Capítulo 5

Sakuta estava olhando para a meia-lua no centro de uma paisagem natural, emoldurada pelo toldo acima e pelas persianas dos dois lados. A lua flutuava sozinha em um céu negro. Assim como ela, Sakuta estava sozinho no banho ao ar livre. Nenhum som de vida humana. Parecia que ele estava isolado do mundo. Tudo o que podia ouvir era a brisa suave, as folhas ao vento e a água borbulhando na banheira. Esses sons sutis eram um bálsamo para a alma.

“Isso é ótimo”, as palavras escaparam de seus lábios. A vista do deck era pitoresca, e as fontes termais naturais fluíam para a banheira conectada ao seu quarto, tudo era só dele. Como não aproveitar?

Eles haviam deixado Sara na estação de Fujisawa e seguido para a pousada em Hakone. Mai havia ligado antes para avisar que chegariam tarde. Era quase oito horas quando chegaram, mas a equipe os recebeu calorosamente. Após um jantar luxuoso e uma breve pausa, eles foram desfrutar das fontes termais.

“Ter um banho ao ar livre no próprio quarto… O que poderia ser melhor?”, pensou Sakuta.

Ao chegarem, a primeira impressão de Sakuta foi de que ninguém jamais ficaria ali sozinho. Essa impressão só se reforçou quando viu o tamanho do jardim e, mais ainda, quando chegaram ao quarto. Ele ficou surpreso ao descobrir que o quarto tinha uma banheira privada ao ar livre, mas o maior choque foi o fato de o quarto ter dois andares. O primeiro andar era uma sala de estar, e os quartos ficavam no andar superior. Cada “quarto” era praticamente uma casa.

Curioso sobre o preço, ele discretamente perguntou a Mai, mas ela apenas disse que era um presente de aniversário à altura. Sakuta escolheu não insistir. Algumas coisas era melhor não saber. Já que estavam ali, deveriam aproveitar. Não valia a pena se conter agora.

Enquanto esses pensamentos passavam por sua mente, a porta deslizante se abriu com um leve ruído. As portas de vidro dividiam o quarto do deck.

“E então? Como está a água?”, perguntou Mai. Ela estava usando o yukata e haori fornecidos pela pousada. Seu cabelo, recém-lavado, estava preso em um coque solto.

“Está ótimo”, respondeu ele.

“Que bom.”

“Como foi o banho grande?”

“Eu tive o lugar só para mim, então foi bem relaxante.”

“Talvez eu vá dar um mergulho depois”, brincou Sakuta.

O banho em seu quarto mal era grande o suficiente para duas pessoas adultas se esticarem. Sozinho, ele podia se espalhar à vontade.

“Nem pense nisso. Eu prefiro não ser banida daqui”, advertiu Mai, meio séria.

Talvez ela achasse que ele realmente poderia fazer isso. E ela tinha razão, pois, se não tivesse dito nada, seus instintos poderiam ter assumido o controle. A empolgação dessa estadia estava subindo à sua cabeça.

“Se você entrasse comigo, eu não teria do que reclamar”, disse ele, lançando um olhar significativo em direção ao quarto.

Mai, porém, não parecia disposta a brincar. “Ryouko chegar antes foi a única razão pela qual nossa reserva não foi cancelada”, disse Mai, claramente dando a entender que ele deveria ser grato.

“Eu estou agradecido!”, respondeu ele, embora o tom tenha soado mais mal-humorado do que ele pretendia.

“Eu acho que está bem. Está frio, então não por muito tempo.”

“O quê, sério?”, disse ele, surpreso, enquanto Mai tirava as meias tabi e pisava descalça no deck.

“Frio!” exclamou ela, caminhando na ponta dos pés até a borda do banho.

Ela se sentou de lado na borda seca da banheira, puxando habilmente a barra do yukata até a altura dos joelhos. Um movimento ousado que fez o coração de Sakuta acelerar.

Alheia à sua reação, Mai mergulhou os pés até os joelhos na água. Suas pernas brilhavam à luz suave, e o jeito como o cabelo estava preso a fazia parecer ainda mais atraente. Vista através do vapor que subia da banheira, Mai exalava uma maturidade sedutora.

“Está bom assim?”, ela perguntou, tomando cuidado para não molhar o yukata.

“Uh, Mai.”

“O quê? Isso não é suficiente?”

“Pelo contrário. Não poderia ser melhor.” Ele estava tão animado que levantou os polegares, empolgado.

“Não faça ondas. Você vai me molhar.”

Mai levantou uma das pernas o suficiente para chutar a água em sua direção. O spray atingiu-o no rosto.

“Argh!”, ele exclamou, enquanto limpava a água. Mai ria.

“Ah, certo. Acabamos de receber uma mensagem da Futaba”, disse ela, puxando o celular do bolso de seu haori.

“O que ela disse?”

“Se você está comigo, ela quer roubar um minuto do seu tempo. Quer ligar para ela?” Mai estendeu o celular para ele.

“Provavelmente é sobre aquilo”, disse ele, referindo-se a algo que ambos sabiam. E por isso ele não estava muito interessado em ligar. Mas quando pegou o celular, já estava chamando.

Ele colocou o aparelho no ouvido e esperou. Ela atendeu rapidamente.

“Olá, aqui é a Futaba”, disse ela, em um tom formal, provavelmente porque pensou que poderia ser Mai.

“Uh, sou só eu”, respondeu Sakuta.

Do outro lado da linha, ele ouviu um grande suspiro. Não de alívio ou decepção, mas como um aviso de que ela estava prestes a reclamar.

“Azusagawa, você colocou essa ideia na cabeça do Kasai?”

“O que ele fez?”, perguntou ele, curioso sobre a situação.

“Eu disse a ele que não poderia namorar um aluno, e ele me pediu para reconsiderar depois que fosse aceito na faculdade dos sonhos dele.”

“Hum, movimento inteligente, Kasai.”

“Parecia uma das suas falas, então imaginei que você o incentivou a isso.”

“Eu não teria usado ‘reconsidere’. Teria dito ‘Então, saia comigo.’”

Na verdade, essa foi exatamente a frase que ele havia sugerido a Toranosuke. O garoto deve ter achado aquilo agressivo demais e suavizou um pouco. Talvez ele simplesmente não tenha conseguido se obrigar a dizer aquelas palavras.

“Então, é melhor você agir.”

“Como assim?”

“Você acha que posso continuar ensinando ele depois disso?”

“Pode ser constrangedor, é.”

Se ele passasse no exame, tinha planejado convidá-la para sair novamente. Mas era o trabalho de Rio ensiná-lo o que ele precisava para fazer isso, o que gerava um grande conflito de interesses.

“Então é melhor você assumir e garantir que ele passe nesse teste.”

Ameaçador.

“Mas espere, a primeira opção dele não era…?”

“Mesma escola onde eu estou.”

Uma universidade nacional com uma taxa de rejeição muito alta. Sakuta nunca teria conseguido entrar.

“É isso. Diga a Sakurajima que sinto muito por interromper. Tchau.”

“Espere, Futaba…”

A linha ficou muda. Ela já tinha desligado. E a duração da chamada tinha sido exatamente de um minuto.

Ele silenciosamente devolveu o telefone para Mai.

“O que ela disse?”

“Desculpa por interromper.”

“Ok.”

Obviamente não era só isso, e Mai sabia. Mas ela não perguntou o resto. Provavelmente achou que não precisava.

Eles estavam em uma fonte termal em Hakone. Sakuta e Mai juntos. Não só eles, mas ainda assim… um momento tranquilo juntos. E ela queria aproveitar.

Sakuta também.

Mas nada dura para sempre.

“Ok, saiam antes que peguem um resfriado,” disse Ryouko, interrompendo a paz deles. Ela os observava da porta corrediça. Era muito o olhar caloroso de uma adulta supervisionando um casal jovem e alegre.

Mas isso só destacava o quanto aquele momento era pleno.

“Obrigada por hoje, Mai.”

Ela pareceu momentaneamente confusa, mas não perguntou o motivo. Em vez disso, sorriu e disse: “De nada.”

Eles estavam felizes.

Aquele era o lugar feliz deles.

Naquela noite, dormindo sozinho no andar térreo, Sakuta teve um sonho. Um tão real que parecia estar realmente acontecendo.

Muitos jovens tinham o mesmo sonho. Vários estudantes da faculdade de Sakuta. Um grupo da Minegahara High. Tomoe entre eles. E Rio. E Nodoka. Kaede também teve o sonho. E Uzuki. E Ikumi. E Sara com eles. Kento, Juri e Toranosuke também tiveram o mesmo sonho.

Na manhã seguinte, ao acordar, apenas Mai não havia visto nada durante o sono.

Posfácio

Vejo vocês no próximo volume “Rascal does not dream of Santa claus”.

-Kamoshida Hajime

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