Capítulo 3 (Parte 3)

Jesus Novamente

Haruhiro rolou para fora das costas do guorella e caiu na lama. A chuva, agora mais leve, chicoteava suas bochechas.

O que diabos era isso?

Seguindo Jessie, vários rangers se reuniram ao redor.

— Haru-kun! — gritou Yume.

— Haru! — chamou Setora.

— …Haruhiro-kun! — exclamou Shihoru.

— Haruhiro! — chamou Kuzaku.

Ao ouvir as vozes chamando seu nome, Haruhiro fechou os olhos e colocou a mão esquerda sobre as pálpebras cerradas.

Haru-kun. Haru. Haruhiro-kun. Haruhiro.

Eram quatro vozes. Quatro pessoas.

— O que aconteceu com sua sacerdotisa? — perguntou Jessie.

Haruhiro não conseguiu responder de imediato. Ele afastou a mão dos olhos.

Quando os abriu, Jessie estava olhando para ele. Como Haruhiro era refletido nos olhos azuis indecifráveis daquele homem, que não demonstravam o que ele pensava ou sentia?

É sua culpa, Haruhiro quase disse, mas logo pensou: Não, isso está errado, e cerrou os dentes. Talvez não estivesse completamente errado, mas ele sentia que estava.

— Entendo. — Jessie piscou e respirou curto. — Então ela morreu.

— …Não diga isso.

— Hm?

— Não diga. Não diga isso.

— Eu só estava perguntando porque você parece bem machucado e achei que precisaria de cura.

Isso não importa. Eu não me importo mais. Você entende isso, não entende? Claro que não.

Você é estranho de qualquer forma. Você levou um golpe direto do meu Backstab e está bem. Não parece um mago, mas aparentemente era um caçador, e consegue usar magia. Magia incrível, aliás. Parece humano, mas claramente não é.

Haruhiro rolou para ficar de bruços e tentou se levantar. Seus companheiros estavam vindo. Ele não podia ficar ali caído.

Mas seu corpo parecia pesado. Tão pesado. Seus braços e pernas não tinham força para empurrá-lo para cima.

— Haru-kun! — chamou Yume.

No fim, Yume o ajudou a se levantar. Embora agora estivesse de pé, ele não conseguia se manter sem apoio. Não era apenas exaustão. Como Jessie havia dito, ele estava seriamente ferido. Não sentia muita dor, mas estava sangrando bastante, e parecia grave. Se não fosse tratado, acabaria desmaiando, e seu coração pararia.

— Haru… Sai da frente! — Setora empurrou Yume para o lado e segurou Haruhiro em seus braços. — Você está bem? Ei, Haru, mantenha os sentidos. O bando de guorellas se dispersou. Se esse aqui era o líder deles, então estamos seguros por enquanto. Ouça, Haru, aconteça o que acontecer, nós vencemos.

— …Vencemos? — ele perguntou, sem emoção.

— Sim. Mesmo que você não acredite, pense que vencemos. Por enquanto…

— Vencemos…

Haruhiro queria empurrar Setora para longe. Mas, mesmo que buscasse a força de vontade para realizar uma tarefa tão monumental, provavelmente não a encontraria.

Por isso, Haruhiro apenas balançou a cabeça. Repetidas vezes.

Shihoru aproximou-se do cadáver do redback sorridente. Ela não estava apenas sem fôlego; estava quase completamente exausta. Shihoru sentou-se onde estava.

Kuzaku tropeçou a cerca de seis ou sete metros atrás de Shihoru, e não se levantou. Haruhiro conseguia ouvir sua respiração pesada e ofegante mesmo de longe. O ranger que se aproximou de Kuzaku provavelmente era Yanni.

— Yanni! — Jessie chamou por ela.

Ela correu apressadamente nessa direção, confirmando que era, de fato, Yanni.

Jessie deu alguma ordem a Yanni, em uma língua que Haruhiro não entendia, mas as palavras “vooloo yakah” ficaram gravadas em sua mente. Talvez porque, ao ouvi-las, Yanni demonstrou tensão e medo.

Quando Yanni reuniu os rangers e deu ordens, também usou as palavras “vooloo yakah”. Os rangers liderados por Yanni se dividiram em vários grupos e se dispersaram.

A chuva havia parado completamente, e o sol começava a aparecer entre as nuvens. Aparentemente, foi uma tempestade passageira.

— Bem, felizmente… — Jessie deu de ombros.

Felizmente?! Naquele momento, Haruhiro se irritou.

Jessie disse: — Nosso xamã sobreviveu, então, se tratarmos os feridos imediatamente, o único problema é sua sacerdotisa. Por enquanto, não podemos dizer nada até eu ver o estado dela, mas–

— A Mary está…! — Haruhiro empurrou Setora e avançou sobre Jessie. — Ela está morta! A Mary morreu! Eu… Eu a deixei morrer! Nada desse papo sobre o estado dela! O que—O que você está falando…?

— Não, ouça…

Mesmo com Haruhiro segurando-o pela gola, Jessie permanecia impassível. Ele não estava intimidado, mas também não exibia um traço de sorriso. Não era uma expressão vazia, tampouco. Será que esse homem sequer tinha emoções? Talvez não tivesse emoções humanas. O comportamento dele era tão antinatural que fazia alguém suspeitar disso. Haruhiro pensou nisso, e qualquer um que visse Jessie naquele momento concordaria.

— Não podemos dizer nada até eu ver o estado em que ela está — disse Jessie. — Eu não disse isso a você?

— Ela morreu! Não há estado para ser visto! Temos que nos apressar… Antes que a maldição do No-Life King afete a Mary… Antes que ela acabe como seus antigos companheiros… Certo, não podemos deixar isso acontecer com a Mary…

— A maldição de Enad George, o No-Life King, huh. — Jessie bufou, e então franziu o cenho.

Isso também parecia antinatural, de alguma forma. Talvez fosse melhor dizer que parecia algo desconexo.

— Enad George…? — repetiu Haruhiro.

— Solte-me. — Jessie acertou Haruhiro no queixo. Não, ele apenas pressionou a palma da mão contra o queixo de Haruhiro com força. Mesmo assim, Haruhiro perdeu o equilíbrio e caiu. Ele bateu o quadril e a parte de trás da cabeça, e toda a força deixou seu corpo.

Yume e Setora protestavam contra Jessie. Não importava o que dissessem, Jessie não levava nada a sério.

Haruhiro moveu apenas os olhos para olhar para o homem. Jessie estava estranhamente silencioso, observando Haruhiro com uma expressão que não revelava nenhuma intenção clara.

Hai to Gensou no Grimgar volume 11 capítulo 3 em espanhol

— O estado dela…

Sua voz era tão fraca quanto o zumbido de um mosquito, e o próprio Haruhiro não fazia ideia do que estava tentando dizer.

Não, na verdade ele sabia. Haruhiro estava tentando questionar Jessie. Mas era ridículo. Afinal, Mary havia morrido. Por que ele se agarrava a alguma esperança?

Não se prenda a isso, disse a si mesmo. Não pense em coisas estúpidas.

Era tolice ter esperança. De fato. Ele devia ser um tolo incrível. Se fosse esperto, isso nunca teria acontecido.

— Dependendo do estado dela, você está dizendo que há algo que pode ser feito…?

— Existe uma maneira — respondeu Jessie imediatamente. Então, com um bufar, acrescentou: — Apenas uma.

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