Vol. 1 Cap. 71 Chegando a um Acordo

Isaac e Ian usaram suas espadas curtas para cortar a vegetação e criar um caminho. Estavam prestando atenção dobrada aos arredores enquanto se moviam com cautela.

Est tinha uma carranca no rosto enquanto se movia na retaguarda da formação. Eles já tinham andado por uma hora, mas ainda não haviam encontrado um ser vivo dentro da Floresta Negra. Não conseguiam nem mesmo ouvir o som dos pássaros ou o zumbido dos insetos.

A floresta parecia desprovida de vida, o que só os fez ficarem mais cautelosos.

De repente, ele escutou alguns ruídos ao redor. Isaac e Ian imediatamente correram para seu lado e formaram um perímetro de proteção.

Foi neste momento que viram algo brotar do chão e agarrar o tornozelo de Isaac. O garoto instantaneamente olhou para baixo e viu uma mão feita de ossos o segurar com um aperto firme.

Ian imediatamente pisou na mão com força, a despedaçando e libertando seu irmão no processo. Para seu desânimo, mais mãos saíram do chão e tentaram agarrá-los.

“Hah!” Est, Ian e Isaac liberaram um grito poderoso e uma onda de choque enviou os braços esqueléticos para longe de seus corpos.

“Subam na árvore, rápido!” Est ordenou.

Os três rapidamente correram para a árvore mais próxima e escalaram o mais alto que puderam. Não muito depois de subirem, o chão começou a tremer.

“Um terremoto?” Isaac perguntou.

“Não”, Est respondeu. “Isso não é um terremoto.”

“É algo pior”, O rosto de Ian empalideceu ao ver centenas de soldados esqueletos levantarem do chão. Alguns deles vestiam armaduras leves e carregavam armas de aço nas mãos.

O barulho de ossos rangendo reverberou pela floresta enquanto cada vez mais esqueletos se levantavam. A floresta uma vez desprovida de vida agora estava repleta de mortos-vivos.

William estalou a língua ao assistir o evento que se desenrolava. Ele estava atualmente em cima de uma árvore e assistia as três crianças de longe. Devido à suas habilidades ‘Olhos de Águia’ e ‘Olhos de Abutre’, era capaz de ver até mil e cem metros de distância.

Olhos de Águia (5/5)
(Passiva)

– Capaz de enxergar mais longe do que uma visão normal.

– Aumento da Visão em 100 metros.

– Destreza +10

Olhos de Abutre (5/5)
(10 Pontos de Mana)

– Localize seu alvo a uma grande distância.

– Aumento da Visão em 1000 metros.

– Duração da Habilidade: 20 minutos.

Ele podia claramente ver mais de mil esqueletos circulando a árvore onde os três garotos estavam cercados. As más notícias era que o números deles continuava a aumentar em uma taxa alarmante.

‘Eu deveria ajudá-los?’ William pensou. Apesar de não poder lutar contra os esqueletos, podia facilmente ajudar Est e os gêmeos a escaparem do cerco.

Enquanto William ainda estava ponderando no que fazer, eles começaram a se mover.

‘Hmm? Por que eles estão… oh porra! Os bastardos estão vindo pra cá!’ William amaldiçoou internamente. ‘Merda! Os esqueletos também estão vindo!’

Os olhos dele se arregalaram em choque quando essa virada de eventos repentina. Seu olhar inconscientemente se direcionou para o rosto maldoso de Ian. O garoto ruivo podia ver o sorriso diabólico que o garoto odioso que fez sua mão coçar.

‘Eu tô me segurando pra não espancar esse desgraçado’, William rangeu os dentes enquanto assistia os três pularem de árvore em árvore em sua direção.

Seus movimentos eram até rápidos e, dentro de um minuto, eles pousaram na árvore oposta à que William estava.

Ele os ignorou e se focou no exército de esqueletos. Calculou que ainda levaria quinze minutos para que ele chegasse na localização deles. Havia mais tempo que o necessário para uma conversa.

“Que surpresa te encontrar aqui”, Ian disse zombando. “O que foi? O gato comeu sua língua?”

“Que surpresa te encontrar aqui”, William respondeu com desprezo. “O que foi? Vieram aqui para implorar pela minha ajuda?”

O rosto de Ian escureceu, mas ele não conseguia encontrar palavras para refutar a afirmação de William. Mais cedo, ele havia secretamente usado sua habilidade para marcar William usando sua raiva como meio. Enquanto sua fúria pelo garoto permanecesse, seria capaz de localizá-lo aonde quer que ele estivesse.

Essa era uma habilidade que despertou alguns anos atrás. Ela tinha o objetivo de localizar seus inimigos, dando-os nenhuma chance de escapar de sua perseguição. Nunca em seus sonhos mais loucos ele pensou que a usaria para procurar ajuda da pessoa que mais odiava.

William se deitou contra o tronco da árvore de uma maneira despreocupada. Ele era quem tinha vantagem nesta negociação e não seria tolo o bastante para não usá-la.

Uma luta interna estava acontecendo dentro da mente de Est. Embora eles tenham conseguido escapar dos esqueletos, era apenas questão de tempo até que eles os alcançassem novamente. A explosão de poder que demonstraram agora pouco tinha um limite de tempo e eles não seriam capazes de manter sua Aura da Espada por muito tempo.

Mesmo agora, tinham apenas cinco minutos antes de que seu efeito acabasse. Est sabia que a cada minuto o perigo que enfrentariam aumentaria exponencialmente.

Com um suspiro de resignação, ele olhou para o pastor despreocupado a sua frente e aceitou a derrota. Se quisesse ter sucesso, ele não teria outra escolha além de se comprometer. Foi nesse momento que se lembrou das palavras da Deusa no templo.

“Eu olho somente para os resultados, Est, não para o processo.”

Pela primeira vez na vida, Est foi forçado a dar um passo atrás e engolir seu orgulho. Ele tinha até que se comprometer e abaixar a cabeça para alguém que não era seu igual. Desde que tinha feito sua decisão, não hesitou mais e tomou a iniciativa de pedir pela ajuda de William.

“Aceito sua condição”, disse. “Por favor, nos empreste sua força. Preciso completar esta missão, não importa o quÊ. O Destino do…”

Uma mão cobriu a boca de Est enquanto Isaac se posicionava ao seu lado.

“Me desculpe, Jovem Mestre”, Isaac sussurrou. “Por favor, perdoe a minha transgressão, mas não devemos deixar ninguém saber sobre nossa missão. Este foi o aviso que o oráculo nos deu antes de deixarmos a capital.”

Os olhos de Est se arregalaram ao perceber que quase disse a William a razão de ter que passar por este julgamento. O ataque repentino dos esqueletos havia nublado sua mente e o fez perder um pouco sua compostura.

Depois de dar algumas respirações para se recompor, ele tocou as mãos de Isaac para assegurá-lo que estava no controle de suas emoções.

Isaac removeu a mão dos lábios de Est e curvou a cabeça como pedido de desculpas.

“Você não tem culpa”, Est disse enquanto se dirigia a Isaac. “Prometo que serei mais cuidadoso no futuro.”

“Desde que o Jovem Mestre entenda, este servo está disposto a ser punido.”

“Não vai haver punição. Só se foque no objetivo que temos.”

“Sim, jovem Mestre!”

William assistiu a interação com uma expressão divertida. Ele não queria bisbilhotar e não estava realmente interessado em saber mais sobre a missão deles. Tuco com que se importava era a conclusão do julgamento para que sua própria missão pudesse ser completa.

“Vamos”, William ordenou ao mesmo tempo em que pulava para outra árvore.

Os outros três o seguiram e retornaram para a periferia da floresta, onde Ella e o resto das cabras estavam os esperando.

Pode ter levado algum tempo, mas William finalmente alcançou seu objetivo de tomar o controle do grupo. Mesmo o irritante Ian se manteve calado e simplesmente seguiu atrás dele.

Meia hora depois, um rebanho de cabras correu pelo chão da floresta. O exército de esqueletos a muito tempo deixado para trás comendo poeira. William manteve sua atenção no mapa enquanto dava ordens minuciosas para as cabras.

Est, Isaac e Ian estavam atualmente montados em Aslan, Chronos e Echo. Depois de considerar cuidadosamente, William decidiu preservar a força de batalha dos três. Eles poderiam ser de ajuda caso se encontrassem com alguma surpresa inesperada no caminho.

“Parem!” William comandou e as cabras imediatamente pararam de se mover.

Eles estavam apenas a duzentos metros do ponto dourado brilhante no mapa, mas não poderiam avançar mais.

Independentemente do caminho escolhido, eles seriam forçados a lutar com um dos cinco pontos roxos que estavam, cada um, guardando as cinco entradas que levavam ao seu destino. William já havia usado sua habilidade para olhar a frente deles e não encontrou nenhum outro caminho a não ser um confronto direto.

Vol. 1 Cap. 72 Desafio da Coragem [Parte 1]

Um orbe roxo gigante bloqueava o único caminho que levava para o centro da floresta.

William tentou encontrar outras rotas, mas uma poderosa barreira impedia a passagem deles. Depois de tentar várias vezes, perceberam que a única maneira de avançar seria confrontando o círculo púrpura que os bloqueava.

“Preparem-se para a batalha”, William comandou enquanto levantava seu cajado.

Imediatamente depois da sua fala, uma notificação apareceu na frente dos olhos dele.

< Ding! >

< Você irá participar do Desafio da Coragem? >

< Sim / Não >

William respirou profundamente antes de escolher ‘Sim’.

Depois de escolher sua resposta, o orbe roxo gigante na frente deles se expandiu. Ele engoliu William, Ella, Est, Ian, Isaac e o resto das cabras. Poucos segundos depois, eles se encontraram no que parecia uma planície aberta.

Nada podia ser visto por quilômetros, exceto a vasta grama. Porém, ao invés de acalmá-los, só os fez levantar suas guardas ainda mais. Enquanto seus olhos analisavam seus arredores, William notou que seu rebanho estava inquieto.

As orelhas das cabras se moveriam de vez em quando, como se estivessem captando sons que humanos não podiam perceber.

Repentinamente, Ella quebrou a formação e avançou contra algo. Desde que William estava montado em suas costas, não tinha outra opção além de ser levado junto.

“Meeeeeeeh!” Ella baliu. “Meeeeeeh!”

“Alguma coisa está à nossa frente?” William perguntou.

“Meeeeeeh!” Ella respondeu. “Meeeeeeeh!”

“Monstros? E há mais de um?” William olhou ao redor ansiosamente, mas não conseguia ver nada.

“Meeeeeeeeh!” Ella bateu seus cascos frontais no chão e deu um poderoso chute para trás.

Um grito estridente foi ouvido ao mesmo tempo em que algo parecido com um lagarto foi enviado voando vários metros acima do chão devido ao chute.

William observou o monstro à sua frente que sibilou raivosamente para Ella depois de se levantar.

A criatura, que parecia o cruzamento entre um camaleão e um lagarto-monitor, tinha no mínimo seis metros de largura. Seu corpo estava coberto de escamas verde escuro e seus olhos vermelho sangue estavam fixos em Ella com ódio. Suas patas tinham quatro garras afiadas e elas brilhavam com a luz do sol, igual a uma lâmina.

O garoto ruivo não tinha ideia do que era, então imediatamente usou sua habilidade de avaliação para entender melhor sobre o inimigo que estava vendo pela primeira vez na vida.

< Gasmirage >

– Besta do Tipo Camaleão

– Ameaça Nível C

– Conhecido como o assassino oculto da grama alta. Este camaleão, que vive nas Planícies Orientais do Continente Sul, é conhecido por suas emboscadas letais.

– Sua arma principal é sua longa língua que se estende a até trinta metros e pode estilhaçar facilmente um pedregulho com um ataque.

– Durante as batalhas, ele reveste suas garras com veneno que é potente o bastante para matar um homem dentro de cinco minutos.

(N/A: As classificações para Ameaça são níveis E, D, C, B, A, S, SS, SSR e Calamidade. Bestas Centenárias são Ranque S, Milenares são SS e Miríades são SSR. Classe Calamidade são as bestas que estão a meio-passo ou já chegaram na Classificação de Semideus.)

Enquanto William absorvia a informação, ele notou que a pata frontal esquerda do Gasmirage estava torcida em um ângulo não natural. Parecia que foi a parte do corpo que recebeu o impacto total do chute de Ella.

O monstro sibilou e sua longa língua disparou em direção a William e Ella como um chicote mortal.

Ella se esquivou com facilidade. Porém, um corte de seis metros de comprimento, que também tinha a profundidade de um metro, apareceu no lugar em que estavam poucos segundos atrás. Isso mostrou a William o quão poderoso foi o ataque e o fez ficar bem ciente e cauteloso com a proeza de batalha do Gasmirage.

Vendo que falhou em matar seus alvos, o camaleão irritado enviou uma sequência de ataques em rápida sucessão com sua língua.

Mesmo com a agilidade de Ella, ela ainda estava tendo problemas em desviar dos golpes consecutivos da língua que parecia ter vida própria.

“Atrás de você!”

William ouviu o aviso de Est e imediatamente virou a cabeça para olhar para trás. Assim, ele viu mais quatro línguas letais que estavam indo na direção deles.

“Muro de Gelo!”

Quatro camadas de Barreiras apareceram atrás das costas de William em uma tentativa de proteger ele e Ella do ataque inesperado. As quatro línguas, que eram poderosas o bastante para despedaçar pedregulho, quebraram três das camadas antes de pararem na quarta.

“Mama!”

“Meeeeeeh!”

Ella rapidamente utilizou a oportunidade para escapar e retornar para onde Est e os outros estavam. Surpreendentemente, os monstros não continuaram a atacar enquanto eles voltavam ao grupo.

O Gasmirage machucado sacudiu a língua antes de usar sua habilidade furtiva. Ele não estava com pressa para se vingar porque seus companheiros estavam lentamente formando um cerco para prender suas presas.

Além disso, seu líder já estava se movendo para sua localização. Uma vez que chegasse, a chance dos inimigos vencerem era nula.

“O que faremos?” Est perguntou enquanto analisava cautelosamente os arredores deles. “Não podemos lutar contra o que não podemos ver.”

“Que tipo de monstro que era?” Isaac perguntou. “Nunca vi ou ouvi falar de algo assim antes.”

“Seu nome é Gasmirage. Ameaça Nível C”, William explicou. “Sua arma principal é sua língua que pode se estender a até trinta metros. Ah, suas garras também contém veneno que pode paralisar sua presa. Certifiquem-se de evitá-las custe o que custar.”

“Você conhece a fraqueza deles?” Ian perguntou. “Aliás, como você sabe sobre essa criatura?”

“Minha Mestra é uma enciclopédia de monstros ambulante”, William mentiu com um rosto sério. “Já a ouvi falando sobre esse monstro no passado. Eles vivem e prosperam nas Planícies Orientais do Continente Sul. Quanto às suas fraquezas, eles não têm.”

“Encicolopedia de Monstros?” Est perguntou. “O que é isso?”

“… resumindo, ela sabe muito sobre monstros”, William respondeu de uma maneira estranha.

“Entendo.” Est acenou com a cabeça. Mesmo que tivesse um sentimento que William não estava dizendo a verdade, sabia que não era o momento de fazer tais perguntas. “Você tem algum plano em mente?”

Desde que ele já o havia reconhecido como líder do grupo, decidiu observar se ele realmente tinha as capacidades de liderá-los.

“Há um jeito, mas…” William olhou para os três com relutância. “Vocês podem não gostar.”

“O que quer dizer?” Ian perguntou em um tom desafiador.

William não respondeu à pergunta dele. Ao invés disso, ele relutantemente olhou para a grama alta ao redor deles. Se possível, ele não gostaria de usar esta habilidade porque sua Mestre havia repetidamente o alertado para não usá-la em público.

“Lembre-se disso, William”, Celine disse seriamente. “Não importa o quão boas ou nobres sejam suas ações, o preconceito humano é algo que você DEVE considerar quando usar este poder. Só o use como último recurso.”

Enquanto ele ainda estava tendo um conflito interno se ele deveria usar seu poder ou não, o chão começou a tremer. Um gigante enorme que tinha pelo menos quarenta metros de altura apareceu na visão deles. Ele tinha pele vermelha e um único chifre saía de sua cabeça. Em suas mão, tinha um martelo enorme de aço negro que era tão escura quanto a noite.

A característica mais notável era seu único e grande olho vermelho que parecia perfurar suas almas.

Os cabelos do pescoço de William se arrepiaram enquanto ele olhava para a ameaça enorme na frente dele. O sentimento que o monstro o dava era similar ao Lobo Chifre de Trovão e o Crocodilo de Escamas Douradas que enfrentou muitos meses atrás.

Era uma presença que William nunca poderia esperar derrotar com seu nível de poder atual.

Vol. 1 Cap. 73 Desafio da Coragem [Parte 2]

– Raça: Gigante

– Ameaça Nível SS (Besta Milenar)

– Há muito tempo atrás, era dito que a raça dos Ciclopes se libertou do controle dos Deuses e começou a massacrar tudo o que existia. Eles tinham força incrível que era capaz de dominar a maioria das raças dos gigantes, o que os permitiu a vagar sem impedimentos por muitos anos.

– Eram capazes de controlar o Metal até certa extensão, os dando a habilidade de fazer com que seus corpos ficassem tão duros quanto aço.

– São fracos contra o Elemento Sagrado

Ao invés de esperança, William se deparou com desespero ao ler a informação de Terrorhand. Apesar de ter uma fraqueza, ele não possuía nenhuma Profissão que controlasse o Elemento Sagrado.

Sua única esperança era seus companheiros, então decidiu perguntar se algum deles poderia controlar o poder necessário para matar a Besta Milenar na frente deles.

“O nome deste monstro é Terrorhand”, William disse enquanto tentava supressao o desespero em sua voz. “É uma Besta Milenas e sua única fraqueza é o Elemento Sagrado. Algum de vocês possui esse elemento?”

Isaac e Ian balançaram a cabeça antes de olhar para seu Jovem Mestre.

Est mordeu seu lábio antes de relutantemente acenar com a cabeça. “Eu não tenho o poder para usar Magias Sagradas, mas tenho uma arma imbuída com o Elemento Sagrado.”

O menino moveu sua mão e uma apareceu na frente dele. Ela tinha uma aparência comum e não parecia especial. Na verdade, parecia tão comum que William estava achando difícil que estava imbuída com este elemento.

Devido às suas dúvidas, ele decidiu utilizar sua habilidade de avaliação nela.

< Rhapsody – A Espada da Glória Eterna >

– A espada empunhada pelo Herói Altera, aquele que protegeu os humanos durante a Guerra da Escuridão.

– Seu poder irá depender da fé do seu usuário. Quanto mais forte sua fé, mais poderosa a espada se torna.

– Imbuída com o Elemento Sagrado.

– Indestrutível.

– Só pode ser empunhada por seguidores devotos da Deusa Astrid.

William tinha uma expressão complicada no rosto enquanto lia a informação da espada. Mesmo que a palavra “Indestrutível” e “Imbuída com Elemento Sagrado” chamassem sua atenção, ainda não se sentia otimista a respeito de suas chances.

Além de Terrorhand, havia seis Gasmirages que estavam se escondendo usando suas habilidades. O mapa de William estava desabilitado, então não podia detectar suas localizações. Com uma Besta Milenar e seis ameaças invisíveis, William sentiu que era um desafio simplesmente impossível de concluir.

‘Acho que não tenho escolha’, William pensou enquanto cerrava os punhos. Esta era uma batalha de vida ou morte, assim, decidiu que não poderia ser exigente com o método disponível para ele.

Desde que era impossível para ele derrotar o Terrorhand, se dedicaria ao papel de fazer suporte a Est para garantir que ele seria capaz de dar o último golpe na Besta Milenar.

“Est, tem confiança de que pode derrotar aquela coisa?” William perguntou.

“Não.” Est balançou a cabeça. “Derrotá-lo é impossível.”

Ele estava se sentindo um covarde enquanto  segurava a espada em sua mão.

Quando a Deusa mencionou que o julgamento seria difícil, pensou que ainda assim seria capaz de concluí-lo usando a espada sagrada que a Deusa havia dado a ele.

Est percebeu o quão ingênuo foi.

Um desafio que afetaria o Destino de um Reino seria fácil?

Claro que não.

Ele começou a entrar em desespero. Medo lentamente agarrava seu coração e estava o fazendo ter dificuldade em respirar. Est sentiu sua mão ficar úmida ao mesmo tempo que suor frio escorria pelo lado de seu rosto.

Quando estava prestes a perder toda a esperança, um par de mãos firmes pressionou seus ombros. Ele levantou a cabeça e viu um par de olhos verdes brilhantes o encarando.

“Não importa quão forte o oponente é, um herói não pode escolher seu adversário”, William disse de um jeito firme. “É por isso que são chamados de Heróis.”

“M-Mas, eu não sou um herói”, Est respondeu. “Não nasci um herói.”

“Heróis não nascem, eles são criados”, William declarou. “Um herói é uma pessoa comum que encontra a força para perseverar e suportar, apesar dos obstáculos serem esmagadores.”

Sua voz confiante perfurou o coração de Est, repelindo o medo que quase o deixou paralisado. Est também pôde sentir o calor se espalhando das palmas de William, que estavam o pressionando.

“A conversa fiada acabou”, William disse ao olhar para o adversário que teria que enfrentar. Seu olhar destemido impressionou Isaan e até mesmo Ian, que sempre era cético sobre William, tinha que admitir que a expressão atual do menino parecia legal.

“Conceder!”

“Armadura de Gelo!”

“Líder do Rebanho!”

William fortaleceu seu rebanho e conjurou a Armadura de Gelo em todos, incluindo Est e os gêmeos. Ele então pediu ao sistema para substituir sua subclasse de Mafo de Gelo para Mado Negro. No momento, sua magia de gelo quase não teria efeito contra os inimigos, então decidiu ficar sério.

“William, o colar de Mithril que te dei é especial”, Celine disse enquanto acariciava a cabeça do menino. “Ele possui uma função especial que você só pode usar a cada cinco anos. O de usá-lo é muito alto.”

“Porém, se você tiver que escolher entre pagar o preço ou morrer, você deve usá-lo. Depois de tudo, só enquanto estiver vivo que você será capaz de alcançar seus objetivos. A senha para ativar a habilidade do colar é…”

William tocou o colar em seu pescoço e disse…

“Transgressor…”

O objeto brilhou em um azul radiante ao mesmo tempo em que William sentiu um poder emergente se espalhar pelo seu corpo. Este era um feitiço proibido que Celine havia ensinado antes de deixar a vila para ir ao Templo Sagrado para que preservasse sua vida.

O que William não sabia era que Celine teve uma premonição que ele encontraria um perigo extremo em sua jornada. Por causa disso, ela decidiu revelar o segredo do colar para dá-lo uma chance de sobrevivência.

Fios de escuridão serpentearam ao redor do corpo dele enquanto o colar ativava sua função especial.

“I-Isto é Magia Negra?” Isaac ofegou.

Os olhos de Ian se arregalaram em surpresa antes de seu rosto se contorcer em uma expressão de desprezo.

Est olhou para o garoto ruivo que estava aos poucos sendo envolvido pela escuridão. Para sua surpresa, não sentiu nenhum sentimento negativo em relação a William. Na verdade, Est estava sentindo paz e segurança vindos dele.

Est entendeu que William estava se arriscando ao mostrar a eles este lado dele.

A espada em sua mão pulsou com poder e as palavras da Deusa sussurraram em seus ouvidos.

“Eu só olho para os resultados, Est, não para o processo.”

‘Senhorita Astrid, acho que entendi o que estava tentando me dizer’, Est pensou enquanto firmemente apertou a espada. ‘Desde que você o escolheu para ser meu companheiro neste julgamento. também irei colocar minha confiança nele.’

< Ding! >

< A função especial do Colar de Wisteria foi ativada com sucesso! >

< A Profissão de Mago Negro foi forçosamente melhorada para uma Classe de Prestígio! >

< Classe de Prestígio Adquirida: Príncipe da Escuridão >

< Esta Profissão é temporária e só permanecerá por duas horas. >

William suspirou enquanto o poder dentro de seu corpo se estabilizava. Esta foi a primeira vez que se sentiu tão poderoso. Mesmo assim, entendia que não seria capaz de derrotar a Besta Milenar com sua força atual.

Porém, espancá-la não representava um problema.

“Visão Etérea!”

Os cantos dos lábios de William se levantaram para formar um sorriso enquanto a cor de seus olhos mudava para dourado. Os Gasmirages escondidos foram revelados para ele e decidiu que lidaria com eles antes de lutar contra o Ciclope.

“Gloriosa Escuridão, minha redentora, eu preciso de você em meu tempo de necessidade. Guie minha mão para que possa conquistar meus inimigos. Puna os tolos que esqueceram seu nome, e condene-os à escuridão eterna.”

“Destruidor da Escuridão!”

Mais de uma dúzia de feixes negros dispararam dos céus e cruzaram as planícies. Os monstros escondidos gritaram enquanto seu mundo caía em trevas. Fumaça negra saía de seus olhos ao mesmo tempo em que seus corpos rolavam no chão por causa da dor.

“Mama Ella, deixarei os insignificantes para vocês”, William comandou. “Est e seus dois ajudantes, nós vamos cuidar do Terrorhand. Vou dizer isso agora, mas nenhum de vocês tem permissão para morrer. Fui claro?”

“”Meeeeeeeh!””

“Entendido.” Est concordou com a cabeça.

“Ok”, Isaac respondeu com uma expressão determinada.

“Essa vai ser a única vez que vou te seguir.” Ian decidiu focar na tarefa que teriam. Mesmo que não gostasse de William, não havia como ele deixar que seu Jovem Mestre enfrentasse o Ciclope sozinho.

Vol. 1 Cap. 74 Alguém que foi Favorecido pelos Deuses

Com um rugido poderoso, a batalha oficialmente começou. Terrorhand era de fato um oponente muito formidável. Nenhum dos ataques dos garotos estava dando dano em seu corpo.

Mesmo a espada de Est, Rhapsody, podia apenas abrir cortes superficiais que se regeneravam em um instante.

“Est! Pule para trás!” William mandou.

Est não pensou duas vezes e imediatamente obedeceu a ordem de William. Um chicote preto feito de magia negra se enrolou em sua cintura. Com um mover de mão de William, Est foi puxado de sua localização bem na hora de desviar de um raio de luz vermelho disparado do olho do Ciclope.

O chão explodiu, enviando rochas flamejantes em todas as direções. Isaac e Ian, que estavam perto da área da explosão, se distanciaram enquanto evadiam dos projéteis perigosos que voavam ao redor deles.

“Não podemos continuar assim”, William disse quando Est pousou ao seu lado. “Precisamos acabar com ele em um único golpe.”

“Mas, como?” Est perguntou. De repente, uma percepção o atingiu. “Não me diga…”

“Sim.” William levantou sua cabeça e olhou para o olho único do Ciclope que estava olhando para eles com desdém. “Precisamos atacar o olho dele.”

Dizer era mais fácil que fazer. O monstro era enorme comparado a eles. Lutar a curta distância era bem arriscado também devido à sua especialização em combate corpo a corpo. Se não fosse pela sua rápida mobilidade e William fazendo o papel de suporte, todos já teriam morrido.

O chão tremeu enquanto o Ciclopes usava seu martelo para esmagar Isaac e Ian que estavam o distraindo com seus ataques mágicos de longo alcance.

A Magia de Terra de Isaac e a Magia da Água trabalharam lado a lado para disparar projéteis no olho do Ciclope. Estes ataques não davam nenhum dano ao olho em si, mas eram irritantes o bastante para o gigante focar seus ataques neles.

Ian pulou no ar e o chicote preto de William o puxou para fora do alcance de ataque do Ciclope. Eles estavam usando a tática de bater e correr contra o monstro porque uma luta direta era muito perigosa.

< Pontos de Experiência Ganhos: 10.000 >

William olhou para a notificação com uma expressão sombria. Ele estava comprando tempo para Ella e o rebanho matarem os Gasmirages para que pudessem ajudá-los com o Ciclope.

‘Dois lacaios restantes’, pensou enquanto olhava para os lagartos lamentáveis sendo encurralados por Ella e as cabras. ‘Vai acabar em, no máximo, 2 minutos.’

Dois minutos pareciam pouco tempo, mas, quando lutando contra uma Besta Milenar, cada segundo contava. William também sabia que mesmo se Ella e o resto terminassem sua tarefa, a ajuda que poderiam oferecer contra o Ciclope seria limitada.

Além de Ella, as outras Cabras Angorá não seriam capazes de fazer nada. William não era tolo o bastante para mandá-los entrar em combate contra a Besta Milenar. Seria como jogar ovos em um pedregulho.

Ele já havia disparado mais de uma dúzia de ‘Flechas do Vazio’ no monstro, mas ele permaneceu indiferente à magia negra. Parecia que a raça dos Ciclopes era imune a qualquer tipo de magia que debilitasse sua visão.

Um rugido raivoso reverberou pela planície quando o Ciclope ficou enfurecido. Ele balançou seu martelo e o arremessou na direção de William e Est.

“Levitar”, William disse enquanto segurava a cintura de Est. Ele então voou para desviar do ataque. Mesmo que o ataque falhou, uma onda de choque poderosa empurrou os dois para longe ao mesmo tempo em que uma nuvem de poeira apareceu na área onde o martelo gigante caiu.

“Não há esperança”, Est suspirou depois deles pousarem no chão. “Não seremos capazes de matá-los.”

“Claro que não temos como matá-lo”, William disse irritado. “Mas podemos derrotá-lo. Não esqueça que o poder da espada depende da fé do usuário. Se sua fé vacilar, o poder dela também será afetado.”

“Eu sei!” Est disse enquanto rangia os dentes. Ele sabia, mas e daí? Não importa o quanto tentasse se segurar à sua fé, ele se sentia como uma formiga enfrentando um elefante. Ele ser capaz de se manter em pé já era uma façanha por si só, só que quanto mais lutava contra o Ciclope, mais percebia que este era um julgamento impossível de concluir.

“Este é o Julgamento da Coragem”, William o lembrou. Podia dizer que Est estava ficando frustrado e ele perder a vontade neste momento crítico não seria nada bom. “Significa que ele vai medir e avaliar sua coragem. Possivelmente, matar o Ciclope não é o objetivo dele.”

“Então qual é o propósito?”

“É só um palpite, mas acho que o objetivo é ter a coragem necessária para enfrentar um oponente que é impossível de derrotar.”

William já encontrou cenários parecidos em jogos. Haviam chefes e personagens que eram “invencíveis” e você teria que lutar contra eles para continuar a história. Quando o protagonista estivesse prestes a ser derrotado, algo aconteceria que faria o “chefão invencível” fugir ou que encerraria a batalha imediatamente.

‘Só precisamos descobrir os requisitos para que esse evento aconteça’, William pensou enquanto quebrava a cabeça para encontrar qualquer pista para virar a maré ao seu favor.

“A coragem de enfrentar um oponente que não pode derrotar”, Est murmurou. “Possivelmente, você está certo. Talvez tenhamos que continuar lutando e mostrando nossa valentia?”

“Sim”, William respondeu. ‘Gavin me mandou para este julgamento, então deve haver uma maneira de concluí-lo. Em primeiro lugar, ele não poderia ter me dado um julgamento impossível de completar, certo?’

“Gavin, realmente existe um jeito de William vencer esse Ciclope?” Issei perguntou enquanto olhava para a projeção à sua frente. “Não é uma provação muito difícil?”

“Exato! Você está tentando maltratar ele?” Lily zombou. “Ele ainda nem usou minha divindade e você já está tentando matá-lo? Ficou louco?”

Gavin limpou a garganta ao olhar para o garoto ruivo lutando na projeção. “Na realidade, esse julgamento não foi projetado para William. Astrid veio me ver mais cedo e perguntou se meu seguidor poderia ajudar o próprio seguidor devoto dela a concluir um julgamento preparado para ele.”

“Então é tudo por causa daquela tomboy?” Lily franziu os lábios. “Desde que é um problema do seguidor dela, por que arrastar outros para ele?”

“Porque é a única forma dele completar sua missão.”

Uma bela moça vestindo uma armadura de cavaleiro apareceu do nada. Seus longos cabelos pretos estavam amarrados em um rabo de cavalo e seus olhos, preenchidos de determinação inabalável, olhavam para a projeção. Ela podia dizer que Est estava prestes a desistir.

Apenas as palavras do garoto ao seu lado estavam o impedindo de perder toda a esperança.

“Meu seguidor ainda é muito jovem e inexperiente”, Astrid disse em um tom claro e nítido. “Aconteceu de eu sentir uma pessoa com uma divindade muito forte nos arredores. Depois de investigar, descobri que era um dos seguidores de Gavin.”

Astrid pausou e deu a Lily e Issei um longo olhar de relance. “Não esperava descobrir que o garoto não tinha apenas uma, mas sim três divindades no corpo. É a primeira vez que eu vejo algo assim. Estou bem curiosa, por que vocês iriam favorecer o seguidor de outro Deus? Me pergunto o que aconteceria se os outros Deuses soubessem sobre este segredo?”

“Isso não é da sua conta!” Lily colocou as mãos na cintura com raiva. “Você acha que pode nos chantagear? Não estamos quebrando nenhuma regra!”

“Você está nos ameaçando?” Issei estreitou os olhos. “Duvido que uma cavaleira justa como você gosta de fofocar, mas se acontecer de fazer, me certificarei que todas suas seguidoras se tornarão parte do harém dos meus. Não tenho medo de você, nem de nenhum dos Deuses. Mexa com meu Irmão e vou ter certeza de fazer todas elas se tornarão escravas sexuais dos meus homens.”

Astrid levantou uma sobrancelha, mas não discutiu com Issei. Entre os Deuses da Nova Geração, o Deus do Harém era um que possuía poder absoluto. Todos seus seguidores eram pessoas muito influentes nos mundos em que viviam.

Desde os mais baixos plebeus até os mais altos Reis e Imperadores. Seu poder não podia ser desafiado e todos os Deuses eram cautelosos com ele.

Nenhum queria que seus seguidores devotos se tornassem escravos irracionais que cairiam desenfreadamente na depravação.

“Fique em paz”, Astrid respondeu com uma voz firme. “Não tenho intenção de contar isso a ninguém.”

Lily bufou e estava prestes a importunar a Deusa tensa quando viu Gavin balançando a cabeça. Ela não teve escolha além de engolir suas palavras e voltar sua atenção para a batalha em andamento nas planícies.

“Bem, como eles vão ser capazes de concluir essa missão?” David perguntou enquanto brincava com sua barba. “É realmente só um julgamento da coragem? Como é que eu não vejo chances de conclusão?”

“Em primeiro lugar, esse julgamento não deveria ser concluído”, Astrid admitiu.

“Huh?! O que você falou?!” Lily olhou para a Deusa das Cavaleiras.

“Francamente, eu não quero honrar a promessa feita para o Reino Hellan.” Astrid olhou para seu seguidor com gentileza. “É só que Est tinha feito um juramento de oferecer tudo o que tinha em troca de uma chance. Quando disse que daria a chance dela se vivesse o resto da vida como um homem, ela nem mesmo hesitou e disse ‘Sim’.”

“Eu pensei que ela estava apenas brincando, mas a transformei, junto das duas garotas sob seu comando, em garotos, foi quando percebi que ela estava falando sério. Desde que este era o caso, então eu deveria, no mínimo, dar a ela uma chance de vitória.”

“Mas você disse que esse julgamento não poderia ser concluído”, Issei interveio. “Isso não significa que mentiu para seu seguidor?”

“É verdade que Est não seria capaz de finalizar o julgamento se estivesse sozinha”, Astrid respondeu. “É por isso que pedi a ajuda de Gavin.”

Astrid focou sua atenção em William, que estava atualmente segurando Est no ar. Um lampejo de expectativa pôde ser visto em seus olhos. “Talvez, alguém que foi favorecido por três Deuses…”

“Quatro”, David interrompeu. “Não três, mas quatro.”

Os cantos dos lábios de Astrid se torceram enquanto olhava para o Deus Pastor que estava pacificamente bebendo seu chá na mesa. “Você também está nesse esquema, David?”

“Por que não?” Ele respondeu. “William é um garoto muito interessante. Ele me lembra de mim quando tinha acabado de nascer neste mundo. Como é tão bonito quanto eu, ele definitivamente vai achar uma saída.”

“Ah, isso me lembra, há um famoso ditado no planeta natal dele que diz mais ou menos… ‘Se existe uma vontade, existe um caminho’. Astrid, se Will, de fato, conseguir completar essa missão, você vai estar devendo um favor a ele.”

Os quatro Deuses olharam para David com desdém. Tão bonito quanto você? Já viu seu reflexo no espelho?

“Vou considerar”, Astrid respondeu enquanto tentava manter a expressão calma que tinha. “Mas, primeiro, ele deve me mostrar o que pode fazer. Realmente quero ver se um garoto favorecido por quatro Deuses pode realizar o impossível.”

Gavin, Issei, Lily e David olharam para William, que estava lutando na projeção. Mesmo que fosse favorecido por eles, ainda não podiam pensar em um jeito dele superar o obstáculo que estava enfrentando.

Vol. 1 Cap. 75 Conceda Seus Poderes às Minhas Mãos Indignas

“Escutem, eu não consigo ficar nessa forma para sempre”, William explicou enquanto usava sua magia para puxar Est, Isaac e Ian junto com ele para desviar dos ataques do Ciclope.

Desde que lutavam em uma planície, isso o deu muito espaço para evadir dos golpes. Mesmo que fossem poderosos, enquanto não pudessem acertar, estariam seguros.

“Estou usando um feitiço proibido que me permite ficar mais forte por um curto período de tempo”, William disse com seriedade. “Uma vez que o tempo se esgote, não serei capaz de usar magia por cinco anos.”

“O que?!” Est perguntou surpreso. “Você não vai conseguir usar magia por cinco anos?”

“Sim”, William respondeu. “Não ser capaz de usar magia é melhor que morrer aqui. Não concorda?”

“M-Mas, ainda assim…”

“Não se preocupe. Não estou fazendo isso só por você. É parte do meu julgamento também, então estamos no mesmo barco.”

Isaac olhou para William admirado. Ian, por outro lado, tinha um raro olhar de pena em seu rosto. Apesar de ambos terem expressões diferentes, eles ainda entendiam o peso do sacrifício do garoto. Nunca esperariam que o ruivo fosse tão longe para ajudar seu Jovem Mestre a concluir o Julgamento da Coragem.

“Não podemos nos dar o luxo de falhar nesta missão”, William declarou. “Desde que eu decidi ir com tudo, nenhum de vocês está permitido a me atrapalhar. Tenho um plano, mas é arriscado. Vocês estão dispostos a colocar sua vida em risco e confiar em mim?”

“Sim”, Est disse com determinação. Ele então apertou firmemente a espada em suas mãos. “Se for nos ajudar a completar nossa missão, estou dentro.”

Isaac e Ian trocaram um olhar antes de acenarem com a cabeça decididos. Desta vez, não iriam questionar as ordens de William e cooperariam completamente.

“Nós só temos uma chance, então vamos fazer valer.” William logo começou a explicar o plano que tinha em mente.

As expressões de Est e dos gêmeos se tornaram muito sérias enquanto ouviam as instruções dele.

“Qualquer um pode escolher por recuar”, William suspirou. “Porém, depois que o tempo limite da minha magia acabar, estaremos apenas esperando por nossas mortes.”

“Como não temos outra escolha, vamos fazer isso”, Ian disse ao olhar para o Ciclope ao longe.

“Concordo”, Isaac expressou sua opinião.

“Muito bem, desde que todos concordaram, estamos nisso juntos”, William disse com um sorriso. “Segurem-o por dois minutos. Preciso fazer as preparações.”

“”OK!””

William pousou no chão, no entanto manteve os chicotes negros na cintura dos outros. Desse jeito ele poderia afastá-los do perigo caso fossem incapazes de desviar dos ataques do monstro.

< Pontos de Experiência Ganhos: 10.000 >

‘Bom trabalho, Mama’, pensou. ‘Só mais um.’

Est, Ian e Isaac investiram contra o Ciclope de direções diferentes. Os gêmeos estavam usando seus ataques mágicos de longo alcance para atrair sua atenção.

William fez alguns selos de mão enquanto preparava o feitiço que os ajudaria a obter a vitória. Uma adaga negra apareceu em frente a ele e esfaqueou a ponta do seu dedo, permitindo que o sangue espirrasse dela.

Quando o sangue foi absorvido pelo chão, um círculo mágico vermelho apareceu embaixo dos pés dele. Após ter se formado completamente, William começou o encantamento.

“Escuridão que é mais escura que a sombra,

Sangue que queima com a vida dos vivos.

Me comprometo a superar os obstáculos à minha frente.

Conceda seu poder às minhas mãos indignas,

E deixe que os Tolos que obstruem meu caminho sejam destruídos por sua vontade eterna.”

“Clones da Escuridão!”

William, Est, Isaac e Ian repentinamente multiplicaram graças ao efeito do feitiço de William. O ‘Clones da Escuridão’ era capaz de criar dezenas de clones para cada alvo dele. Eles não eram clones comuns, já que conseguiam manifestar cinquenta por cento do poder original.

Não foi apenas nos garotos que ela teve efeito, mas também em Ella e nas outras cabras.

Por causa disso, as centenas de cabras dominaram facilmente o último Gasmirage e o enviaram ao pós-vida.

< Pontos de Experiência Ganhos: 10.000 >

“”MEEEEEEEEEH!””

As cabras começaram a avançar contra o Ciclope. Claro, as cabras originais, tirando Ella, foram ordenadas por ele a não se juntarem à batalha. Mesmo que não estivessem dispostos, ainda seguiram as ordens do pastor e se mantiveram a uma distância segura do monstro.

À medida que os clones convergiram em seu alvo, um Battle Royale total se iniciou com o Ciclope no centro.

Os clones de Est empunharam suas espadas e começaram a infligir ferimentos em seus tornozelos e pernas. Devido às circunstâncias atuais de William, Est jogou a cautela ao vento e se comprometeu a derrotar o chefão.

Essa mudança de atitude repentina fez o poder da espada aumentar lentamente a cada segundo que passava.

As cópias de William se locomoviam pelo campo de batalha e usavam os chicotes negros para ajudar seus aliados a desviar e atacar os pontos cegos do gigante.

O Ciclope ficou irritado e balançou seu martelo selvagemente para todos os lados. Até mesmo disparou raios de luz de seu olho na esperança de conseguir destruir os insetos que estavam se unindo contra ele.

Infelizmente, os clones de William se dedicaram ao papel de suporte. Todos estavam voando no ar e tinham controle da situação.

O William original, que estava no chão, levantou seu dedo sangrento e o apontou para o olho do gigante como uma arma.

“Lirowasniel aerriien tireirélrieth, merrieth, telendyn, talaránial. Ararasnal trylinbradies, marániel, Áerorilbras, elowen, Thriasrilriel rinilol, triloren, morelalyn. Nielinbrnil aeraenas, merlenian…”

Um brilho vermelho bizarro apareceu na ponta de seu dedo ao se posicionar. Esse feitiço tinha apenas um por cento de chance de matar uma Besta Milenar e Celine havia o usado no Crocodilo de Escamas Douradas em Lont.

William decidiu apostar e usá-lo com a finalidade de matar a Besta a sua frente.

“Dedo da Morte!” William rugiu enquanto um relâmpago vermelho era disparado.

O Ciclope sentiu uma ameaça mortal vinda do ataque de William e imediatamente o contestou com seu próprio raio de luz. O feixe vermelho e o relâmpago, da mesma cor, colidiram, fazendo com que o coração de todos tremesse.

Os pés de William deslizaram pelo chão enquanto enfrentava o contra-ataque do oponente de frente.

Sangue escorreu pelos cantos de seus lábios, mas ele não cedeu. Estava colocando cada resquício de poder mágico neste feitiço ofensivo porque sabia que era a única chance que tinham de derrotar Terrorhand.

Uma explosão poderosa enviou ondas de choque pelo ar ao ambos os ataques se cancelarem. William caiu impotentemente no chão no momento em que seu último vestígio de magia deixou seu corpo.

“Est!” Um de seus clones gritou enquanto segurava o cajado de madeira como se fosse um taco de beisebol.

Est não hesitou e pulou no ar. Ele pousou no cajado ao mesmo tempo que preparava seu corpo para golpear.

“Vai!” O clone de William gritou quando balançou seu cajado. “Explosão Magnum!”

Est voou no ar como uma bala de canhão. A reação do Ciclope foi um pouco lenta pois também estava exausto após combater o ataque mortal que foi direcionado a si.

O garoto destemidamente ajustou a espada em suas mãos enquanto se preparava para executar seu movimento mais poderoso.

“Luz que brilha pelo mundo, banhe-nos com sua Glória Eterna!” Gritou. Ele então apunhalou a espada para frente com toda sua força. “Grande Cruz!”

Uma luz radiante envolveu a arma sagrada no mesmo momento que ela perfurou o centro do olho do Ciclope.

Ele não teve nem mesmo a oportunidade de berrar, já que a cruz feita de Luz Sagrada separou seu corpo em duas metades.

Um chicote negro se envolveu ao redor de sua cintura e o trouxe para um lugar seguro. Não muito depois, um gigante desajeitado caiu no chão com um estrondo retumbante. Todos no campo de batalha olharam para os restos da criatura enquanto o clone de William pousava no chão, carregando Est em estilo princesa.

“Bom trabalho”, O clone disse ao ajudar o garoto a ficar de pé.

“Nós vencemos?” Est perguntou. Ainda tinha dúvidas se realmente ganharam contra uma Besta Milenar.

“Sim”, a réplica de William respondeu com um sorriso antes de se transformar em partículas de luz e desaparecer.

Por algum motivo, Est sentiu seu coração pular uma batida quando viu o sorriso de aprovação no rosto do clone. Um sentimento que nunca sentiu antes começou a florescer dentro de seu coração inocente.

Surpreendentemente, não teve aversão a esse sentimento.

Vol. 1 Cap. 76 Desagradável aos Olhos

Quando William abriu seus olhos, se encontrou em uma sala com a qual não era familiar.

‘Onde estou?’ William pensou ao tentar mover o corpo. Para sua surpresa, não importava quanto tentasse mexer, ele não respondia. Porra, ele não conseguia nem mesmo mover os dedos. ‘O que é isso? Paralisia do sono?!’

William já se deparou com essa sensação durante sua vida na Terra. Esse sentimento era verdadeiramente assustador porque você claramente estava acordado, mas, ainda assim, era incapaz de se mover ou mesmo falar.

O ruivo tentou acalmar seu coração agitado enquanto se lembrava dos eventos que aconteceram durante a batalha contra o Ciclope.

‘Minha última lembrança é de usar o Dedo da Morte. Depois perdi a consciência’, William suspirou internamente. Repentinamente, foi assombrado por um pensamento assustador. ‘Espera! Não me diga que nós perdemos? Nem ferrando! Eu morri de novo?! Esse é o pós-vida?!’

Quando William começou a realmente entrar em pânico, a porta do quarto foi aberta e um garoto familiar apareceu em sua visão.

“William? Está acordado?” Est perguntou ao olhar para o rapaz deitado na cama. Ele podia ver que seus olhos estavam abertos e, por alguma razão, o observando.

Vendo que o garoto não fazia nada, Est sentou ao lado da cama e franziu o cenho. “O que tem de errado?”

‘Há algo errado não com meu corpo, mas como posso te dizer?!’ William olhou para Est frustrado.

“Jovem Mestre, ele acordou?” Isaac perguntou ao mesmo tempo que entrava no quarto junto de seu irmão.

“Ei, se já está acordado, deveria levantar”, Ian zombou. “Você é um porquinho? Gosta de ficar deitado tanto assim? Já dormiu direto por dois dias.”

‘D-Dois dias?!’ William engasgou internamente. ‘Espera. Nós todos morremos juntos? Droga! Não posso confirmar porque não posso me mover ou dizer algo.’

“Hey, você realmente está acordado?” Est perguntou enquanto cutucava a bochecha dele. “Você claramente acordou, mas por que não está se mexendo?”

Ian sorriu e se uniu a Est para cutucar o rosto de William. Os dois perceberam que o que estavam fazendo era bem divertido, então continuaram a cutucá-lo.

‘Se eu pudesse me mover, já teria chutado ambos!’ William estava frustrado. ‘Só porque eu não consigo controlar meu corpo, vocês acham que podem tirar vantagem de mim?!’

Ele tentou usar sua raiva para forçosamente sair desse estado de paralisia, só que não adiantou. Podia apenas olhar desamparadamente para os dois valentões e prometer que os espancaria assim que sua paralisia passasse.

“Acho que tem algo de errado com ele”, Isaac disse ao se sentar na cama. “Talvez esteja tendo paralisia do sono ou um derrame?”

“Ian, chame a Sacerdotisa Chefe imediatamente!” Est mandou.

Ian deixou o quarto a contragosto para procurar pela Alta Sacerdotisa. Por alguma razão, achou o estado atual de William bem divertido. O permitiu intimidar o pastor indefeso e o irritar além da conta.

“Não se preocupe, William”, Est assegurou. “Ajuda está a caminho.”

William piscou para ele antes de fechar seus olhos. Desde que a ajuda já estava vindo, decidiu checar as notificações piscando em sua tela de status.

< Ding! >

< Parabéns! Você matou uma Besta Milenar! >

< Bônus de Experiência pelo Primeiro Abate de um Monstro Especial: 500.000 >

< Você Adquiriu o Título: Matador de Gigantes >

< Núcleo de Besta de Grau Milenar Adquirido! >

< A Profissão ‘Mago Negro’ atingiu o Nível Máximo! >

< Gostaria de Avançar para a Próxima Profissão? Sim /  Não >

‘Hum? Eu peguei as recompensas mesmo que Est foi quem matou o Ciclope?’ William sentiu felicidade depois de ver as notificações.

< Matador de Gigantes >

“Quanto mais altos forem, maior será a queda!”

– Aumenta o poder dos ataques contra a Raça dos Gigantes em 30%

– Aumenta o poder dos ataques contra monstros cuja altura supere os cinco metros em 30%

– Força +5

‘Matador de Gigantes… nada mau. É um bom título.’ William olhou para sua nova aquisição com aprovação. Ele estava lidando com monstros grandões recentemente, então ter este título definitivamente tornaria sua vida mais fácil.

‘Agora, hora de olhar meus Status…’

Pontos de Vida: 725/725

Mana: <Desabilitada>

Profissão: Pastor – Nível 30

Subclasse: Mago Negro – Nível 40 (Máximo)

< Força: 25(+2) >

< Agilidade: 35(+3) >

< Vitalidade: 25(+2) >

< Inteligência: 60(+2) >

< Destreza: 16(+20) >

Experiência Atual: 0/154392

< Mago Negro – Máximo >

Experiência de Profissão: 146.283/146.283

Depois de checar seus Status, ele notou que sua Mana estava desabilitada por alguma razão. Imediatamente chamou o sistema para descobrir o que estava acontecendo.

“Sistema, pode me dizer o porquê da minha Mana estar desativada?”

< Hospedeiro, esta é a consequência por usar o poder do Colar de Wisteria. Você será incapaz de usar mana por cinco anos. >

“O que?! Pensei que o efeito só iria me impedir de usar Profissões relacionadas à Magia, porém também inclui toda habilidade que usa mana?”

< Sim. Qualquer habilidade que depende de Mana não poderá ser utilizada pelo tempo estipulado. >

“Ok, deixa eu ver se entendi direito”, William esperava que houvesse alguma brecha que pudesse usar para ativar suas habilidades em batalha normalmente.

< O Hospedeiro vai ser incapaz de usar QUALQUER habilidade que dependa de mana. >

A felicidade que William sentiu depois de receber as recompensas do julgamento foram substituídas por depressão. Ele inicialmente tinha pensado que seus outras Classes de Trabalho que não dependiam de poderes mágicos não seriam afetadas pelo ricochete do colar.

Nunca em seus sonhos mais loucos ele teria pensado que o ricochete o aleijaria a tal ponto. Sem seus fortalecimentos, a proeza de batalha Ella e das cabras seria reduzida drasticamente.

Enquanto William estava de coração partido, a Alta Sacerdotisa finalmente chegou. Ela colocou sua mão na acima da cabeça de William e usou um feitiço diagnóstico para analisar sua condição.

“Cura Completa”, entoou e uma camada de luz verde envolveu o corpo de William.

“Como está se sentindo?” Est perguntou preocupado.

“Depressivo e de coração partido”, William respondeu ao dizer seus pensamentos em voz alta. “… e talvez com um pouco de fome.”

“Não fique tão triste, jovem”, a Sacerdotisa comentou com um sorriso. “Ainda é novo, por que se sentir deprimido? Agora, quanto à sua fome, mesmo que não tenhamos muito, podemos te empanturrar com pão, queijo e leite.”

“Obrigado, Sacerdotisa Chefe”, William respondeu. “Vou aceitar sua oferta.”

“Muito bem, vou pedir para que minhas atendentes te tragam comida”, ela acariciou a bochecha antes de se levantar. “Seu nome é William, certo? Certifique-se de visitar suas cabras depois de comer. Eles estão inquietos porque são incapazes de entrar no Templo para te ver.”

“É verdade! Minhas cabras!” William se jogou da cama e deixou o quarto rapidamente. Tinha se esquecido completamente de sua tristeza e imediatamente correu para o curral para vê-las.

Est, a Alta Sacerdotisa e os gêmeos o assistiram ir com rostos estupefatos.

Ele não estava depressivo um momento atrás? Por que estava correndo como se suas calças estivessem pegando fogo?

“Meeeeeeeeh!”

“Desculpe, Mama Ella”, William disse enquanto abraçava a cabeça dela. “Te fiz se preocupar.”

“Meeeeeeh.”

“Mmm, estou bem”, William respondeu. “E vocês?”

“Meeeeeeeh.”

“Não se preocupem, estou bem. Desculpe fazer todos se preocuparem.”

“Meeeeeeeh!”

Essa foi a cena que Est e os irmãos viram quando chegaram no curral. As outras cabras estavam ao redor de William e pressionando suas cabeças no corpo dele. Com apenas um olhar, alguém poderia dizer facilmente o quanto elas se importavam com ele.

“Ele realmente é amado pelo rebanho.” Ian comentou com um sorriso.

“Ian, seja mais gentil com William a partir de agora”, Est ordenou. “Ele é nosso benfeitor e sacrificou muito por nós.”

“…Eu entendo”, Ian respondeu. “Vou tentar não ser tão mau com ele.”

“Para começar, por que estava sendo mau com ele?” Est perguntou. Isso era algo que queria perguntar já faz algum tempo. Desde que Ian viu William, o primeiro sempre tratou o pastor rudemente.

“Não sei”, respondeu. “Só me sinto irritado quando o vejo.”

“Não me diga que se apaixonou à primeira vista?” Isaac provocou seu irmão. “Dizem que quando alguém quer ser notado por seu crush, a pessoa faz coisas para atrair sua atenção.”

“Eu? Ter um crush nele?” Ian zombou. “Mesmo que ele fosse o último garoto do mundo, nunca teria um crush nele.”

Ian olhou para o rapaz ruivo que estava cercado pelas cabras. Era verdade que sempre que visse William, se sentiria irritado por alguma razão. Ele também estava incerto a respeito do porquê de se sentir dessa forma em relação ao garoto com quem interagiu por apenas um curto período de tempo.

Enquanto Ian ponderava em silêncio, seu olhar caiu em Est. Seu Jovem Mestre estava olhando para William com um olhar cheio de ternura. Isso fez Ian duvidar de seus próprios olhos, mas Est continuou a observar William dessa maneira.

Como se a última peça do quebra-cabeça se encaixasse, ele finalmente entendeu o motivo de não gostar de William.

Ele então olhou para o pastor que estava cercado pelas suas cabras amadas, enquanto um sentimento de irritação floresceu em seu coração.

Mesmo que não tivesse certeza, tinha um pressentimento de que William tiraria algo bem importante dele, e essa era a razão dele sentir que o garoto era desagradável a seus olhos.

Vol. 1 Cap. 77 Somos Amigos Agora?

Três dias depois de William e Est concluírem o desafio, o grupo finalmente deixou o Templo Sagrado.

Mesmo que William estivesse se sentindo para baixo por ter sido repentinamente enfraquecido, decidiu não pensar muito a respeito. Eles estavam atualmente dando uma pausa perto de um rio, antes de continuarem sua jornada seguindo seu fluxo.

‘São só cinco anos’, pensou enquanto nadava. “Uma vez que esse tempo tenha passado, vou progredir no caminho para me tornar um Protagonista Apelão!”

Talvez fosse por causa da frustração, mas disse essa última frase em alto e bom tom.

Ian, que estava molhando os pés na beira do rio, não foi capaz de resistir ao impulso de comentar.

“Protagonista Apelão? Acha que você é algum tipo de Herói em um conto de fadas?” Ian disse desdenhosamente.

William olhou para seu inimigo mortal com raiva e nadou em sua direção.

“Ei, você realmente não é uma garota?” William perguntou ao estar a poucos metros dele. “Como que sempre age como se estivesse de TPM?”

O rosto de Ian escureceu quando ouviu as palavras dele. Uma parte dele queria refutar e a outra ficou repentinamente ansiosa.

‘E-Ele percebeu?’ Ian olhou para o garoto inquietamente. ‘Não. É impossível. Só um punhado de pessoas sabem do nosso segredo!’

“O que que foi?” William sentia-se presunçoso. “O gato comeu sua língua?”

Era bem raro para ele fazer com que Ian ficasse sem palavras. Ver o garoto irritante incapaz de retrucar fez sua frustração diminuir grandemente.

“Hmph! Não vou discutir com um idiota como você”, Ian respondeu enquando voltava para a carruagem mal-humorado, deixando o presunçoso William para trás.

Est assistiu a situações e balançou a cabeça impotente. Já havia dito para que Ian não fosse mau com William, mas o último não podia a importuná-lo toda vez que tinha a chance.

O garoto com cabelo e olhos castanhos avaliou o ruivo de onde estava. Como a maioria dos jovens, o corpo de William ainda estava se desenvolvendo. Seu cabelo brilhava com a luz do sol e sua pela branca e pálida refletia com as gotas de água.

Enquanto Est observava o corpo dele, notou uma uma tatuagem de uma rosa negra no peito dele. Era tão grande quanto a mão de um adulto e bem chamativa.

“William, você sempre teve essa tatuagem?” Est perguntou.

“Tatuagem? Que tatuagem?” William perguntou de volta.

“Essa aí que está no seu peito”, Est disse ao apontar para seu próprio peito.

William abaixou sua cabeça e olhou para o peito. Quando viu a rosa negra, franziu as sobrancelhas. Ele tinha um palpite de onde ela vinha, mas ainda assim decidiu perguntar ao sistema para confirmar.

‘Sistema, de onde essa coisa surgiu?’

< Responde à pergunta do hospedeiro. A tatuagem da rosa negra é um selo poderoso que o impede de usar seu poder mágico. >

‘Eu sabia.’

William olhou para ela com uma expressão complicada. No fim, apenas suspirou e respondeu à pergunta de Est.

“É minha primeira vez a vendo”, disse. “Acho que é o efeito colateral de usar o poder proibido durante o julgamento.”

“Entendo…” Est parecia arrependido enquanto olhava para o rosto de William. “Desculpe, é por minha caus-”

“Ok ok, pode parar por aí.” William balançou a cabeça. “Já disse a você e vou dizer novamente, não fiz isso por você. Pode não acreditar, mas também fui encarregado de concluir o julgamento da coragem. Talvez a razão de ter sido tão difícil é porque havia duas pessoas sendo julgadas ao mesmo tempo.

Além disso, aquele que matou o Ciclope foi você, não eu. Eu que deveria estar te agradecendo por completá-lo com sucesso.”

Est sabia que William continuaria minimizando o papel que teve durante a subjugação do gigante, então decidiu por não continuar o assunto. Mesmo que William negasse, ele era seu benfeitor e isso não mudaria independentemente do que o ruivo dissesse.

Est queria saber mais sobre William. Se possível, queria que os dois se tornassem amigos. Além de Isaac e Ian, Est nunca teve nenhum colega da sua idade. Seus dias eram gastos dentro de sua propriedade estudando ou praticando esgrima.

Esta era a primeira vez que desejava se aproximar de outra pessoa. Gostaria de saber mais sobre ele. Depois de se decidir, tomou a iniciativa de prolongar a conversa.

“Quais são seus planos futuros?” Perguntou. “Se quiser, pode vir com a gente para a capital. Ainda não te recompensei por salvar minha vida.”

“Meu único plano agora é retornar para Lont e viver uma vida feliz e tranquila”, William respondeu enquanto ia para a margem do rio. Se cansou de nadar e era hora de colocar algumas roupas. “Falando sobre a recompensa que quer me dar, eu passo. Receber uma recompensa de um amigo parece estranho.”

“A-Amigo?!” Os olhos de Est se arregalaram. “Somos amigos agora?”

“Não quer ser?”

“Eu quero!”

William riu ao ver a reação dele. Não se importava de ser amigo de alguém com quem lutou lado a lado em uma batalha de vida ou morte.

Ele andou em direção a Est com um sorriso refrescante. Gotas de água ainda caíam do seu cabelo enquanto estendia a mão para o garoto na sua frente. O último também estendeu sua mão e apertou a de William firmemente.

“Olá, meu nome é William Von Ainsworth, me chame só de Will.”

“Est Wells Newmont. Me chame só de Est.”

“Esse é seu nome verdadeiro?” William perguntou.

“Por agora”, Est respondeu. “Desculpe, eu quero te dizer meu nome real, mas não tenho liberdade para fazê-lo.”

“Tá tudo bem. E os seus dois capangas?” William sondou. “Quais os nomes reais deles?”

“I-Isso…” Est desviou o olhar. “Também não tenho liberdade para responder essa pergunta.”

“Então, por enquanto, eles são só Isaac e Ian?”

“Sim.”

“Entendido.” William acenou com a cabeça.

Todos tinham segredos e seria errado de sua parte bisbilhotar. Desde que Est e ele agora eram oficialmente amigos, decidiu ignorar a grosseria de Ian por ora.

“Muito bem, eu decidi!” Est olhou para William com determinação. “Vou te escoltar de volta para Lont.”

“Eh? Me escoltar?” William inclinou a cabeça em confusão. “Por que?”

“Porque viajar sozinho vai ser perigoso para você”, Est respondeu. “Como você não pode usar seu poder mágico, vou garantir sua segurança.”

William percebeu que Est estava bem sério quando disse que iria acompanhá-lo para Lont. Por um breve momento, pensou em rejeitar a oferta. Porém, o aperto forte em sua mão o fez sentir que Est não aceitaria um “não” como resposta.

“Obrigado”, disse sorrindo. “Não temos comida chique em Lont. Contudo, se você não se importar em comer mingau e beber leite de cabra, vou estar mais que feliz em ser seu anfitrião por alguns dias.”

“Feito.” Est sorriu.

Os dois garotos olharam um para o outro sorrindo.

“Ei, por quanto tempo vocês dois vão ficar de mãos dadas?” Ian perguntou com aborrecimento. “Além disso, ruivo, você é um exibicionista? Por que ainda não está vestindo nada?”

O rosto de Est se avermelhou quando subconscientemente para o corpo de William. Ele não estava pensando sobre nada mais cedo, mas o comentário de Ian o fez perceber que William não havia vestido nenhuma roupa.

William, por outro lado, apenas rolou os olhos ao andar em direção a Mama Ella. ‘Estou de calças, ok? Por que está me chamando de exibicionista?’

Ele queria dizer estas palavras, só que decidiu deixar só no pensamento.

‘Me pergunto como o Vovô e o resto vai tratar meus novos amigos?’ William divagou ao pensar em sua família que estava o esperando em Lont.

Vol. 1 Cap. 78 O Velho Duque de Griffith

“Estamos quase lá”, William disse enquanto olhava para o cenário familiar à sua frente.

“Meeeeeeeh!”

“Meeeeeeeh!”

“Meeeeeeeh!”

“Meeeeeeeh!”

As cabras baliram em excitação ao olhar a cidade ao longe. Elas viveram em Lont por muitos anos e esta foi a primeira vez que ficaram longe de casa. Algumas delas já estavam sentindo saudades por causa de sua longa viagem.

Est, Ian, Isaac, Herman e Nana congelaram em choque depois de ver o Gorila Dourado (Ourobro) sentado perto da entrada de Lont. Podiam discernir algumas crianças escalando seus braços, enquanto outras brincavam de pega-pega perto de seus pés.

“E-Esse é o Ourobro que foi levado do campo de batalha?” Est gaguejou.

Apesar de já ter ouvido de Nana que o avô de William e seus companheiros conseguiram capturar três Bestas Milenares da batalha na Cidadela de Windkeep, esta foi a primeira vez que viu algo quase tão grande quanto o Ciclope com quem lutaram no julgamento.

“Sim”, William respondeu. “Ele é o mais novo guardião de Lont. Seu nome é Lufie, o Macaco.”

“Lufie, o Macaco…” Herman engoliu seco. “Um nome tão dominante.”

“Eu sei, né?” William levantou o queixo com arrogância.

“Por que você está agindo como se fosse o dono dele?” Ian zombou. “Você é um pirralho bem pretensioso.”

“Mama Ella, você ouviu alguém falar algo?” William perguntou.

Ella balançou a cabeça.

“Deve ser um daqueles fantasmas que buscam chamar atenção.” William suspirou exageradamente. “Tsk, só porque eu sou tão bonito, eles decidiram me assombrar? Bem, não me importo se for uma gatinha. Porém, se for um cara com o nariz ranhoso, ele pode só sair rolando e dar o fora daqui.”

“Quem você está chamando de nariz ranhoso?!” Ian perguntou.

William virou a cabeça e olhou para o garoto enraivecido na carruagem. “Por que ficou sentido? A carapuça serviu? Tsk, não é à toa que está sempre irritado. Deve ser legal estar de TPM 24 horas por dia, 7 dias por semana.”

“V-Você!” Ian estava prestes a pular da carruagem e bater em William quando Isaac o segurou com toda a força que podia.

“Ian, se comporte”, Est ordenou.

“Hmph!” Ian desviou o olhar com raiva.

Quando o grupo chegou perto da estrada da cidade, algumas crianças acenaram e chamaram por William.

“Você certamente é popular”, Est disse sorrindo.

William acenou com a cabeça. “Não quero me gabar, mas sou o cara mais lindo de Lont. É natural que eu seja popular.”

Depois de viajar com William por alguns dias, o grupo já havia se acostumado com o narcisismo dele. De vez em quando até se perguntavam de onde vinha toda essa confiança. Claro, tinham que admitir que ele realmente era bonito.

Essa era uma das vantagens de ser um Meio-Elfo. Mesmo que os Meios-Elfos fossem evitados e ignorados pela Raça Élfica por não serem puro-sangue, ninguém podia negar que seus genes os faziam ser agradáveis aos olhos.

“William! Oi! William!” Theo gritou ao mesmo tempo que corria em direção a seu bom amigo. “Você chegou na hora certa! Sua família está com visitas e, pelo que ouvi, elas vieram para ver você.”

“Convidados vieram me ver?” William ponderou. As imagens dos visitantes anteriores apareceram na mente dele. ‘Não é possível que sejam eles novamente, né?’

Ele se lembrou da Agatha, a mãe de sua ex-noiva, Rebecca. Se fosse uma semana atrás, William definitivamente estaria pensando em uma maneira de pedir à elas para que mostrassem mais armas raras a ele com a intenção de desbloquear mais algumas Profissões.

Era uma pena que ele não estivesse com vontade de adquirir mais Classes devido a ser incapaz de usá-las atualmente.

“Você os reconheceu?” William perguntou. “Eles se parecem com os convidados que vieram aqui da última vez?”

“Eu não vi seus rostos, mas a carruagem parecia familiar.”

“Aquela puxada por um Grifo?”

“Sim! Só que, dessa vez, havia três Grifos!”

“Três?” William sentiu um mal-pressentimento. ‘Eles pediram por reforços? Esses nobres realmente acham que é fácil me intimidar?’

A expressão de William ficou nublada. Estava se arrependendo do fato de não poder usar seus poderes nesse exato momento. Se ainda os tivesse, definitivamente iria amaldiçoar os visitantes até que voltassem correndo e gritando de onde vieram.

“Viemos em uma hora ruim?” Est perguntou.

“Não.” William olhou para ele e sorriu. “Vocês são convidados. Eles são pestes. Deixe que eu os mande embora para que possamos começar nosso tour por Lont.”

William e sua comitiva entraram na cidade e foram direto para a Propriedade Ainsworth. Assim como Theo disse, ele viu três Grigos vagando fora de sua casa.

“Aquele é o brasão do Duque de Griffith”, Herman disse ao reconhecer a imagem nas portas da carruagem. ‘Por que uma pessoa tão influente está aqui nessa cidade?’

“O Ducado de Griffith, se eu me lembro corretamente, é a família que deu a luz àquela garota genail que se especializa em Magia de Gelo”, Nana comentou. “Suas famílias se conhecem, William?”

“Bem, essa garoto genial que você comentou, Nana, é minha ex-noiva”, William respondeu de um jeito casual.

“Noiva?!” A expressão de Est ficou séria quando ouviu que William tinha uma noiva. Ele sentiu uma dor surgir em seu coração, mas não sabia o porquê de estar se sentindo dessa maneira.

Os olhos de Ian e Isaac se arregalaram ao ouvir a resposta de William. Eles foram treinados para lerem a linguagem corporal das pessoas e podiam dizer que o garoto não estava mentindo.

“Você disse ‘ex-noiva’?” Herman perguntou. “Por que? Não estão mais noivos um do outro?”

“Eu cancelei o acordo de casamento”, William respondeu como se não fosse grande coisa. “Apesar dela ser bem fofa, sua mãe e mestra possuem a linhagem de Mandrágoras.”

“Mandrágoras?” Est franziu o cenho.

A mandrágora era uma planta espiritual usada na alquimia e na medicina. Contudo, eram plantas bem irritantes de conseguir porque, quando as tocasse, elas iriam emitir um grito forte o bastante para estourar os tímpanos de alguém.

Herman, Nana, Isaac e Ian entenderam imediatamente o que William estava implicando. Assim como as senhoras que gostam de fofocar, eles estavam ansiosos para ver o drama que iria acontecer na Residência Ainsworth.

Depois de Herman estacionar a carruagem nos estábulos, William mandou as cabras – tirando Ella – irem para o curral. Elas baliram felizes e foram para sua antiga casa com entusiasmo. Estavam bem cansadas da jornada e queriam descansar em um lugar familiar. William as assistiu partirem com um sorriso antes de conduzir seus convidados para a entrada principal de sua casa.

“Meu lindo e incrível Avô, eu voltei!” William anunciou sua chegada.

“Bem-vindo de volta, meu neto”, James deu as boas-vindas a William com os braços abertos. “Você esteve fora por apenas alguns dias, mas se tornou ainda mais bonito. Me diga, que tipo de feitiçaria é essa?”

“Não posso fazer nada”, William ergueu o queixo com arrogância. “Fui destinado a ser lindo no dias que nasci com sua linhagem.”

“Hahaha!” James riu alto enquanto dava um tapinha no ombro de William. “Ser bonito é um pecado. E é um pecado que nós dois carregamos.”

“Não importa o quão pesado ele for, eu, William, vou carregá-lo até meu último suspiro!”

“Falou como um verdadeiro Ainsworth.”

Isaac andou até estar ao lado de Est e sussurrou em seu ouvido. “Jovem Mestre, agora nós sabemos de onde ele herdou o narcisismo.”

Est acenou com a cabeça concordando. Era a primeira vez que via um idoso agir assim em público.

“Oh? Esse é o neto de quem você esteve gabando ultimamente?” Uma voz retumbante perguntou atrás de James. “Nada mal. Pelo menos ele não está faltando quando se trata de boa aparência.”

James sorriu ao introduzir seu amigo a seu neto.

“William, esse velho bastardo é um amigo próximo meu”, James disse com um sorriso. “Lawrence Fox Griffith, o velho Duque do Ducado de Griffith.”

Vol. 1 Cap. 79 Um Casal Feito pelos Céus

Surpreendentemente, James não guiou William e seus convidados para a sala de estar. Ao invés disso, os levou para o jardim que estava fora da residência.

Largas mesas com pratos deliciosos foram espalhadas por todo o jardim. William viu rostos familiares, como Rebecca, Agatha e Eleanor. Também havia muitas crianças com idades próximas à de Rebecca perambulando pela mesa em que ela estava.

Elas estavam vestindo as mesmas roupas azul claro com uma insígnia de um floco de neve embutida nelas.

‘Acho que são os companheiros discípulos de Rebecca da Seita Nebulosa’, pensou.

Entre as crianças que estavam sentadas perto de sua “ex-noiva”, havia um certo garoto que se destacava. Ele tinha cabelo loiro, olhos cinzas e um rosto que faria com que as garotas gritassem “Kyaah! Kyaah!” no momento em que o vissem. Estava praticamente radiando com a vibe do “sou um garoto bonito”.

Infelizmente, William era mais bonito que ele. Até mesmo as discípulas companheiras de Rebecca olharam para ele com interesse.

Ignorou os olhares das pequenas lolis e focou no loiro sentado ao lado de sua ex-noiva.

‘Ele deve ser aquele “irmão mais velho confiável” que é comum nas histórias de cultivo’, William olhou para o primeiro antagonista masculino que encontrou em sua vida. ‘De acordo com o roteiro das histórias, ele vai me desafiar para desfazer o acordo de casamento formalmente. Desse jeito, também será capaz de ganhar alguns pontos com a mãe e a mestra de Rebecca.’

William zombou internamente. Se não tivesse perdido seus poderes mágicos temporariamente, teria esfregado a cara desse garoto bonito no chão com facilidade. Infelizmente, estava em seu momento mais fraco e não conseguia usar seus trunfos.

James os conduziu para outra mesa que também tinha pratos deliciosos. Mensageiros tinham chegado na casa mais cedo para anunciar a chegada de William. Por causa disso, as empregadas apressadamente adicionaram mais uma mesa e prepararam a comida para a vinda de seu Jovem Mestre.

“Então, seu nome é Est?” James perguntou. “Você tem bons olhos.”

“O-Obrigado?” Est respondeu confuso.

Ele não sabia porque James disse que tinha “bons olhos”, mas podia dizer que o avô de William não disse de maneira causal. Claro, não entendeu o que o velho estava insinuando.

“Vamos conversar mais depois.” James sorriu. “Estou bem interessado nos amigos que meu neto fez durante sua viagem ao Templo Sagrado.”

Est sorriu e acenou com a cabeça. Também tinha curiosidade em saber mais sobre o homem.

Assim que William e seus convidados se sentaram nas cadeiras preparadas para eles, o drama finalmente começou.

“Velho James, desde que seu neto está aqui, é hora de ir direto ao assunto”, Lawrence disse com um sorriso no rosto. Ele então olhou para o garoto e disse a razão da sua visita.

“Jovem, gostaria de me desculpar pelas ações da minha nora. Ela não deveria ter feito as coisas ficarem difíceis para você e o forçado a desfazer o acordo de casamento que seu avô e eu concordamos”, Lawrence disse. “O motivo de eu estar aqui hoje é para mediar e consertar o mal-entendido.”

“Pai!” Agatha gritou. “Esse garoto não é digno da sua neta! Ele é apenas um pastor imundo!”

Est franziu quando ouviu as observações rudas da Duquesa. Mesmo Ian, que sempre estava em desacordo com William, teve a mesma reação. Por alguma razão, não gostou quando outros insultaram o garoto.

“Senhor Griffith, também acredito que minha discípula merece alguém melhor”, Eleanor comentou ao lado. “Rebecca é genial. Ela merece o melhor, e isso também conta para seu futuro marido.”

Surpreendentemente, James não disse nada e apenas tomou seu chá em paz. Se fosse no passado, teria começado um barraco para defender a honra de seu neto. Ele acreditava que o rapaz não teria problemas em conseguir muitas belas esposas mesmo sem sua ajuda.

Como esse era o caso, por que se importaria com um trato insignificante?

Lawrence escutou as palavras delas com uma expressão calma. Não as retrucou e permitiu que expressassem seus pensamentos em voz alta. Estava observando as expressões de William para entender o que achavam do assunto.

Vendo que ambos não estavam reagindo ao súbito insulto feito pelas duas, sentiu que algo estava errado. Então decidiu testar as águas e perguntar algo ao menino ruivo.

“Elas disseram que você não é digno da minha neta. Como se sente sobre isso?” Lawrence perguntou.

William sorriu e respondeu à pergunta. “Senhor Lawrence, você acha que alguém tão bonito quanto eu vai ter dificuldades em encontrar uma bela mulher como minha companheira?”

“Não”, Lawrence respondeu.

William acenou como se fosse um estudioso. “Não quero me gabar, mas, tirando meu avô, ninguém no Continente Sul é mais bonito que eu. Sendo esse o caso, por que iria me limitar a me casar com sua neta? Não acha que seria injusto com minha incrível aparência?”

“Bravo!” James bateu palmas. “Como esperado do meu neto.”

O rosto de Eleanor e Agatha se contorceu em desgosto. Elas já experienciaram o quão sem vergonha William era, mas parecia que ele tinha se tornado mais arrogante desde a última vez em que se viram.

“Então está dizendo que minha neta não é boa o bastante?” Lawrence perguntou. Sua voz cheia de diversão.

“Deveria perguntar isso a ela”, William respondeu. “Ela é boa o bastante para mim? Pessoalmente, acho que não.”

Rebecca, que estava ouvindo quietamente ao lado, levantou uma sobrancelha ao ouvir William. “O que faz você pensar que é bom o suficiente para mim? Se não fosse pela insistência do meu avô, não teria nem me incomodado em vir.”

Inicialmente, queria ficar fora dessa bagunça, só que as palavras de William a irritaram. Ela era uma gênia que nascia uma vez a cada duzentos anos. Apesar de não estar interessada em William, foi a primeira vez que alguém a disse que não era boa o bastante em algo.

“Se é assim, por que não vai embora?” William acenou com a mão casualmente como se fosse espantar um mosquito. “E se você é um gênio? Mesmo os gênios precisam cagar, ou você está me dizendo que não faz cocô?”

Todos que estavam comendo no momento olharam para ele. Até mesmo James, que estava bebendo, cuspiu o chá no chão?

“Palavras tão vulgares!”

“Você não tem qualquer senso de delicadeza!”

“Como esperado de um caipira, realmente não tem boas maneiras!”

Os discípulos da Seita Nebulosa repreenderam William, mas o ruivo não prestou atenção. Em seus olhos, quanto mais cedo as pestes fossem embora, melhor.

O rosto de Rebecca ficou extremamente vermelho. Ela não tinha como responder a pergunta dele. Havia algum ser humano que não precisasse ir ao banheiro? Se houvesse, ainda poderia ser considerado humano?

Lawrence franziu. Pelo que pôde ver, William realmente não tinha interesse em sua neta. Uma parte dele queria espancar o garoto tolo, enquanto a outra o olhou com uma nova luz.

‘O bastardo do James também não está reagindo’, Lawrence pensou. ‘Estão escondendo algo de mim?’

Aquele que iniciou a junção deles foi James. Lawrence conhecia sua personalidade, então era impossível para James desistir de algo tão importante que ele começou. Naturalmente, essa bagunça aconteceu porque sua nora usou a oportunidade enquanto ele estava fora para cancelar o acordo.

Mesmo assim, ele não acreditou que James apenas se sentaria sem fazer nada e deixaria alguém pisar no acordo que foi feito devido à proposta dele.

Est, que estava assistindo, se sentiu secretamente feliz. Ele não entendo o porquê de estar feliz, mas estava tonto ao ver o desempenho arrogante de William.

“Você, camponês. Como ousa manchar a honra da minha discípula junior?!” O loirinho se levantou de seu assento. “Só irei perguntar uma vez. Você vai libertar Rebecca do acordo de casamento ou não?”

“Hã? Um burro chutou sua cabeça?” William perguntou com desdém. “Não acabei de deixar claro que não tenho interesse? Se quiser, pode ficar com ela. Posso dizer com apenas um olhar que são um par perfeito.”

“Sério?” O loiro perguntou. “Realmente acha que somos um par perfeito?”

Deu a Rebecca um olhar de relance enquanto esperava pela resposta de William.

“Definitivamente.” William acenou com a cabeça. “Um casal feito pelos céus. Que ambos sejam felizes juntos.”

“Hmph! Pelo menos você sabe seu lugar.” Ele aceitou as palavras de William como se fosse a coisa mais natural a se fazer e se sentou de bom humor.

Desde a primeira vez que viu Rebecca, já havia se decidido que ela seria sua amada. Ela não era apenas bonita, mas também a filha de um Duque. Com beleza, riqueza e influência ao seu lado, era a candidata ideal a se tornar sua esposa e aumentar sua classificação dentro de sua família.

Vol. 1 Cap. 80 Duelo Após 7 Anos

“Lawrence, não é como se eu fosse contra sua neta casando com meu neto”, James disse depois que a discussão se acalmou.”É só que sua nora se superestima muito. Mesmo que sejamos pobres, não vamos permitir que outros pisem em nossa dignidade.”

“Então, você também quer cancelar o acordo?” Lawrence perguntou. “Seja honesto, meu velho.”

“Quem não quer ter uma nora genial se juntando à família?” James respondeu. “É que seus familiares pensam diferente de você.”

Lawrence suspirou. Ele também achava que seu filho e sua nora se tornaram muito pretensiosos após o nascimento de Rebecca. Depois da confirmação do talento de sua neta, Agatha começou a agir como uma rainha e desprezar as outras pessoas.

Seu filho, por outro lado, viu isso como uma chance de formar conexões com seus pares. Ele até mesmo estava cogitando em usar Rebecca como objeto de barganha para formar alianças poderosas com outras famílias ducais.

O garoto loiro era o terceiro filho de seu vizinho, o Ducado de Rhodes. Agatha pensava que seria um bom parceiro para sua filha. Claro, era apenas um dos candidatos na mente dela.

Como uma mulher ambiciosa, também tinha interesse em apresentar Rebecca como uma candidata à esposa do príncipe herdeiro do Reino Hellan. Naturalmente, suas opções não eram restritas apenas aos limites de Hellan.

Se casar com um príncipe de outro reino era uma das possibilidades que também planejou para ela.

Lawrence deu um bom olhar em William e sentiu que o garoto era bem agradável aos olhos. O Velho Duque de Griffith era um Arquimago poderoso. Ele já havia feito uma varredura no corpo dele para ver se o menino era capaz de usar magia.

Infelizmente, o resultado que teve foi bem decepcionante. Ele não apenas não tinha qualquer afinidade mágica, como também era completamente desprovido de mana! O que isso significava? Significava que ele não tinha como se tornar um mago no futuro.

Os Magos eram muito respeitados no Continente Sul. Um nasceria a cada quinhentas crianças. Porém, nem todos nascem com Talento de Alto Grau. Sua neta, tinha um Talento de Grau Perfeito, então o Reino Hellan decidiu cultivá-la apropriadamente.

Isso significava que todos os recursos disponíveis para ajudá-la a avançar seriam dados a ela incondicionalmente.

Lawrence queria que sua neta fosse feliz. Estava bem preocupado sobre seu futuro, então quando seu velho amigo, James, pediu para que unissem seus netos, aceitou imediatamente.

Ele conhecia James a muito tempo. Dito isso, aprovou o passado de William. Contudo, desde que já chegou a tal ponto, só podia pensar em um jeito de adiar a dissolução do acordo.

“Rebecca, venha aqui”, Lawrence pediu.

Rebecca se levantou da sua cadeira e andou obedientemente para seu avô. Em sua família, Lawrence era quem mais a mimava, além de ser uma arquimago. Naturalmente, Rebecca iria ouvi-lo mais que seus próprios pais.

“William, por favor, venha aqui também”, Lawrence gesticulou para que ele ficasse ao lado de Rebecca.

William franziu, mas vendo a expressão de James, ele se levantou relutantemente de seu assento e se aproximou de sua ex-noiva.

“Ambos ainda são jovens”, Lawrence disse sorrindo. “Ninguém sabe o que o  futuro nos reserva. Apesar dos dois não se darem bem agora, isso pode mudar em alguns anos.”

Ele pausou e olhou para sua neta.

“Rebecca, quais as qualidades que você gostaria de ver em seu futuro marido?”

“Avô, acho que é muito cedo para responder essa pergunta.”

“De fato, você ainda é muito jovem. Mas, imagine. Me diga as qualidades que você quer que seu marido tenha.”

“Bem…”, Rebecca deu um olhar de relance a William enquanto ele cruzava os braços sobre o peito e levantava o queixo de maneira arrogante.

“Primeiro, deve ser mais forte que eu”, Rebecca afirmou.

“Aceitável”, Lawrence concordou. Sem dúvidas, se fosse escolher um parceiro para ele, deveria ser alguém forte o bastante para protegê-la.

“Segundo, ele deve ser bonito.”

“Certo.”

William jogou o cabelo para o lado casualmente. Claramente, estava confiante em sua aparência.

“Terceiro, deve ser alguém com ambição. Não gosto de mediocridade.” Rebecca adicionou.

“Isso é tudo?” James perguntou.

“Há uma última condição”, ela disse.“ Ele tem que estar em uma posição de poder.”

“Hmm…” Lawrence olhou para o garoto ruivo que estava olhando para suas unhas. “E você, William? O que busca em uma esposa?”

James, Est, Ian e Rebecca aguçaram secretamente os ouvidos para escutar a resposta dele.

“Primeiro, ela deve ser C-Cup”, William disse de maneira arrogante. “Não vou aceitar nada menor que isso.”

“Segundo, ela deve ter a cabeça no lugar.”

“Terceiro, deve ser leal.”

“Finalmente, tem que ser uma beleza que pode causar a ruína de uma nação. Somente esse tipo de mulher é merecedora do meu amor e afeição.”

Est e Ian olharam para seu peito e fizeram uma careta. Atualmente, ambos eram meninos e era impossível atingir o primeiro requisito de William. Est tinha um olhar pertubado no rosto, enquanto Ian estava se perguntando o porquê de sentir que tinha que corresponder à exigência dele.

‘Não é como se eu estivesse interessado nele ou coisa do tipo’, Ian pensou. ‘Por que estou incomodado?’

Lawrence tossiu levemente ao olhar para seu velho amigo que ria ao lado. James não disse nada, mas deu dois joinhas para William em seu coração. Estava impressionado com os “altos requisitos” de seu neto e isso o deixou à vontade.

O idoso estava até mesmo ansioso para ver os filhos do garoto daqui alguns anos.

“É bom ter ambição”, Lawrence disse depois de limpar a garganta. “E se fizermos assim? Daqui a sete anos, os dois terão um duelo. Até lá, a conversa a respeito de romper o acordo de casamento pode ser deixada de lado.

O vencedor por demandar qualquer coisa do perdedor. Também, não aceitarei um “não” como resposta. Se quiserem desfazê-lo, vão ter que lutar um contra o outro.”

William olhou para Lawrence com uma expressão estupefata. ‘Quão bárbaro! Por que temos que lutar apenas para romper um acordo? Não podemos conversar como pessoas civilizadas?’

“Será como desejar, avô”, Rebecca respondeu. Ela então olhou para o rapaz próximo a ela. “Em sete anos, teremos nossa batalha no Pico da Seita Nebulosa. Até lá, faça o seu melhor para ficar mais forte.”

Rebecca voltou a seu assento depois da sua fala. William também se sentou. Tinha uma expressão complicada no rosto, a qual fez Est e os outros se perguntarem o que ele estava pensando.

‘Este Lawrence realmente é uma velha raposa’, pensou. ‘Por que está insistindo em me unir com ela? Está atrás dos meus genes excelentes? Preciso ser mais cuidadoso quando lidar com ele.‘

Se Lawrence soubesse o que William estava pensando, o chutaria com toda sua força.

Havia razões para Lawrence impor um duelo entre ambas as partes. A primeira era para impedir outros se aproximando de sua neta e a usando como ferramenta política.

Era algo que não queria ver. A segunda era a intenção de pressionar Rebecca para que não relaxasse no treinamento. Ele não se importava se William se tornasse ou não seu genro. O que era importante para ele era manter sua conexão com a família Ainsworth e não dissolver seu bom relacionamento.

James também entendia o que Lawrence estava planejando, só que não se preocupava muito. Depois de tudo, foi aquele quem sugeriu o casamento.

“Eu não concordo com essa condição”, o loiro levantou de sua cadeira. “Por que esperar sete anos? Eu, Kingsley Rhodes, desafio William Von Ainsworth para um duelo. Você tem coragem para aceitar?”

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