Capítulo 4 (Parte 2)
Meu Querido Professor e Ele
— Rantaaa.
Takasagi ergueu sua katana. A mão esquerda, que segurava o cabo da arma, estava próxima ao queixo. A lâmina inclinava-se um pouco para a direita de Ranta. Seu pé esquerdo estava à frente. Os joelhos dobrados e os quadris abaixados.
Ranta não entendia muito sobre o uso de uma katana, mas, especulando, aquilo provavelmente era uma postura tanto ofensiva quanto defensiva.
Na próxima vez, logo no início, ou seja, quando Ranta tentasse atacar, Takasagi pretendia esmagá-lo. Não deixando sequer que ele começasse, por assim dizer. Takasagi já tinha visto o suficiente dos movimentos de Ranta e os compreendido. Pelo menos, era nisso que Takasagi confiava.
Ele acha que pode me subestimar.
Bora ver então!
Se acha que pode me parar, vem tentar!
Se fosse o mesmo de antes, Ranta teria deixado o sangue subir à cabeça e avançado contra Takasagi daquele jeito. Isso seria não demonstrar nenhum crescimento.
Estavam a oito metros de distância. Ranta deliberadamente parou.
— …Hã? — Takasagi franziu ligeiramente a testa.
Não se preocupe. Não perdi a coragem. Sou um cavaleiro das trevas.
Ele podia lutar como um cavaleiro das trevas. Era sua única vantagem.
E um cavaleiro das trevas tinha mais do que apenas habilidades de movimento.
— Ó Escuridão…
Quando Ranta começou a conjurar seu feitiço, Takasagi avançou. Ranta, de alguma forma, conseguiu continuar a entoação sem perder a concentração.
— Ó Senhor do Vício, Demon Call.
— Seu cão de Skullhell…! — A katana de Takasagi avançou. Não foi um corte nem uma estocada. Era como se o braço de Takasagi tivesse se fundido à katana, transformando-se em um chicote.
Foi por muito pouco. Se tivesse sido um instante mais lento ao recuar com Shadow Step, Ranta teria caído vítima da katana de Takasagi. Se tivesse entrado em pânico e fugido um pouco antes, mesmo conseguindo manter a entoação enquanto corria, o feitiço talvez não tivesse sido concluído.
No lugar onde Ranta estava um momento antes, bem atrás de Takasagi, uma espécie de nuvem negra arroxeada apareceu. A nuvem rapidamente formou um redemoinho.
Ofegando, Takasagi começou a se virar, então saltou para o lado.
A nuvem já estava tomando uma forma familiar. Parecia um humano coberto por um lenço roxo, empunhando uma faca na mão direita e uma arma semelhante a um porrete na esquerda. Apesar de flutuar, tinha duas pernas bem definidas, o que lhe conferia um aspecto estranhamente “real”. Seus olhos pareciam buracos, e abaixo deles havia algo como uma boca em forma de fenda.
Seu nome era Zodiac-kun.
O demônio do cavaleiro das trevas Ranta.
— Kehe… Ehehehehe…! Quanto tempo, Ranta inútil…! Vá morrer dez mil vezes agora mesmo…!
— Não… — Takasagi balançou sua espada com força. — Quem vai morrer é você!
Zodiac-kun deu um salto mortal flutuante para trás, desviando do golpe de Takasagi.
— Kehe… Kehehe… Quer morrer antes do Ranta, idoso…?
— Eu não sou idoso! Estou apenas na meia-idade!
Takasagi avançou contra Zodiac-kun. Ele parecia surpreendentemente irritado.
Zodiac-kun recuava, escapando de Takasagi. Às vezes fazia mais um salto mortal flutuante ou se torcia para desviar da katana de Takasagi.
Enquanto recuperava o fôlego, Ranta observava Takasagi. Será que alguém como ele perderia a compostura tão facilmente? Ele não sabia. Poderia ser um truque, ou talvez Takasagi fosse sensível ao envelhecimento e tivesse se irritado sem querer. Ranta não conseguia dizer qual era o caso.
Takasagi era um bom ator. Não revelava o que sentia com facilidade. Isso significava que ele estava atuando? Tentando atrair Ranta? Ou seria seu objetivo confundi-lo?
Cada movimento tem um propósito.
Isso é uma batalha, huh.
Tenho que usar minha cabeça ao máximo assim?
Que saco. Não consigo fazer isso. Melhor resolver isso de uma vez. Não é hora de dizer adeus ao meu velho eu, que pensava assim?
— Ó Escuridão, Ó Senhor do Vício, Dread Venom! — Ranta invocou um miasma escuro e tentou envolver Takasagi nele.
Takasagi fugiu do miasma e de Zodiac-kun. Ele corria com uma agilidade que ninguém esperaria de um homem de meia-idade, afastando-se rapidamente. O miasma tinha pouca capacidade de persegui-lo. Porém, Ranta havia previsto a direção em que Takasagi recuaria.
Ranta usou Leap Out para pular na direção de Takasagi e desferiu um Slice. Ele balançou RIPer em um movimento em forma de oito. Não, no meio do movimento, a espada de Ranta foi desviada pela katana de Takasagi.
— Kehe…! — Zodiac-kun alcançou Takasagi e estava descendo com sua arma parecida com uma faca.
Foi aí que Takasagi fez algo incrível. Ele provavelmente girou, cortando diagonalmente para baixo com sua katana, e imediatamente, sem parar, girou novamente e golpeou para cima.
Zodiac-kun, de alguma forma, bloqueou com sua arma, e Ranta fez o mesmo com sua espada, mas…
Ranta caiu de costas, com as mãos dormentes, quase deixando sua espada cair, enquanto Zodiac-kun foi arremessado a cinco ou seis metros de distância.
Que poder.
Eu mal consegui ver também. Foi diabolicamente rápido, sabe…?
Não, agora não era hora de se surpreender. Ranta se inclinou e usou Exhaust, criando alguma distância entre ele e Takasagi.
Que merda…
Vai se ferrar, velho.
— Então você consegue, se tentar, Rantaaa. — Takasagi bateu com o lado plano da katana no próprio ombro esquerdo, exibindo um sorriso torto.
Isso é fácil para você, né?
É, faz sentido. Agora há pouco, Takasagi tinha deixado Ranta escapar. Enquanto Ranta estava sentado no chão, ele poderia tê-lo partido ao meio, se quisesse. Ele deliberadamente escolheu não fazer isso.
Takasagi soltou uma risada gutural.
— Você acabou de morrer uma vez.
Por quê? Por que ele não me matou? Ele quer que eu fique em dívida com ele? Será que ainda está bancando o professor ou algo assim? Vai se ferrar. Vai se ferrar até morrer.
— …É. — Ranta aceitou tudo.
Zodiac-kun estava olhando para ele, mas não soltava nenhuma das provocações verbais que eram sua especialidade. No fundo de seus olhos parecidos com buracos, algo brilhou—ou talvez Ranta só estivesse imaginando.
— Você está certo. — Ranta reconheceu, suspirando. — Mas eu não estou morto. Isso significa que eu ainda posso lutar com você.
— Nem tanto. — Takasagi deu de ombros e fungou. Ele olhou para baixo, mas logo ergueu o rosto e fixou seu único olho em Ranta. — Só vou dizer uma coisa. Vamos perdoar você só dessa vez. O chefe não está bravo. Não sei sobre o resto, mas se eu ficar do lado do chefe, eles vão obedecer. Volte comigo, Ranta.
Ranta tentou abrir a boca. Mas o que ele deveria dizer…?
Tenho que te ouvir? É isso que você realmente sente, velho? Você não está tentando me pegar de surpresa, está? Não faria isso, né. Você faria se precisasse, claro, mas não contra mim. Mesmo sem fazer isso, você pode me matar. Nesse caso…
Você está falando sério?
Quer dizer isso de verdade?
Você veio até aqui, não para me matar por ter apunhalado você pelas costas, mas para me trazer de volta?
Você vai me perdoar?
Eu, que basicamente cuspi na cara de vocês? Eu posso ser perdoado? Você está dizendo que posso voltar para a Forgan? Isso é mesmo…
Ranta piscou. Não uma vez. Ele piscou repetidamente. Sentiu algo se acumulando no fundo do nariz. Seus olhos estavam irritados. Ele quase estalou a língua. Cerrou os dentes.
Não faça isso.
Não diga essas coisas para mim.
Eu finalmente me decidi a sair, e você vai me segurar.
— …Eu estava no meu limite — disse Ranta.
Mesmo que o velho dissesse aquilo, eu não deveria estar dizendo essas coisas. Isso não é bom. Fique de boca fechada. Eu os apunhalei pelas costas. Foi uma traição clara, e eu fiz isso com um: “Heh, o que acharam disso?”
Não importa o que eu diga agora, é só uma desculpa. Tudo bem. Foi por isso que eu os traí desse jeito. Para que, mesmo se eu quisesse voltar, não pudesse.
— Se eu continuasse com vocês… eu me tornaria um membro da Forgan, de corpo e alma — disse Ranta. — Eu sentia que começaria a amar vocês de verdade. Viver e morrer com vocês. Sentia que começaria a aceitar isso sem nenhuma dúvida… Esse era meu limite. Eu estava em uma encruzilhada. Eu tinha que fazer uma escolha. Me tornar um membro da Forgan, ou…
— Ou o quê?
— …Continuar sendo eu mesmo.
— Quando você diz “você mesmo”, o que quer dizer?
— Tipo… O eu de antes de encontrar vocês.
— O você que estava perdendo tempo, brincando com um bando de moleques que mal conhecia?
— Não era que eu estivesse brincando.
— Huh?
— Pareceu que estávamos brincando, né? Mas cada um deu o seu melhor à sua maneira. Passamos por muita coisa, e alguns até morreram.
— Se você está vivo, todo mundo morre eventualmente. Você e eu também. Até o nosso chefe, que parece impossível de matar. Mesmo Arnold, o morto-vivo, se você partir a cabeça dele ao meio, ele fica quieto de vez. E daí?
— …Eu tinha um parceiro. Não fui forte o suficiente e deixei ele morrer.
— Você “deixou” ele morrer? Palavras grandes, hein, Ranta. Você se acha tão importante a ponto de carregar a vida e a morte de outras pessoas nas costas?
— Se eu tivesse mais controle, ele talvez não tivesse morrido.
— Não, está errado. Ele morreu porque não teve a sorte ou o poder pessoal para lutar contra o destino. É assim que todos nós morremos, cada um por conta própria.
— Tenho certeza de que você está certo — disse Ranta. — Velho, provavelmente é exatamente como você diz. Se eu ficasse na Forgan, eventualmente pensaria como você. Mesmo que vocês se deem bem, não são grudados de forma estranha. Cada um se sustenta sozinho. Mesmo andando com caras que pensam como você, sabe que vai estar sozinho quando morrer. É assim que é. Vocês são homens de verdade. São incríveis, e eu respeito isso. Quero ser como vocês também.
— Então seja como nós. Não vacile por qualquer coisa e viva com coragem, seja a vida longa ou curta. É essa a determinação que você precisa.
— Seria uma mentira.
— O quê?
— Esse não é o tipo de pessoa que eu sou. Eu poderia ficar na Forgan e imitar vocês. Tenho certeza de que me divertiria. Mas esse não sou eu de verdade.
— Um conselho de um cara de meia-idade. Ouça, Ranta. Não existe algo tão importante quanto um “você verdadeiro” que está por aí em algum lugar. Isso não serve só para você. Serve para mim também. Não ache que há um caminho preparado de antemão para nenhum de nós. Se você vê um caminho à sua frente, é uma ilusão. O caminho é deixado para trás conforme você o percorre. Quando você olha para trás e vê as pegadas que deixou, aquilo é você. Um segundo depois, elas podem mudar completamente de direção. Isso também é você. O “você verdadeiro” não é algo que se busca e encontra. A forma como você vive decide quem você é. Em outras palavras, isso é você.
— Você fala bastante — Ranta riu, mas Takasagi sorriu levemente, sem vergonha.
— Já estou ficando velho, afinal. Não parece, né?
— Parece, sim, droga.
— Parece, É?
— É. Dá para perceber que você viveu o dobro do que eu. Honestamente, o que você disse me atingiu. Basicamente, você está dizendo que, não importa quem eu seja ou quem eu tenha sido, se eu decidir, posso ser quem eu quiser, certo? Se eu quiser viver como um membro da Forgan, posso fazer isso…
Ranta respirou fundo e depois soltou o ar.
Takasagi não disse nada. No entanto, se Ranta permanecesse em silêncio, Takasagi acabaria pressionando por uma resposta ou repetindo a pergunta: “Você vai voltar?”
Ele não queria que Takasagi dissesse essas palavras. Apesar do curto tempo, Takasagi realmente tinha treinado Ranta como um professor. Mesmo agora, estava lhe ensinando coisas. Será que gostava de fazer isso? Provavelmente.
Se fossem apenas suas habilidades, ele não seria tão confiável entre os caras da Forgan, nem estaria em uma posição de autoridade e liderança. Jumbo talvez não fosse muito exigente, mas ainda assim era humano.
Será que Takasagi estava cuidando de Ranta porque ambos eram humanos? Talvez fosse parte disso. De qualquer forma, Takasagi tinha vindo buscá-lo.
Ranta estava grato.
Mas nunca diria isso em voz alta.
— No começo, só me juntei a vocês para salvar minha pele e ajudar aquela mulher inútil — disse Ranta. — Foi só por conveniência. Eu pensei que poderia me dar bem com vocês, e achei que não seria ruim passar um tempo com a Forgan também. Se eu estivesse com vocês, não teria que pensar em cada detalhe, poderia beber boa bebida, festejar e ter uma vida e morte divertida. Foi o máximo, droga! Foi tão bom que me deu nojo! Não importa o inferno que eu tenha que atravessar, eu tenho um motivo para abrir o Ramen Moguzo & Ranta! Que motivo, você pergunta?! Porque decidi que é isso que vou fazer! Eu sou! Um cavaleiro das trevaaaaas…!
Ele perdeu o rumo no meio da frase, mas havia algo fervendo dentro dele, tão quente que parecia prestes a explodir.
Isso era sangue. Sangue quente. Algo que ele não tinha sentido nenhuma vez enquanto estava com a Forgan.
Naquela época, era morno. Entendi. Então era isso.
Quando eu estava com o Parupiro e o resto, eu estava sendo mole comigo mesmo, e isso me deixava morno no final. Mesmo assim, eles eram um bando de perdedores tão inúteis que a situação geralmente era severa, e crises de vida ou morte eram quase diárias, então meu sangue acabava fervendo sozinho. Porém, quando tentei fugir para a Forgan, fiquei morno de novo.
Eu podia respeitar Jumbo, admirar Takasagi e fazer amizade com várias pessoas. Esse é o meu caminho na vida?
Digo que não.
Era realmente atraente, e tenho certeza de que teria sido bom, mas não é isso que eu, o grandioso eu, busco do fundo do meu coração e alma.
— Kehehehehehehe…! — Zodiac-kun soltou uma risada sinistra de repente.
Takasagi ficou um pouco tenso e virou-se para encarar Zodiac-kun.
— Ehe…! Ehehehehehe…! Muito bem dito, Ranta…! Seja amaldiçoado até a morte…!
— Você…
Takasagi ficou sem palavras. Bem, claro. Até o velho ficaria chocado.
Quero dizer, até eu estou perdido aqui, tá bom?
Zodiac-kun estava mudando diante de seus olhos.
Espera, Zodiac-kun, aquele troço parecido com um lenço… Você estava realmente usando isso?
O lenço agora estava se enrolando, ou melhor, se descascando, e uma figura lisa que não era exatamente masculina nem feminina, que era humanoide, mas claramente não humana, apareceu. Tinha uma cabeça, mas sem rosto! Não havia olhos, nem nariz, nem boca.
Sério? Isso é meio nojento.
Embora tenha sido por apenas um segundo, ele conseguiu ver o corpo nu de Zodiac-kun, algo pelo qual estava curioso, mas não queria realmente ver. O troço parecido com um lenço que foi arrancado do demônio se despedaçou e caiu, transformando-se em algo como fios que se enrolaram ao redor de Zodiac-kun. Além disso, as armas parecidas com faca e porrete fizeram um “bam” e também se transformaram em fios, assumindo novas formas nas mãos de Zodiac.
— He… Hehehehehe…Hehehehehehehehehehe… Hehehehehehehehehehehehehe…
Isso é insano.
Sério, insano.
Minhas lágrimas.
Meu nariz escorrendo.
Ranta estremeceu.
Havia alguém com uma armadura roxa-escura cobrindo todo o corpo magro, sem deixar lacunas, segurando uma longa arma tipo naginata com uma lâmina muito curvada em ambas as mãos.
O formato da arma, o design da armadura, não poderiam ser mais sinistros, e isso era indescritivelmente incrível.
Sim. Isso é o que importa.
Certo?
Isso é o que importa, certo?
Se estamos falando de cavaleiros das trevas, é assim que deve ser, certo?
— …Maneiro pra caralho — disse Ranta.
— Ehe… Ehehehe… Me elogie mais… Morra me elogiando…
— Não, espera aí, Zodiac-kun—Isso é você?
— Ehe… Hehehe… Exijo um -san, seu pedaço de lixo fraco…
— Uh, tá bom, então, Zodiac-kun-san…?
— …
— Zodias-san? Melhor assim?
— …
— Ah! Que tal mudarmos seu nome para Zodie? Daí eu adiciono um -san, ficando Zodie-san.
— …-sama.
— Zodie-sama? Sama, é? Hm… — Ranta inclinou a cabeça para o lado. — É, sobre esse -sama. Zodie-sama. Isso não soa certo. Não é ruim, acho. Que tal Zodi-sama? Nah, pensando bem, -sama não parece certo. Nem -san. Mas, falando nisso, você é meu demônio, não é? Espera aí, o que está fazendo evoluindo sozinho?! Eu nem fiz aqueles rituais de oferecer sacrifícios a Skullhell para acumular vícios ultimamente! Faz séculos que não faço isso! Mesmo que quisesse, não teria como! Eu rezava no meu coração, mas estávamos em Darunggar, e então aconteceu um monte de coisas!
— Sobre isso…
— O quê?
— Heheh…
Algo como fogo-fátuo acendeu nos olhos de Zodie e tremeluziu. Não era só isso. Havia uma leve aura reminiscentemente venenosa emanando de todo o corpo do demônio.
— É um segredo da empresa… Ehe… Contorça-se e sofra até morrer lentamente…
— Mas vocês nem são uma empresa!
— Skullhell está observando…
— Hã?
— Eu sou… Skullheeeell… O Deus das Trevaaaas…
— N-Não pode ser! Skullhell?! O próprio?! Você se manifestou?! Não, espera, não é “o próprio”, acho que você é tecnicamente um deus…
— Técniiiicamente…?!
— D-Desculpa! Não tecnicamente! Você é totalmente um deus, Deus! Quero dizer, caramba, olha essa aura divina! Ei, Deus! Você é tão divino! Um deus entre deuses! Se não fosse você, Skullhell-sama, nem haveria deuses em lugar nenhum!
— Fúria… Heh…
— E-Eu sinto muito…!
Havia apenas uma coisa a fazer ali.
No momento em que teve essa ideia brilhante, seu corpo já estava se movendo. Ele saltou, contorcendo o corpo no ar, e, ao aterrissar com tanta força que quase bateu a cabeça no chão, caiu de quatro e pressionou a testa contra a terra. Era sua cartada final.
ESTA ERA A DOGEZA!
NÃO!
ESTA ERA A DOGEZA SALTITANTE!
— Eu imploro…! Perdoe-me, Skullhell-sama!
— Heheheh… Heh…
— Eu faço qualquer coisa, tá bem?! Talvez “qualquer coisa” seja demais?! Erm, eu faço tudo, menos entregar minha vida. Bom, sinceramente, espero que aceite só essa demonstração dos meus sentimentos, mas eu vou fazer o que puder para negociar, sério…
— Você não parece… arrependido o suficiente… Ehehe…
— V-Você acha?! Eu não acho, não! Ei, velhote, você concorda comigo, né?!
— Está jogando a conversa para mim? — Takasagi perguntou, incrédulo. — Quão descarado você pode ser?
— Você está vendo, não está? Sou descarado assim, tá legal?!
— Não tenho palavras…
— Vai me abandonar?! Seu covarde!
— Sério, o que eu deveria dizer…?
— Pense por si mesmo, idiota! Opa, fui longe demais agora. Desculpa, desculpa. — Ranta riu, levantou-se e posicionou RIPer em prontidão. — Táaa bem, não sei como aconteceu, mas acho que sair matando várias coisas de maneira bem Cavaleiro Das Trevas fez meu Zodie evoluir ou algo assim! Agora, bora fazer as coisas na vibe cavaleiro das trevas e destruir o velhote!
— Você é um pedaço de lixo natural, não é? — Takasagi exibia uma expressão de exasperação.
Não era só que seu corpo não estava tenso; ele parecia até relaxado. Talvez fosse mais do que apenas falta de tensão; talvez sua guarda estivesse baixa. Se fosse isso, ótimo.
Zodie, possuído por Skullhell—mas não de verdade, já que o demônio só estava fazendo isso como uma piada—girou a longa naginata ameaçadora uma vez, então começou a se aproximar lentamente de Takasagi.
— Ó Escuridão, Ó Senhor do Vício… Dread Aura. — Ranta imediatamente convocou um ar negro arroxeado, envolvendo-se nele.
Esse ar era a manifestação do favor de Skullhell, aumentando as habilidades físicas de um cavaleiro das trevas, e essa melhora crescia com a quantidade de vício acumulado. Em algum momento, Ranta havia acumulado vício suficiente para fazer Zodiac-kun evoluir para Zodie.
Estou no meu auge.
Meu corpo está leve. Parece que meu peso caiu pela metade.
Cara, isso é incrível.
O poder não está apenas transbordando, sabe?
Parece que vou ter uma hemorragia nasal.
Mesmo assim, ele não podia deixar isso subir à cabeça. Era rápido para se empolgar e tropeçar. Era um mau hábito de Ranta. Não importava o quão quente sua alma estivesse, ele precisava manter a cabeça fria.
Se fosse honesto consigo mesmo, queria gritar. Soltar um grito de guerra. Mas não faria isso. Não porque fosse inútil. Porque seria negativo.
Takasagi lançou um olhar para Ranta, depois para Zodie. Houve uma leve tensão no braço esquerdo de Takasagi quando ele balançou a katana. Ele abaixou o queixo, colocando-se em uma linha reta entre Ranta e Zodie. Takasagi não encarava Ranta ou Zodie, mas também não lhes dava as costas.
Pega ele! Ranta deu a ordem e Zodie avançou.
Não restava nenhum sinal do tempo em que Zodie era o adorável Zodiac-kun. Ao mesmo tempo, Ranta via uma representação de si mesmo no demônio, e já estava criando um apego. Contudo, um demônio era apenas um demônio. Podia humanizá-lo e adorá-lo em seu tempo livre, mas tinha que usá-lo eficientemente na batalha.
Seja frio, Ranta disse a si mesmo. Não, era um erro demonstrar afeição por um demônio desde o início.
— Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee…! — Zodie girou sua longa naginata em direção a Takasagi.
Ranta saltou com Leap Out, mas não direto para frente. Ele tentou contornar para trás de Takasagi. Era óbvio que Takasagi queria evitar isso, mas Zodie estava ali.
A katana de Takasagi rebateu a longa naginata de Zodie.
Zodie usou o impulso do golpe para girar a naginata e desferiu outro ataque.
Takasagi deu um salto diagonal para a esquerda. Foi nesse momento que Ranta o atacou.
Anger.
Takasagi torceu o corpo para desviar da espada de Ranta.
E, antes que Ranta percebesse, lá estava o contra-ataque.
A katana de Takasagi fez um movimento semelhante a um ataque de backhand, difícil de prever. Se o corpo de Ranta não estivesse afiado pela Dread Aura, ele provavelmente não teria conseguido reagir e se esquivar tão rápido.
Mesmo assim, Ranta perdeu o equilíbrio e mal conseguiu escapar com outro Leap Out. Takasagi não teve chance de segui-lo e atacá-lo.
— Eeeeeeeee…! Eeeeeee…! Eeeeeeeeeeeeeee…! — Zodie atacou com sua longa naginata. Estocada, estocada, continuava atacando Takasagi.
Takasagi não bloqueava com sua katana. Ele desviava os ataques com facilidade. Porém, ele não ignorava Zodie para ir atrás de Ranta. Ele não podia.
Zodie não estava tentando matar Takasagi. Não havia como Zodie vencer Takasagi sozinho, então o demônio apenas o mantinha ocupado, focando apenas nisso. Na verdade, era Ranta quem estava comandando o demônio para agir assim.
Mesmo assim, mesmo com Zodie cumprindo um papel de tanque, aquilo não duraria muito. Takasagi logo entenderia os padrões de ataque de Zodie. E quando isso acontecesse, Zodie cairia. E rápido.
Ranta torceu o corpo e encadeou um Exhaust com outro Leap Out para investir contra Takasagi.
Hatred.
Embora a respiração de Takasagi estivesse ofegante por um breve momento, ele afastou a longa naginata de Zodie com sua katana e imediatamente se voltou para Ranta—Não, isso não era tudo.
Quando a naginata foi desviada, Zodie ficou completamente exposto à sua frente.
Takasagi entrou no alcance de Zodie, derrubou o demônio com um empurrão e, virando-se novamente para Ranta, desferiu um golpe diagonal com sua katana.
Quando Takasagi derrubou Zodie, isso foi contra as expectativas de Ranta, que já estava no meio de seu golpe.
Parecia que o tempo estava se estendendo enquanto a katana de Takasagi se aproximava lentamente. Ranta tentava inclinar o corpo para trás para desviar, mas não conseguiria a tempo.
Por que estou lento também, não só o velho?! Se nós dois estamos lentos, qual é o ponto?
Sua raiva era mal direcionada. Ele sabia disso. O tempo não tinha culpa. Mas por que parecia estar se movendo devagar? Era como se sua mente estivesse mais rápida, e ele tinha tempo para argumentar consigo mesmo sobre o que fazer. Pensar não adiantava, se ele não conseguia agir rápido.
A katana de Takasagi parecia prestes a atingir o queixo de Ranta.
Faltava tão pouco. Se conseguisse inclinar o corpo só mais um pouco, desviaria por um fio de cabelo.
Mas ele não conseguia.
Se ele me acertar bem na parte inferior da cabeça, vai doer pra caramba, e eu não vou conseguir lutar direito. Contra um inimigo experiente como esse velho, será o fim, não é?
Não.
Não acabou. Eu não vou morrer… Provavelmente. Eu não vou morrer.
Nesse caso, ainda tenho cartas para jogar. Levar o menor ferimento possível e contra-atacar. Consigo fazer isso, certo?
Sim, consigo. Vou fazer. Eu sou um cavaleiro das trevas. E daí? Que cavaleiro das trevas já desistiu com elegância? Cavaleiros das trevas são teimosos até parecer ganância. Provavelmente, pelo menos!
Mas… hein?
Que estranho.
A katana de Takasagi perdeu o ímpeto. Talvez eu consiga desviar disso?
— Gwah…! — O corpo de Ranta arqueou de repente. Sua cabeça bateu no chão.
Ai!
Uma ponte, certo? É assim que chamam essa posição?
— Hungh…! — Era óbvio que ele não podia ficar assim, então usou a cabeça como ponto de apoio, girou o corpo inteiro, pegando impulso, e se levantou com um salto. — Hoh…!
Takasagi, com um olhar desconfortável, estalou a língua ao errar o golpe e avançou com uma estocada direta usando sua katana.
— Argh…!
Isso não é típico de você, velho.
Ranta gritou e desviou a katana de Takasagi, atacando-o logo em seguida com um corte. Takasagi bloqueou com sua lâmina e, antes que suas espadas se cruzassem, ajustou o ângulo e empurrou.
Takasagi queria manter distância. Ele não queria cruzar lâminas. Se era assim, Ranta não o deixaria escapar.
— Ngh…! Rah…! — o som escapava involuntariamente da boca de Ranta.
Takasagi era astuto como uma velha raposa. Usava pequenos movimentos, empurrões e puxões, mudanças na direção que encarava e para onde olhava, tudo para desestabilizar Ranta. Ele estava claramente tentando afastá-lo.
Não havia dúvidas: Takasagi não queria cruzar espadas.
Pensando bem, era óbvio. Takasagi tinha um porte maior do que Ranta. Provavelmente mais força nos braços também. Mas ele só tinha um braço. Se competisse diretamente em força contra Ranta, que empunhava sua espada com as duas mãos, Takasagi enfrentaria dificuldades, mesmo sendo habilidoso com a katana.
Por mais mestre que fosse, não podia usar algo que não tinha: o braço dominante perdido.
Era verdade que a habilidade de Ranta não se comparava à de Takasagi. Por causa disso, Ranta tinha superestimado o adversário. Basicamente, tinha ficado assustado.
Ele não podia se deixar levar pela confiança, mas também não podia hesitar demais. Se sua determinação fosse como uma balança, precisava mantê-la equilibrada. Isso não era fácil. Porém, mesmo difícil, ele faria o possível.
— Droga…! — Takasagi gritou.
Talvez impaciente, Takasagi tentou varrer a perna direita de Ranta com a sua própria. Ranta não estava apenas atento à katana, mas também a ataques com as pernas, então achou que poderia lidar com isso. Nesse momento, uma imagem surgiu em sua mente, e seu corpo se moveu por conta própria.
Elevando sua espada em um movimento giratório ascendente, ele deslizou a lâmina ao longo da katana de Takasagi. Com isso, a ponta de sua espada ficou posicionada para atingir o rosto de Takasagi.
Takasagi também girou sua lâmina, tentando desviar a espada de Ranta para cima.
Ranta escolheu não resistir e, após elevar a espada, virou-a para baixo. A ponta voltou a mirar o nariz de Takasagi.
O único olho de Takasagi se arregalou.
Ranta avançou com a espada.
Takasagi torceu o corpo, arfando, e deu um salto para trás.
Foi superficial. Muito superficial. A espada de Ranta havia feito apenas um corte de uns dois centímetros na bochecha direita de Takasagi. Era apenas um ferimento leve.
Ranta recuou usando Exhaust e respirou fundo. Hora de se concentrar novamente. Ele precisava focar no próximo movimento.
Mas, ainda assim…
Eu consegui, parceiro.
Ele queria gritar o nome de seu parceiro em agradecimento, mas segurou o impulso.
Agora não é hora de sentimentalismos. Certo, parceiro?
— Wind, huh. — Takasagi girou levemente o ombro esquerdo, depois cuspiu no chão. Seu olho estava fixo em Ranta. Estava diferente de antes. Selvagen, mas incrivelmente frio. Aquilo era… sede de sangue.
— O quê, você é um guerreiro? — Takasagi zombou. — Não é um cavaleiro das trevas?
Ranta não respondeu. Estava no meio de uma batalha séria. Não ia perder tempo com palavras. Mesmo que quisesse falar, duvidava que conseguisse. Era como se tivesse engolido uma pedra; sua voz simplesmente não saía.
Takasagi.
— Você é mais habilidoso do que eu esperava, Ranta. Se eu te treinasse por alguns anos, com certeza você seria bem útil.
Velho…
Droga, você é assustador.
Se eu desviar os olhos por um segundo… Não, se eu sequer respirar, posso ser cortado. Isso não pode estar certo, né? Pelo menos acho que não. Mas será que é verdade? Posso dizer com certeza que não serei cortado? Não sei. Não dá pra ter certeza. De qualquer forma, esse Takasagi agora é completamente diferente do de antes.
Um matador de homens—essa foi a palavra que passou pela cabeça de Ranta. Seria essa a verdadeira natureza de Takasagi?
— Da minha parte, era isso que eu pretendia fazer, — disse Takasagi. — Para o bem ou para o mal, no nosso grupo, todos somos meio irresponsáveis. Entre nós, esse tipo de relação de mestre e discípulo é fundamentalmente impossível. Achei que estava bem com isso, mas estou ficando velho. Estupidamente, pensei que poderia tentar treinar alguém. Você tinha uma boa dose de experiência e já tinha visto o inferno. Também tinha coragem. Isso, muitas vezes, é mais importante do que talento. Quero dizer, se você deixar um gênio por conta própria, ele vai crescer sem você. Você é medíocre, mas não é um material ruim para trabalhar. Eu estava pensando em enfiar tudo o que eu sei em você. Achei que seria um bom jeito de passar o tempo. Estou decepcionado.
Ranta balançou a cabeça.
Não vacile.
Não importa o que Takasagi diga, não posso deixar isso me afetar. Ignore-o. Não ouça.
Além disso, por que estou deixando esse velho falar tanto? Ele está perdendo o fôlego. Tem que haver uma abertura para aproveitar. Não pode não haver nada. Mas, apesar disso…
Não só Ranta não conseguia avançar, como a mão que segurava a espada tremia levemente.
Ei, Zodie. Faça alguma coisa. Nada, huh.
Zodie, que havia sido derrubado antes, já tinha se levantado há muito tempo. O demônio podia atingir Takasagi com sua naginata de onde estava agora, mas não se movia.
O que eu sou, um sapo congelando porque uma cobra está me encarando?
Não. Eu não sou um sapo. Vou devorar essa maldita cobra. Engoli-la inteira.
Ranta se preparou para pular, mas Takasagi o antecipou. Não parecia coincidência. O timing fazia parecer que ele havia lido seus movimentos.
Quando percebeu, Takasagi estava bem na sua frente.
Ele é enorme.
O velho, com seu único olho arregalado e os lábios torcidos num leve sorriso, parecia um gigante. Ranta tentou se defender com RIPer. Embora, não intencionalmente. Foi um tipo de reflexo instintivo de autodefesa.
Mesmo assim, a espada de Ranta bloqueou a katana de Takasagi. Ou talvez Takasagi tivesse deliberadamente atingido a espada de Ranta. Ele a havia esmagado, você poderia dizer. Ou melhor: espancado-a brutalmente.
Houve um som incrivelmente alto. A katana de Takasagi parecia um dos pilares de um gigante. A espada de Ranta estava gritando. E Ranta estava quase gritando também. A única coisa que não fez foi fechar os olhos. Isso era o melhor que conseguia fazer.
Olhe, ele dizia a si mesmo. Continue olhando. Se eu não mantiver os olhos abertos e olhar, vou morrer. Ele vai me matar. Embora, mesmo olhando, ele ainda possa me matar.
— Wahahahahaha…! — Takasagi gargalhava.
Que tipo de criatura horrível é essa? Esse cara é humano? Ele é um monstro.
Ranta não pensava nisso; ele sentia. Aquele homem havia se libertado das limitações de ser humano. Era uma loucura. Era claramente impossível.
Não era uma questão de vencer ou perder. Esse não era o problema. Ele estava a um passo de sua força de vontade se quebrar.
Mas eu ainda estou vivo, não estou?
Mesmo agora, ele se lembrava. Aquilo estava gravado em sua memória e nunca se apagaria.
A Fortaleza de Observação Deadhead. O orc guardião. A armadura de um vermelho venenoso que cobria seu corpo maciço. O cabelo preto e dourado que escapava do elmo. As duas terríveis cimitarras. O portador das duas espadas, Zoran Zesh.
Até Renji havia sido arremessado, mas seu parceiro não vacilou. Ele tentou acertá-lo com um Thanks Slash.
Zoran não era apenas enorme; ele era rápido. Ele atingiu o parceiro de Ranta antes que pudesse ser atingido. Primeiro no ombro esquerdo. Depois na parte superior do braço direito. Antebraço esquerdo. Quadril direito. Lado esquerdo da cabeça. Até o topo da cabeça.
Mesmo depois de tantos golpes, seu parceiro ainda estava de pé, com Zoran claramente incomodado.
Por que esse humano não cai? Ele devia estar perplexo e assustado também.
Foi graças ao parceiro de Ranta que conseguiram derrubar Zoran. Porque, até que sua força se esgotasse—não, mesmo depois disso—seu parceiro permaneceu de pé.
Moguzo.
Não preciso gritar que é graças a você que consigo aguentar aqui. Vou arriscar minha vida e provar isso.
Se eu fizer isso, será a prova de que você viveu.
Não é que ele falhou em bloquear a katana, mas sim que não conseguia mais fazê-lo. RIPer estava em uma situação crítica e foi arremessada. No entanto, essa também era sua última chance.
Quando a espada saiu da mão de Ranta, Takasagi recuou o braço como se fosse matá-lo com o próximo golpe e, naquele instante—
— Ramen…!
Por que aquela palavra saiu? Naturalmente, estava ligada à loja de ramen de Moguzo e Ranta, que um dia eles abririam. Em outras palavras, era esperança, era ganância e era a expressão de sua vontade de viver a qualquer custo.
Ranta recuou com o melhor Exhaust que conseguiu realizar.
Naturalmente, Takasagi o perseguiu de perto. Para um homem de meia-idade, ele era rápido!
O que você é, velho, uma fera selvagem? Bom, eu já esperava isso.
— Keeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee…!
Zodie atacou Takasagi por trás. O demônio tinha mantido Takasagi ao alcance de sua longa naginata o tempo todo. Não tinha conseguido se mover antes porque Ranta estava intimidado, mas, assim que conseguiu, atacou imediatamente.
Takasagi teve que responder. Se não o fizesse, seria cortado pela longa naginata.
No fim, Takasagi desviou e evitou a naginata de Zodie. Sem perder o ritmo, gritou: — Oorah…! — e fez um golpe incrível que parecia estender seu braço. A katana perfurou o peito de Zodie sem erro.
— He… — Zodie transformou-se em algo como vapor negro, que se dissipou num instante.
— Rantaaa! — Takasagi se virou e gritou.
Ranta não conseguia mais ver o rosto dele. Ou melhor, não estava olhando para Takasagi.
Ele correu.
Estava determinado a correr.
Ele não pensava: Eu não vou morrer, ou, Eu quero viver, ou, Eu vou viver, ou qualquer coisa do tipo. Corpo e alma, ele corria. Era só nisso que ele estava focado.
A direção não importava. Ele nem estava conscientemente fugindo. Ranta apenas corria e corria.
Ele continuou correndo com tudo o que tinha.