Capítulo 2

Consolo

Três dias se passaram, e toda vez que o sol estava em pé, nós iríamos continuar andando.
Não importa quão longe nós andemos, tudo que nós encontramos são casas vazias, e campos sobrecrescidos com mato.
Ocasionalmente, diferente das casas normais que nós passamos, nós veríamos largas mansões, mas até elas não estavam sendo administradas. Mato cercava seus limites.
Onde nós estamos andando é uma larga estrada. Eu acho que era algum tipo de rodovia.
Eu tinha ouvido antes que no interior de países espaçosos, as estradas ficam sem manutenção, e elas permanecem do mesmo jeito que elas eram muitos anos atrás.
Mas esta deve ter sido uma larga estrada antes. O chão duro deixou fácil para as pessoas andarem nele, e não parecia ter encontrado uma única pessoa ou carruagem em meses. Folhagem se espalhava das rachaduras nele.

Eu lembro de cavalinha crescendo dos espaços entre o concreto no começo da primavera.
Naqueles tempos, eu estava honestamente impressionado pela tenacidade de crescer em um lugar daqueles, mas eu sinto de algum modo diferente pelas plantas nesta estrada.
Especificamente, o que é diferente? Se eu fosse perguntado isso, eu não acredito que eu poderia responder.
Mas, algo… eu sinto algo errado.
Esta terra é quieta demais.
A quanto tempo foi que ouvi pela última vez o grito dos pássaros, ou os zumbidos dos insetos?
Quando eu tento traçar de volta minha memória, eles já haviam ido embora pela hora em que eu me encontrei perdido naquela montanha.
Apenas o farfalhar das árvores e o som do vento ecoam por este mundo… eu não consigo sentir o sopro de vida.
A única vida que eu consigo sentir é…

“Mizuki, tarte nimyaku!”

Celeilia dá uma voz encorajante no que ela aponta para frente.
Nesses dias, eu estive ainda à ser capaz de entender as palavras dela, mas nós podemos ao menos ter algum tipo de entendimento com gestos.

“Um castelo…”

O que nós estávamos vendo, quando nós alcançamos o topo de uma pequena colina, era um largo castelo.
Comparado aos parques temáticos e de diversão que eu havia visitado, ele é feito de pedra… e construído em um estilo antigo.
Quando eu penso em um castelo ocidental, eu imagino aqueles nos parques de diversão lá em casa, mas este aqui é meio diferente.
Ele é construído de pedras de uma única cor cinza. Pelos muitos anos desde que ele foi feito, as muralhas foram levemente torradas pelo sol.

Como que para proteger o interior, quatro torres haviam sido construídas formando um quadrado ao redor dele.
E no lado de dentro, as mesmas pedras haviam sido empilhadas para criar a fundação. Era um castelo sólido.
Mas de mim, que invejava os prédios espalhafatosos dos parques de diversão, este parece mais com uma prisão gigante do que um castelo.
É tão diferente assim do castelo que eu idealizava em minha mente.
E naturalmente espalhada ao redor dele estava uma cidade do castelo, e casas da mesma pedra cinza que o castelo estavam enfileiradas ordenadamente.
Eu não sei de que período do tempo o castelo foi construído, mas em Estudos Sociais, eu ouvi que muitos anos de construção se vão em fazer um castelo de pedra.
Será que o fato que ele está preservado tão galantemente faz dele um local de patrimônio mundial?
Lugares assim tender a ser atrações turísticas, então as pessoas devem se reunir naturalmente.

“Chnika hyoph, Mizuki.”
“É, vamos lá.”

Há um pouco de distância até a cidade do castelo, mas o simples fato que nós temos um objetivo em mente me enche com poder. Eu acompanho o passo rápido de Celeilia no que nós seguimos para a cidade do castelo.
Mesmo quando eu acho que eu estou indo relativamente rápido, Celeilia está sempre alguns passos a minha frente, apesar do fato que ela tem mais bagagem. Como um garoto, isso é um pouco embaraçoso. Considerando nossa diferença em força, eu acho que não tem o que fazer, mas talvez eu deva começar a treinar minhas pernas.
Se eu retornar, uma maratona é… dura, então eu terei que ao menos começar andando para acumular estamina.

Eventualmente, nós nos aproximamos dos portões da cidade que eram tão largos que eu tinha que olhar para cima para eles.
De longe, parecia uma cidade em miniatura, mas no que nós nos aproximamos, eu achei ela excedentemente larga.
O trabalho de pedra cinza esteve profundamente manchado de preto e marrom avermelhado em alguns lugares devido o passar dos anos.
E vinhas cercavam as paredes gigantes.
A ponte que leva até a cidade… também era feita de pedra, e fácil de se andar nela.

Depois de dar uma boiada por um tempo, eu notei Celeilia de pé na base da ponte, balançando sua mão para mim. Eu corri para alcançar ela.
No que eu cruzei o portão vazio, a visão da Cidade do Castelo se estendeu diante de mim.

“…”

Assim como o castelo, as casas enfileiradas eram feitas empilhando montes de pedra.
Com apenas alguns matos crescendo aqui e ali, as estradas pavimentadas de pedra eram uma melhoria bem vinda ao chão duro.
As casas são equipadas com janelas com armações de madeira… em cruz. (NT: “Wooden… cross framed windows”, eu acho que fiz o que pude)
Mas…

“É como uma cidade fantasma…”

Uma cidade silente como a morte em si. Uma rua silente. Um município silente… um mundo silente.
Vida não está aqui também.

Pelo que eu posso ver, não faz tantos anos assim desde que algumas dessas casas foram construídas.
É estranho para prédios de pedra estarem preservados tão lindamente.
Como eu devo colocar isto… não seria estranho para eles estarem mais desgastados ou quebrados, mas é como se até alguns meses atrás, pessoas estivessem vivendo aqui tranquilamente…

“Mizuki, horriki nit!”
“É-é.”

No que eu estava sendo tomado por ansiedade, Celeilia chamou por mim.
Pode ser um pouco embaraçoso, mas eu estou verdadeiramente feliz que ela está comigo.
Celeilia parece ter um objetivo em mente, e toda vez que eu parei, ela segurou minha mão e me levou adiante.

Esta costumava ser uma larga cidade, eu assumo. A cidade do castelo é realmente ampla, e as ruas são tão complexas que eu acho que eu me perderia sozinho.
É possível que Celeilia tenha uma vez vivido nesta cidade antes.
Os movimentos dela eram tão suaves que o pensamento passou pela minha mente.

“O castelo?”

O que nós estávamos lentamente nos aproximando era o castelo que nós vimos do topo da colina.

“Roph, Hitkima mezmo hottechyo sokchenma kezo…”

Falando em um tom de algum modo lamentoso, Celeilia começou a aumentar seu passo.
Quando nós passamos pelo portão do castelo, eu olhei para cima aos três prédios separados.
O primeiro que eu vi era o largo castelo. Os outros dois, eu não sei.

Celeilia pisou no castelo sem hesitação.
O interior ela mal iluminado, e levemente úmido. A ventilação também parecia ser ruim.
Protuberando da parede estavam locais para tochas, mais provavelmente usados para iluminar o local.
Como se elas tivessem se queimado a muito tempo, pedaços de carbono estavam espalhados ao redor dos meus pés.
Mais do que um castelo, a atmosfera fria de um forte governava a área.

No caminho por ele, nós descemos uma escadaria, a queda entre os degraus era meio dura e irregular, então eu quase caí várias vezes.
E no que Celeilia finalmente parou era ouro e prata. Uma porta cheia com muitos metais preciosos e ornamentos de gemas bonitas.

“Mizuki, hohok.”
“Tem algo além daqui?”

No que ela acenou firmemente, ela deu à porta um forte empurrão.
Ela não abre.

“Zoph hitte?”

Celeilia inclina sua cabeça em curiosidade.

“Poderia ser…”

Eu tentei puxar ela.
A porta, que havia sido feita exageradamente pesada por todos seus ornamentos, se arrastou pelo chão no que ela começou a abrir.
Quando eu olhei na direção de Celeilia, eu achei o rosto dela estando levemente tingido numa cor rosa.
Ela está embaraçada?
Então até ela comete erros.
Eu havia arbitrariamente feito uma imagem dela como uma pessoa perfeita que podia fazer qualquer coisa.
Quero dizer, ela me mostrou feitos mágicos todo dia. Eu tinha expectativas, ou talvez eram aspirações.
Mas talvez isto seja um pouco aliviante.
Até agora… não. Mesmo agora, eu acho este local sem vida assustador, então isso me acalmou um pouco. O interior da porta era escuro, e eu não podia realmente ver, mas um leve brilho escapou através da janela fechada do outro lado.
Quando Celeilia abriu a janela, o conteúdo do quarto foi iluminado.
Tudo estava intrinsecamente decorado… haviam um monte de coisas, mas o layout básico do quarto incluía um tapete, uma cama, mesa e uma estante de livros.
No chão e na mesa, pó havia acumulado.
Se eu fosse descrever isso em uma única sentença, este parece o quarto de realeza… Poderia ser…

“Hmm?”

Olhando mais de perto, a camada de poeira na área à direita da estante era levemente menor do que o resto do local.

“Roph, hohoki maymo.”

No que eu notei, Celeilia falou, e começou a puxar a estante.
Eu não sei o que tem ali, mas eu ajudarei.

A estante era mais leve do que parecia, e com duas pessoas, era fácil de mover.

“Isto é o que você chama de passagem secreto?”

Atrás dela tinha um buraco tão apertado que somente uma pessoa podia passar de cada vez.
Do outro lado do buraco tinha uma escadaria levando par abaixo, mas qualquer coisa além disso era escuro demais para distinguir.

“Horrik, Mizuki.”

Celeilia deixou sua bagagem no quarto. Ela tirou algumas folhas vermelhas com uma mão.
Não importa quantas vezes eu veja os papéis dela são miraculosos. Quando nós acampamos, eles teriam uma potência alta, mas agora eles soltam uma luz morna que nos concede visão.
Com a outra mão, ela segurou a minha, e começou a descer as escadas.
A batida de coração transmitida à mim através de nossas mãos ligadas parecia ser inusualmente alta.
Nós descemos alguns níveis, e a atmosfera me contou que nós havíamos chego ao subsolo.
Diante de nós havia uma larga sala, e seu conteúdo me deixou sem palavras.

Era uma montanha de tesouros.
O que estava refletido nos meus olhos eram metais dourados, e acessórios ornamentados com gemas.
Largas jóias, livros antigos que pareciam preciosos, coroas e tiaras. Haviam cajados, e outras coisas que pareciam valiosas.
Tem a frase acumulo de tesouro, mas eu acho que essa é a frase perfeita para usar aqui.

“Mizuki.”
“Celeilia?”

Da montanha de tesouros impagáveis, ela produziu uma pequena caixa e apresentou seu conteúdo para mim.
Seis bolas de doce duro estavam enfileiradas.
Por causa da idade delas, a qualidade delas era muito mais baixa do que qualquer coisa que você encontraria em uma loja.
Além do mais, elas foram colocadas numa área sem regulação de temperatura ou umidade. Algumas delas pareciam ter derretido levemente. Eu estou um pouco hesitante em tentar colocar uma na minha boca…
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela imediatamente colocou uma em sua própria boca.

“Rach, Mizuki, o minette.”

Ela segurou um único doce, e aproximou ele da minha boca.
Eu acho que minette quer dizer para comer. É uma palavra que ela frequentemente repete perto da hora de comer, então não há dúvida que é relacionado ao ato.
Eu olho para a bola de doce se aproximando.
Ela realmente está um pouco suja. Isto irá requerer alguma coragem para comer.

“Se eu comer isso, eu arruinarei meu estômago, então…”
“Yazka kachya hachime!”

Essa era a primeira vez que Celeilia gritou comigo.
Ela parece um pouco brava, não parece?
Ela está assertando sua vontade tão mais fortemente do que antes, ou algo assim.
É~… é assustador, mas como ela me trouxe até aqui, eu posso logo juntar alguma coragem.

Eu pego a bola, e timidamente coloco ela na minha boca.
O que começou a rolar e se espalhar pela minha língua tinha um sabor meio estranho.
Não doce, por se dizer, e não tinha qualquer tipo de cheiro como hortelã.
Eu realmente não consigo achar palavras para descrever isso.
Ao menos, em minha vida, eu nunca havia provado nada que lembrasse isso.
Se eu fosse forçado à dar uma descrição, então talvez uma bola de vidro derretendo que se dissolveu enquanto eu lambia ela… esse tipo de sabor.

“Mizuki, minhas palavras estão passando?”
“Eh!?”

Eu ouvi alguém me chamar, então eu me virei. E claro, apenas Celeilia estava lá.
Quero dizer, a voz claramente me chamou de Mizuki.
O que isto quer dizer? Poderia ser que Celeilia aprendeu japonês?
Não, isso não está acontecendo.
Mesmo se ela entendesse, ela teria me dito mais cedo.
Vendo minha expressão embasbacada, Celeilia me ofereceu um sorriso macio.

“Eu posso lhe chamar de Celeilia… certo?”
“Sim, eu sou Celeilia Flamell.”

No que ela respondeu minha questão, Celeilia demonstrou uma leve umidade em seus olhos, como ela ocasionalmente fez durante nossas viagens, no que ela sorriu.

“Sempre… Mizuki, eu sempre quis falar com você…”
“Comigo? Espere, Celeilia, apenas quem é você?”
“Eu sou apenas Celeilia. Sou, para este país… não, Mizuki, uma residente de um mundo diferente do seu.” (NT: Eu não sei como fazer essa transição, ela ia falar o cargo dela no país, mas ela se cortou para falar seu “cargo” como residente deste mundo)
“Outro mundo?”

Com uma expressão solitária, ela acenou.

“Você pode não acreditar em mim, mas os mundos onde Mizuki e eu nascemos são diferentes… eu acho.”
“Hum~… você quer dizer como uma diferença de linguagem, ou país, ou algo assim?”
“Mizuki, eu tenho certeza disso. Quero dizer, no mundo em que eu vivo… neste país, não existe algo assim como a ferramenta que você mantém em seu bolso esquerdo.”

Eu imediatamente coloquei minha mão no bolso.
Nele estava o modelo desatualizado de celular que eu estive usando por muitos anos.
No passado, quando eu pensei que ainda era cedo demais para eu ter um, minha mãe e meu pai compraram ele para mim. A razão pela qual ele é tão antigo é por razões sentimentais. Para energizar ele, eu tenho que ir para a loja e comprar cinco baterias. Sua funcionalidade é meio baixa, e comparado com as modas mais atuais, ele é bem pesado.
Mas para mim, é um item bem importante.

“Apesar que isto é só um celular normal?”
“Certo… para você, é normal. Então isto é algo que você encontra frequentemente ao seu redor, Mizuki?”

Os papéis com estampas mornas pintados com tintas vermelhas agindo como nossa luz.
Ao meu redor… não havia nenhum tipo de ferramenta mágica assim.
Em primeiro lugar, sendo capaz de nos entender depois de meramente colocar um doce em minha boca é estranho. É algo como magia.
A coisa mais estranha é que as palavras que eu ouvi de Celeilia ainda eram definitivamente as palavras de uma terra estrangeira, mas apenas depois que me cérebro processa elas, elas viram japonês. Se eu não chamar isso de magia, o que seria?

“Desde que os tempos são como são, eu estive usando eles assim, mas usualmente você pode durar uma semana com uma única folha, sabe.”
“Então esse doce era igual?”
“Sim, ele usa materiais muito preciosos para serem produzidos, então o rei deste país só tinha seis deles para chamar sendo dele, mas uma pessoa que colocar um deles em sua boca será capaz de temporariamente entender as palavras dos outros. É um item realmente conveniente.”
“Estava tudo bem em usar uma coisa preciosa dessas em mim?”
“Não há problema. Quero dizer, seu dono, as pessoas para lhe acusarem e as pessoas para lhe julgarem; elas todas se foram.”
“Eh…?”

Eu tentei perguntar o que ela quis dizer, mas incapaz de cuspir aquelas palavras, elas meramente se dissolveram em minha garganta com o doce.
… É por causa de quão triste Celeilia parecia no que ela jogou seus olhos para o chão…
Eu só queria saber o motivo dela fazer uma cara assim.
Não é só hoje.
Ontem, e no dia anterior, e mesmo antes disso, eu só queria animar Celeilia enquanto ela sorriu comigo com tal tristeza.

“Entendido. Eu aceitarei sua palavra nisso, Celeilia.”
“Sério?”
“Yep. Este mundo é um diferente daquele em que eu vivi. Outro mundo. É natural que a língua seja diferente, e o local onde eu estou neste momento é um dos incontáveis países nesta terra.”
“Obrigada… Mizuki…”
“Essa é minha fala. Obrigado por me mostrar as estradas até agora. Eu estaria realmente incomodado se eu estivesse sozinho.”
“Isso pode ser mesmo. Você não parecia estar acostumado a dormir fora… ah, mas aquele lanchinho doce crocante era realmente gostoso. Aquilo foi feito por você, Mizuki?”
“É, é uma comida de um país estrangeiro no meu mundo…”

Nos três dias que levou para chegarmos aqui, eu pensei que o Shortbread (Sabor de Chocolate) Combo de Suplemento ia estragar, então eu dei um pouco para Celeilia.
No começo, talvez porque era uma comida estrangeira, ela hesitou como eu. Mas depois de dar uma mordida, ela parecia realmente gostar disso.

“Meu melhor amigo ama coisas doces, mas eu estava preocupado sobre o balanço nutricional dele, então em algum ponto eu cheguei a aprender como fazer eles. Porque enquanto for um lanchinho doce, ele comerá.”

Shortbread é um doce escocês tradicional, e enquanto havia um pouco de erro de comunicação entre línguas, se você disser Ca○rieMate, a maioria das pessoas entenderão. (NT: Calorie Mate é uma barra de biscoito energética japonês que é meio parecido com o shortbread)
Meu amigo disse tinha uma imagem similar à ele, então quando eu tentei misturar chocolate nisso como um experimento, ele rapidamente comeu isso, então eu moí suplementos nutricionais e misturei eles nisso.

“Entendo. Mizuki, você gosta dessa pessoa, certo?”
“É, ele é meu amigo de uma vida inteira.”
“Entendo…”

Celeilia fez uma expressão realmente triste.
Eu estava prestes a perguntar pela razão, mas no instante seguinte, um sorriso ressurgiu no rosto dela.
Será que eu vi errado?

“Mas Mizuki, aquele líquido marrom doentiamente doce não era bom. Faz tempo que aquilo já cruzou os limites da racionalidade.”

O Café com Leite Condensado é definitivamente um pouco demais para a pessoa comum.
Mas aquele homem pegava este líquido irracional, e colocava mel e melaço antes de engolir ele. Mas a cena era assustadora demais para trazer aqui.
Eu acho que está tudo bem em beber isso ocasionalmente, mas ingerir de maneira regular é perigoso.

“Celeilia, por que você estava naquela casa?”
“Porque aquele era meu local de nascença.”
“Entendo. É bacana e quieto, e o ar é realmente claro.”
“… Isso mesmo.”

De novo.
Por uma fração de segundo, sombras cobriram o rosto dela, e ela fez uma expressão sombria, mas ela forçosamente cobriu isso com um sorriso.

“Hey, Mizuki. Eu gostaria de ouvir mais sobre você.”
“Sério? Bem, eu não ligo, mas…”

Eu realmente quero animar ela. Mas toda vez que a conversa vira para a direção dela, ela abaixa sua cabeça.
Eu ocultei as questões que eu realmente queria perguntar, e em algum ponto, eu comecei a falar sobre nada além de mim mesmo.

“Minha mãe é uma pessoa que ensina a arte de arranjar flores, e meu pai é alguém que vende elas, e…”

Antes de eu ter notado, eu estava falando sobre aqueles que eram preciosos para mim, meus amigos, minha escola, minha vida, minhas questões de todo dia.
Parecia que esses detalhes inúteis eram o suficiente para ela.
Eventualmente, eu havia decaído em coisas para se conversar, e a quantidade de palavras saindo da minha boca diminuiu em número.

“Mizuki, eu decidi.”
“Celeilia?”

Ela segurou ambas minhas mãos, e as apertou.
E diferente das expressões que ela me mostrou antes, as macias que pareciam aceitar tudo que era jogado nela, ela fez um rosto sério no que ela encarou nos meus olhos.
Eu senti como se eu fosse ser sugado naquelas pupilas douradas.
E então eu notei.
As mãos dela haviam começado a tremer.
Antes que eu pudesse perguntar para ela pela razão, ela começou a soltar palavras.

“Mizuki, prepare seu coração. Daqui em diante, eu lhe contarei sobre tudo que eu sei, tudo sobre este mundo.”
“C-claro.”

Uma vez. Duas vezes. Celeilia deu algumas respirações profundas, antes de tomar uma expressão séria. Ela falou.

“Não há vida neste mundo.”
“Eh?”
“Para ser mais específica, três meses atrás, um dia, começando com os humanos, todas as formas de vida sumiram.”
“Vida sumiu…?”
“Mizuki, você não achou nada estranho sobre a estrada em que nós andamos para chegar aqui?”

Claro que era estranho.
Desde a hora em que eu me achei naquela montanha, ao momento em que eu encontrei Celeilia, eu não vi um único inseto ou um único pássaro.
Isso não mudou pelos três dias que eu passei com ela.
Tudo que eu havia ouvido era o som do vento, e nossos próprios passos.
O som das folhas se esfregando, e o som de água corrente ainda estavam ali, mas não havia absolutamente mais nada.
Mesmo que ela não tenha perguntado, esta não é a primeira ou segunda vez que eu achei que isso era estranho.
Mas… eu havia intencionalmente me impedido de pensar sobre isso.

“É, eu pensei isso.”
“Três meses atrás, no dia em que todas as vidas sumiram no prédio vizinho… no alojamento da brigada mágica real ‘A Escola do Nulo’, eu acordei mas ninguém estava ali.”
“… E você tem certeza que eles não se mudaram para outro lugar?”

Para poder negar a realidade, eu perguntei algo de que eu já sabia a resposta.
Mesmo quando, através do comportamento da Celeilia e da situação atual, eu sabia que ela não estava contando mentiras.

“A Realeza, Cavaleiros, Soldados, os Magos da Corte, Civis deste país, não tem como todos eles terem se mudado de uma vez. Não, mesmo que eles tenham feito isso, não teria razão para isso.”

As palavras Cavaleiros e Magos mexeram com meu senso de realidade, mas mesmo se ela não explicasse o fato que um número inacreditável de quantidade de pessoas desapareceu, eu teria entendido.
Contudo, se essa é a verdade, por que Celeilia está aqui e bem?
Pelo comportamento dela, eu tenho a impressão que nem ela sabe.
E… aquele passando pela maior dor durante esta conversa é Celeilia…

“No começo, eu pensei que eu havia apenas perdido a hora dormindo. O alojamento eternamente animado estava completamente vazio… mas eu imediatamente notou que algo estava estranho. Quero dizer, os soldados que começam a treinar cedo toda manhã não estavam ali também, e não havia ninguém na cidade do castelo.”

Vamos tentar imaginar isso.
Um dia quando eu acordei em minha própria cama, minha mãe e meu pai não estão lá.
Depois de ir para fora, eu ainda não podia encontrar ninguém, e quando eu chego na escola, meu melhor amigo não estava lá.
Mesmo quando eu fui para a estação, não havia nem a sombra de uma pessoa… o que aconteceria comigo?
Eu estaria com medo. Simplesmente com medo.
Eu ouvi histórias como as dela aparecendo em mangás e novels, mas ainda, é assustador.
Todas as pessoas preciosas dela subitamente se levantaram e sumiram um dia, o simples pensamento faz meu corpo tremer.

“Eu estava assustada… eu procurei por toda parte. Eu temi que eles pudessem me odiar, mas eu até invadi ilegalmente as casas dos outros. Depois de uma semana, mesmo quando eu sabia que era errado, eu comecei a tratar tudo no castelo como minha própria propriedade…”

Eu não sei a situação, mas eu não acho que isso podia ser evitado.
Mesmo se você ficar sozinho, você tem que seguir vivendo.
Você ainda tem que comer refeições, e você tem que achar um lugar para dormir. Então mesmo se eu me encontrasse numa situação similar, não seria estranho para eu me achar roubando dos supermercados e lojas de conveniência.

“Depois disso, eu procurei. As vilas próximas, minha cidade natal, e até os países vizinhos. Mas naquele país, ou no que veio depois dele, ou até no que veio depois daquele, não havia ninguém…”
“…”
“No fim, eu estava cansada. Eu decidi retornar para minha casa, e viver uma vida quieta.”

Eu tenho certeza que Celeilia finalmente desistiu.
Não havia mais ninguém no mundo além dela, e daqui em diante, esse fato não ia mudar.
Haviam mais do que suprimentos o suficiente se ela quisesse viver sozinha.
Se la não fosse morrer por sua própria mão, mesmo se fosse assustador, ela não tinha escolha senão viver.

“E pela hora em que eu havia me acostumado à minha nova vida… Mizuki, você apareceu.”
“Eu?”
“Sim. Eu agradeci à deus. Obrigada por deixar Mizuki nascer, obrigada por deixar ele estar vivo… de novo e de novo, uma quantidade incontável de tempo, eu ofereci minhas palavras de gratidão.”

Então é por isso que ela soltou lágrimas tão alegremente lá trás.
Se eu estivesse numa situação similar, eu teria me pendurado nela em lágrimas.
… Quero dizer, o que ela havia desistido havia subitamente aparecido diante dela.

“Então eu sempre quis ficar ao lado de Mizuki. Se Mizuki fosse viajar, eu planejava seguir ele aos fins da Terra.”

Pretérito? Isso significa que agora é diferente?

“Mas logo, eu notei. Que Mizuki não era uma pessoa deste mundo, que ele não sabia que não havia mais ninguém aqui… que ele apenas havia vagado aqui por alguma coincidência.”
“… É, eu subitamente me achei num lugar diferente do qual eu estava antes, eu desci a montanha, e eu encontrei você, Celeilia.”
“Eu estou feliz que Mizuki é uma pessoa gentil. Eu estava confusa naquela hora. Não importa que tipo de pessoa você fosse, mesmo se você fosse um indivíduo violento, eu teria lhe seguido.”

Talvez… isso não seja estranho.
Não há vida neste mundo para ela além de mim, então mesmo se ela não me valorizasse como um humano, mas como uma forma de vida em si, eu não me sentiria mal sore isso.
Mesmo se eu fosse um verdadeiro vilão, ela não teria me resistido.
Quero dizer, eu havia realizado o sonho dela. O sonho dela de achar alguma vida por aí além da dela própria.

“Quando eu te trouxe aqui, eu meramente pretendia trocar palavras com você. Eu nunca pretendi lhe contar sobre isto.”
“Por que?”
“Eu pensei que se Mizuki tivesse que saber, ele não ficaria sempre ao meu lado.”
“… Vejamos. Não, eu acho que eu ainda ficaria com você.”

Pode ter sido legal para Celeilia ter me encontrado, mas o mesmo vai para mim.
Se eu estivesse sozinho, eu estaria tremendo num canto, sozinho, neste mundo estrangeiro.

“Mizuki, eu direi isso de novo. Prepare seu coração.”
“…”

Em uma voz trêmula dolorida, Celeilia declarou.
As palavras dela eram de uma realidade fria o suficiente para pisotear tudo que eu sabia no meu mundo.
Não, a verdade é mais… eu notei isso a muito, muito tempo.
Se eu fingisse que eu não sabia, se eu continuasse enganando ela, e enganando meu coração…
Isso tinha vindo até mim em palavras. Eu tinha que ter alguém além de mim dizendo isso, ou eu iria ter continuado a escapar da realidade por minha vida toda. Essa era a triste, fria verdade.

“Nesse ritmo, Mizuki, você não será capaz de retornar para seu próprio mundo. Você nunca verá suas pessoas preciosas de novo.”

Parecia que o chão havia desabado debaixo de mim.
O sangue no meu corpo instantaneamente ficou frio.
Deveria ter sido algo óbvio, mas era a verdade de que eu estive evitando olhar.
Quando eu me toquei de volta para a realidade, eu notei que as palavras da Celeilia não estavam mais entrando meus ouvidos… apenas as palavras 《Você nunca verá suas pessoas preciosas de novo》 continuaram ecoando em minha cabeça.

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