— Por que você quis se separar deles?

Alfredo perguntou como se não conseguisse entender.

— Seria melhor se estivéssemos juntos. Mestre Callius foi o primeiro a notar o ataque. Mesmo que sua aura seja fraca, os rumores sobre ele não parecem ser mentira.

— Você está falando da conversa sobre ele ser o Herói do Norte?

— Exatamente. O nível do Mestre Callius não pode ser comparado ao de três anos atrás.

A reação instantânea e a agilidade que o permitiram desviar do ataque surpresa.

E a aura da espada que sacou em resposta.

Todas essas três coisas faziam dele um cara bem forte.

— É verdade. Também fiquei muito surpreso, sabia?

O ataque surpresa do dragão lobo do trovão foi rápido e preciso. Adequado a uma criatura que herdou o sangue de um dragão.

Se Callius tivesse reagido um pouco mais tarde, Helena teria sido gravemente ferida.

Ela ainda sentia uma dor latejante no ombro onde foi empurrada.

— As duas espadas que estão em sua cintura são ambas de nível espiritual. Ele sacou uma delas quando o dragão lobo do trovão atacou.

E quando Callius sacou sua espada…

Alfredo não conseguiu se mover por um momento.

— Eu fui suprimido pela força do seu espírito por um momento.

Um guerreiro que atingiu um nível tão alto que pode emitir uma estranha pressão apenas sacando sua espada.

Para os sanguinários, isso era uma intensão assassina.

Para aqueles que abraçam a espiritualidade, é chamado de força do espírito.

— A presença do Mestre Callius dominou todo o espaço ao redor por um momento. Isso deve ter assustado a besta.

Embora sua aura parecesse fraca, tinha uma espiritualidade imensa.

— Acho que ele está escondendo sua aura de propósito. Vai que sempre fez isso…

— Não está pensando demais? Você não sabia que Callius quase morreu para os outros peregrinos três anos atrás? Não tem como um homem arrogante como ele ter escondido seus poderes nessa situação. Talvez tenha treinado muito ou se esbarrado em algum milagre.

Se não for isso, deve ser o poder de uma relíquia misteriosa. Ou talvez o poder da espada que ele tem?

— Então por quê? É por causa do homem de óculos?

— Parcialmente.

— Parcialmente?

— Em parte, eu não quero vê-lo, e em parte por causa do Callius.

Helena tinha um sorriso malicioso.

— Então é um teste?

— Hum… Só preciso ver uma vez.

A criatura que invocou um relâmpago.

Suas escamas e chifres não eram nada demais.

— Em primeiro lugar, estou aqui apenas para observar.

— E se ele morrer?

— Ele já não estaria morto se tivesse vindo sozinho, então? É claro que vou ajudar se chegar a esse ponto.

Se isso acontecer, seria suficiente salvá-lo, apagar a dívida que temos e dividir os lucros.

Mas e se ele capturar o dragão lobo do trovão? E se tem mais potencial do que ela pensa?

— Pode ser um bom investimento.

— Você diz a posição de Senhora do Norte?

— Claro que não. Não isso!

Alfredo levou a mão aos seus lábios como se estivesse lamentando a recusa.

— Por que você sempre está tentando me arranjar um casamento?

— Só quero que você comece uma família e encontre a felicidade.

— Mas que engraçado. Você só quer que eu suma para que fique livre de mim.

Alfredo deu de ombros.

— De qualquer jeito, aos olhos do público, Callius ainda é um lixo, não é?

E se você ficasse do lado de tal pessoa, dar suporte e investir nela? Seus ganhos aumentariam rapidamente.

— Mesmo assim, parece loucura se tornar um inquisidor assim do nada…

Callius tinha mudado.

Na verdade, ainda estava mudando.

Em algum ponto, o extravagante cafajeste tinha se tornado o Herói do Norte.

Ele até tinha uma filha, o que era chocante.

— Quero ver com meus próprios olhos e julgar por mim mesma. Se eu der suporte a ele, talvez não seria sonhar demais em transformá-lo no Herói de Carpe.

— Você realmente ama seu país, minha senhora. Mesmo que diga o contrário.

— Carpe está apodrecendo há muito tempo.

— Para uma família mercante, a fortuna está acima da honra.

— Nós sempre colocamos dinheiro na frente da fama, é claro. Mas Carpe é onde lucramos. No império? Não é como se nós não pudéssemos lucrar lá. Não seria tão mal assim.

Mesmo que mercadores busquem a fortuna…

— Se você apenas busca o ouro sem acreditar em mais nada, um dia o ouro te arrastará para baixo e vai te afogar.

Um mercador governado pelo ouro não é diferente de um ladrão qualquer.

— Não é essa a crença da família Bolivian?

E acima de tudo…

— Eu gosto de Carpe. E da espada também.

— E que tal o Império e sua lança?

— Eu não gosto deles. São muito tediosos.

Não tem romance.

Um império e uma arma cheia de ambição pragmática, tentando usurpar mais e mais terras e apagar outras culturas e religiões.

“Não tem romance” era a frase que Helena sempre usava quando falava sobre os dois.

— E é mais divertido e gratificante ter sua própria história enquanto estiver ganhando seu ouro.

O que poderia ser mais tedioso do que ganhar moedas de ouro sem nenhum esforço?

Qual o sentido de conseguir ao menos uma única moeda de ouro sem nenhum esforço?

— Mesmo nesses tempos, vai haver muito ouro vindo em minha direção.

Cheok.

Helena puxou uma das espadas que estavam nas costas.

No momento que a atirou no chão.

Pong.

Ela se tornou uma sombra escura com o som da batida, e quando a outra espada foi atirada também, a sombra mudou de forma, tornando-se uma serpente.

A sombra que tinha se tornado uma serpente gigante logo desapareceu.

E um sorriso surgiu no rosto da Helena.

— Te achei.

A Floresta Negra era quente e úmida, devido às árvores que a mantinham aquecida durante todas as estações do ano.

Às árvores emitiam calor, mas e quanto à neve que caia do céu o tempo todo? A neve derretia e se tornava água, deixando o ambiente sempre úmido.

Similar à Floresta Branca, essa floresta era desse jeito devido à peculiaridade das árvores que cresciam ali.

Essa era a Floresta Negra.

— Onde está?

— Conde, você não disse que fazia uma ideia de onde poderia estar?

— Se ele de fato dominou a Floresta Negra, minhas suspeitas estão em um lugar.

Perto do centro da Floresta Negra, havia uma árvore que tinha a forma de um pináculo.

Uma árvore tão velha, que é válido dizer que toda essa floresta cresceu unicamente ao redor dela.

É tão grande e longa que pode ser vista de bem longe, então Callius pensou que o governante dessa floresta provavelmente estaria ali.

Teok.

— Você está indo em direção ao centro da floresta.

— Exatamente.

Demoraria um tempo para chegar ao centro.

Ele teria que andar por mais ou menos uma hora.

— Posso te perguntar uma coisa?

E se eu disser não?

— Por que você aceitou a oferta?

— Sua oferta?

— Minha sugestão de recomendação para você se tornar um inquisidor de herege.

— Você está perguntando isso agora?

Não está apressando as coisas?

— Era uma proposta que eu mesmo havia pensado, mas, honestamente, é verdade que a posição de inquisidor de herege não é tão atrativa para você, Conde, já que você já conseguiu obter com sucesso o título de “Senhor do Norte”.

Mas por que mesmo assim você aceitou?

Ryburn ficou pensando nisso.

Callius olhou para a floresta enquanto andava, então olhou de volta para Ryburn e respondeu com indiferença.

— Eu vou precisar, por agora.

A princípio, não tinha nenhuma intenção de se tornar um inquisidor de hereges.

Mesmo que não fosse um inquisidor, mesmo sem o título de Conde, Callius poderia ter salvado Carpe usando de outros métodos.

Somente aceitou a oferta do Ryburn porque não havia nada de errado em aceitar.

O título de conde e a posição de inquisidor de hereges.

Não existia nenhuma desvantagem se tivesse ambos.

Tendo apenas um deles seria um problema, mas seria muito melhor agora com os dois ao mesmo tempo.

Devido a um simples motivo…

As ambientações deste mundo vinham de sua imaginação, mas ainda assim existiam muitas coisas que não sabia.

Foi então que…

— O que foi?

Quando ele parou, Bruns se apressou para se esconder atrás dele.

Alguma coisa ativando o senso de aura do Callius.

— Hick! É o dragão lobo do trovão?

Não era o dragão lobo do trovão. Era um humano.

Ouvindo isso, Bruns acariciou seu peito como se estivesse congelado de medo e então gritou.

— Eu não sei quem é, mas mostre sua cara! Você está na frente do Conde Jervain!

Com o grito de Bruns…

Um homem grande apareceu de trás de uma árvore negra.

O capitão do sexto esquadrão.

— Druma.

E…

— Orcal.

Com ele estava o capitão do terceiro esquadrão, Orcal.

Seus cabelos estavam cobertos de poeira, como se estivessem acabado de sair de uma batalha, e seus mantos e armaduras estavam cobertos de lama em toda parte.

— Foi a besta que fez isso?

Druma e Orcal olharam para Callius, mas não responderam sua pergunta.

Pelo contrário…

Eles olharam um para o outro, acenaram e lentamente sacaram suas espadas.

Callius semicerrou os olhos.

A intenção assassina sútil dos dois capitães começou a emanar e estava alfinetando sua pele.

Bruns pensou rápido e recuou passo.

— Por agora, vou apenas perguntar. O que vocês pretendem fazer?

Callius perguntou sem nem mesmo piscar diante da intenção assassina deles.

Mas Orcal meramente levantou sua espada em resposta.

Era uma espada estranha que tinha vários buracos na lâmina, como se tivesse sido roída pelos vermes negros que Orcal controlava, mas Callius apenas franziu a testa ao olhar para a espada.

Alma de Verme – Anaskan.’

A espada de Orcal, a Alma de Verme, Anaskan.

Dos buracos da lâmina de sua espada que pareciam que tinham sido roídos por insetos, pequenas coisas pretas começaram a rastejar para fora, sozinhos ou em pares.

Uma fuligem negra começou a envolver o local onde Orcal estava, e logo se expandiu como se estivesse tentando controlar tudo ao seu alcance, incluindo Callius e a própria floresta.

A verdadeira essência da fuligem negra eram os vermes(蟲).

Vermes.

Como o próprio nome sugeria, uma espada espiritual que criava vermes.

É claro que não eram vermes normais.

Eles eram criaturas poderosas que carregavam uma neurotoxina e que se alimentavam de carne e ossos.

Algumas vezes, até mesmo roíam as lâminas das espadas, então não eram inimigos fáceis de lidar.

— O que eu pretendo? Nós temos muitos problemas para falarmos sobre todos.

Os vermes emitiram um zumbido e circularam Orcal, que estava falando com os dentes cerrados.

A aparência de centenas de milhares de vermes espalharam uma profunda repulsa.

— O maior lixo do reino de repente se tornou forte, sendo honesto, mesmo com uma relíquia ou sei lá o quê, você é muito bom. Mas ó herói! Ó Herói do Norte!.

Esse lugar estava bem longe do Norte.

Era a Floresta Negra, onde não tinha ninguém.

O único outro ser ali era o dragão lobo do trovão.

Então era o lugar perfeito.

— Em nome de Deus, que o interrogatório comece…

Foi então que…

Kuuung-!!

A tempestade móvel de vermes, com Orcal em seu centro, foi perturbada.

De repente, uma tremenda sensação de pressão cobriu todo o lugar, transbordando de ameaça.

— Ugh!

— Isso…

— O quê!

Uma intenção assassina bem sombria começou a surgir.

Como se estivesse os observando de algum lugar acima deles.

O rosto de Orcal e dos outros capitães franziram de dor, como se estivessem enraizados no lugar pelos olhos frios de um predador, a personificação da arrogância.

— Então, vocês pretendem me interrogar?

Callius pegou a espada que estava na cintura e a segurou.

A pressão sobre eles aumentou.

Me fazendo sentir toda essa pressão apenas com sua intenção assassina…!’

Uma intenção assassina que poderia até mesmo impedir os capitães de se moverem! Orcal não se atrevia a agir descuidadamente devido a sensação de intimidação que era totalmente diferente do fraco poder divino que seu oponente emitia.

Para fazê-lo sentir diretamente esse tipo de pressão, apenas com sua intenção de matar?

Ser capaz de usar um poder tão incontestável, é impossível sem atingir certo nível.

Os vermes…’

Até mesmo os vermes que tinha criado não conseguiam resistir, visto que não conseguiram voar propriamente e caíram no chão dando a impressão de uma chuva negra.

Até mesmo coisas inanimadas estavam em tal estado.

Os rostos de Orcal e dos outros capitães foram tingidos com surpresa.

Será que mesmo que seu poder divino seja fraco, sua pureza foi modificada para se comparar a de um Mestre!?’

Não tem como ele já ter chegado nesse nível…

Nem mesmo poderia ser considerado como alguém na classe dos mestres.

Era impossível.

Era um absurdo, mas era isso que seus olhos estavam dizendo.

— Mestre…

Essa era a prova.


Nota: 

Mestre é o título para quem está no nível mestre, mas também existe a forma de tratamento “mestre”, que é como Bruns chama Callius.

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