The World After The End

Capítulo 173: Ruptura (8)

Era uma voz calma. Era tão calma que era difícil aceitar.

— Entendo? Isso é tudo que você tem a dizer sobre isso?

— Não tenho mais nada a dizer.

Não tem mais nada a dizer? Yoonhwan tentou dizer algo, mas parou. Havia alguém chorando à distância.

Soldados estavam reunindo prisioneiros. Eram os Perdidos que abandonaram seus Deuses. Eles tremiam de medo da morte. Eram espíritos fracos com apenas cinquenta anos de poder mundial. Yoonhwan falou enquanto olhava.

— Tenho assistido isso todos os dias durante os últimos três meses.

— …

— Eu acreditava que o que estou fazendo é o certo. Tudo ficará bem no final. Se eu esperar e esperar… Então chegará o fim do qual todos podem se orgulhar.

— Realmente.

— Mas isso me veio à cabeça um dia.

Um prisioneiro estava sendo pisoteado por um soldado. Duas mãos indefesas tremeram. Enquanto observava, Yoonhwan disse:

— Que tudo isso era o verdadeiro ‘fim’.

— …

— E com tudo isso acontecendo, nunca haverá um ‘final’ que eu deseje ver.

Yoonhwan talvez desejasse que Adel, que estava enfrentando o resultado da Ruptura perdendo a humanidade, pudesse concordar com ele. Mas o que veio a seguir foi inesperado.

— Não, senhor. O ‘fim’ ainda não chegou.

— Não?

— Não, senhor. Se derrotarmos o Grande Irmão, tudo estará resolvido.

Yoonhwan abriu a boca para falar, mas parou.

“Então, você também pensa assim.”

Ele se sentiu decepcionado. Yoonhwan falou novamente.

— Mas como? O Grande Irmão pode trazer vidas de volta? As pessoas podem ser curadas de suas feridas?

Adel respondeu imediatamente:

— Talvez sim, senhor. Se chegarmos ao [Início do Pesadelo] depois de derrotar o Grande Irmão, podemos controlar tudo neste mundo, talvez até o tempo.

— Tempo?

— Sim, senhor. Podemos receber o poder de voltar no tempo. A Árvore das Miragens poderia fazer isso.

— Voltar no tempo?

Yoonhwan ficou furioso. Ele relembrou as memórias do que aconteceu na Torre dos Pesadelos e gritou cerrando os dentes:

— Isso não resolve nada! Mesmo que possamos voltar no tempo, e isso realmente faça as pessoas voltarem ao normal como se nunca tivessem sido feridas, isso não muda o fato de que elas foram feridas. Mesmo que não se lembrem, esse período de tempo realmente existiu!

— …

— Você entende o que estou dizendo? Eu… Aquela gente… Aqueles tempos…

Yoonhwan parou de falar. Suas emoções estavam atrapalhando o que ele estava tentando dizer.

— Entendo. Então, você pensa dessa maneira, senhor.

Por quê? Yoonhwan sentiu que a calma de Adel parecia diferente de um tempo atrás. Adel pegou um cigarro e o acendeu enquanto falava.

— Senhor, se estiver tudo bem, posso falar da minha história de antigamente?

— Prossiga.

— Quando entrei na Ruptura, tinha pensamentos semelhantes aos seus, senhor. Não nos juntamos à Ruptura por nossa própria vontade, mas pensei que ela era o único grupo que poderia mudar o sistema. Sim, pensava isso naquela época.

— E você não sabe se isso é verdade?

— Não, senhor.

— Mas por que você…

— Ainda estou na Ruptura?

Yoonhwan parou de perguntar. Parecia rude perguntar, mesmo sendo seu superior.

— É simples, senhor. Eu estive aqui por ‘muito tempo’.

Muito tempo. Yoohwan sentiu que as palavras significavam uma tragédia.

— Estou na Ruptura há setecentos anos. Vi muitas coisas e perdi muitas coisas. Vi as coisas que eu valorizava mudarem durante esses tempos. Vi as coisas perderem a humanidade, de novo e de novo.

Setecentos anos. Yoonhwan engasgou com a quantidade inimaginável de tempo. Ele sabia o que havia acontecido há setecentos anos. Adel era um sobrevivente do Grande Desaparecimento.

Adel continuou.

— Talvez pudesse ter mudado. Se fosse antes de tudo desaparecer… Antes de desistirmos de tudo.

— Não. Não, ainda não. Ainda… Ainda não é…

Yoonhwan parou de falar no meio de suas palavras. Ele sentiu que era irresponsável dizer tal coisa. Não sabia sobre os setecentos anos de Adel. Ele não sabia nem um pouco sobre sua dor, sofrimento e tristeza. Adel sorriu.

— Você parece minha amiga.

— Amiga?

— Eu tinha uma amiga com quem adorava conversar. Uma vez ela também me disse que ainda não era tarde demais, que deveria ir com ela.

Ir com ela? Yoonhwan ficou curioso.

— Ela não é mais uma amiga?

— Não, senhor. Ela deixou a Ruptura um tempo atrás. Está indo encontrar seu próprio caminho. Uma ótima decisão.

Yoonhwan sentiu seu coração afundar. Não havia ‘deixar’ a Ruptura. A única maneira de sair era morrer. Mas Adel não parecia querer dizer que sua amiga havia morrido. Houve apenas uma pessoa que deixou a Ruptura viva.

— Espere… A amiga de quem você está falando…

— Que palavras bonitas de se ouvir. Não é tarde… Ainda não… Mas eu sei. Me conheço mais do que ninguém. Já é muito tarde para mim.

Adel então parou para recuperar o fôlego e acrescentou:

— Para outra pessoa, pode não ser tarde demais.

O silêncio caiu. Yoonhwan perguntou com a voz trêmula.

— Você está… Me dizendo para sair da Ruptura?

— Eu não disse nada, senhor.

Yoonhwan olhou ao redor. Havia soldados da Ruptura e prisioneiros. Suas mãos se estendiam pedindo por ajuda, e então eram pisoteadas impiedosamente. Yoonhwan gaguejou.

— Você… Você deveria…

— Ah, você não consegue fazer nada sozinho?

Yoonhwan ficou em silêncio. Ele pode partir? Ele pode passar por todos aqueles soldados e ir para onde queria ir? Não. Sabia onde precisava ir, em primeiro lugar?

Yoonhwan virou as costas para Adel. E deu um passo. E depois outro. E outro.

Foi assustador. Ele tinha medo que seu mundo, mesmo que fosse difícil de aceitar, fosse destruído.

Mesmo assim.

Mesmo assim…

Ao contrário de seu punho que estava cerrado, ele não conseguia se mover mais. Se virou para Adel novamente. Mas quando virou no meio do caminho, se lembrou de alguém. Das costas de alguém.

“Ah…”

Yoonhwan olhou para as costas. Ele havia confiado e seguido aquelas costas. Começou a caminhar em direção a ela sem perceber. Continuou se movendo através do campo de batalha.

Alguns soldados olharam para Yoonhwan. Ele olhou para o chão para os prisioneiros deitados ali. Mãos foram pisoteadas. Yoonhwan olhou para baixo e se ajoelhou para pegar a mão.

Todo mundo estava olhando para ele agora. Adel falou por trás.

— Ah, e isso é por me contar o que aconteceu na reunião. Minha ‘amiga’ foi para o sétimo local.

O prisioneiro se transformou em pó prateado e Yoonhwan se levantou. Então começou a se mover. Não houve mais hesitação em sua caminhada. Yoonhwan falou sem se virar.

— Adeus, Adel.

Adel respondeu:

— Adeus.

— Espero que nos encontremos novamente.

— Espero que não, pois seremos inimigos.

Ambos os homens sorriram e Yoonhwan continuou andando. Ele viu as costas do amigo novamente, as costas falavam com ele. Diziam a ele que estava tudo bem e que ele deveria seguir.

“Não.”

Yoonhwan balançou a cabeça enquanto caminhava.

“Desta vez, irei em frente.”

E ele passou pelas costas de seu amigo e deixou o campo de batalha.

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