Tick, tick.
A sombra do Callius se moveu com a pulsação da chama oscilante.
O fogo emitia um calor reconfortante, iluminando a floresta escura onde Callius estava acampando naquela noite.
Enquanto olhava fixamente para o fogo, muitos pensamentos surgiam na sua mente e sumiam novamente à medida que a mente se acalmava.
Uma nova espada adquirida.
Callius observou a espada Arsando com seus olhos cinzas.
『Arsando』
Grau:Espada da Vida.
Alma habitada: Arsando Mirinae.
•Carcaça do Arsando Mirinae.
— ……
Puk.
Com sua espada presa entre as raízes das árvores, Callius inclinou a cabeça para trás para descansar inclinado na árvore e fechou os olhos.
******
Eu era o responsável pela história geral do [Caminho do Peregrino].
Porém, estou ficando cada vez mais cansado devido a pesada carga de trabalho, então não pude criar propriamente as características de cada personagem.
Naquela época, sentei no banco da cobertura da empresa e a chamei.
— Autor, o senhor precisa da minha ajuda de novo, certo?
A mulher com um sorriso brilhante e acalorado trabalhava no departamento de design. Com um sorriso no rosto, ela me entregou um copo de café e se sentou ao meu lado.
— O que foi agora? Ah, o bastardo do Callius von Jervain! Sabia, fiquei inspirada enquanto fazia o design dele. Ele é tão lindo, não acha?
Ela falava dos personagens que criou como se estivesse falando de pessoas reais.
— Callius precisa ser um idiota, mas também precisa ter a dignidade de um nobre. Quero que ele seja diferente quando é um Peregrino e quando retorna para a família.
Balancei minha cabeça concordando enquanto escrevia os detalhes sobre Callius que Yoo Yeon-Hwa estava falando.
Ela fechou os olhos e bateu gentilmente nos lábios com o dedo indicador. Havia um certo tremor ao redor dos olhos.
Era algo estranho de se ver, mesmo que não fosse a primeira vez.
Mas eu sabia que toda vez que ela fazia isso, uma nova e firme configuração de personagem era decidida e dada a um personagem de aparência desleixada.
Callius von Jervain era o filho mais velho de um mestre espadachim, mas um tolo sem nenhum talento com espadas.
Porém, sua aparência herdada do sangue dos Jervain era incomparável mesmo no Reino de Carpe, só que talvez fosse uma piada de péssimo gosto oriunda de Deus, já que seu destino possuía uma série de desgraças.
— Mesmo que seja fraco, ele se esforça ao máximo sem que as outras pessoas saibam, e sua personalidade fica distorcida por não conseguir nenhum resultado! Um nobre dentre os nobres que possui as características de arrogância e dignidade dos aristocratas, mas que no fim sacrifica a si mesmo até morte!
Anotei seus conselhos em um caderno junto de qualquer coisa que me vinha a mente.
— Huh, falta uma coisa… Existe alguém interessado no Callius por acaso?
— Bem. Nem cheguei a pensar nisso na verdade..
— Seria bom se tivesse, mas me deixa de coração partido saber que algo assim nunca se tornará realidade. Ah! Dói meu coração
Amor não correspondido.
Não acho que seja uma ideia muito feminina, mas não tem nada de errado nisso.
Balancei minha cabeça em concordância de novo e de novo.
— Mas é tão triste.
— Por quê?
— Callius morre. O fato de seu corpo ser fraco e doente sempre vem a tona.
Isso era verdade.
De um modo ou de outro. Callius morreria.
Não importa o caminho tomado, será forçado à escolha de um caminho onde não tem nenhuma opção além da morte por causa da sua personalidade.
『Dever da nobreza』
Obrigação da nobreza.
Devido as suas características, quando se vive entre a ascensão e a queda de uma nação, Callius sempre comete um ato absurdo e acaba se sacrificando.
— Se você seguir este enredo, não tem como ele sobreviver.
Um homem muito lindo.
Apesar de ser o filho mais velho de um conde, é um símbolo de desgraça que foi deixado de lado pelo fato de não ter nenhum talento como um espadachim. Callius, aquele cujo conceito de personagem grita a palavra “Louco”.
Jogadores se esbarrarão no Callius pelo menos uma vez não importando qual caminho tomassem, e ele terá uma relação hostil com a maioria deles.
Mesmo que tenham uma relação amigável, esse cara será útil a eles apenas uma vez.
Quando cair no caminho inevitável da aniquilação, Callius sacrificará a si mesmo, dizendo que é o dever de um nobre.
Apenas pouco antes de morrer que se arrepende de todos os seus erros e esse será seu primeiro e último ato para ajudar um jogador, mas morrendo para isso.
『Callius von Jervain』
「Ocupação」 – Peregrino.
「Espírito」 – Nível 6
「Poder Divino」 – 1351/1351
「Talento」 – 『Benção do Bardo – Máximo』
「Atributos」 – 『Versículo da Graça』『Dever da Nobreza』『Ovelha negra da família do Conde』『Composição do Versículo da Morte』『Filho Pródigo da Ordem』『Gula』
『Aptidão』
Força – 2
Agilidade – 1
Habilidade – 1
Vida– 2
Fé – 3
O personagem é de fato confuso.
Sem atributos úteis.
Só que é assim que o personagem é.
Um personagem que não cresce em nenhum caminho importante, que não faz muito como um vilão e que pode ser um possível aliado.
Esse é Callius.
— Apenas um.. Queria que existisse pelo menos… um caminho em que Callius continue vivendo.
Ela sorriu amargamente, porque sentiu tristeza pelo personagem de um jogo que sequer estava vivo.
— Ah, e é muito ruim que ele não tenha nenhum talento. Por favor, arranje pelo menos um.
— Humm, o que você acha que seria interessante?
— Bem…
Após pensar um pouco, ela falou um “Ah!” e exclamou.
— Ele é bem talentoso com música, né?
Eu me caguei de rir ao ver o sorriso dela quando falou isso.
Ela conversava como uma andorinha e piava como um pardal, mas trazia um conforto que era muito valioso para mim.
Mas, quanto mais tempo passávamos juntos, mais doente ela ficava.
*****
Um céu triste.
Era um anoitecer de um dia sombrio e o céu já estava cheio de nuvens escuras.
Não pude fazer nada se não assistir seu funeral de longe…
— Então foi suicídio?
— Sim… nem sei como é possível, pois ela estava sempre sorrindo.
— Por que ela se matou?
— Não sei, não teve nenhum testamento, carta, bilhete ou coisa do tipo.
— Meu conforto se foi.
『Callius von Jervain』
Tuk, tuk.
No próximo dia após seu funeral.
Fui trabalhar, sentei e abri a tela de configuração do Callius.
“Apenas um.. Queria que existisse pelo menos… um caminho em que Callius continue vivendo.”
A voz dela soava viva em meus ouvidos. E, então, como se estivesse possuído por algo, comecei a editar as configurações do Callius.
— Um caminho onde Callius vive.
E…
“Ele é bem talentoso com música, né?”
Um talento.**TL/N: Parece que na criação “original” do personagem, enquanto estava debatendo com a designer, Callius não deveria ter Gula e o talento do Bardo, mas foi assim que o autor escreveu.
Click.
Callius acordou e pegou Arsando.
Os arbustos chacoalharam, mas tão rápido quanto apareceu, desapareceu a corça selvagem.
— Acabei adormecendo?
Callius colocou mais lenha na fogueira que estava quase desaparecendo.
Tadatak.
As chamas que crepitavam ficaram mais novamente por se alimentar da lenha que ele jogou.
Callius observou a sua tela de status com olhos tristes, enquanto contemplava as chamas.
‘Eu não sabia naquela época que as coisas acabariam assim.’
『Callius von Jervain』
「Ocupação」 – Peregrino.
「Espírito」 – Nível 4 **PR/N: Parece que quanto mais baixo o nível aqui mais forte.
「Poder Divino」 – 2971/3251
「Talento」 – 『Benção do Bardo – Superior』
「Atributos」 – 『Versículo da Graça』『Dever da Nobreza』『Ovelha negra da família do Conde』『Composição do Versículo da Morte』『Filho Pródigo da Ordem』『Gula』
『Aptidão』
Força – 19 + (10)
Agilidade – 15 + (10)
Habilidade – 7
Vida – 15 + (10)
Fé – 20
Três anos se passaram e a minha tela de status mudou bastante.
『Gula』
• Come e digere bastante.
• Digestibilidade – Ápice
• Absorção – Alta
Se soubesse que isso aconteceria, teria adicionado algo como “gênio”. Se eu tivesse algum talento, não teria que passar por todo esse sofrimento pelos últimos três anos.
— Seria bom ter algum modo de conseguir uma Espada Espiritual no início. Com ela seria possível seguir o caminho para obter uma Espada da Visão e então esmagaria tudo no caminho.
Por que nada na vida é fácil, tanto antes quanto agora?
『Versículo da Graça』
• Alivia a dor de um alvo que se transformou em uma Carcaça e recebe um favor.
O primeiro atributo adquirido por essa habilidade é o atributo da Gula.
‘Callius é um personagem com constituição fraca, então Gula não é um atributo ruim para ele.’
Qualquer coisa que come, absorve e digere seus nutrientes em sua melhor forma.
Por fora, parece que é apenas arroz ou comida sendo digerida, mas, dependendo de como usa, pode acabar sendo mais do que isso.
Além do mais, o período histórico aqui imita a idade média.
‘Existem vários casos onde pessoas morrem por comer algo errado.’
O atributo da Gula é indispensável, pois reduz as chances de tais casos acontecerem já que com ele é possível ter uma melhor digestão e absorção dos nutrientes do alimento consumido.
‘Porque o atributo digere ou decompõe até mesmo venenos intermediários sozinho.’
Callius olhou para o que estava sinalizado como “talento”.
— O único talento que tenho é…
Callius pegou uma folha da grama e levou aos lábios.
Abra a boca e deixe o vento soprar.
~♬
Um tom inacreditavelmente suave ecoou pela floresta.
Se ouvisse por um momento, os ouvidos seriam purificados, os pensamentos desapareceriam e uma sensação de satisfação suprema preencheria o coração.
Mesmo que estivesse amanhecendo, as bestas levantavam as cabeças e começavam a se reunir em volta de Callius para ouvir a melodia feita com a flauta de folha.
— É absurdo.
Tadadat.
Quando a melodia parou, os animais fugiram como se nada tivesse acontecido.
“Ele é bem talentoso com música?”
Se eu soubesse que algo assim aconteceria teria colocado alguns outros talentos nele.
— Não posso pensar assim… até porque é bom também.
Tum.
Andando pelo campo, Callius tocou a flauta de folha.
Novamente, um tom fantástico ecoou pela floresta.
******
— Achei vestígios.
Um homem gritou alegremente quando viu restos de uma fogueira na floresta.
— Certo, então aonde ele está indo?
— Mas isso é…
— O quê?
O inquisidor Delruin ficou com uma expressão confusa.
— Vamos lá, desembucha.
Com sua curiosidade crescendo, Delruim começou a falar sobre o que havia notado como se não tivesse escolha.
— Tem muitas pegadas de animais nesta floresta e esse é o problema.
— Isso quer dizer que acaba dificultando saber para que direção ir, é isso?
— Infelizmente… Sim.
Isso é tão inesperado que meu nariz parece estar entupido.
Tem tantas pegadas de bestas que é impossível dizer para onde elas vão.
Quantas bestas será que tem por aqui? Como que é possível localizar alguém nesse caos? Será que se trata de um bando que estava passando por este caminho?
‘Não é como se fosse uma manada de búfalos…’
Mesmo que fosse Delruin falando, era difícil de acreditar nesta situação.
Será que Callius sabe magia? Magia poderosa ao ponto de encantar bestas e fazer com que apaguem suas pegadas? Ou será que foi um encantamento?
— Você pode não acreditar, mas…
Um suspiro escapou.
Qualquer um ouvindo esse relatório repreenderia. Quem acreditaria em algo que não faz o menor sentido?
No entanto, o Inquisidor Ryburn ficou com uma expressão diferente do que era esperado.
— Talvez seja o poder de uma relíquia.
— Ó…!
Relíquia!
Todas essas situações eram possíveis considerando o uso de milagre que possuí o poder de Deus.
Como não pude pensar nisso antes?
Delruin admirou a perspicácia do Inquisidor Ryburn.
— Parece que vai demorar mais do que imaginei.
— Sim, também acho… tem muitas variáveis agora.
Peregrino Callius.
Não, parecia que a perseguição do infiel Callius, que roubou uma relíquia, demoraria mais do que o esperado.
******
Visconde Bolivian.
No escritório, havia uma mulher que girava a caneta de tinta graciosamente.
Ruiva e de olhos verdes, olhos estes levemente ferozes.
Era a segunda filha da Família Bolivian.
Seu nome era Helena de Bolivian.
— Senhorita.
— O que foi?
Eu estava de bom humor revisando estes documentos, mas você está quebrando minha concentração.
Helena pensou em diminuir o salário do mordomo Alfredo.
— Uma carta chegou para a Senhorita em nome de Jervain…
— O quê???
Tak!
Helena, pegou rapidamente a carta das mãos do mordomo e franziu o cenho quase que de imediato.
— Ele não tem cara de pau?
A carta era de um sujeito que não podia ser ignorado. Um vigarista que ousou enganar a filha de uma família de mercadores a fim de extorquir ouro deles!
— Callius, seu desgraçado… Você devia ter se escondido como um ratinho, desde que roubou meu ouro da última vez!
Pppak!
Helena, que não conseguiu controlar a raiva, quebrou a caneta na mão e abriu imediatamente o envelope.
— Só se atreva a pedir dinheiro de novo e eu vou para o Norte desta vez! Vou pessoalmente até a Família Jervain para cobrar o ouro que me foi roubado!!
— Considerando as dificuldades, tempo e custo de ir ao Norte, não seria recomendado, senhorita.
— Cale-se, Alfredo! Eu sei disso!
Seus olhos verdes em instantes percorreram a carta do início ao fim.
Porém, sua expressão parecia confusa agora.
—Torrett? Minas de cobre?
Você está me pedindo para distribuir o cobre das Minas de Torret assim do nada.
É claro que, desenvolver e distribuir mineração não seria problema algum. Torrett é uma cidadezinha que fica perto da fronteira.
Teríamos problemas com mão de obra especializada lá, então teríamos que enviar mão de obra daqui.
Todos os ganhos disto voltariam para Bolivian em moedas de ouro.
Era necessário ir para Torrett para poder entender toda a situação, contudo, para Helena, isso não era algo para se ficar triste.
— Só que tem algo estranho… Sinto que tem outra coisa envolvida além de dinheiro.
Seus olhos se fecharam levemente e foram preenchidos de suspeitas. Alfredo levantou o braço e cheirou sua axila.
— Tomei banho antes de vir aqui hoje, talvez a senhorita…
— Mas que diabos está falando! Alfredo! Banhei hoje.
— Certo, certo. Me perdoe.
Helena, que encarava Alfredo com uma cara de incomodada, de repente, abriu os olhos como se tivesse se recordado de algo.
— Espera, Torrett?
Torrett, Torrett.
Tock tock. Helena que ainda segurava a caneta quebrada tocou os lábios enquanto vasculhava rapidamente pela pilha de papéis, então pegou um relatório.
— Sim, Torrett. Alfredo. Cheguei a mencionar que um tempo atrás o Inquisidor estava indo a uma vila perto da fronteira a oeste daqui
— Sim, lembro disso.
Para comerciantes, informação é dinheiro.
Além disso, informação sobre o Inquisidor é inevitavelmente sensível.
A ascensão e queda de certas pessoas se tornavam claras dependendo de onde seus passos chegavam.
— Existem apenas algumas vilas perto da fronteira. Tinha um rumor de que Arsando, que foi para Torrett, morreu, e se isso é verdade…
O quebra-cabeça começou a se encaixar.
As sobrancelhas estreitas se endireitaram, e um leve sorriso se espalhou em seus lábios vermelhos.
— Por que será que o Inquisidor da justiça de aço foi para Torrett? Será que foi por sua causa?
Callius von Jervain.
À parte de como matou Arsando, como que pode ter conseguido atrair o Inquisidor de Heréticos?
— Se for de Callius que estamos falando, é possível…
Pouco tempo atrás, Lutheon, que era próximo dele em seus dias de monge, renunciou suas crenças.
— Será que foi por causa daquilo?
Não está claro ainda, mas Callius deve estar sendo perseguido de todo modo.
A distância de Torrett para Bolivian são quase dez dias.
Se consideramos o tempo que esta carta demorou para chegar, tudo começava a fazer sentido aos poucos.
— Será que você já foi pego?
Será que já foi preso e está sendo questionado agora? Questionado não, torturado na verdade.
— Haha! — Helena riu enquanto inclinava a cadeira para trás.
— Não é que Deus ainda existe? Finalmente posso ver aquele canalha que me enganou ser punido, mexeu logo comigo, Helena de Bolivian.
Ah, ainda tem o Lorde Valtherus.
Helena sorriu novamente com grande satisfação enquanto ajeitava a coluna.
— Mas não vai morrer, né? Você ainda me deve as quinhentas moedas de ouro que me roubou, Callius.
— Ele é o filho mais velho da família Jervain. Não importa se foi abandonado no momento, ainda tem a sua linhagem, então não será morto.
— Será? Então, já que não vai morrer, vai ter que me pagar 10 vezes a mais o que me deve.
Bang.
Helena voltou a carimbar a papelada na mesa, murmurando feliz e sozinha.