Se não fosse pelo fato de que cada membro do grupo estava carregando um cristal luminoso com eles, eles não seriam capazes de ver sequer um palmo à frente. Há muito que tinham passado pela entrada da caverna, que era a única fonte de luz vinda do exterior e já não conseguiam ver quão fundo estavam na montanha.

O cristal luminoso brilhava intensamente e cada membro estava levando o seu tempo para examinar a porta de aço. Assim como a porta vermelha, a parte inferior dela era composta de aço espesso e tinha um padrão em forma de círculo no meio.

Dan estava atualmente vasculhando a porta para ver se havia alguma maneira de abri-la.

“Sério, então realmente não há como abrir a porta além de Ray?” Dan disse enquanto passava a mão sobre a porta.

Monk e Gary explicaram o que acontecera antes, quando desceram para a porta vermelha. Eles queriam ter certeza de que o resto do grupo estava preparado pra qualquer coisa, especialmente depois do que aconteceu da última vez.

Dan então caminhou até a borda da parede da caverna, onde podia ver que a porta de aço cavava profundamente pra dentro da parede. Ele olhou para essas bordas por um momento antes de acertá-la com sua lança.

“Por que você está fazendo isso?” Martha perguntou.

“Bem, talvez possamos cavar em torno disso.”

Dan continuou a bater na parede da caverna lateralmente até que um pedaço da parede se soltou. Por baixo do pedaço, porém, havia apenas mais da parede de aço.

“É melhor você parar de fazer isso.” Slyvia disse: “Não sabemos até onde vai essa parede e eu odiaria que a caverna desabasse sobre nós.”

“Bom, vou deixar isso pro Ray então.”

Ray deu então um passo para frente e colocou a mão na porta, e assim como da última vez, uma tela de notificação apareceu.

<Gostaria de abrir a porta de aço?>

<Sim> ~ <Não>

Assim que Ray selecionou ‘sim’, a fechadura circular no centro da porta começou a se mover. E de repente a porta de aço de duas folhas começou a se separar ao meio, indo para dentro das paredes da caverna.

“Que mecanismo impressionante” – disse Slyvia.

“Como é que funcionou quando Ray tocou na porta?” Dan perguntou enquanto olhava para Gary e Monk.

Ambos simplesmente encolheram os ombros. Ray ainda não estava preparado para dizer aos outros quem ele realmente era ou que tinha esse sistema especial.

“Será porque ele é o escolhido?” Kyle disse enquanto pensava em seu encontro com o cavaleiro Dragão que eles tiveram um tempo atrás.

“Oh, você está falando sobre a profecia? Então talvez o Ser Divino realmente esteja aqui.” Dan disse entusiasmado.

“Anda, vamos embora!” – disse Ray para impedir os outros de falar.

Ray não gostou do fato de que eles estavam falando sobre ele. O próprio Ray não tinha ideia do por que tudo estava acontecendo e ele certamente não queria fazer parte dessa tal ‘profecia’.

Enquanto o grupo caminhava em direção à porta de aço, eles puderam ver uma grande escada em espiral que descia. Seus cristais luminosos só os deixavam ver até uma distancia próxima, então não havia como eles saberem a profundidade.

Jasmine e Monk começaram a tremer.

“É como da última vez” – disse Monk.

Gary ignorou os dois e começou a andar na frente de todos. Gary sentia que estava perto de descobrir algo grande e não ia deixar nada atrapalhar isso.

A escada em espiral era longa. Depois de descer por meia hora, ainda não havia qualquer sinal de encontrar o fim da escadaria.

“Estamos realmente indo pro fundo da Academia?” Perguntou Monk.

“Parece que sim” – Jasmine respondeu.

O grupo continuou a descer as escadas enquanto conversavam uns com os outros.

“O que você vai dizer quando encontrarmos o Ser Divino?” Kyle perguntou.

“Não sei, mas espero que ela seja linda” – respondeu Martha.

“Ela … o que te faz pensar que o Ser Divino é uma garota?” Dan disse.

“O que te faz pensar que é um garoto?”

“Bem, você sabe, é todo poderoso e coisas do tipo, então tem que ser um cara.”

“Sabe, Dan, você já derrotou Slyvia ao menos uma vez numa partida de classificação? Bem, eu acho que não.”

Martha e Slyvia então se entreolharam e disseram revirando os olhos. “Homens”

Finalmente, depois de mais meia hora descendo, eles chegaram ao fim da escadaria. A escadaria os levou a uma grande sala parecida com uma igreja. Havia bancos de madeira de cada lado, todos voltados para uma direção. Todos os bancos estavam apontando para uma única estátua na sala.

A estátua era de uma linda mulher que usava um capuz que os magos costumam usar. Em sua mão direita, a estátua segurava um bastão com uma orbe presa na ponta e ao redor da orbe havia duas pequenas asas.

O grupo olhou para a estátua por um tempo antes de procurar qualquer outra entrada na sala. Todo mundo se separou e foi olhar ao redor do grande corredor, todos com exceção de Ray. Ray ficou parado olhando para a estátua.

Slyvia percebeu que Ray ainda estava olhando para a estátua.

“Eu sei que ela é linda, Ray, mas tenho que lembrar que ela é apenas uma estátua.”

“Você sabe quem é ela?” Ray respondeu.

Slyvia olhou para a estátua e para a sala em que estavam por um tempo antes de dar uma resposta.

“Se eu tivesse que adivinhar, este lugar parece que costumava ser um templo ou algum tipo de local de adoração. Hoje em dia é tabu para qualquer pessoa ter um desenho ou tentar recriar uma imagem do Ser Divino, mas no passado, não tinha essas coisas. ”

“Você está dizendo que este é o Ser Divino?”

“Eu acho que é uma possibilidade.”

Ray não comentou mais nada, mas teve a estranha sensação de familiaridade ao olhar para a estátua como se já tivesse visto aquela pessoa antes. Mas, por algum motivo, Ray simplesmente não conseguia dizer exatamente onde.

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