À medida que as balsas aumentavam, ambos os lados se chocavam mais. As habilidades físicas dos cavaleiros de ambas as religiões foram fortalecidas pelas bênçãos dos sacerdotes. Quando as espadas batiam uma às outras, um som ameaçador se espalhava nos arredores.
A batalha era feroz, porém, como o caminho ainda era pequeno, apenas alguns karuwimans puderam se envolver em conflito direto. Infelizmente, o resto não encontrou um meio milagroso de matar os bellids com os olhos.
No começo, a luta estava a favor dos karuwimans, que tinham mais experiência. Todavia, quando os inimigos recuaram às barreiras, a situação mudou. Foram capazes de usá-las como apoio. Embora o exército de Karuna tivesse soldados mais fortes e experientes, os danos começaram a aumentar.
As pontes de balsa e colunas já alcançaram o meio do lago. À medida que se aproximavam, a maioria dos ataques sagrados alcançavam os bellids; ao mesmo tempo, a retaliação contrária ficou ainda mais forte.
Crash! Crash!
Os pilares de água se ergueram e bateram naqueles que estavam nas balsas.
Splaaasshhh!
A superfície tremeu violentamente e sacudiu a ponte, quebrando o equilíbrio das tropas e desconectando a construção improvisa ao mesmo tempo.
Swooosh!!
Gotículas voaram e foram em direção aos karuwimans feito um exército de abelhas. Contudo, eles não cederam. Sacerdotes de alto escalão, de pé em uma pilha inabalável das pedras de apoio firmadas com a ajuda de Snoc, seguraram as mãos e reuniram seus poderes sagrados, iluminando toda a caverna de novo.
Crash! Crash!
Ao mesmo tempo, uma luz sutil começou a se espalhar pela superfície do lago.
Swish!
Quando a luz passou pelo lago trêmulo, ele ficou imóvel como se nada tivesse acontecido.
Bam! Bam!
Mais bolas e feixes de luz. Todavia, a barreira do templo se manteve firme, anulando as habilidades todas as vezes.
Em contraste, os sacerdotes tinham que fazer defesas de luz para se proteger dos ataques ferozes e proteger aqueles que estavam construindo as pontes. Em alguns momentos, poderiam ultrapasssar o lago e avançar mais.
A água do lago voltou a se erguer com a magia de Bellu. Os karuwimans tentaram se defender, porém estavam muito perto do templo, o que aumentou significativamente o poder.
— Argh!
— Ugh!
Alguns cavaleiros foram atingidos pelos pilares de água e caíram no lago; um que estava posicionando as balsas por acidente pregou o lado errado, e uma parte da ponte se tornou inutilizável. Weig, observando tudo, permaneceu impassivo. Todas as batalhas eram assim. Não importava quão esmagadora fosse a vitória, sempre existia baixas. Era impossível não receber algum dano de uma forma ou de outra.
— Ah…! — Lubella, ao lado dele, soltou um suspiro. Toda vez que um cavaleiro era atingido, ela dava um pequeno grito. Mas Weig não se virou.
“Ela tem que se acostumar.”
Enquanto os bellids existissem, ela passaria por muitas experiências semelhantes. De imediato, ele quis perguntar se ela estava bem, entretanto reprimiu a emoção e continuou olhando para a batalha em silêncio. Mais uma vez, cavaleiros foram sacrificados.
“Como esperado, aquela barreira é um grande problema.”
Ela bloqueava os ataques sagrados e aumentava os poderes bellids. Todavia, poderiam quebrá-la, já que o exército karuwiman era bem mais forte. Após deixar um substituto no comando, Weig voltou a se mover. Quando estava prestes a chegar ao outro lado…
Pei!
Seus movimentos ficaram maçantes. Ao sentir o corpo ficar mais pesado, olhou para cima. A energia nojenta de Bellu estava o pressionando.
Bam! Bam!
Como se estivessem esperando por este momento o tempo todo, foi atacado por todos os inimigos, o que não adiantou tanto, pois revidou tudo com o balanço da espada.
“Hmm… Não é tão ruim.”
Uma pessoa comum teria sido esmagada sob a pressão, contudo ele ainda estava cheio de energia, apesar de ter sido um pouco enfraquecido. Por outro lado, olhando em volta, percebeu que situação estava melhorando pros karuwimans.
“Já que estão concentrando a maior parte da energia de Bellu em mim, não têm o suficiente pro restante.”
Sua presença acabou sendo útil ao extremo. Por isso, olhando o templo, ficou parado numa balsa.
“Seria ótimo se Zich pudesse quebrar essa barreira” pensou, antes de retormar o comando.
Enquanto lutavam uma batalha feroz no lago, havia uma enorme comoção dentro do templo.
— Caralho! — Tríslei xingou e socou a parede. Irritado por ter perdido de vista o inimigo, quis desmembrá-lo da cabeça aos pés. Mesmo que fosse mais forte, era, em última análise, um sacerdote. Em termos de força física, não havia como vencer ele, que treinou o corpo até os limites. Zich também controlava mais de sua mana do que antes, acrescentando uma vantagem.
Ademais, ele conhecia a arquitetura do templo como se fosse a palma da sua mão, algo que nem Tríslei tinha pleno conhecimento. Era uma situação ridícula, mas também a realidade.
“Por que diabos tem uma passagem secreta aqui…?”
Ele estava familiarizado com todas as passagens secretas conhecidas pelos bellids, porém não com a usada por Zich.
“Como um estranho sabe de uma que nem eu sabia?”
Quando construíram o edifício, era prática padrão deles cavar o maior número possível de buracos para fugir. A passagem pela qual Zich escapou era uma delas. Com o passar do tempo, somando ao pensamento de aquele era o esconderijo perfeito, foram esquecendo algumas. Ele estava ciente disso tudo, embora descrente.
“Não tem como ele ter conseguido a planta ou coisa do tipo, até porque todas foram enterradas com os construtores. Independentemente, é evidente que ele conhece bem este lugar, e o mais importante, tem a Pirâmide dos Penados.”
— Companheiros!
— Sim?!
— Por favor, vão lá fora e tragam cavaleiros rápidos. Reúnam uns cinquenta na sala de oração.
— Sim, senhor!
Assim que o outro sacerdote desapareceu, Tríslei cerrou os dentes.
“Já que estamos lutando contra os karuwimans, pegar mais do que cinquenta seria demais. Temos que recuperar o artefato a todo custo.”
Os homens que queria chamar eram soldados eficientes que poderiam ser usados na batalha, e ele, uma das maiores forças de combate bellid, precisava voltar à luta o mais rápido possível.
Tríslei racionou as tropas restantes no templo da melhor maneira possível. Um grupo ficou de bloquear a entrada da frente, e depois que os avisou que deveriam sinalizar mesmo que morressem, foi procurar por Zich.
Não importava para onde fosse, não podia achá-lo.
“Rato sorrateiro! É impossível que ele tenha escapado, certo?! Mandei que bloqueassem todas as portas, mas, e se ele souber uma passagem para fora? Porra, ele tinha que ter um bom motivo para se intrometer.”
Mesmo em sua conversa, Zich exalava uma pressão assustadora. O seu objetivo final era a vingança, contudo o propósito da invasão devia ser…
“Para causar o caos…”
Além do ataque, houve uma comoção interna por causa dele, e ele foi incrivelmente hábil em usá-la a seu favor.
“Mesmo assim, não tem chance nenhuma de ele ter fugido.”
Era um problema sério. Se pensasse na resposta de Zich ao pegar a Pirâmine dos Penados, o alvo principal dele não aparentava ser o artefato, embora tivesse sido capaz de reconhecer na hora o seu valor.
“Ele deve estar priorizando a Pirâmide agora em vez de bagunçar tudo. Talvez… ele escapou. Não tem jeito. Não posso fazer nada além de esperar que ele não tenha saído.”
No fim, voltou à sala. Lá, viu o grupo de cavaleiros que havia pedido esperando por ele.
— Um rato se infiltrou no templo e roubou a Pirâmide dos Penados. Temos que recuperar nosso sagrado a todo custo, não importa o quão terrível seja nosso estado de emergência. Ela é mais importante do que esta base!
Os cavaleiros ficaram sérios quando notaram o olhar dele.
— As habilidades daquele rato são dignas de nota. Ele evitou meus ataques várias vezes e é ágil. Não podemos simplesmente ignorar. Além disso, de alguma forma conhece bem a estrutura do templo e seus lugares ocultos. Se movam em pares e não o ataquem sem pensar. Enviem um sinal primeiro. Se ele atacar, evitem; se ele fugir, tentem segui-lo o máximo que der. Fiquem perto dele! — gritou — Vamos encurralá-lo até um beco sem saída.
“Já que ele descreveu a si mesmo como um rato, vou tratá-lo como um…” pensou, com uma sede de sangue incrível nos olhos.
Longe, Zich desceu ao porão, onde ficava a prisão pela qual passou antes, e verificou a área.
“Sem guardas.”
Até os guardas da prisão pareciam ter sido mobilizados para a luta, já que o seu assento estava vazio. Então, Zich caminhou até ele.
“Bem aqui.”
Um chaveiro estava pendurado na parede. Ele o peogu, e muitas chaves tilintaram enquanto batiam uma na outra. Depois, fez seu caminho à frente da grande cela e olhou para dentro. Ao contrário de antes, quando não deu muita bola, pôde ver com clareza os prisioneiros. Em péssimas condições, era óbvio que suportaram torturas por muito tempo.
Havia crostas ensanguentadas por todo o corpo, e não era um exagero dizer que sua pele parecia que cairia a qualquer momento. Como se seus tendões tivessem sido cortados, seus membros estavam esticados frouxamente. Havia alguns murmurando coisas sem sentido, alguns sem certos membros e uns que já estavam mortos.
Os resíduos das pessoas estavam empilhados no chão, e as paredes eram todas manchadas. O lugar não era adequado para um humano e nem um animal.
Zich, frio, olhou para eles como se fossem mercadorias. “Eles podem ser úteis?” Os prisioneiros tremeram ao vê-lo pela primeira vez, pensando que era um bellid, contudo, ao verem seu comportamento e roupas diferentes, acharam que algo estava diferente do normal.
Ainda assim, ninguém disse nada. Podia ser diferente, todavia não existia evidências de que ele não fosse um seguidor de Bellu. Ele caminhou por toda o local e olhou para eles antes de dar um sorriso satisfeito.
“Isso vai ser divertido…”
Ele se posicionou no meio do lugar, atraindo os olhares amedrontados e furiosos das pessoas.
— Geral aí, não querem vingança?