The World After The End
Capítulo 236: O mundo após o fim (8)
Jaehwan então percebeu que havia vivido naquele espaço há muito tempo. Ele também percebeu que nunca mais voltaria àquele espaço. Suas bochechas ficaram molhadas.
— Jaehwan! Jaehwan!
O médico o sacudia pelos ombros, mas Jaehwan não conseguia sentir. O Jaehwan de vinte anos agora era mais forte que o velho médico. A força de Jaehwan jogou o médico no chão e ele continuou rasgando os prontuários. Ele gritava como um louco enquanto os rasgava.
E no meio dos gráficos rasgados, ele encontrou algo.
Havia um documento cheio de palavras. Jaehwan pegou.
— J-Jaehwan! Espere! Isso é…!
Mesmo que o médico estivesse tentando impedi-lo, Jaehwan leu tudo. Logo, Jaehwan percebeu que o documento não era um registro comum. Ele tinha uma história muito familiar e começava com o seguinte:
-O Fim sempre começa em todos os lugares.
Frases familiares. Jaehwan leu mais alguns parágrafos.
-Jaehwan, de dez anos, também foi vítima de tal fim.
O médico agora estava olhando para Jaehwan como se tivesse desistido. Página após página, Jaehwan continuou lendo as histórias. Foi só depois que passou pela maioria das páginas que a mão trêmula de Jaehwan parou.
— Doutor… O que é isso?
— Jaehwan.
— Responda-me. O que é isso?
— D-Desculpa. Eu ia te contar… Quero dizer, eu ia pedir sua permissão para…
O que Jaehwan leu era uma história curta. Uma história curta escrita de forma limpa. Era a história de Jaehwan. Um menino de dez anos que estava sendo consultado por causa da violência doméstica. Um menino que negou a realidade e que acabou criando um mundo delirante, tendo que viver nele…
A palavra do médico passou pela cabeça de Jaehwan então.
-Se chegar o dia em que você poderá ver seu mundo de uma perspectiva imparcial, as pessoas pagarão tudo para espiá-lo.
Essa foi a razão pela qual o médico falou sobre o concurso de redação e sua sugestão para Jaehwan se formar em literatura. Tudo se encaixou como um quebra-cabeça. A mão de Jaehwan começou a tremer de raiva novamente.
Seria esse o motivo de tudo isso?
Jaehwan estava cheio de raiva. Ele sentiu que tudo no mundo era inútil e se sentiu estúpido. Jaehwan olhou para o médico. O médico não suportava mais olhar para ele. Jaehwan perguntou:
— Foi por isso que se importou comigo todo esse tempo?
— Jaehwan, por favor. Me ouve–
— Para escrever isso?! Era esse o motivo das consultas gratuitas? Para ouvir minhas histórias?!
— Jaehwan! Não! Não é isso!
— O que é então?!
— É que…
— Minha história foi apenas um mero ‘conto’ para você então?!
O médico balançou a cabeça fortemente. Foi um balanço inocente, tornando difícil acreditar que viesse de um homem de meia idade. Jaehwan não parou de gritar, no entanto.
— Você tem escrito isso pelas minhas costas esse tempo todo! Você está tentando usar minhas histórias para ganhar dinheiro! E você OUSA afirmar que acredita no meu mundo?! COMO VOCÊ OUSA DIZER ISSO?!
O médico tentou falar em estado de choque várias vezes, mas acabou olhando para baixo. Jaehwan então rasgou o livro em pedaços na frente do médico e saiu correndo da sala. Ele ouviu uma enfermeira chamando por trás, mas não olhou e saiu do hospital.
Ele correu e correu. Correu por um longo tempo e percebeu que não podia mais ver o hospital. Também não havia ninguém o seguindo.
E através do céu nevado, Jaehwan soprou respirações brancas. Quando a neve fria tocou sua bochecha, seu coração destruído lentamente voltou a si.
“Por que compartilhei minha história com esse tipo de homem?”
Um profundo arrependimento encheu o coração de Jaehwan.
“Ele acredita na minha história?”
“Ele realmente acredita que meu mundo — que a Árvore das Miragens realmente existe?”
Jaehwan estava cheio de lágrimas de raiva. Ele não deveria ter confiado em ninguém. Sabia que a confiança só poderia retornar dessa forma e ainda assim o fez. Ele era muito ingênuo. Foi ficar jovem que o fez pensar que realmente havia se tornado jovem de novo? Memórias dos últimos dez anos passaram rapidamente.
Ele tinha sido estúpido o tempo todo. Cerrou os dentes ao pensar no médico sendo amigável por todos esses anos.
“Confiar? Eu não preciso da sua confiança. Meu mundo é real. Mesmo sem qualquer confiança, será provado naturalmente.” Jaehwan pensou enquanto olhava para o céu branco.
A hora estava chegando. A torre iria aparecer em breve, a torre que o salvaria deste mundo. Esse fim virá para ele em breve.
Jaehwan caminhou lentamente para casa. As pegadas dele foram cobertas pela nova neve que caiu sobre ela. E jurou nunca mais voltar ao hospital.
Duas semanas depois…
O dia chegou silenciosamente no meio de um dia de inverno nevado.
Jaehwan estava olhando para o céu. Ele foi militar no passado, mas não se alistou no exército desta vez. Sabia que seria inútil se a torre aparecesse novamente. Em vez disso, Jaehwan subia uma montanha alta todos os dias para olhar para o céu.
Ele olhava e observava.
Olhou para o céu com neve, um céu chuvoso e um céu claro.
A torre não apareceu, mas Jaehwan esperou.
Era tarde. A torre tinha que aparecer.
Mas então chegou o dia seguinte, e o dia seguinte. A torre não apareceu.
E então chegou o último dia de 2018. Jaehwan ficou parado e olhou para o céu onde o sol do ano novo estava nascendo. Era uma visão incrivelmente gloriosa e bela. Os namorados deram as mãos e as famílias se abraçaram enquanto comemoravam a chegada do novo ano.
No meio de todos comemorando e abençoando o ano novo, apenas Jaehwan esperava pelo fim. Ele acreditava que a torre iria aparecer em breve. No entanto, as pessoas partiram uma a uma, e mesmo depois que os namorados desceram a montanha segurando as mãos, o Fim ainda não veio.
A torre não apareceu.
Jaehwan ficou lá, olhando diretamente para o céu pacífico por um longo tempo.
E então Jaehwan completou vinte e um anos.