Capítulo 8 – Cruzando a Linha (Parte 1)
Eu sei, pensou Haruhiro. Deveria fazer um discurso mais impactante, algo cheio de energia.
Claro que Haruhiro adoraria fazer isso, mas nada lhe vinha à cabeça, então não havia muito o que ele pudesse fazer a respeito. Além disso, dessa vez, não parecia necessário.
— O, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o…!
— O que você tá fazendo?! — Haruhiro agarrou Ranta, que estava simplesmente parado, pelo braço e começou a correr. Enquanto corria, gritou: — Sai do caminho! Não fica bem na frente dos cachorros, sai da frente!
Mesmo sem o incentivo de Haruhiro, Kuzaku, Yume, Shihoru e Mary já estavam fugindo. E não eram apenas eles. Os soldados voluntários se espalharam para a esquerda, direita e para trás, dispersando-se em todas as direções.
Ducky havia dito para não darem as costas, mas isso não era uma opção. Havia gigantes brancos com mais de quatro metros de altura correndo direto para eles. Se fossem atingidos de frente por um desses, seriam atropelados com certeza. Ou seriam pisoteados ou arremessados. Se tentassem enfrentá-los de frente, como Ranta estava prestes a fazer, seria ainda pior. Enquanto tentassem se preparar, os gigantes brancos se aproximariam, e enquanto ainda estivessem pensando: Droga, droga, o que eu faço? em pânico, seriam esmagados até a morte.
Mas, mesmo que corressem…
— Ha-Ha-Haruhiroooo! — Ranta gritou. — Tá vi-vindo um na nossa direção!
— Já sei disso!
Um dos gigantes brancos estava perseguindo Haruhiro e Ranta. Haruhiro soltou o braço de Ranta e correu ainda mais rápido. Mas logo à frente havia outro gigante branco. Onde estavam os outros? Ele não tinha tempo para olhar.
Um gigante branco atrás de mim. Outro na frente. Vou para a direita? Ou para a esquerda?
Não, não dá. Não posso ir nem para a direita, nem para a esquerda. Mas isso é só minha intuição—não, não duvide dela.
— Avança e passa por ele! — gritou.
— O quê?! Sério?! — Ranta gritou.
— Sério! — Haruhiro correu em direção ao gigante branco à sua frente.
As mãos virão primeiro. As duas mãos. Tentando me agarrar. Elas não são tão rápidas—Não devem ser, certo? Vai para o lado direito. Desvia da mão esquerda do gigante branco. Vai. Tenho que ir. Vai. Eu consigo. Esquiva!
— Yuh…!
Virando o corpo de lado, ele conseguiu evitar por pouco a mão esquerda do gigante branco. Mas que diabos foi esse “Yuh”? Haruhiro nem sabia o que isso significava.
— Ranta?! — gritou.
— Tô aqui!
De alguma forma, Ranta havia passado pela mão direita do gigante branco e parecia ter conseguido ficar atrás dele. Não era algo planejado, mas eles ouviram os dois gigantes brancos se chocarem atrás deles.
— Há! Bem feito! — Ranta rugiu.
Haruhiro não conseguia compartilhar do entusiasmo de Ranta. Pelo contrário, ele queria descontar sua frustração nele.
— Ah, merda! Aqueles também?! — gritou Haruhiro.
Claro, os que ele tinha visto no começo não eram todos. Ainda havia mais gigantes brancos vindo. E não eram só gigantes. Algo mais estava misturado com eles—ou melhor, seria mais preciso dizer que os gigantes brancos estavam misturados com outra coisa. Afinal, claramente havia mais deles.
Não, se ele não dissesse que havia muito mais deles, seria uma mentira descarada. Esses não eram os cultistas de um olho só, com ponchos brancos, avançando em massa?
Haruhiro queria se reagrupar com seus companheiros. Mas, primeiro, queria verificar se eles estavam bem. Ele verificou, e…
Como?! Ele queria gritar.
— Não se separa, Ranta!
— Ei, heyyyyyyyy?! — Ranta gritou de volta. — Isso é ridículo, sabia?!
Ele nem estava ouvindo. A atenção de Ranta estava totalmente focada nos cultistas. Bem, talvez fosse difícil culpá-lo por isso. Afinal, os cultistas comuns estavam avançando com suas lanças apontadas.
O que a gente faz? Pensou Haruhiro, desesperado.
Não havia tempo para pensar. O tempo estava muito, muito limitado. Se parassem, seria o fim. Eles tinham que seguir em frente. Mas para onde? Para onde iriam?
Ele ouviu vozes. Vozes de pessoas. Sons. Presenças. Respirações. A sua própria respiração.
À sua frente, havia cerca de dez cultistas comuns, Pansukes, ou algo em torno disso. Também havia dois cultistas de elite, Tori-sans, empunhando Lightning Sword Dolphins e escudos, talvez três? Havia mais cultistas além desses, mas esses eram os que Haruhiro precisava se preocupar imediatamente. E também havia um gigante branco, da classe de quatro metros.
Atrás deles estavam os outros gigantes brancos. Os dois que haviam colidido antes estavam se levantando. Havia alguns gigantes que tinham parado—ou sido forçados a parar? Estavam em combate? Havia soldados voluntários lutando contra os gigantes brancos?
Sim. Havia. Bem ali.
— Vamos, Ranta! — Haruhiro gritou.
— Wahhh?!
Mesmo correndo, Haruhiro não parava de olhar ao redor. Ranta estava acompanhando.
Esses são os Berserkers, né, pensou. Incrível. Mesmo nessa situação, já derrubaram um dos gigantes brancos. Não, não só um. Dois, hein.
Ducky e os Berserkers estavam trabalhando no terceiro gigante branco. Eles estavam usando ferramentas. Cordas. Com pesos nas pontas, provavelmente.
Eles jogavam as cordas, enrolando-as ao redor do pescoço do gigante. Então, puxavam em grupo, derrubando-o. Descrever era fácil, mas seria difícil jogar as cordas e fazer com que fossem para o lugar certo. Era preciso muita força para derrubar um gigante. E o timing precisava estar em perfeita sincronia.
Apesar do nome do clã, que faria você esperar que os Berserkers avançassem sem medo de contra-ataques, eles lutavam com habilidade e técnica.
Ao lado dos Berserkers, com suas três equipes, dezessete pessoas, praticamente se movendo como um único grupo, ele avistou Yume. Ou ela estava assistindo os Berserkers em admiração, ou estava olhando para o nada, porque estava simplesmente parada.
Mesmo correndo em direção a Yume, Haruhiro continuava observando. Não eram apenas os Berserkers que estavam contra-atacando. Havia soldados voluntários cercando um gigante branco de oito metros um pouco mais à frente. Um deles, corajoso e imprudente, escalava o gigante, subindo em seus ombros e acertando seu rosto.
Max. Era o Max “One-on-One”.
Max era baixo, mas carregava uma espada grossa em cada mão e golpeava, ou melhor, esmagava o gigante branco com elas. Ele desferia uma chuva de golpes no gigante.
O Iron Knuckle estava massacrando o gigante de oito metros.
Ele viu as capas brancas de Orion também. Eles haviam se espalhado em equipes individuais. Não parecia que estavam atacando ativamente. Mas também não estavam fugindo em pânico.
Os Tokkis.
Tokimune estava bem na frente de um gigante branco, com Tada atacando de lado. Kikkawa e Mimorin também estavam lá. Inui. E Anna-san.
Essa é a Mary ao lado da Anna-san, né, pensou Haruhiro. Kuzaku está lá também.
Lide com Yume primeiro.
— Aquela garota! — Ranta gritou. Parecia que Ranta também tinha avistado Yume. — Ei, Yume! Não fica aí parada!
Yume se virou na direção deles. — …O quê?
— Vem aqui! — Haruhiro a chamou.
Ela fez um grande aceno de cabeça e começou a correr em direção a eles. Os cultistas chegariam logo, e essa área provavelmente cairia em caos total.
— Mary! Kuzaku! — Haruhiro gritou.
Ele se virou enquanto corria em direção aos Tokkis. Os cultistas já haviam chegado. Kuzaku e Mary notaram Haruhiro e os outros.
— Onde tá a Shihoru?! — gritou.
— Me desculpa! — Mary fez uma careta e balançou a cabeça.
— Não temos tempo! — Ranta berrou.
— Ela é nossa prioridade! — Haruhiro gritou de volta.
Enquanto pensava nisso, ele olhou em volta. Ele analisou a situação enquanto tomava sua decisão. Enquanto observava, Haruhiro formulou sua estratégia básica.
Bom, seremos parasitas, por assim dizer. Me sinto mal por isso, mas vamos agir como parasitas nos lutadores mais fortes enquanto procuramos pela Shihoru. Estranhamente, estou calmo, né? Talvez eu simplesmente não tenha espaço para entrar em pânico.
— A Shihoru tá desaparecida! — gritou. — Anna-san, cuidado!
Depois de gritar, Haruhiro mudou de direção e seguiu na direção do Iron Knuckle. Seus companheiros estavam atrás dele. Ranta, Yume e Mary, com Kuzaku fechando a retaguarda.
Shihoru, pensou ele. Onde você está? Shihoru. Onde você está?
Por um momento, ele temeu o pior, mas rapidamente afastou essa ideia. Os cultistas haviam se juntado à batalha entre os soldados voluntários e os gigantes brancos, o que tornaria ainda mais difícil encontrar qualquer coisa.
Mesmo assim, vou procurar. Vou procurar. Procurar por ela. Procurar por Shihoru.
— Ah, seu…! Eu também vou! — Ranta avançou para atacar um Pansuke próximo.
— Isso não vai dar certo! — Haruhiro parou Ranta, mas ele mesmo não parou de se mover.
— Eu consigo lidar com esse sozinho! — Max gritou enquanto se agarrava ao rosto do gigante da classe de oito metros, cravando sua espada no olho dele. — Massacrem os cultistas, meus irmãos!
Ele consegue lidar com isso sozinho? Do que ele está falando? Mas os caras do Iron Knuckle estão fazendo o que ele diz. Sério?
Todos os membros do Iron Knuckle, exceto Max, se afastaram do gigante branco de oito metros e começaram a atacar os cultistas.
Havia um homem que se destacava. Ele estava levemente equipado, sem capacete, e tinha um pequeno cavanhaque. Era o braço direito de Max, Aidan. Ele empunhava uma lança, algo incomum para um soldado voluntário. Ele derrubava um cultista com a haste da lança e depois o empalava no único olho com a ponta. Além disso, ele usava uma variedade de chutes para derrubar os cultistas. Ele parecia mais um artista marcial do que um guerreiro. A falta de armadura podia ser um sinal de sua confiança. E essa confiança não parecia fora de lugar. Até um Tori-san, com sua espada e escudo prontos, caiu com um chute-surpresa e uma estocada da lança de Aidan. Ele era incrível.
Os outros irmãos estavam esmagando os cultistas. Iron Knuckle já havia destruído duas bases de cultistas. Eles conheciam seus inimigos. Parecia que achavam que simples cultistas não poderiam derrotá-los. Eles não pareciam que iriam perder.
Haruhiro agiu como um total parasita. Ele se juntou ao Iron Knuckle, olhando ao redor, mas tomando cuidado para não atrapalhá-los. Ele procurava por Shihoru.
— Shihoruuuu! — Yume lamentou.
Os cultistas e os gigantes brancos continuavam chegando. Estavam se reunindo de todo o Reino do Crepúsculo?
Não seria um erro ficar aqui e lutar? Por enquanto, estavam conseguindo se manter, mas eventualmente os soldados voluntários ficariam cansados. Quando isso acontecesse, seria xeque-mate. O fim.
Mas o deus gigante estava na colina inicial. Eles poderiam passar por ele e fugir de volta para o ninho—não, para as Planícies dos Gremlins?
Shihoru. Antes de mais nada, ele tinha que pensar em Shihoru.
Shihoru.
— Não tem como ela não estar aqui! — Mary gritou.
Ela estava certa. Shihoru estava aqui. Ela tinha que estar. Em algum lugar. Ele só não conseguia vê-la.
Ele não conseguia vê-la.
Ela está em algum lugar que eu não consigo vê-la…?
— O vale! — Haruhiro gritou.
Ele podia estar errado, mas era uma possibilidade.
O assentamento dos soldados voluntários no Reino do Crepúsculo havia sido construído ao redor de um vale com uma fonte no fundo. Não era um vale profundo, mas também não era raso. Pelo menos, ele não conseguia ver o fundo daqui. De jeito nenhum. Se ela tivesse se separado dos companheiros, fugido e tentado se esconder em algum lugar, não seria esse o lugar que ela escolheria?
O fundo do vale era um beco sem saída. Não era garantido que fosse seguro. Se o inimigo a encontrasse, ela estaria em perigo imediato. Mas se ela fosse pressionada a tomar uma decisão, ela não pensaria tanto nisso.
Enquanto corria em direção ao vale, Haruhiro continuava observando. Olhando para todos os lados, ele tentava ter a melhor noção possível da situação dos seus aliados. Parecia sua obrigação naquele momento. Era assustador olhar e descobrir o que estava acontecendo. A ignorância era mais fácil para a mente, mas também era assustador à sua própria maneira.
Ele morreria de olhos fechados ou abertos? De qualquer forma, seria assustador. No entanto, se seus olhos estivessem abertos, ele poderia encontrar uma maneira de evitar sua morte iminente. Se seus olhos estivessem fechados, ele nem conseguiria resistir em vão.
Na retaguarda da party, Kuzaku foi atacado por um cultista. Era um Pansuke. Apenas um.
Haruhiro imediatamente fez meia-volta. — Kuzaku, pare aí!
— Khhh!
Kuzaku parou a lança do Pansuke com seu escudo, depois usou Thrust (Estocada). Com a espada longa de Kuzaku cravada em seu peito, mas sem perfurá-lo por causa do poncho, o Pansuke vacilou. Nesse ponto, Haruhiro já havia passado correndo ao seu lado.
Com uma parada repentina, ele se colocou atrás do Pansuke. Ele o agarrou, enfiando sua adaga no único olho do Pansuke com um golpe reverso. Ele a arrancou e correu em direção ao vale.
— Seu idiota! — Ranta gritou.
Ranta, cala a boca.
— Deixa isso comigo!
— Na próxima! — Haruhiro respondeu.
Se você resolvesse as coisas rápido e bem, eu gostaria que o fizesse. Bem, tanto faz. Estamos aqui. Esse é o vale.
— Lá está ela! — ele gritou. — Shihoru!
Shihoru estava encolhida perto da borda da fonte. Ela levantou o rosto e olhou na direção de Haruhiro.
— D-Desculpa! Eu… Eu não consegui encontrar nenhum de vocês, e fiquei com medo!
— Bem, quem pode te culpar! — Ranta gargalhou. — Vou deixar passar dessa vez, então me deixa apertar esses peitões seus!
— Ughh… — Kuzaku estava incrédulo.
— Você é o pior. Não podia ser mais baixo do que isso — disse Mary, e Haruhiro teve que concordar.
— Sua idiota! — Ranta riu alto. — Eu sempre posso ser mais baixo! É ser o mais desprezível que me faz o pior! Idiotas!
Esse é o problema dele.
— Shihoru! — Yume desceu a encosta correndo, como se estivesse rolando.
Haruhiro estava prestes a segui-la, mas então se virou e olhou. Ainda bem que o fez. — Yume! Traga a Shihoru para cá!
— Miautendido!
Isso era pra ser um “entendido”? Seja como for, estou contando com você. Temos nossos próprios problemas para resolver. Inimigos. Cultistas chegando. Cinco Pansukes. Um Tori-san. Isso é bastante. Mas se eles nos alcançarem enquanto estivermos no vale, estaremos em desvantagem porque eles terão a vantagem do terreno elevado. Vamos enfrentá-los aqui.
Até que Yume e Shihoru chegassem até eles, restavam quatro: Haruhiro, Ranta, Kuzaku e Mary.
— Kuzaku, faça o que puder! — ordenou Haruhiro.
— Entendido! Vou atraí-los para mim!
— Ranta, use ataques rápidos!
— Não precisava nem dizer!
— Mary, não se esforce demais!
— Estou bem!
— Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — Com um rugido nada característico, Kuzaku avançou contra os cultistas. Os Pansukes estenderam suas lanças, tentando barrar o avanço.
Kuzaku usou seu escudo para bloquear—não, para desviar as lanças. Não era o Block que ele usava. Era o Bash. Além disso, ele fazia grandes balanços com sua espada longa e escudo.
— Ngahhhh! Rahhhhhhhh! Yahhhhhhhh!
A espada longa e o escudo de Kuzaku apenas desviavam as lanças dos Pansukes ou causavam golpes superficiais em seus ponchos. Ele não estava causando dano. Mas os Pansukes não conseguiam avançar. Kuzaku estava segurando cinco Pansukes sozinho. Obviamente, ele não poderia continuar assim. Além disso, havia aquele cara. Empurrando os Pansukes para o lado, o Tori-san avançou. Tori-san empurrou a espada longa de Kuzaku para trás com seu Escudo Espelhado e, em seguida, cortou imediatamente com sua Lightning Sword Dolphins.
— Leap Out! — gritou uma voz.
Era Ranta. Ele saltou de lado a uma velocidade incrível, acertando um chute no Escudo Espelhado de Tori-san. Mesmo enquanto Tori-san se desequilibrava, ele virou sua Lightning Sword Dolphins em direção a Ranta. Ranta estava tentando atacá-lo, mas seria ruim se ele fosse atingido por aquela arma. Mesmo um arranhão o deixaria atordoado. Ranta recuou com a Betrayer Mk. II. Sua forma oscilou de maneira misteriosa.
— Missing!
O golpe de Tori-san parecia ter sido enfraquecido. Ele ficou fascinado pelos movimentos misteriosos de Ranta. Ranta evitou facilmente a Lightning Sword Dolphins e se distanciou.
— Há! Droga, sou incrível! — Ranta riu.
— Nem tanto! — Haruhiro respondeu.
Haruhiro saiu pelo lado direito do grupo de inimigos, mirando nas lanças dos Pansukes com sua adaga e porrete. Mary também assumiu uma posição diagonal atrás de Kuzaku, usando seu cajado curto para interferir nas lanças.
— Dahhhh! Tahhhhhh! Nwahhhhhh! — Kuzaku balançava seu escudo e espada longa com movimentos imprudente enquanto avançava. Os Pansukes começaram a recuar, mas Tori-san avançou e atingiu a espada longa de Kuzaku com sua Lightning Sword Dolphins.
— Ngh! — O corpo inteiro de Kuzaku estremeceu. O Tori-san avançou para um golpe de seguimento. Kuzaku podia ter a melhor armadura da party, e talvez estivesse usando um elmo também, mas nem mesmo ele sairia ileso se recebesse um golpe forte de uma Lightning Sword Dolphins. Aqui, no Reino do Crepúsculo, onde a magia de luz não funcionava, ferimentos graves podiam ser fatais.
— Hah! — Mary gritou.
Se Mary não tivesse golpeado a Lightning Sword Dolphins com Knock Off (Interromper), as coisas poderiam ter ficado bem ruins.
Mary gritou, — Augh! — e caiu de costas, tremendo, mas o Tori-san quase deixou cair sua Lightning Sword Dolphins também. No final, ele não chegou a soltar, mas Kuzaku conseguiu usar aquele tempo para se recuperar.
— Por pouco! — Kuzaku desviou as lanças dos Pansukes com sua espada longa e escudo. — Ainda tenho um longo caminho pela frente!
— Você está indo muito bem! — encorajou Haruhiro.
Haruhiro tentou contornar os Pansukes por trás. Venham até mim. Ótimo. Funcionou. Haruhiro conseguiu afastar alguns dos Pansukes de Kuzaku. — Ranta, mostre sua coragem!
— Não me faça parecer… — Ranta avançou de novo, fechando a distância com um dos Pansukes. — …tão fácil, droga! Reject!
O Pansuke avançou com sua lança. Ranta a afastou com a Betrayer Mk. II e recuou. O Pansuke caiu na armadilha e tentou perseguir Ranta.
— Avoid! — Ranta gritou.
Quando seu oponente tentou avançar, Ranta fez uma estocada em um ponto vital enquanto recuava. A habilidade de Ranta acertou em cheio. Betrayer Mk. II perfurou o único olho do Pansuke, que desabou no chão.
— Faço isso com a maior facilidade! — Ranta gritou. — Afinal, sou eu!
— Lá vai você, ficando convencido! — Haruhiro retrucou.
Haruhiro desviou as lanças de dois Pansukes com Swat, uma, duas, três vezes. Ranta havia derrotado um dos Pansukes e já estava indo atrás de outro, então Kuzaku só precisava lidar com um Pansuke e o Tori-san. Mas o Tori-san era o problema.
— Nuh! — Kuzaku usou Bash para afastar a lança do Pansuke e tentou fechar a distância entre eles rapidamente, mas o Tori-san balançou sua Lightning Sword Dolphin, forçando Kuzaku a pular para trás.
— Eu cuido de um deles! — Mary gritou.
Recuperada do efeito paralisante da Lightning Sword Dolphin, Mary tentou fazer o Pansuke se virar para ela. No entanto, mesmo em um combate um contra um, o Tori-san seria difícil. Sua Lightning Sword Dolphin era perigosa demais. Tudo o que Kuzaku podia fazer era manter a distância e ficar correndo.
— Droga! Isso é patético! — Kuzaku gritou.
— Não tenha pressa! — Haruhiro gritou enquanto continuava a usar Swat nas lanças que vinham em sua direção. Ele disse isso para Kuzaku, mas estava, em parte, falando para si mesmo.
Certo. Não posso me apressar. Olhe bem. Veja com atenção. Há reforços inimigos? Não agora. Mas não seria estranho se eles aparecessem a qualquer momento. E quando isso acontecer, eu não posso começar a entrar em pânico, pensando: “Ah, droga, estamos ferrados!”
Kuzaku estava totalmente focado em evitar a Lightning Sword Dolphin. Mary estava jogando na defensiva e Ranta não conseguia desferir o golpe decisivo. Será que ele estava esperando a oportunidade perfeita para fazer isso de uma vez? Haruhiro continuava apenas desviando as lanças. Eles estavam se segurando, mas se isso continuasse por muito tempo, poderiam acabar desmoronando. No entanto, isso não duraria muito mais.
Uma flecha voou. Essa ia acertar. O Tori-san levaria bem no rosto. Infelizmente, o Tori-san pulou para o lado para evitar.
Haruhiro olhou para trás. Yume. Ela havia subido o vale. Já estava com a segunda flecha engatilhada. Atirou. E, praticamente ao mesmo tempo…
— Ohm, rel, ect, nemun, darsh!
Logo atrás de Yume, Shihoru estava recitando e desenhando sigilos elementais com seu cajado.
A segunda flecha de Yume também errou. O Tori-san a esquivou. No entanto, ao sair do caminho da flecha, um elemental sombrio se prendeu ao chão onde ele estava prestes a pisar.
Shadow Bond.
O pé do Tori-san foi pego pelo elemental sombrio, e ele não conseguiu se mover. O Tori-san estava visivelmente agitado. Foi nesse momento que Kuzaku avançou para finalizar.
— Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Punishment (Punição). Era fundamentalmente a mesma habilidade de Moguzo, a técnica Rage Blow (Golpe de Fúria) dos guerreiros, também conhecida como Thanks Slash (Corte de Agradecimento). Kuzaku desferiu um golpe diagonal com toda sua força. No entanto, na versão do paladino, ele se protegeria com o escudo enquanto atacava. Pelo menos, normalmente.
Kuzaku atacou com tanta força que parecia que ele ia arremessar o escudo longe, mas ele não o fez, e acertou sua espada longa na Lightning Sword Dolphin do Tori-san com toda sua força. Claro, quando ele tocou na arma, foi atordoado.
— Agh!
O corpo de Kuzaku estremeceu, e ele acabou caindo sentado. Ele sabia que isso aconteceria. Mesmo assim, ele correu o risco.
O plano de Kuzaku era derrubar a arma das mãos do Tori-san. Funcionou.
O Tori-san se abaixou e tentou alcançar sua arma caída. Ela estava a apenas alguns centímetros de distância. Graças ao Shadow Bond (Ligação Sombria), ele não conseguia se mover.
Mesmo assim, o Tori-san se esticou mais para tentar pegar a Lightning Sword Dolphin. Poderia ter conseguido, se ninguém tivesse interferido. Se Mary não tivesse atingido o punho da espada com seu cajado, arremessando-a para longe.
— Você é a melhor! — Kuzaku se levantou, então ergueu sua espada longa acima da cabeça. O Tori-san tentou cobrir a cabeça com seu Escudo Espelho. No entanto, Kuzaku não desferiu o golpe. Era uma Feint (Finta).
— Rahhhh!
Kuzaku chutou o Escudo Espelho para longe e então esmagou sua espada longa na cabeça desprotegida do Tori-san. Não apenas uma vez. Duas, três, quatro vezes ele bateu com força no topo da cabeça. Mesmo que não pudesse cortar por causa do poncho, aquele era um golpe mais forte do que o Tori-san poderia suportar. Mesmo depois que ele desabou e ficou deitado no chão, Kuzaku o atacou mais duas, três vezes, para garantir que estivesse realmente morto.
— Exhaust! Exhaust! Exhaaaauuuust! Gwahahahahahahahaaa! — Enquanto isso, Ranta se movia rapidamente com seus movimentos esquisitos para pegar a Lightning Sword Dolphin. Com a Betrayer Mk. II na mão esquerda e a Lightning Sword Dolphin na mão direita, ele empunhava duas armas ao mesmo tempo.
Espera aí… considerando a falta de força do Ranta, aquela Lightning Sword Dolphin é bem longa e pesada. Isso vai dar certo…?
— Toma essa! — Como Haruhiro havia esperado, por mais que Ranta tentasse balançar as duas armas, ele não acertava nada. Os Pansukes facilmente se esquivavam. Ele era um completo idiota.
— Escolhe uma das duas! — gritou Haruhiro.
Haruhiro ainda estava ocupado usando Swat para desviar as lanças dos dois Pansukes. Queria dizer a Ranta que não tinha tempo para essas brincadeiras.
Quero dizer, eu preciso ficar atento ao redor enquanto faço isso. É difícil. Estou me virando por um triz. Acaba logo com os seus e vem me ajudar, cara. Mas tudo bem, realmente.
— Yah! — Alguém veio, pelo menos.
Era Yume. Ela avançou ferozmente. Com uma cambalhota, desferiu um golpe poderoso com seu facão. Um dos dois Pansukes que atacavam Haruhiro foi atingido no ombro e, embora não tenha caído, sua cabeça recuou com a dor.
Raging Tiger (Tigre Enfurecido). Era uma habilidade de combate com facão.
— Tau! Tau! Tauuuu! — Com esses gritos de batalha estranhos, Yume combinou as técnicas Brush Clearer (Limpador de Mato), Diagonal Cross (Cruz Diagonal) e Brush Clearer novamente, encurralando o Pansuke.
Ela é corajosa como sempre. Esse tipo de coragem é o que se espera de um tanque. Não, com sua armadura leve, ela é ainda mais corajosa que um tanque. Dá medo assistir. Preciso apoiá-la.
Na próxima vez que desviou uma lança com o Swat, Haruhiro simultaneamente chutou o joelho do Pansuke. O impacto do Shatter (Quebrar) impediu o inimigo de se mover por um momento, o que Haruhiro aproveitou para se aproximar e acertar o queixo dele com seu porrete.
A habilidade Hitter (Batedor) originalmente servia para acertar o queixo do inimigo com a palma da mão após usar o Swat, mas Haruhiro havia aprendido a aplicá-la de outra forma. Ele estava na defensiva todo esse tempo, então provavelmente o Pansuke não conseguiu se adaptar ao ataque surpresa. Naturalmente, isso fazia parte dos cálculos de Haruhiro, por isso ele foi completamente para o contra-ataque.
Depois de acertar um Swat, Shatter e Hitter com precisão, não foi difícil derrubar o oponente. E foi exatamente isso que Haruhiro fez. Ele montou sobre o Pansuke caído, cravando sua adaga no único olho do cultista. Quando torceu e cavou a lâmina, o Pansuke logo parou de se mover.
— Haruhiro-kun! — gritou Shihoru para alertá-lo.
Quando ele olhou, mais quatro Pansukes e um Tori-san estavam vindo em sua direção. Haruhiro soltou um suspiro profundo, então arrancou sua adaga e se levantou.
Atualmente, Ranta e Yume estavam cada um lidando com um Pansuke. Kuzaku e Mary estavam atacando outro em conjunto. Havia um total de cinco reforços inimigos, e um deles era um Tori-san. Os únicos livres para agir eram Haruhiro e Shihoru. Shihoru não podia lutar de perto, e Haruhiro só conseguiria, no máximo, se defender de dois Pansukes com Swat.
— Ohm, rel, ect, el, krom, darsh!
Mas Shihoru tinha um trunfo. Um elemental negro, como uma névoa, foi em direção aos cultistas que se aproximavam. Shadow Mist (Névoa sombria). Era a versão aprimorada de Sleepy Shadow (Sombra sonolenta), que causava uma sonolência intensa no alvo.
Normalmente, seja Sleepy Shadow ou Shadow Mist, o feitiço não funcionava se fosse lançado diretamente contra um inimigo que estivesse se aproximando. Era um feitiço que só funcionava se pegasse o oponente desprevenido. No entanto, Shihoru havia descoberto que a magia Darsh era especialmente eficaz contra os cultistas.
Quando o elemental das sombras os envolveu, os cultistas começaram a cair como moscas. Ela conseguiu colocar todos os Pansukes para dormir, mas o Tori-san apenas vacilou um pouco. Ele tinha resistido, huh.
O Tori-san chutou o Pansuke que tinha desmoronado aos seus pés. Parecia que ele estava tentando acordá-lo.
— Ohm, rel, ect, el, vel, darsh! — Shihoru imediatamente lançou Shadow Echo (Eco das Sombras). Vuuuon, vuuuon, vuuuon. Com aquele som característico, três elementais das sombras, que pareciam bolas de alga negra, voaram em direção ao Tori-san. No entanto, mesmo que acertassem, provavelmente ele não cairia.
— Kuzaku! — Haruhiro gritou enquanto corria.
— Okay! — Kuzaku deixou o Pansuke para Mary e foi atrás de Haruhiro. Dois dos três elementais das sombras atingiram o Tori-san e pareciam causar algum dano, mas estava longe de ser fatal. Além disso, o Pansuke que o Tori-san havia chutado se levantou.
Se mais inimigos aparecerem agora, estamos completamente ferrados, pensou Haruhiro. Bem, ele não tinha tempo para se preocupar com isso. Foco. Tenho que focar. Focar, focar, focar.
Haruhiro repetiu isso para si mesmo enquanto avançava em direção ao Pansuke e ao Tori-san. O motivo pelo qual ele não estava tão assustado era porque não planejava lutar. Enfrentá-los diretamente estava além de suas capacidades.
Primeiro, o Pansuke avançou com a lança. Haruhiro pulou para o lado esquerdo, e dessa vez foi o Tori-san quem seguiu com outro ataque.
Estou fora de alcance, então estou seguro, pensou. Mesmo que o Tori-san desferisse um golpe com sua Lightning Sword Dolphin, ela não o atingiria. Provavelmente.
— Vem, vem, vem! — Haruhiro gritou, mais para encorajar a si mesmo do que para provocar o inimigo, enquanto esquivava da Lightning Sword Dolphin do Tori-san e da lança do Pansuke.
Logo Kuzaku chegou e usou Bash na lança do Pansuke. Quando o fez, Haruhiro previu que o Tori-san avançaria em Kuzaku. Ou melhor, esperava que isso acontecesse, mas não foi assim. Enquanto Kuzaku atacava o Pansuke com Thrust, o Tori-san começou a chutar os outros Pansukes.
Droga, pensou Haruhiro.
Nesse ritmo, os três restantes iriam acordar. Mas, se ele fosse impedi-los, teria que atacar o Tori-san. Se tentasse enfrentá-lo diretamente, sua vida estaria em risco. Era o momento de arriscar assim?
No momento em que hesitou para pensar nisso, perdeu a chance de fazer essa escolha. Já era tarde demais. Os Pansukes estavam despertos e começando a se levantar. Como já havia uma mistura caótica de aliados e inimigos por perto, eles não podiam contar com a magia de Shihoru.
— Zeahhhhhhh! — Kuzaku empurrou o Pansuke com força, mas não conseguiu desferir o golpe final. Isso porque o Tori-san interveio. Kuzaku não teve escolha a não ser fugir da Lightning Sword Dolphin.
Onde está o Ranta? A Yume? A Mary? Haruhiro tentou olhar. Não consigo olhar.
Os Pansukes que o Tori-san tinha acordado começaram a avançar em sua direção. O coração de Haruhiro acelerou, e sua respiração ficou ofegante. A pressão era intensa. Ele sentia que estava prestes a entrar em pânico. No entanto, se ele ainda percebia isso, talvez não fosse tão ruim. Seu campo de visão estava tão estreito.
As lanças. Elas estão vindo. Swat. Swat. Swat. Não, não consigo. Sinto que vou errar. Não posso me dar ao luxo de me ferir. Ahh— Uwah…
Haruhiro se jogou no chão instintivamente e rolou.
— O que você tá fazendo?! — Ranta chegou voando. Ele varreu duas lanças ao mesmo tempo com sua Lightning Sword Dolphin. Naturalmente, os dois Pansukes que as seguravam caíram, se contorcendo. Ranta tinha guardado a Betrayer Mk. II e agora estava empunhando a Lightning Sword Dolphin com as duas mãos.
— Eu te disse pra fazer isso desde o começo! — Haruhiro gritou.
Haruhiro usou Swat na lança de outro Pansuke, depois seguiu com Shatter e Slap. Sua adaga e o porrete eram armas de alcance curto, então era bem difícil acertar as mãos do oponente com elas.
Slap não era uma habilidade que ele usava com frequência, mas dessa vez funcionou bem. Os Pansukes seguravam suas lanças com as duas mãos. Quando Haruhiro acertou a mão direita de um dos Pansukes com seu porrete, ele soltou a lança. Sem perder tempo, Haruhiro usou o pomo de sua adaga para acertar o queixo do inimigo com Hitter. As pernas do Pansuke cederam, e ele caiu. Haruhiro rapidamente deu a volta, agarrou-o e usou Spider. Sua adaga afundou no único olho do Pansuke.
— Cale-se! Parupirori inútil! — Ranta gritou, preparando-se para finalizar os Pansukes que havia atordoado, levantando exageradamente a Lightning Sword Dolphin acima da cabeça. Foi quando suas mãos pararam. — Espera, tem um gigante branco vindoooooo?!
— Ranta! —Haruhiro gritou.
— O quê?! — Ranta usou Exhaust para recuar com um impulso de velocidade. Os Pansukes que ele havia atordoado avançaram com suas lanças.
Kuzaku estava correndo e evitando o Tori-san e um Pansuke. Mary e Yume estavam lidando com um Pansuke cada, e não conseguiam se mover.
Shihoru havia notado o gigante branco que se aproximava e parecia pensar no que poderia fazer com sua magia. No entanto, era pouco provável que pudesse fazer algo. Um gigante branco da classe de seis metros era praticamente impossível de ser parado pela magia de Shihoru.
Os Pansukes que haviam falhado em perfurar Ranta agora mudaram seu alvo para Haruhiro. Enquanto usava Swat contra suas lanças, Haruhiro estava horrorizado com sua própria tentativa de escapar da realidade focando apenas no Swat. Mas não conseguia pensar em nada que pudesse fazer, e não sentia que seria capaz de pensar em algo.
Era uma loucura lutar. Eles não tinham chance de ganhar.
Então, o que fazer? Fugir? Podiam ser mortos no momento em que virassem as costas para o inimigo. Alguns deles, pelo menos. Estavam cercados por todos os lados.
Era por isso que ele estava usando Swat, Swat e Swat.
Está certo?
Não havia como estar. Ele precisava tomar uma decisão.
Se se mantivessem e continuassem a batalha, estavam garantidos a morrer. Se fugissem, alguns poderiam sobreviver.
Claro, Haruhiro ficaria até o final, lutando para garantir que o maior número possível de seus companheiros escapasse. Afinal, ele era o líder. Tinha que fazer isso, pelo menos. Sim, provavelmente morreria. Não que quisesse. Não poderia fazer a coisa admirável e dizer que estava preparado para isso, mas faria o que sabia que deveria fazer.
Não importava o que acontecesse com ele. Se a vida de Haruhiro pudesse garantir a fuga de todos os seus camaradas, ele estava bem com isso. Mas não era assim que funcionaria. Mais de uma pessoa seria sacrificada. Estava especialmente ruim para Shihoru.
Além disso, mesmo que conseguissem abrir um caminho para sair dali, depois disso—Não, ele precisava focar no presente. O que era o melhor a fazer no momento? Se começasse a pensar no que viria a seguir, não conseguiria decidir nada. Mesmo que fosse apenas um deles que escapasse, ele queria que essa pessoa sobrevivesse.
O gigante branco estava a cerca de dez metros de distância. Haruhiro não tinha tempo a perder.
Enquanto desviava uma lança, Haruhiro gritou. — Fu— —
Ou começou a gritar, mas rapidamente fechou a boca.
Sem chance. Isso é simplesmente legal demais. Haruhiro usou Swat em mais um Pansuke, então gritou algo diferente. Desta vez, um nome. — Tada-san!
— Tornado Slam! (Golpe Tornado) — Tada entrou com uma velocidade incrível, girando horizontalmente e atingindo o tornozelo esquerdo do gigante branco com seu martelo de guerra. O impacto fez o gigante branco parar e olhar para Tada.
— Go, go… — disse o gigante.
— Ei, pequena porcaria. — Tada apoiou o martelo de guerra no ombro e então levantou o dedo médio da mão direita. — Vou enfrentar você. Venha.
— Ohm, rel, ect, nemun, Darsh! — Shihoru gritou.
Shadow Bond. Shihoru fixou um elemental das sombras no chão, impedindo Tori-san de pressionar Kuzaku junto com um Pansuke que o seguia.
— Haaaaa! — Kuzaku imediatamente atraiu o Pansuke para longe do Tori-san e foi atacá-lo. Usou Block contra a lança do Pansuke. Então, avançando após um Thrust, usou Bash para atingir o Pansuke no rosto com seu escudo. Depois, o empurrou, cravando sua espada longa no olho do Pansuke.
— Ranta, pegue o Tori-san! — Haruhiro chamou.
Quando Haruhiro chamou, a resposta de Ranta foi: — Morra!
Quem você está dizendo para morrer?!
Mesmo assim, Ranta começou a cruzar espadas com o Tori-san. Quando era Lightning Sword Dolphin contra Lightning Sword Dolphin, nenhum dos dois seria atordoado. O Tori-san também tinha seu Escudo Espelhado, então Ranta não conseguiria ultrapassar facilmente suas defesas, mas até um total idiota como Ranta (esse pedaço de lixo) poderia ser usado para ganhar tempo. Sem que Haruhiro precisasse dizer o que fazer, Kuzaku foi apoiar Yume e Mary.
Haruhiro usava Swat, Swat e Swat novamente para se defender das lanças dos dois Pansukes à sua frente.
O gigante branco de seis metros perseguia Tada, socando e tentando pisoteá-lo com estrondos ensurdecedores, mas, até então, sem sucesso. Tada, ainda com o martelo de guerra apoiado no ombro, desviava dos ataques com o mínimo de esforço possível. Não era exatamente ágil, mas agia com uma coragem incomum. Parecia que Tada se achava invencível, movendo-se com confiança absoluta. Mesmo que o gigante conseguisse matá-lo, não parecia que isso seria o suficiente para derrotá-lo de verdade.
Logo em seguida, Tokimune apareceu, com seus dentes brancos brilhando.
— Ainda está vivo, hein? — gritou Tokimune.
Kikkawa também estava lá. Inui, Mimorin e Anna-san estavam junto com eles. Tada e Tokimune se posicionaram de lados opostos do gigante branco, provocando-o alternadamente e o guiando habilmente.
— Yahoo, Ranchicchi! Cheguei para minha entrada triunfal! — declarou Kikkawa, desferindo um golpe contra o Tori-san.
— Seu idiota! Quem você está chamando de Ranchicchi?! — Ranta avançou imediatamente para o ataque. — Eu não deixo que as pessoas me obriguem a ficar em dívida com elas!
— Você simplesmente não consegue mostrar gratidão, Ranchicchi! Todo tsun, tsun, tsu, dere, é tão adorável!
— Cala boca! Vou te matar, Kikkawa!
— Cala a boca e mata todos eles! — disse Inui, por algum motivo com um brilho no olho não coberto pelo tapa-olho. Ele riu para si mesmo, vagando pelo campo de batalha sem rumo.
O que você está fazendo, cara? Haruhiro ficou tão perplexo que quase perdeu o timing do seu Swat.
— Ah!
— Hahh! — gritou Mimorin.
Se Mimorin não tivesse desferido um golpe com toda a sua força na cabeça de um Pansuke, ele certamente teria sido ferido, ou pior. Após o golpe com o cajado, a espada de Mimorin acertou o topo da cabeça do Pansuke com força.
Aproveitando sua constituição incomum, as técnicas de espada de Mimorin eram incrivelmente poderosas, mesmo que ela usasse mais do que apenas uma espada. Não havia técnica cuidadosa envolvida—basicamente eram golpes amplos e brutais, deixando várias aberturas. No entanto, quando acertava, seus ataques tinham força suficiente para derrotar os inimigos com um único golpe.
Aliás, elementais, que normalmente não eram visíveis ao olho humano, detestavam a maioria dos metais, então os magos precisavam evitar ferro e cobre. Contudo, se utilizassem um processo especial chamado revestimento elemental, aparentemente não havia problema. A espada de Mimorin possuía um revestimento elemental, e isso supostamente era bem caro. Apesar disso, ela não dava muita importância ao cuidado com a espada.
Mimorin chutou o Pansuke em que ela havia acabado de acertar o combo de dois golpes no chão com um “Hmph!” e depois atacou o outro Pansuke com seu cajado e sua espada.
— Você não pode machucar o Haruhiro! —gritou Mimorin. — De jeito nenhum!
Será que Mimorin está… com raiva? Pensou Haruhiro. Parece que sim.
Embora estivesse com a mesma expressão de sempre, seu rosto estava vermelho. O Pansuke tentou atacá-la com sua lança, mas Mimorin o ignorou e o golpeou com seu cajado e espada, sem piedade. Era aterrorizante a força com que ela o espancava.
Eventualmente, o Pansuke não conseguiu mais se manter em pé, caindo no chão onde estava, mas Mimorin continuou a bater nele, sem parar, até que ele estivesse completamente esmagado. Ele estava à beira da morte, se já não tivesse morrido.
Mimorin se virou para Haruhiro.
— Eu estava preocupada.
—…Isso é, uh… bem… De…s…culpa…?
— Está tudo bem. — Mimorin balançou a cabeça. — Fico feliz de ver você de novo, são e salvo.
—…Eu também.
— Sim. Isso é ótimo.
Haruhiro começou a entrar em pânico.
— Uh, uhhhh, espera, ainda tem inimigos!
— Tem.
— Precisamos matá-los.
— Eu vou matá-los.
— V-Vamos fazer isso — disse Haruhiro.
— Eu vou fazer isso.
— M-Mas… — Haruhiro olhou ao redor.
Kuzaku, Mary e Yume estavam lutando juntos contra dois Pansukes. Ranta e Kikkawa estavam dominando o Tori-san. No ritmo em que as coisas estavam indo, eles resolveriam a situação ali em breve.
Inui ainda vagava sem rumo.
Sério, o que você está fazendo, cara?
Ignorando aquele desvio sem sentido por um momento, o problema, obviamente, era o gigante branco.
— Venha! — Tokimune bateu sua espada no escudo.
— Go, go… — O gigante branco se abaixou e balançou seu braço direito.
— Haha! — Tokimune se esquivou do braço que avançava, evitando-o maravilhosamente.
— Aqui! — Tada chamou o gigante branco.
O gigante branco olhou para Tada, e o encontrou. Ao invés de usar as mãos, ele tentou chutar Tada. Foi por pouco. Tada rolou para a esquerda, escapando por pouco do pé direito do gigante branco.
A primeira coisa que Tada havia feito foi acertar o martelo de guerra na canela direita do gigante branco. Embora houvesse uma clara marca de impacto, os movimentos do gigante não mostravam sinais de estar realmente ferido.
— Matem ele! Matem de uma vez, yeah?! —gritou Anna-san. Anna-san podia gritar e encorajá-los até ficar rouca, mas seria um pouco difícil cumprir isso.
Shihoru segurava seu cajado, olhando em volta inquieta. Parecia que não havia nada que ela pudesse fazer, nenhum feitiço que pudesse lançar.
Se fosse um gigante branco da classe de quatro metros, talvez ela pudesse fazer algo, mas contra um gigante de seis metros, seria muito difícil. Se houvesse mais obstáculos ou algo em que ela pudesse subir, talvez ela pudesse pensar em algo melhor… quem sabe? De qualquer forma, na situação atual, ela não conseguia encontrar uma maneira de atacar.
— Haru?! — Mary gritou seu nome. Haruhiro estava sendo questionado sobre o que fazer.
Não me pergunte. Ele ficou frustrado. Calma, calma, calma. Olhe, e pense. Isso mesmo. Olhe.
Seu corpo de repente flutuou.
Não. Não era que Haruhiro estivesse realmente flutuando. Isso era óbvio. Nunca poderia acontecer. Era uma coisa mental, por assim dizer. A mente de Haruhiro saiu do corpo—uma experiência extracorpórea, talvez? Ele nunca havia experimentado uma antes, então não podia dizer com certeza que era isso o que se sentiria, mas estava vendo coisas que não deveria ser capaz de ver enquanto estava em pé no chão.
Durou apenas um instante.
Talvez fosse uma alucinação. Ou melhor, tinha que ser, certo? Mas… eu consegui ver. Ou, pelo menos, senti que consegui.
Naquele instante, Haruhiro estava olhando de cima para o gigante branco da classe de seis metros. Os vários cultistas, os outros gigantes e os outros soldados voluntários também—ele conseguiu ver toda a área.
Era uma maneira estranha de enxergar as coisas. Não era como se estivesse vendo claramente com os olhos, mas também não era vago ou embaçado. Era como um desenho, ou um diagrama detalhado. O que quer que fosse, ele teve um lampejo de inspiração graças a isso.
Era o tipo de ideia que o fazia pensar: Por que isso não me ocorreu antes? Não que ele pudesse evitar.
— Bem, sabe, eu sou só um cara comum, afinal de contas — murmurou Haruhiro.
— Você é especial, Haruhiro — disse Mimorin com uma expressão abatida. — Para mim.
— …Obrigado.
Eu fui e agradeci sem pensar. Não acho que seja bom fazer isso. Preciso dar um corte mais firme nela. Vou ser mais cuidadoso da próxima vez. Por enquanto, vou me concentrar em fazer o que precisa ser feito. É isso.
— Vamos derrubá-lo no vale — disse Haruhiro, ao que Mimorin assentiu, mas depois inclinou a cabeça de lado, confusa.
— Como?
— Sim. Esse é o problema…
— Você consegue se tentar — ela o encorajou. Mimorin estava agindo como sempre, e isso era estranhamente calmante.
Quando Haruhiro e Mimorin se moveram, Kuzaku, Mary e Yume os acompanharam. Ranta e Kikkawa pareciam precisar de mais tempo para derrubar o Tori-san. Anna-san havia se movido para perto de Shihoru em algum momento. Além disso, Inui também estava ali.
Haruhiro encontrou o olhar de Tokimune. — Para o vale! — tentou comunicar com essas poucas palavras e um gesto.
Tokimune lhe deu um sorriso largo e cheio de dentes, então ele devia ter entendido—certo? Provavelmente estava tudo bem.
— Venha, venha, venha! — Tokimune estava batendo no escudo e tentando atrair o gigante branco para ele, como vinha fazendo o tempo todo, mas agora claramente direcionava o curso para o vale do assentamento.
Tada era um esquisitão, mas de forma alguma lento, então ele certamente entenderia o plano.
— Mimorin, proteja a Anna-san! — Haruhiro disse a ela e acelerou. Ele precisava avançar e encontrar um bom lugar. Ele tinha uma ideia.
Naquele vale com a nascente, havia algumas encostas que eram suaves e fáceis de subir ou descer, mas também havia outras íngremes que poderiam ser chamadas de penhascos. Primeiro, precisavam conduzir o gigante até a borda do penhasco. Será que ele conseguiria…? Bem, segundo Mimorin, ele conseguiria se tentasse. Ele ia fazer isso.
Ele analisou por conta própria a localização do penhasco que tinha em mente. Ali tinha cerca de dez metros de profundidade, talvez. Isso não era tão raso; seria suficiente.
O gigante branco estava se aproximando, conduzido por Tokimune e Tada. Ranta e Kikkawa pareciam ter derrotado o Tori-san também.
Havia mais sete ou oito cultistas e um gigante branco de quatro metros vindo na direção deles. Ele preferia que não viessem, mas não ficou surpreso. Era sempre muito evidente onde os Tokkis estavam.
Isso fez Haruhiro perceber mais uma vez que sua party, sozinha, não era suficiente. E não apenas por uma pequena margem. Estavam longe de ser o bastante.
Ele já estava ciente disso, é claro. Mas será que não estava começando a se enganar? Se algo acontecesse, não havia garantia de que os Tokkis estariam lá para ajudá-los. Na verdade, até um momento atrás, eles estavam à beira da derrota. Os Tokkis só apareceram por acaso. Foi por isso que sobreviveram. Foi um pouco de sorte. Ou, colocando de outra forma, se não tivessem tido um pouco de sorte, teriam havido baixas.
A diferença entre a vida e a morte era fina como papel. Um erro, ou até mesmo um pouco de má sorte, e poderiam tropeçar e atravessar essa barreira fina entre uma e outra.
Foi assim que Manato e Moguzo os deixaram. Eles se foram para longe, para um lugar onde Haruhiro e a party não poderiam alcançá-los. Não seria estranho que qualquer um dos outros os seguisse para lá. Muitas vezes antes, eles já haviam se encontrado nesse ponto de decisão. Era apenas porque, de alguma forma, os caminhos que Haruhiro escolhera os levaram à “vida” que ele e o resto da party ainda estavam aqui. Desta vez, havia sido o mesmo.
Se escolhessem o caminho errado e fossem para a “morte”, não haveria volta.
Era um pensamento vertiginoso. Ele não queria mais fazer isso. Queria viver em paz. Provavelmente, não seria impossível se ele tentasse. Poderiam encontrar algum tipo de trabalho em Altana, ganhar dinheiro dessa forma. Haruhiro havia mudado desde que se alistara como soldado voluntário. Se tentasse agora, com certeza não seria impossível para ele.
Eu vou pensar seriamente nisso.
Depois, claro.
Se eu sair dessa inteiro.
— Haruhiro! — Tokimune correu até ele. — Saia daí! Deixe isso comigo!
— Okay! — Haruhiro correu para a direita. Enquanto cortava o caminho por entre as tendas que os mercadores haviam abandonado, ele manteve os olhos em Tokimune, que estava prestes a alcançar a borda do penhasco.
— Go, go, go! — O gigante branco perseguia Tokimune.
Tokimune parou abruptamente, virando-se para enfrentar o gigante branco. O penhasco estava logo atrás dele naquele ponto. — Eiii! Me pega se puder!
— Go… — O gigante branco, no entanto, parou.
Ah… ele percebeu?
— Seu idiota, é óbvio demais! — Ranta zombou de Haruhiro.
Ele poderia até aceitar isso de qualquer outra pessoa, mas quando aquele pedaço de lixo dizia, doía. Ou melhor, Haruhiro ficou em choque.
Mas ainda não acabou.
— Plano B! — alguém gritou.
Sim. Ele também estava ali. O sacerdote que um dia fora guerreiro, que ainda era quase um guerreiro. O homem com o grande martelo de guerra. Ele, que não conhecia o medo, o Sr. Devastador dos Tokkis.
Tada.
Tada investiu contra o gigante branco por trás e deu uma cambalhota. — Somersault Boooooooooomb!
Seu martelo de guerra explodiu no tendão de Aquiles do gigante branco—ou onde ele estaria, se gigantes brancos tivessem tendão de Aquiles—e fez pedaços da sua carne, ou seja lá do que ele fosse feito, voarem por todos os lados.
Plano B.
Espera, o que é isso? Haruhiro pensou, atordoado.
Se tivesse que adivinhar, atrair o gigante até a beira do penhasco era o Plano A, e arrastá-lo ou empurrá-lo para fora era o Plano B. Haruhiro, honestamente, só havia pensado no Plano A. No entanto, com a força de Tada…
— Go, go! — O gigante branco tentou se virar enquanto cambaleava. Foi quando aconteceu.
— Delm, hel, en, balk, zel, arve! — Mimorin gritou.
— Jess, yeen, sark, kart, fram, dart! — Shihoru acrescentou.
Houve um clarão de luz e uma explosão de fumaça no peito do gigante branco, enquanto vários raios atingiam seu rosto e ombros. Blast e Thunderstorm. Elas haviam combinado seus feitiços ou era coincidência? Mimorin e Shihoru lançaram seus ataques mágicos simultaneamente. Mesmo o grande gigante branco da classe seis metros teve que se curvar para trás com isso.
Ah, claro, Haruhiro percebeu. Faz sentido. Se o poder de um feitiço não é suficiente, elas podem simplesmente combiná-los. Essa é uma forma de fazer, huh.
— Vuuush! — Yume usou Rapid Fire, disparando várias flechas em rápida sucessão, mirando no único olho do gigante branco. Em uma ocorrência notavelmente rara, Inui seguiu o exemplo e disparou sua própria flecha.
— Aieeeeeeee! — Anna-san gritou e pulou no ar. — Vai se foder!
— Tokimune-san! — Haruhiro começou.
Sem que Haruhiro precisasse dizer mais nada, Tokimune se afastou da beira do penhasco.
— Delm, hel, en, balk, zel, arve!
— Jess, yeen, sark, kart, fram, dart!
Mais um disparo. Não, dois disparos. Blast de Mimorin e Thunderstorm de Shihoru deram o último empurrão, forçando o gigante branco a se curvar ainda mais para trás. Nesse ponto, ele não conseguiu mais se segurar. Não conseguiu manter-se de pé.
O gigante branco parecia estar ciente do penhasco, mas precisava mover sua perna esquerda naquela direção para se apoiar. No entanto, não havia chão ali. Afinal, era um penhasco.
Caindo. O gigante branco estava caindo.