The World After The End

Capítulo 115: Deus Nu (3)

[Ele é um Deus! Tenho certeza disso!]

— Isso é impossível!

[Não, ele é. Pelo menos algo próximo disso. Você deve confiar em sua Deusa às vezes.]

— Você está falando sério?

Runald virou-se para o homem. O homem nu ainda estava deitado no chão inconsciente. Ele era muito bem construído com seu corpo musculoso.

“Ele tem um belo espírito.”

Dentro do <Caos> ou do <Abismo>, o corpo não era construído apenas por meio de exercícios. Ter um corpo bem construído era fruto de um espírito treinado. No entanto, Runald nunca tinha visto um homem com uma constituição tão equilibrada até agora. Isso também era a prova de que esse homem não podia ser um Deus.

— Ele nunca poderia ser um Deus. Nenhum Deus tem um corpo espiritual.

Os deuses não tinham corpos espirituais. Esta era a verdade do <Abismo>.

— Todos os Deuses existem em ‘presença’ e só se tornam eles mesmos através de Vice-Gerentes. Essa não é a regra básica do <Abismo>?

Andersen ficou chocada com a explicação lógica repentina.

[Uh… Eh… Runald, você está tentando mostrar o que sabe?]

— Você me ensinou isso.

Era simples na verdade. Significava apenas que nenhum Deus poderia usar seu poder sem um vice-gerente. Isso era um fato para todos que viviam no <Abismo>.

[Hm… Sério?] Andersen disse.

— Você está brincando comigo? Me disse isso no primeiro dia que vim aqui.

[Deus] — um ser que alcançou seu status como o ser superior e ascendeu de seu eu original. Esses deuses precisavam de um vice-gerente para usar seu poder. Não havia exceção nisso.

Deuses existiam através do vice-gerente. Eles tinham uma quantidade enorme de poder, mas nunca foram autorizados a usá-lo por conta própria. Isso era o que Runald sabia.

— Então, com isso dito. Ele não pode ser um deus. Talvez seja um seguidor ou um vice-regente… Posso enviar o poder mundial dele também.

Foi quando Runald parou. Seu rosto franziu a testa e Andersen perguntou.

[Ah, então agora você vê?]

— O que é esse homem?

[Você não disse que ele deve ser um [Seguidor] ou um Vice-gerente?]

— Não… Não pode ser. Ele é do <Caos>. Não há deus no caos.

O único lugar onde existiam deuses era no <Abismo>. E este homem era do <Caos>. Não fazia sentido ser um [seguidor] ou um vice-gerente onde não havia Deus. Mas Andersen teve uma ideia diferente.

“Bem, há um Deus no <Caos>, na verdade.”

Havia um deus aterrorizante dentro do <Caos>. Um que pode ser mais forte e mais aterrorizante do que qualquer um dos deuses de nível alto do <Abismo>. Mas Andersen decidiu não divulgar essa parte da informação.

“Duvido que ele seja vice-gerente.”

Até onde Andersen sabia, esse Deus estava ligado ao <Caos> por uma condição desconhecida e nunca recrutou um vice-gerente. Então, deixando isso de lado, não havia como esse homem ser um vice-gerente ou um [seguidor].

Runald continuou:

— Você disse que ele é um Deus por causa disso? Porque ele não é nem um vice-gerente, nem um [Seguidor]?

[Bem, isso era uma parte.]

— Mas é apenas um palpite! Você nem sequer tem uma lógica que convém a um Deus!

[Runald, você aprendeu bem insultar sua própria Deusa.]

— Sua lógica é assim. Há um animal que parece um rato, mas não é. Então o que é isso? Um novo animal? Então vamos nomear este animal. Este animal agora é um gato!

[Então o rato é um vice-regente e um deus é um gato? Que parábola lamentável.]

— Deusa, não está na hora de me contar?

[Hã? O quê?]

— Você disse que ele era um Deus no momento em que o viu. Sabe algo que eu não sei, certo?

Um Deus ainda era um Deus. Eles eram seres que tinham conhecimento e informações que nenhum humano poderia obter. Se a Deusa estava certa daquilo, então devia haver uma razão, mesmo que fosse difícil de explicar.

[Runald, você já ouviu a história chamada ‘História do Rato Forte’?]

— O quê?

Runald perguntou confuso.

“História do Rato Forte? O que é isso?”

[Era uma vez um rato. Ele era um bem estranho. Mas como o título diz, era um rato forte. Não catava restos de comida, mas saía para caçar. Depois de caçar e comer, ele ficou muito forte. Era um rato, mas se recusou a ficar como um rato e se tornou algo mais.]

Runald concentrou-se na história de Andersen.

[Depois de um tempo, estava forte o suficiente para lutar contra um gato. Também percebeu que outros ratos tinham medo dele. Então viu que eram aqueles gatos que o viam como iguais, não os outros ratos. Foi quando finalmente percebeu…]

— O-O quê?

Perguntou Runald. Andersen continuou com uma voz sonhadora.

[Ah… Eu não sou mais um rato…]

Runald ficou em silêncio.

— Você acabou de inventar isso agora, não foi?

Andersen não respondeu, mas Runald percebeu algo. Este não era apenas um velho conto de fadas.

— Espere, Deusa. A história agora…

[Eu chamo esses ratos de Despertados.]

Despertado.

Runald sentiu um choque repentino. Ele conhecia os Despertados muito bem. Ruptura, o infame grupo terrorista que se opôs aos Monarcas das <Grandes Terras>, era composto por Despertados.

[Esses seres quebraram seus limites como humanos e se tornaram deuses. Eles criaram seus próprios mundos e se tornaram os vice-gerentes de seus próprios mundos. São camundongos que, com seu trabalho árduo, conseguiram até caçar os gatos.]

Tudo faz sentido agora. Aquele que tinha seu corpo espiritual, mas também era um Deus. Apenas os Despertados eram capazes de fazer isso.

— E-Ele é um Despertado então?

[Provavelmente. E além disso, se ele é do <Caos>…]

Andersen se lembrou do que ouviu na rede <Pequeno Irmão> que os Despertados estavam aparecendo no <Caos>. Ela pensou que era uma farsa, mas parecia que era verdade. Runald perguntou com a voz trêmula:

— Talvez ele seja da Ruptura?

[Não, esses nunca viajam sozinhos. Ele não pode ser da Ruptura.]

A aparição do Despertado não afiliado. Runald não tinha certeza de que mudança isso traria para o <Abismo>.

— Então, o que vamos fazer com ele?

[Não sei… Depende se ele é um Deus ou não.]

— Depende?

[Ou ele se tornará nosso aliado ou…]

Então Runald sentiu uma sensação estranha chegando. Era semelhante à vontade de comer. Depois de passar muito tempo com Andersen, Runald entendeu de onde vinha esse sentimento. Os vice-gerentes eram seres que compreendiam melhor seus deuses. Eles os entendiam tão bem que eram influenciados pelos sentimentos de seus deuses.

— Deusa?

Perguntou Runald. E ela respondeu:

[Runald, há uma maneira de ter certeza se ele será nosso aliado ou não.]

Runald não queria saber como, e ela não se importava.

[Vamos comê-lo.]

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