Jasmine Flamesworth

Observar o céu distante ficar branco teria sido ameaçador mesmo sem a pressão. Quando ficou rosa, puxei Camellia para o meu lado, certa de que algo estava prestes a acontecer. Nuvens negras rolaram sobre a distante montanha, então o chão começou a tremer sob meus pés.

Ela engasgou e pressionou o rosto contra mim, seu corpo magro tremendo quando uma parede de mana nos atingiu. A força pura era forte o suficiente para tirar o fôlego dos pulmões. Tudo o que podia fazer era segurá-la contra mim e assistir.

Alguns dos estudantes se juntaram a nós, assim como uns fazendeiros da aldeia. Mesmo que não pudessem sentir a mana, sentiam a incrível pressão os pressionando que nem um punho.

A nuvem emitia calor, enchendo o céu e obscurecendo o horizonte. Se movia à nossa direção em uma velocidade inacreditável, e ainda assim ninguém se moveu. Um dos aldeões tremia tanto que teve que se sentar na terra, mas ninguém tentou fugir.

Todos sabiam que não havia como fugir do que quer que fosse.

Os ventos fortes de furacão bateram contra nós, forçando até Durden a se inclinar contra. Fechei os olhos devido aos detritos e me concentrei na sensação dos braços de Camellia ao meu redor, a maneira que ela tremia, a umidade de suas lágrimas escorrendo pela minha túnica.

As perguntas surgiram na minha cabeça, indo e vindo muito rápido para que tentasse respondê-las. Meus pensamentos se acomodaram em um zumbido aborrecido, e de repente queria apenas sentar em algum lugar e tomar uma bebida forte.

‘Não.’

O que quer que esse ataque significasse, quem quer que o tenha iniciado, apesar de todas as perguntas, sabia uma coisa com certeza: tudo mudou. Não podia imaginar nada sobrevivendo a uma explosão tão avassaladora de energia, e se tivesse vindo de Elenoir que nem imaginei, então era possível que toda a terra dos elfos tivesse acabado de ser varrida de Dicathen.

Se os alacryanos tivessem magia forte o suficiente para acabar com um país inteiro, então toda a esperança estava de fato perdida… Mas não pude evitar a ideia de que não foram eles. Eles tomaram Elenoir, por que destruir agora? Não fazia sentido algum…

Se não eles… as Lanças?

Balancei a cabeça enquanto sujeira e detritos batiam no meu rosto. Mesmo que tivessem esse poder, não fariam isso. Nenhum ataque aos alacryanos valia os milhões de vidas que quase certamente foram perdidas.

Senti o peso disso. A perda de vidas era incalculável.

Estava segurando nos meus braços um dos últimos elfos de Dicathen.

Afundei de joelhos, a trazendo comigo. Se enrolou numa bola, me deixando apoiá-la inteiramente. Mesmo que não entendesse por completo o que estava acontecendo, deve ter sentido isso, no fundo de seu núcleo em algum lugar. A casa dela tinha desaparecido. O povo dela…

Helen estava ao meu lado, a mão acariciando o meu cabelo. Não me lembrava da última vez que alguém fez isso.

O vento soprou para o que pareciam horas, porém só poderia ter sido alguns minutos. Não lutamos contra, não fugimos, apenas… ficamos lá — juntos — experimentando, entendendo que tinha que haver um fim. Não tinha ideia de como estava o mundo do outro lado deste momento, entretanto, e com a ideia que sentia, agora havia outra coisa.

Medo.

Era fácil, viver como se não houvesse mais nada a perder.

Isso era o que não entendi quando Helen e os Chifres Gêmeos foram lutar. Parecia que o mundo já acabara quando perdemos a guerra, mas na verdade só tinha acabado para os mortos.

Adam. Reynolds. Arthur…

O resto de nós tinha uma responsabilidade com aqueles que tinham sacrificado tudo. Dicathen era a nossa casa, e enquanto um único dicathiano mantivesse a força e a vontade de lutar, então a guerra não tinha acabado.

Apoiando a mão no ombro de Camellia, dei um aperto firme.

“Estou pronta para lutar.”

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