Capítulo 4 (Parte 1)

Saudações

Não demorou muito para que os aparentes moradores daquelas casas saíssem.

Pelo formato das construções, Haruhiro já esperava por isso, então não foi uma surpresa. Os moradores eram bípedes, como humanos. Suas constituições físicas variavam. Nenhum era excepcionalmente grande ou pequeno demais. De longe, não pareciam muito diferentes de humanos.

Os moradores seguiram pelas estradas, espalhando-se pelos campos, andando, agachando-se e mexendo as mãos, aparentemente cuidando de tarefas agrícolas.

Havia também animais quadrúpedes, aparentemente gado, andando em fila. Seriam vacas? Ou ganaroes? Talvez, pelo tamanho, fossem ovelhas. No entanto, pareciam ser um tipo diferente de qualquer um desses.

Uma manhã pacífica na fazenda. Essas palavras surgiram na mente de Haruhiro.

A aldeia parecia pacífica. Na verdade, quem provavelmente tinha uma presença suspeita e inquietante era Haruhiro, que a observava às escondidas. Indo mais além, ele parecia o vilão da história.

Na verdade, independentemente da raça daqueles moradores, se fossem apenas fazendeiros e aquela fosse uma simples aldeia agrícola, Haruhiro e sua party eram os maus da história. Nada mais do que vilões. Estavam planejando conseguir suprimentos daquela aldeia, e Haruhiro a estava investigando para esse fim.

O problema era que estavam famintos. Ele queria comida. Água potável, daquelas que pudesse engolir com vontade. Até se contentaria com leite. Quanto mais, melhor.

Se pudessem pedir por isso, ele se inclinaria respeitosamente, ou faria o que fosse necessário. Mas e se os moradores recusassem? Do ponto de vista deles, Haruhiro e sua party eram estranhos—e, além disso, humanos. Não sentiriam nenhuma obrigação de ajudá-los. Bem, e então? Deveriam desistir? Ou deveriam roubar o que precisavam?

Se possível, Haruhiro queria evitar recorrer à força. Se pudessem resolver tudo pacificamente e conseguir alimentos e bebidas dessa forma, nada o deixaria mais feliz. Mas nem sabia se conseguiriam se comunicar.

Haruhiro pediu que seus companheiros ficassem de prontidão enquanto ele descia a montanha sozinho. Primeiro, queria descobrir o que pudesse sobre os moradores. No entanto, naturalmente, por mais que usasse sua habilidade furtiva, quanto mais se aproximava, maior era o risco de ser descoberto.

Até onde poderia ir? Era seguro continuar? Não era? Tentando entender isso, ele avançava aos poucos.

Não odiava esse tipo de trabalho. Era estranho admitir isso, e não era algo que precisasse ser dito, mas ele se achava bom nisso. Mesmo deixando de lado a questão de talento, achava que isso realmente combinava com ele, e tinha um certo orgulho secreto disso.

— Sei lá… — murmurou. — Será que exagerei? Talvez um pouco…

Haruhiro estava em um campo onde crescia uma planta parecida com grama. Por ora, dava para dizer que não era um arrozal. Era um campo seco, então talvez fosse trigo. Ele não tinha certeza. Honestamente, não entendia muito dessas coisas. Não era especialista em plantas. Era apenas um ladrão comum. Mas era um pouco parecido com o trigo, certo?

Aquela planta parecida com trigo chegava um pouco acima da cintura de Haruhiro, e suas espigas tinham vários grãos pequenos. Esses grãos pareciam comestíveis. Se eles estavam cultivando aquelas plantas, tinham que ser comestíveis. Ele arrancou um grão e o colocou na boca.

— …É.

Era duro. Não conseguia dizer se tinha sabor ou não. Pelo visto, não era adequado para comer cru. Talvez, se fritassem, fervessem ou moessem e misturassem com água para fazer bolinhos, cozinhando ou assando, pudesse ficar bom. Provavelmente.

Haruhiro se movia como um lagarto, meio rastejando enquanto avançava com cautela, mas, na verdade, começou a pensar: Será que estou me adiantando? Meu corpo está totalmente escondido, então talvez esteja bem. Ou talvez seja melhor voltar, afinal…

Erguendo levemente a cabeça, olhou ao redor. Mesmo o trabalhador mais próximo estava a mais de cinquenta metros de distância. Não era uma distância que o obrigasse a se preocupar em ser notado. Ainda estava seguro. Por enquanto estava bem, mas, se chegasse mais perto, precisaria ser ainda mais cauteloso.

Os moradores estavam agachados fazendo algo. Estavam arrancando ervas daninhas? Com aquela postura baixa e usando capuzes, não dava para ver seus rostos. Ainda assim, pareciam muito com humanos.

Ou, pelo menos, foi essa a impressão que Haruhiro teve. Mas seriam mesmo humanos? Era o jeito como se moviam, talvez. De alguma forma, transmitiam uma aura muito humana.

Faltava pouco. Se conseguisse apenas um vislumbre de seus rostos…

Nessas situações, o melhor era não se mexer mais do que o necessário. Se ficasse onde estava, não seria descoberto. Então ele esperou pacientemente. Eventualmente, uma oportunidade surgiria… ou, bem, ele não tinha garantia disso. Mas, se não funcionasse, poderia pensar no próximo passo depois.

Ele não achava que tinha cometido um erro. Se fosse pressionado, talvez entrar nos campos deles tivesse sido uma má ideia. Mas, sem fazer isso, não teria como observar os moradores, então não tinha outra escolha.

Houve um farfalhar na grama atrás dele, e seu coração deu um salto tão forte que doeu.

Não, espere. Ele estava imaginando coisas? Era estranho. Quando olhou ao redor antes, ele também tinha olhado para trás. Havia algo ali agora? Não deveria. Ele tinha verificado. Mas, agora há pouco, definitivamente ouviu algo.

Precisava se acalmar. A pior coisa que poderia fazer era entrar em pânico. Precisava manter a cabeça no lugar.

Os sons. Ele podia ouvi-los. Ainda podia ouvi-los. Isso significava que havia algo se movendo atrás de Haruhiro.

O que faria agora?

O que fazer?

Para identificar o que era, teria que levantar a cabeça. Isso seria ruim?

Atrás dele. Quase direto atrás. O que o barulho estava fazendo? Estava se aproximando? Indo embora? Não podia dizer com certeza, mas sentia que estava se aproximando. Como se alguém estivesse afastando as plantas parecidas com trigo e caminhando por elas. Vindo em sua direção.

Se fosse isso, seria descoberto se ficasse ali.

Não podia ir para frente. Os moradores estavam lá.

Esquerda ou direita, então. Tentar não mexer nas plantas… é, isso não é possível…

De repente, houve um som, como um assobio. Não, não “como”. Era um assobio. O tipo de assobio que alguém faria para chamar um cachorro que estivesse um pouco distante. Era esse tipo de som.

Haruhiro se levantou e girou o corpo. Lá estava ele. Um capuz cobria seus olhos, e ele usava um longo manto verde, mas Haruhiro conseguia distinguir sua silhueta. Não era um orc. Então, um morto-vivo? Um elfo? Ou talvez um humano?

Haruhiro correu na diagonal para a direita.

Quem era aquele cara? Ele estava observando Haruhiro a uma distância de cerca de vinte metros.

Ou, pelo menos, acho que está me observando…

Seu capuz cobria o rosto, então não havia como saber para onde estava olhando, mas provavelmente era isso. Ele provavelmente estava olhando para Haruhiro, mas apenas ficou parado. O que os trabalhadores estavam fazendo? Haruhiro não tinha tempo para verificar.

Tenho que correr. Correr o mais rápido que puder. Mas é estranho. Por que ele não está me perseguindo? Será que está me deixando ir?

Ele só teve um momento para pensar nisso. Então o homem se moveu.

Ele estava vindo. Claro, atrás de Haruhiro.

Oh, ele está vindo atrás de mim, afinal? Claro que estaria. É, eu sabia. Não é como se eu esperasse seriamente que ele me deixasse ir.

Por ora, ele sairia do campo e iria para as montanhas. Estava quase na borda do campo. O homem estava correndo em direção a Haruhiro, mas não era tão rápido. Por outro lado, também não era exatamente lento.

Eles estavam a cerca de dez metros de distância. Embora a distância não estivesse diminuindo, também não aumentava. Seus passos eram rápidos, e ele parecia ter energia de sobra. Por que não se aproximava? Era estranho. Haruhiro não conseguia deixar de pensar nisso.

Haruhiro olhou para trás sem parar de correr. Os moradores haviam interrompido seu trabalho no campo e fugiam em todas as direções. Talvez eles fossem apenas os simples fazendeiros que aparentavam ser. Aquele cara era o único perseguindo Haruhiro. Era arriscado tirar conclusões precipitadas, mas, por enquanto, parecia ser o caso.

— Nesse caso…!

Ele sairia do campo, pularia a cerca, e não seria longe até a floresta. A floresta não era plana, no entanto. Havia uma encosta. E ela era bem íngreme.

Suba. Corra até o topo. Droga.

Ele respirava pesadamente. Isso estava terrivelmente difícil. Era porque estava com fome?

Não, ele estava, na verdade, exausto. Mas não podia se dar ao luxo de admitir isso. Haruhiro verificou a posição de seu perseguidor. Era a mesma de antes, nem mais perto, nem mais longe.

Isso era ruim. Se fosse apenas uma pessoa, Haruhiro queria resolver isso sozinho. Se fosse possível, claro.

Será que ele conseguiria?

Se tentasse resolver as coisas ali e perdesse por não ser forte o suficiente, no pior cenário, apenas Haruhiro morreria. Eles não descobririam a localização de seus companheiros. Nesse caso—

Eu não consigo evitar pensar coisas assim. Isso realmente é um mau hábito. A Shihoru vai me dar uma bronca de novo.

Haruhiro ziguezagueava entre as árvores enquanto subia a encosta. O homem ainda o perseguia.

Foi preciso coragem, mas Haruhiro fingiu deliberadamente estar com dificuldades para progredir. Mesmo assim, a distância não mudou. Bem, isso era esperado.

Isso significava que o homem não tinha intenção de alcançá-lo. Pelo menos por enquanto. Ele estava deliberadamente deixando Haruhiro correr. Por quê?

Não custava nada tentar ver as coisas do ponto de vista do outro. Provavelmente, ele era um dos moradores daquela aldeia, e sua função era algo como patrulha. Um dia, durante sua ronda regular, ele se deparou com uma pessoa claramente suspeita. Alguém bisbilhotando nos campos. Um invasor. O homem assobiou para intimidá-lo, e o intruso entrou em pânico e saiu correndo.

O intruso parecia estar sozinho. Mas estaria mesmo? E se ele fosse, na verdade, parte de um grupo, e esse intruso fosse apenas um batedor avançado? Não estaria ele correndo de volta para seus amigos?

Talvez esse homem estivesse perseguindo Haruhiro na esperança de que ele o levasse até onde seus companheiros estavam. Nesse caso, talvez fosse melhor não voltar para o local onde eles estavam esperando, afinal.

Aquele homem claramente tinha confiança em suas habilidades. Do contrário, não seria tão ousado ao perseguir Haruhiro. Se Haruhiro estivesse no lugar dele e tivesse tido a mesma ideia, o teria seguido silenciosamente. Então, uma vez confirmado o número e a localização do inimigo, ele planejaria como reagir.

Haruhiro provavelmente não conseguiria derrotar aquele homem sozinho. Não, ele não tinha certeza disso, sabe? Até tentar, ele não podia dizer nada com certeza. Mas talvez vencesse, e talvez perdesse. “Talvez” não era bom o suficiente. Mesmo assim, se tivesse a ajuda de todos, poderiam dar um jeito. Ele tinha muitas dúvidas sobre suas próprias habilidades, mas quando se tratava de seus companheiros, ele acreditava neles e podia contar com eles.

Qual era o sinal?

Não havia sinal nenhum.

O terreno à frente era um tanto incomum. Havia enormes rochedos projetando-se da encosta, com incontáveis cipós pendendo deles, o que dava ao lugar uma aparência meio sinistra. Talvez aquela área devesse ser chamada de Rochas Sinistras.

Quando Haruhiro olhou para o topo das Rochas Sinistras, viu Shihoru surgindo com a cabeça para fora. Sobre seu ombro estava o elemental em forma de pessoa—ou melhor, em forma de estrela-do-mar: Dark.

— Vai, Dark!

Shuvyuun! Foi o som que Dark fez ao disparar.

Enquanto se movia para a direita, Haruhiro olhou para trás, para o homem. Ele havia parado. Estava atônito com a emboscada? Se fosse isso, seria surpreendente. Seria ele um guarda relaxado de uma cidade pacífica, alguém que perseguira Haruhiro sem pensar muito?

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