aniquilar?

Não apenas exterminar?

Bem, os dois são meio parecidos, eu acho. Então, basicamente…

Ele vai matar todos nós?

Kuzaku tentou entender tudo em sua cabeça.

Dá o fora, ou eu mato vocês. Era isso que Jumbo parecia estar dizendo.

— O vento que sopra na escuridão sussurra para mim… — Sakanami roía as unhas intensamente. Seu corpo inteiro tremia, e ele estava usando as duas mãos. — A história sombria me convida além do abismo… A razão da solidão, a falsa estação inicia o prelúdio da destruição que questiona o sentido da nossa existência…

O que havia com esse cara?

— Grande discurso. — O Jizo… digo, Tsuga… parecia irritado.

Arara estava com uma expressão de indignação. — Quanto mais ele tem que nos menosprezar para se dar por satisfeito?!

— Droga, estou irritado — murmurou Kajita.

E então, Kajita, o grandalhão de óculos escuros, ergueu sua espada, que parecia uma fatia fina de um cogumelo gigante, e avançou.

Ei, ei, você tá indo sozinho?! Pelo menos discutam isso antes! Que imprudência! Você tá agindo por impulso! Isso não é bom. Tenho quase certeza de que isso não é nada bom. Caramba, Kajita está levando isso a sério. Ele surtou completamente.

Kajita avançou contra Jumbo com uma intensidade incrível, sem desviar o olhar.

— Uehhhhhh, hahhhhhhhhhh!

Por que Rock e os outros não o impediram? Eles não podiam?

Bem, Kuzaku não conhecia Kajita tão bem, mas ele era membro dos Typhoon Rocks, tinha uma aparência intimidadora e, embora fosse um homem de poucas palavras, tudo o que dizia era estranho. Não tão estranho quanto Sakanami, claro. De qualquer forma, ele não parecia o tipo que obedeceria facilmente se alguém lhe dissesse para fazer algo. No entanto, pará-lo à força parecia ainda mais difícil, talvez quase impossível. Kuzaku, pelo menos, não tinha desejo de tentar. Sentia que seria facilmente esmagado. Será que ele era do tipo que nem os próprios companheiros conseguiam parar quando ficava daquele jeito? Talvez?

De qualquer forma, as negociações foram por água abaixo agora.

Isso é o pior.

Kajita.

Vai se ferrar.

O que você está pensando, Kajita?

Então Kuzaku explodiu — Kajita, seu—O quê…?!

Kuzaku viu. Kajita desceu sua enorme espada cogumelo de uma distância que normalmente faria qualquer um pensar: Sério, dali? Nunca vai alcançar.

 Normalmente, estaria certo, e realmente não alcançaria, mas, para Kajita, essa era a distância de ataque. Kajita não era apenas um brutamontes superpoderoso. De longa distância ele usava sua espada, e em distâncias curtas e médias, usava seus chutes, alternando habilmente entre os dois. E, para Kajita, longa distância era bem longa.

Esticando-se e usando o comprimento de sua espada cogumelo enorme, com seus braços longos e aquele corpo grande, ele talvez fosse capaz de cortar um inimigo a quase três metros de distância ao meio.

No momento em que Kajita colocou Jumbo em sua área de alcance, Kajita balançou sua enorme espada contra ele.

Jumbo parecia ter previsto isso, mas não se moveu para trás, nem para a esquerda ou direita para desviar. Em vez disso, desapareceu. Para Kuzaku, parecia que Jumbo havia sumido por um instante.

No momento em que ele pensou: Ele não está lá. Ele sumiu, Jumbo reapareceu acima deles. Ele havia pulado.

Parecia que Jumbo tinha saltado para evitar a espada de Kajita. Mas o que era aquele movimento?

Parecia contraditório, mas Jumbo estava parado no ar.

Naturalmente, Jumbo só parou no ar por um instante. Mesmo assim, não era a postura de quem tinha saltado para chegar lá. Jumbo estava relaxado. Era assim que ele parecia para Kuzaku.

No entanto, ele havia evitado apenas o primeiro golpe. Kajita ainda tinha seus chutes como arma.

Usando o impulso de seu golpe com a espada, Kajita desferiu um chute circular reverso com a perna esquerda. Estando no ar, Jumbo tinha que descer. Era nisso que Kajita estava apostando.

Não havia como desviar.

Jumbo não tentou desviar também.

Quando o chute de Kajita chegou, ele o usou como um ponto de apoio para saltar novamente. Mais do que isso, parecia que ele estava caminhando no ar.

Jumbo pousou atrás de Kajita.

A maneira como Kajita imediatamente gritou — Keyah! — e executou um chute circular reverso com a perna direita mostrava que ele não era um cara comum. E não foi um único ataque. Ele fez um chute circular reverso com a esquerda e um chute frontal com a direita. Então, flexionou o joelho direito e fez uma sequência de três chutes; alto, médio e baixo. Depois de dois chutes com a perna esquerda, ele fez parecer que ia chutar com a direita, mas, em vez disso, lançou mais uma combinação de dois chutes com a esquerda.

Não seria exagero chamar a combinação de chutes que Kajita exibiu de magnífica. Ele havia soltado completamente sua espada cogumelo. Com o tamanho de seu corpo, era impressionante que ele pudesse se mover daquela forma. Olhando para ele, Kajita não parecia nem um pouco que poderia ser tão rápido.

Mas Jumbo não tinha nem um arranhão.

Jumbo havia evitado todos os chutes de Kajita e, então, finalmente partiu para o contra-ataque. Isso estava claro. Kuzaku também viu o que Jumbo fez com Kajita.

Jumbo usou a mão direita para desferir um soco no peito de Kajita—ou melhor, um empurrão.

Foi só isso. Só isso, mas Kajita foi virado com as pernas para cima, caindo de cabeça, batendo com o pescoço no chão.

— Não vejo nenhuma forma de vencer — Kuzaku ouviu Moyugi murmurar. Ele quase certamente não estava falando apenas que o cavaleiro das trevas mais forte em atividade não conseguia derrotar Jumbo. Mesmo que todos os Rocks, incluindo Moyugi, se juntassem contra Jumbo sozinho, eles não teriam chance.

Se Moyugi havia chegado a essa conclusão, ele provavelmente estava certo. Coincidentemente, pode-se dizer, Kuzaku havia acabado de pensar a mesma coisa, e não discordava em nada.

— Do jeito que vocês estão agora — disse Jumbo em um tom tão calmo quanto antes —, vocês não conseguem nem me fazer ajoelhar. No entanto, ainda têm muito pela frente. O potencial de crescimento de vocês é maior que o meu. Isso porque, enquanto poucos neste vasto mundo são superiores a mim, vocês ainda têm inimigos a enfrentar. Se conseguirem superá-los, ficarão mais fortes ainda.

Ele disse coisas incríveis como se não fosse nada. Jumbo havia declarado que, embora ele talvez não fosse a pessoa mais forte do mundo, dificilmente haveria alguém por aí que pudesse vencê-lo.

De qualquer forma, ele devia estar exagerando. Embora Kuzaku pensasse assim, ao mesmo tempo, se Jumbo não estava no nível máximo, que tipo de criatura ele teria de imaginar acima dele?

Aquela coisa, talvez? O dragão de fogo em Darunggar? Jumbo provavelmente não conseguiria vencer aquilo. Afinal, aquilo cuspia fogo. Era grande demais. Pelo menos, ele não poderia enfrentá-lo sozinho.

Mesmo ele não seria capaz… eu acho.

— Vão. — Jumbo fez um leve gesto com o queixo. — Agora. Se não forem, não haverá amanhã para nenhum de vocês. Não desperdiçarei mais palavras. Vivam, ou morram. A escolha é de vocês.

— Da nossa parte — respondeu Rock imediatamente —, estamos recuando. Arara, me desculpe por não ter realizado seu desejo. Não vou pedir que ignore isso. Eu falhei em cumprir o que prometi fazer. Sou realmente o pior.

Arara abaixou os ombros e curvou a cabeça.

— …Eu não diria isso.

Porque o Kajita decidiu partir para a violência, eu não sabia como as coisas iam acabar por um momento ali, mas parece que vai ficar tudo bem. Kuzaku soltou um suspiro.

Esse suspiro se sobrepôs ao de Shihoru, então eles se entreolharam e sorriram de forma meio constrangida.

Yume piscou repetidamente e depois balançou a cabeça. Mesmo nessa situação, era uma expressão e um gesto que faziam você querer sorrir. Yume era meio que uma mascote, por assim dizer. Ela tinha algo que não era uma fofura típica de menina, mas era fofa de qualquer forma.

— Estamos indo embora. — Rock começou a andar… Espera, por que ele está indo na direção de Jumbo?

Jumbo gentilmente parou Rock e o virou na direção oposta.

— Tomem cuidado no caminho.

— …Ah, sim. Foi mal. — Rock coçou a cabeça.

Ah, é. Porque Arnold tinha enfiado os polegares nos olhos dele, Rock não podia enxergar agora.

— …Estamos indo embora. É por aqui? Esse caminho está certo, né…?

— Rock. — Arara correu até ele e pegou sua mão. — Deixe-me fazer isso por você, pelo menos. Tudo isso foi minha culpa desde o início.

— Hmm. Eu realmente não acho que seja verdade. Por outro lado, estou feliz por poder segurar sua mão.

— Por aqui. — Katsuharu fez sinal para Arara. Jizo pegou casualmente a espada de Rock. Aquele cara não deixava nada passar.

Moyugi estava tentando levantar Kajita.

— …Você é pesado. No final, acho que não consigo te levantar. Levante-se sozinho, por favor.

— De fato. — Kajita se levantou agilmente.

Ele ainda está em boa forma…

Sakanami torcia o corpo inteiro, fazendo uma dança bizarra.

Assustador…

Pensando bem, Kuro estava sumido. Há quanto tempo ele tinha desaparecido?

Quem liga…

Kuzaku relaxou os joelhos, elevando e abaixando os ombros. Sinceramente, eu realmente não faço ideia do que pensar sobre essas pessoas. Não quero nada com elas.

Ele esperava que fosse a última vez. Só queria reunir todos os seus companheiros rapidamente e sair do Vale dos Mil. Embora, por “todos os seus companheiros”, ele se referisse a cinco pessoas, não seis.

Melhor não pensar nisso. Pensar nisso não vai adiantar. Tente esquecer.

— Vamos — disse Shihoru.

Kuzaku e Yume assentiram, então viraram as costas para Jumbo. À frente deles estavam o enorme orc Godo Agaja e os membros da Forgan. No entanto, eles tinham se afastado para abrir caminho. Kuzaku e os outros estariam indo para o ponto de encontro assim que passassem por ali.

Com base em onde estavam, Kuzaku, Shihoru e Yume teriam que ser os primeiros a atravessar a multidão dos membros da Forgan. Isso o deixava um pouco tenso, mas também sentia urgência em acabar logo com isso.

Kuzaku foi na frente, com Shihoru e Yume lado a lado logo atrás.

O vento era fraco, e a névoa nem densa nem rala.

Quando passou por Godo Agaja, Kuzaku olhou para cima, sem querer.

Ele é enorme. Enorme demais.

Godo Agaja lançou-lhe um olhar, como se dissesse: O quê?

Kuzaku rapidamente olhou para frente novamente e apressou-se em seu caminho.

Ah, merda.

Seu hábito ruim tinha atacado de novo. Não era uma situação em que ele pudesse baixar a guarda, mas teve que pensar em coisas que não precisava.

Concentre-se, concentre-se. Eu preciso focar.

Sinto falta de Altana.

São seiscentos, setecentos quilômetros até lá. É longe… Muito longe.

Será que realmente conseguiremos voltar…?

Vamos lá. Agora não é hora de pensar nisso.

— Espera…!

De repente, uma voz masculina ecoou pela área, e Kuzaku parou no lugar.

Não, talvez eu devesse correr, e não parar. Foi o que ele sentiu, mas não teve coragem de sair correndo.

— Comandante! Jumbo! Não os deixem escapar!

— Kuzaku-kun! — Shihoru chamou seu nome.

Quando ele se virou, viu o homem de um braço só no topo da colina. Takasagi. Será que ele tinha ido a algum lugar e voltado? E o Ranta?

Jumbo se virou para Takasagi.

— O que foi, Takasagi?

— Um deles levou a mulher e fugiu! Eles derrotaram o Ranta!

— O quê? — Kuzaku ficou boquiaberto. — O Haruhiro… matou o Ranta… -kun?

Shihoru engoliu em seco.

— Não… — Yume ficou sem palavras.

— Não vou deixar que digam que foi tudo obra do jovem e que vocês não têm nada a ver com isso — disse Takasagi, desembainhando sua katana com a mão esquerda e apontando-a na direção deles. — Mesmo que o Jumbo esteja disposto a ignorar isso, eu não estou. Não suporto ser feito de bobo.

— Se eles recuarem, não levantarei a mão contra eles — disse Jumbo. — Fiz essa promessa. Pretendo cumpri-la.

— Bem, então faça isso, comandante. Eu farei o que bem entender. Meu trabalho na Forgan é fazer o que precisa ser feito, afinal.

— Esse é você. Faça o que quiser, Takasagi.

— Não preciso que você me diga isso, Jumbo. Gudua! — Takasagi ergueu a katana, gritando em algum idioma desconhecido. Orcish? — Ashuruha, udanzai! Ilda!

— Osh!

— Osh!

— Kiu!

— Kiuem!

— Osh!

— Osh!

Não, não, isso não estava nada bom. Era ruim, muito ruim, incrivelmente ruim.

Kuzaku tentou dizer algo, mas as palavras não saíram.

Vamos embora. Precisamos ir. Temos que ir. Correr é a única opção. Ele balançou o braço para comunicar o que queria dizer enquanto disparava.

Yume começou a correr, levando Shihoru consigo. Eles estavam no meio do caminho, descendo cautelosamente pelo trajeto que Godo Agaja e seus homens haviam aberto para eles. Se tivessem chegado ao outro lado, a situação não seria tão ruim. Eles estavam quase lá. Graças a isso, os orcs e mortos-vivos vinham de ambos os lados. Era um ataque em pinça.

Isso é desesperador. Não há como escapar. Quero dizer, o que é isso? Jumbo. Vai se ferrar, Jumbo. Você disse que, se recuássemos, você e seu pessoal não nos atacariam. E agora? Espera, será que estou enganado? Ele disse só eu, e não nós? Qual era mesmo? Não sei. Sinto que ouvi nós, mas não consigo me lembrar. Que droga.

— Rah…! — Kuzaku usou Bash para afastar um orc que vinha pela esquerda e então o chutou. Ele precisava mandar Yume e Shihoru na frente. Mas, se ele diminuísse o ritmo, os inimigos iriam cercá-lo ainda mais. Tinha que continuar correndo ou as coisas ficariam piores.

Atrás dele, ele ouvia gritos e o som de carne, metal e outras coisas se chocando. Não tinha como olhar para trás, mas provavelmente eram os Typhoon Rocks.

Acabem com eles de verdade, ele pediu silenciosamente. Se não o fizessem, ele estaria em apuros.

Um morto-vivo vinha pelo lado direito, então Kuzaku usou sua lâmina negra para mantê-lo à distância, ao mesmo tempo em que usava seu escudo para executar um Block na espada de um orc que vinha pela esquerda.

Não falta muito, ele pensou. Em mais alguns metros, vamos romper. Estamos quase lá—mas será que vai ser difícil demais? Será que Yume e Shihoru vão ficar bem? Não ouço gritos, então acho que estão. Mas, sinceramente, não sei. Não tenho controle da situação. Não há como ter.

Orcs surgiram na sua frente.

Não apenas um, mas dois.

Ah. Isso… isso vai acabar comigo.

Se fosse apenas um, ele poderia ter uma chance. Talvez fosse possível abrir um caminho se ignorasse a própria segurança, mas com dois, até mesmo isso seria difícil. Afinal, os orcs da Forgan eram habilidosos.

Não, não desanime. Não tenho escolha a não ser tentar. Mesmo que eu tente reunir coragem, não consigo. Eu sou um desastre!

— Nãããããoooooo.

Então, uma voz assustadora ecoou, e um dos orcs caiu para trás. Naturalmente, ele não tinha caído por conta própria devido a alguma condição pré-existente. O orc foi derrubado. Pela demônio Moira, que parecia uma mulher de cabelos longos, mas era claramente uma criatura não-humana, carregando uma arma assustadora com lâminas parecidas com uma tesoura.

— Nãããããoooooo. Nãããããoooooo. Nãããããoooooo.

Moira envolveu suas pernas ao redor do torso do orc, segurou seu pescoço com um braço e o esfaqueou sem piedade com sua lâmina em formato de tesoura. Isso pareceu assustar o outro orc.

É, eu sei, pensou Kuzaku. Isso é sinistro. Moira-san não brinca. É uma sorte Moira-san ser tão assustadora. Isso realmente nos salvou. Valeu, Moira-san.

— Zahh! — Kuzaku desceu sua lâmina negra diagonalmente contra o outro orc.

A verdade é que continuar se defendendo com seu escudo enquanto o usava não era a única diferença em Punishment. Ao contrário do Rage Blow do guerreiro, como ele mantinha parte da sua atenção na defesa e não golpeava com toda a força possível, era mais fácil encadear o ataque seguinte.

Seu primeiro golpe com Punishment apenas deixou uma marca no ombro do orc, mas o Bash que veio logo em seguida acertou o rosto dele. Kuzaku desferiu um Thrust na base do pescoço do orc, seguido de outro Bash, fechando ainda mais a distância. Quando apoiou o pé no joelho do orc e o empurrou, conseguiu desequilibrá-lo completamente.

Kuzaku usou toda a sua força para dar uma cotovelada no orc e derrubá-lo. Então, em vez de avançar, ele tomou a decisão deliberada de parar onde estava.

— Yume-san, Shihoru-san! Sigam em frente!

— Miiiau!

— Certo! — chamou Shihoru.

Em momentos como esse, Shihoru-san sempre diz “Certo”. Sempre gostei disso, de certa forma.

Yume e Shihoru passaram correndo por Kuzaku. Kuzaku usou Block contra a espada do orc que os perseguia, depois o empurrou com um golpe de Thrust, e finalmente usou Bash para repelir a espada curva de outro morto-vivo que se aproximava.

Será que estou com a cintura muito alta? Sim, estou. Abaixe. Não force demais. Faça balanços amplos com a espada, mas use o escudo com mais firmeza.

Assim.

Essa é a sensação.

Não importa quantos inimigos viessem, não importa quantos o atacassem, ele não tinha medo. Podia ver claramente e bloquear. Atacava apenas para fins defensivos. E, para convencer os inimigos de que não apenas se defenderia, mas que também poderia atacar. Porém, no fim, tudo era defesa.

Defender elas.

Defender elas.

Defender elas.

Defender.

Eu vou defender elas.

Eu consigo defender.

Moira saltava ao redor, sem acabar com os inimigos um a um, mas usando seus movimentos bizarros e assustadores e sua lâmina em forma de tesoura para desestabilizá-los.

E os Rocks? Kuzaku tinha conseguido ver Kajita brandindo sua imensa espada em forma de cogumelo e lutando contra Godo Agaja. Não tinha certeza sobre o restante, mas conhecendo eles, não cairiam facilmente. Mesmo que caíssem, ele não se importava.

O importante eram seus companheiros. Shihoru. Yume. Haruhiro. Mary.

Ranta.

Será que Haruhiro o matou?

— Gaaaagh…! — Kuzaku usou seu escudo para repelir dois orcs de uma vez, então se virou e correu para o outro lado.

Agora posso ir, ou melhor, preciso ir, pensou ele.

Não conseguia ver Yume e Shihoru. A névoa havia se tornado ainda mais espessa em algum momento. Eles poderiam acabar se separando, mas provavelmente as duas ficariam bem. Isso era o mais importante.

Kuzaku correu em velocidade máxima.

— Ahh…!

De repente, ele parou de enxergar qualquer coisa.

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