The World After The End

Capítulo 205: Um mundo solitário (14)

Devido à recente renovação em grande escala, a Fortaleza Carpe Diem foi fundida com a Fortaleza Gorgon, excedendo assim a população de dez bilhões dentro da fortaleza. Havia várias cidades e regiões dentro de lá e na entrada de todas as cidades havia esculturas de Jaehwan com sua espada apontando para o céu. Era comum ver um jovem que sonhava em se tornar o próximo ‘Único Rei’ praticando suas estocadas na frente daquelas esculturas.

— Um, dois! Um, dois!

As pessoas gritavam durante o treinamento. Alguns abaixaram suas espadas enquanto faziam uma pausa no treinamento duro.

— Ei, quantas vezes você estocou hoje?

— Eu? Acho que cerca de cem mil…

— O quê? Não minta!

— Não, não estou mentindo.

— Se você estocar uma vez por segundo sem comer ou dormir, ainda não é o suficiente para chegar a cem mil! Nem tente.

— Ouvi dizer que o Mestre Jaehwan fez isso.

— E você é ele?

Os jovens brigaram e o instrutor gritou com raiva para eles. E então os gritos voltaram.

— Estocada leve! Estocada normal! Estocada forte!

Alguns desses ‘aprendizes da estocada’ estavam tão interessados nas histórias de Jaehwan que gritavam o nome da habilidade que Jaehwan usava.

— Mas os nomes não são meio cafonas? Quem as nomeia assim? ‘Estocada leve’?

— Ouvi dizer que um velho chamado Chung-alguma coisa as batizou em homenagem a ele.

— Não. Ouvi dizer que o Mestre Jaehwan as chamou assim, porque era preguiçoso.

E a fofoca foi varrida por outro conjunto de gritos.

— Estocada mundial! Estocada mundial!

Um pouco mais tarde, um dos aprendizes gritou enquanto olhava para o céu.

— WAAAAH!

Então, todos se voltaram para o homem. O homem ganiu.

— E-Eu fiz a Estocada mundial! O mundo rasgou!!

— Hã?

— Mas que diabos?

O homem apontou para o céu. Alguns dos aprendizes engasgaram quando se viraram na direção daquilo. As pessoas ficaram chocadas. Até o instrutor ficou chocado.

— O céu…!

O céu estava se despedaçando.

* * *

O castelão Euren Chiver, da Fortaleza Carpe Diem, estava com dor de cabeça enquanto batia com a caneta na mesa.

— É só um nome… Por que isso importa?

— Importa! O nome é a única coisa que resta para todos nós!

Fazia muito tempo desde que todas as quatro fortalezas foram unidas, mas ainda havia várias lutas menores acontecendo dentro do <Caos>. Era aparente com base no que estava acontecendo naquela sala de reuniões.

— Devemos chamá-la de Gorgon!

— Não, Garuda!

— Deve ser Dryad.

— N-Não se esqueça que Manticore também está lá!

Os líderes das Quatro Fortalezas estavam discutindo sobre diferentes assuntos depois que a fortaleza se uniu à Carpe Diem. Isso se tornou mais feroz devido à recente mudança nas políticas que os obrigaram a renomear a fortaleza. O problema era o seguinte:

— Carpe Diem-Garuda não é o mais indicado?

— Não. Carpe Diem-Dryad é o melhor que existe.

— Acho Carpe Diem-Manticore mais…

— Ei, você foi destruído pelos malditos do Céu Dourado. Nem tente.

Todos concordaram em deixar Carpe Diem como a primeira parte do nome, mas o problema era a última parte. Todos queriam chamá-la da fortaleza de onde vieram. Euren olhou para cada um deles e franziu a testa.

Eles eram todas boas pessoas individualmente. Todos concordaram com a vontade de Jaehwan e treinaram duro na torre que Jaehwan havia deixado para trás para se tornarem Despertados.

No entanto, não foram apenas eles.

Agora, havia mais de um milhão de Despertados dentro da Fortaleza Carpe Diem. Milhões de Despertados. Era um número que poderia protegê-los da maioria dos Monarcas, mas como não havia inimigos do lado de fora, eles estavam lutando internamente.

Euren pensou enquanto coçava o bigode.

“Era bom quando tínhamos o Mestre.”

Se Jaehwan estivesse ali agora, provavelmente todos teriam sido ‘estocados’. Ou talvez ele tivesse aberto algum tipo de torneio para decidir o nome da fortaleza. Claro, isso acabaria com Jaehwan entrando no torneio e fazendo com que todos lutassem contra ele ao mesmo tempo, apenas para derrotá-los.

Uma vez que todos ficassem ali abatidos, o problema seria naturalmente resolvido.

E…

“Sinto falta daqueles tempos.”

Euren sorriu. Ele não gostava de violência ou tirania. Mesmo assim, ainda sentia falta da atitude feroz de Jaehwan. O mundo precisava de um homem como Jaehwan. Cayman falou de lado.

— Sinto falta do Mestre Jaehwan.

Cayman parecia pensar da mesma maneira. Ele agora era um Ministro da Fortaleza e o ser mais poderoso do <Caos>. Euren perguntou:

— Cayman, que tal você cuidar disso?

— E como eu faria isso?

— Hum, hmph. Você sabe como o Mestre costumava fazer?

— Quer dizer destruir tudo?

— Bem, não estou exatamente dizendo isso, mas…

Euren estava tentando colocar de uma forma mais indireta ou uma descrição suavizada do que Cayman disse, quando a porta da sala de reuniões se abriu.

— C-Castelão!

Euren então percebeu que algo havia acontecido ao olhar para o homem de rosto pálido. Ao mesmo tempo, alguns dos funcionários abriram as cortinas da janela.

— O que é aquilo…!

Suspiros e gritos vieram de toda a fortaleza. Havia uma coisa gigante parecida com uma tela girando acima do céu.

— É… Aquilo é…?!

Logo as pessoas perceberam o que estavam vendo. Eles viram um mundo cheio de sangue e cadáveres. E nesse mundo horrível…

Alguém estava lutando.

Um homem estava sangrando em prata. Havia um homem que ainda estava aguentando contra tudo aquilo. Estava brandindo incontáveis vezes sua espada em algo, como se estivesse lutando contra um mundo inteiro.

— Ele é…

Eles não tinham certeza sobre o inimigo contra o qual ele estava lutando, mas podiam ver a determinação e o desespero do homem que lutava contra ele.

— Ah…

Alguns se lembraram de seu rosto e choraram. Alguns agarraram os ombros de outras pessoas com alegria. Os que não o conheceram pessoalmente reconheceram quem ele era. Afinal, havia esculturas do homem por toda a fortaleza.

“Jaehwan…”

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