Dan sempre foi o tipo de fazer a situação parecer pior do que realmente era, ou talvez até mesmo exagerar no que estava vendo. Então, quando ouviram suas palavras pela primeira vez, pensaram que não poderia ser verdade. Afinal, ninguém tinha ouvido ou visto um Dragão nos últimos 100 anos.

Muitas pessoas previram que os Dragões podem nunca ter existido. Eles eram apenas uma besta poderosa sobre a qual as pessoas exageravam.

Portanto, assim que ouviram as palavras de Dan, é claro, não acreditaram nele. Mas quando todos olharam para cima, eles realmente puderam ver uma criatura gigante no ar. Ela tinha asas, uma cauda e uma cabeça longa, todas as características de um Dragão.

“Eu pensei que eles estavam todos extintos?” Slyvia disse.

“Não acho que seja esse o problema agora” – respondeu Monk “Como vamos lidar com um Dragão e as Cobras Babosa?”

O grupo então olhou imediatamente para as cinco Cobras Babosa, que há apenas um segundo atrás estavam atacando vorazmente Ray. Agora estavam ali paradas, sem emoção, como se estivessem paralisadas. Se não fosse pelo fato de que eles estavam se movendo há apenas um segundo, o grupo teria pensado que eram estátuas.

Ray também olhou para a fera voadora gigante no céu. Ele imediatamente reconheceu a aura poderosa.

‘Então essa tempestade é obra sua?’ – Ray pensou.

A besta era a mesma besta que ele tinha visto a aura na montanha naquela época. A besta parecia ter um trato com a Academia, desde que não entrasse em seu território, ela não atacaria os alunos, mas um dia Ray a viu uma segunda vez na montanha atrás da cidade, e naquele dia houve uma forte tempestade como hoje.

O coração de Ray começou a pulsar loucamente quando ele ouviu as palavras ‘Dragão’ saírem da boca de Dan. Ray não tinha visto um Dragão nos últimos 500 anos ou mais e mesmo se ele morresse hoje, ele não se importaria se fosse pelas mãos de outro Dragão.

Ray então desativou seus Olhos do Dragão para ter uma visão mais clara da besta. Assim que Ray viu claramente, ele sabia exatamente o que era, ele deu um sorriso suave.

“Então é isso que você é.”

A grande besta no céu deu outro grito agudo antes de descer em grande velocidade. A besta passou voando pelos alunos e o vento produzido por suas asas era tão poderoso que eles tiveram que usar o Ki para se certificar de que não seriam derrubados.

Agora que o Dragão estava mais perto, eles podiam ter uma visão mais clara dele. Tinha cerca de 3 vezes o tamanho de Noir e era de cor azul cristalina. Em certas partes de seu corpo, pedaços de pedras de cristal se projetavam dele.

O Dragão abriu bem a boca e soltou um sopro de gelo intenso. Só agora as Cobras Babosa saíram do estado em que estavam e começaram a fugir, mas era tarde demais. Assim que o hálito gelado tocou as Cobras Babosa, elas congelaram instantaneamente.

Sem diminuir a velocidade, o Dragão continuou a voar através de seus corpos congelados, despedaçando-as.

“Derrubou todos os cinco de uma só vez!” Gary gritou: “Precisamos correr, não há como vencer isso, esqueça a Academia.”

Então, de repente, Von começou a caminhar lentamente para onde Ray estava.

“Não tema, crianças, esta besta não nos fará mal” – disse Von.

“Mas como você sabe disso? Dragões são pura maldade. Alguns até acham que foram seus cadáveres que causaram a Praga das Sombras.” Dan disse.

Von começou a rir e acabou ficando ao lado de Ray.

O Dragão então voou até os portões da cidade antes de retornar para onde os alunos estavam e eventualmente pousou em suas duas pernas na frente de Ray e os outros. Assim que o Dragão pousou, a tempestade parou imediatamente.

Não havia mais vento e a chuva desapareceu com ele. Jack, que estava fazendo o seu melhor para se recuperar dentro da Academia esse tempo todo, também saiu para dar uma olhada melhor no Dragão.

Afinal, era uma oportunidade única na vida.

“Este aqui não é um Dragão como todos vocês pensam” – disse Von.

“Então, o que é?” Dan perguntou.

“É uma Serpe[1]” – Ray que respondeu.

Assim que Ray conseguiu ter uma visão clara da besta, ele soube imediatamente o que era. Von ficou surpreso ao ver que Ray conhecia a besta apenas de olhar para ela. A maioria das pessoas olhando para essa besta suspeitaria que fosse um Dragão, especialmente se nunca tivessem visto uma Serpe ou um Dragão antes.

Havia duas diferenças principais entre um Dragão e uma Serpe, a primeira era o tamanho. Os dragões tinham cerca de 2 a 3 vezes o tamanho de uma Serpe, seria impossível para um ser tão pequeno a menos que fosse um filhote. Esse foi o primeiro sinal, mas o segundo foram suas asas.

Os braços de Serpe estavam presos às asas. Eles não estavam separados, se uma Serpe movesse seu braço, ela moveria sua asa também. Enquanto os Dragões tinham quatro pernas distintas ou braços e pernas e as asas estavam localizadas em suas costas.

Quando Ray percebeu que era uma Serpe, percebeu que sua raça realmente havia acabado.

Von imediatamente se curvou para o Serpe e caiu de joelhos.

“Obrigado por nos salvar.”

Von então olhou para trás como se estivesse sinalizando para os outros alunos fazerem o mesmo.

Imediatamente, todos se curvaram para a Serpe, exceto uma pessoa que era Ray.

Então, de repente, todos puderam ouvir um som de tilintar em suas cabeças por um instante, e logo o que se seguiu foi uma voz feminina suave e gentil.

“Meu nome é Glac, sou a Serpe que reside nas montanhas não muito longe daqui. Concluí minha parte no acordo com o Ser Divino, então não devo mais um favor a sua espécie.”

“Muito obrigado Glac” – respondeu Von

A Serpe então virou a cabeça para olhar para Ray, pois ela percebeu que Ray era o único de pé.

“E você, humano desrespeitoso, vejo que não é grato por minha presença neste lugar.”

Os outros engoliram em seco porque estavam nervosos. Eles se perguntaram por que diabos o lado teimoso de Ray tinha que mostrar as caras agora, mais do que nunca. Estava claro que Glac foi capaz de eliminar todos eles em um instante.

“Eu realmente sou grato a você por salvar minha vida.” Ray respondeu: “Mas eu não me curvo para aqueles que estão abaixo de mim.”

 


[1] Wyvern ou Wiverne em inglês ->  derivada da palavra francesa wivre, “víbora”, é todo réptil alado semelhante a um dragão.

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