The World After The End

Capítulo 184: Estrela Caída (1)

Episódio. Estrela caída

[A queda de uma estrela não mudará o mundo.]

-Quarto Capitão da Ruptura. Kashim.

O tenente Adel olhou para o céu. Nuvens escuras pairavam sobre as fronteiras dos locais. Parecia que ia chover em breve.

As pequenas partículas começaram a cair. A chuva no <Abismo> consistia em pequenas partículas de poder mundial. Eram tão pequenas que não dava para se encharcar e aumentar seu poder mundial, mas tinham habilidades restauradoras. Por causa disso, a chuva retardou a guerra. A chuva não discriminava. Todos os vice-gerentes e seguidores pararam de lutar para aproveitar a chuva.

A paz era curta enquanto a chuva caía sobre eles.

— É a estação das chuvas, Adel.

Disse Mirel ao lado. Adel olhou para seus longos cabelos loiros ficando molhados da chuva e assentiu.

— Sim, senhora.

— Teremos paz por um tempo.

— Uma paz enganadora.

— Enganadora?

Mirel ergueu a sobrancelha e Adel continuou:

— Consertarei a palavra já que não gostou. Paz no olho da tempestade.

— Adel, é a mesma coisa.

Adel não respondeu. Em vez disso, olhou para as nuvens escuras.

O poder mundial gigante tinha a habilidade de atrair outros poderes mundiais. As nuvens de chuva também eram em resposta ao poder mundial gigante. Mas mesmo assim, era difícil para os oito Deuses do <Abismo> provocarem uma mudança climática como aquela. Se isso acontecesse, seriam necessários pelo menos dois ou mais deuses para lutar contra alguém que aparecesse com tanto poder.

Fosse o que fosse, não era um bom sinal. Se os deuses estavam se opondo, isso significava luta. E se outro ser nascesse, isso significava que todo o inferno se soltaria no <Abismo>.

É por isso que as pessoas respeitavam a chuva. Era a última chance de descanso antes da luta.

— Faz setecentos anos que te conheço.

— Sim, senhora.

— Sempre achei um erro obrigar um homem como você a ficar tanto tempo em seu posto.

— Não, senhora.

— Achei bom você ser o tenente deles. Eu acreditava que aprenderiam o suficiente com você.

— É mesmo?

Adel não pareceu gostar do elogio. Mirel continuou.

— Você parece muito sentimental hoje. Isso não é normal.

— É a chuva.

— Isso é para pessoas comuns.

— Eu já fui um homem comum. Talvez mesmo agora, eu ainda seja.

Mirel ficou em silêncio por um segundo.

— Homens comuns não podem se tornar Despertados.

— Acha mesmo, senhora?

— …

— Olhe ali. Eles são todos pessoas comuns.

Os dois olharam para os lutadores da Ruptura curtindo a chuva. A maioria eram espíritos jovens que se juntaram recentemente.

— Sim, e podem morrer em breve.

Todos passaram pela Simulação do Grande Desaparecimento. Mataram suas memórias uma e outra vez, mas ainda tinham vislumbres de suas memórias e emoções.

Adel não tinha certeza se ainda poderiam ser considerados humanos, mas esperava que não morressem. Ou mesmo se morressem, morreriam como humanos.

— Você não parece como de costume hoje.

— Um homem não pode permanecer o mesmo todos os dias. Assim como alguém que é da [Ruptura] pode se tornar outra coisa amanhã.

— Você foi influenciado pelo líder de esquadrão ao qual serviu recentemente?

— Líder de esquadrão… Você está falando sobre Yoonhwan.

Yoonhwan. Ele era um homem que não pertencia à Ruptura. Ele era um ser que tinha um espírito muito bonito para ser usado ali.

Por quê?

Adel não conseguia parar de sorrir quando pensava nele.

— Pode ser.

— Pode ser…

— Sim, senhora. Talvez eu tenha obtido a energia do espírito jovem.

— Ha. Adel, você está falando sério…?

— E tenho certeza de que você não está em condições de me dizer isso, capitã.

Mirel franziu a testa.

— O que isso quer dizer?

— Não foi você quem parou a simulação de Yoonhwan?

— É…

— Ele não terminou a simulação.

— Ele despertou de qualquer maneira.

— Despertou? Desde quando nós, a Ruptura, aceitamos o Despertar imperfeito?

Mirel não soube responder. Adel continuou:

— As coisas estão mudando, capitã. Você, eu e os outros.

Mirel ficou em silêncio por um tempo. A chuva continuou caindo sobre eles. Depois de um tempo, Mirel falou.

— Sim. Pode ser.

Mirel também sabia. Algo estava mudando. Ela não tinha certeza do que era, mas estava acontecendo. Porém…

— O tempo da revolução chegará mais rápido que a própria mudança.

— Tempo da revolução? O que quer dizer?

A chuva começou a ficar mais pesada. Mirel e Adel nunca viram uma chuva assim em setecentos anos. Não havia poder mundial igual aos deuses ao seu redor. Portanto, isso significava que um ser poderoso estava descendo para o <Abismo>.

Mirel olhou para o céu e para a chuva. Havia algo ali que podia controlar todo o <Abismo>. Ou melhor, sabia-se que estava lá. Mirel não tinha ‘olhos’ para ver, mesmo que não fossem as nuvens escuras que cobriam o céu.

Talvez alguém diria o seguinte: como alguém pode acreditar em algo quando esse algo não pode ser visto? Mas isso não era acreditar de fato. Era apenas algo a ser percebido naturalmente.

Porque sem algo como isso, não havia como o mundo ser do jeito que era. Adel percebeu e perguntou:

— Então… O boato era verdade?

— …

— E quando será? Quando…

— Amanhã.

O trovão rasgou o ar. Mirel estremeceu, mas não olhou para baixo, imaginando o ser além da nuvem escura.

— Amanhã, o Mestre vai lutar contra o Grande Irmão. Os duzentos e dez mil anos do <Abismo> irão acabar.

E com a voz, Adel também olhou para cima. A organização que veio com apenas um propósito — a conclusão — estava sobre eles. Adel perguntou:

— Você acha que o mundo vai mudar, capitã?

E o mundo pode mudar? Se mudar, então como será mudado? Mirel não respondeu e balançou a cabeça. Ela não disse com certeza que acreditava que o mundo mudaria; ela não sabia. Talvez fossem velhos demais para pensar nessas coisas.

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