The World After The End

Capítulo 80: Guerra da Renovação (7)

O sétimo portão dos Oito Portões do Inferno.

Dentro da grande sala branca estavam milhares de Jaehwans.

Ele esperava enfrentar algo desse tipo, mas adivinhar e enfrentar a realidade era muito diferente. Era estranho olhar para si mesmo, já que Jaehwan não tinha mais chance de se olhar no espelho naqueles dias.

Ele era assim?

Quando deu uma olhada mais de perto, todos eles pareciam ter roupas diferentes ou características diferentes. Alguns pareciam ter a mesma idade, enquanto outros pareciam mais jovens ou mais velhos.

Dos milhares de Jaehwans, um deles perguntou:

— Quem é Você?

Quem sou eu…?

Jaehwan achou estranho responder isso.

— Eu sou Jaehwan.

— Entendo.

— E eu também.

Com isso, vozes ecoaram por toda parte.

Quem é você?

Eu sou Jaehwan.

Entendo. E eu também. Eu também, e assim…

Todos eles olharam para Jaehwan. E como eles continuaram conversando por um tempo, um deles se virou e perguntou:

— Quem é você?

Jaehwan sacou sua espada.

Ele sentiu que estava ficando cansado. Havia dezenas de Jaehwans no chão atrás dele. Ele franziu a testa enquanto pulava para trás para manter distância.

“Isso é loucura.”

Nada estava funcionando. Se ele usava [Suspeita], eles usavam [Suspeita]. E se ele usava [Compreensão], eles usavam [Compreensão]. Ele até tentou usar [Estocada Forte], mas teve que parar quando se deparou com centenas de Jaehwans posando para lançar uma [Estocada Forte] nele.

“Isso me mataria.”

Esses inimigos não eram como nenhum que ele havia enfrentado até agora.

Felizmente, não havia Jaehwan mais forte do que ele, mas não seria fácil lutar contra centenas de Jaehwans ‘Despertados’.

Depois de desviar de algumas estocadas, Jaehwan desviou dezenas de outras estocadas por trás e usou [Corte Forte] contra o Jaehwan que o atacava. Funcionou maravilhosamente, pois todos eram Jaehwans que só sabiam estocar. Mas depois de fazer isso algumas vezes, os Jaehwans na frente pareciam ter aprendido o padrão e imediatamente se esquivavam dos cortes de Jaehwan.

Foi outro ‘Jaehwan’ que foi atingido, aquele de uniforme militar verde. Jaehwan franziu a testa ao ver o uniforme. De todos aqueles Jaehwans, havia um de seus dias na Terra. Um Jaehwan que não sabia nada sobre a Torre dos Pesadelos.

— ARGH!

Quando cortou seu antigo eu, sentiu sua consciência embaçar e ficar em branco.

Foi quando ele tinha apenas vinte anos. Jaehwan percebeu que era sua memória logo antes de ser convocado para a Torre dos Pesadelos.

— Me desculpe, Sargento Jaehwan… Me desculpe… Me desculpe…

Havia um homem com a patente de soldado de primeira classe. Ele estava chorando. Jaehwan percebeu que conhecia esse homem. Então olhou ao redor. Havia soldados e oficiais ali, sangrando de ferimentos de bala.

Ele sentiu seu cabelo crescer. Sabia o que era essa memória.

— Sargento… Eu tentei… Tentei mesmo… O senhor sabe disso…

Havia um rifle em sua mão, com cartuchos vazios espalhados ao seu redor.

— Malditos… Desgraçados…

Jaehwan caminhou em direção ao homem. Não sabia o que fazer, mas ainda assim caminhou para frente de qualquer maneira.

— N-NÃO SE APROXIME!! Não quero te matar também!

O homem apontou para Jaehwan.

— Se você fosse eu…

O homem não continuou. Parecia que ele sabia que a pergunta não significava mais nada. Ele então colocou o cano na boca.

— Obrigado por tu…

Uma arma foi disparada e o homem caiu. Sangue e líquidos escorriam de seu crânio. Jaehwan então percebeu que ele não foi morto por sua própria arma. Havia soldados se aproximando à distância, com holofotes de helicóptero em Jaehwan. Ele silenciosamente levantou as mãos, e a memória parou por ali.

Jaehwan voltou a si. Aquele evento aconteceu logo antes dele entrar na Torre. Jaehwan foi o único que sobreviveu ao incidente. Todos os oficiais de alta patente do batalhão foram mortos e Jaehwan foi levado a julgamento. Ficou provado que ele não estava envolvido no bullying ao soldado, então ficou preso em detenção militar por 15 dias e depois foi convocado para a torre logo em seguida. Era uma memória na qual ele não queria pensar.

O soldado. Qual era o nome dele?

Entre seus pensamentos, Jaehwan percebeu que talvez tenha sido desde então que ele passou a odiar o ‘Sistema’. Ele poderia tê-lo salvado. Mesmo antes de entrar na torre, seu mundo estava cheio de ‘sistemas’. O mundo oprimia cada indivíduo com um sistema gigante.

Sempre que Jaehwan derrotava cada outro ‘Jaehwan’, uma memória era recuperada. Todas tinham sido esquecidas, mas havia lembranças dolorosas. Foram as memórias que ele esquecera depois de se tornar um Despertado de terceiro estágio.

— Jaehwan.

Os pais dele.

— Obrigado, Jae.

Amigos dele.

— Sargento.

O soldado.

— Tivemos sorte de ter você, Jaehwan.

Os amigos que o acompanharam até o final da torre.

— Jaehwan…

Todas as memórias e momentos em que ele os abandonou.

— Salve-nos.

— Droga…

Jaehwan murmurou enquanto olhava para os milhares de ‘Jaehwans’ restantes. Isso era, afinal, um verdadeiro inferno. Ele tinha que se matar para seguir em frente. Todas as memórias que ele lembrava o faziam sofrer. Todas aquelas memórias faziam a mesma pergunta.

— Quem é Você?

Jaehwan parou sua espada pela primeira vez.

Quem sou eu?

De repente, ele se sentiu solitário.

— Quem é Você?

Ele já havia se feito essa pergunta uma vez, mas não tinha sido tão extremo quanto agora, que precisava enfrentar aquela pergunta.

— Quem é Você?

Ele achava violento.

— Quem é Você?

E achava triste ao mesmo tempo.

Era a pergunta à qual não conseguia responder.

— Eu sou…

Ele sentiu como se estivesse sendo sugado para o abismo de si mesmo. Sua consciência estava sendo lentamente puxada para um lugar de onde nunca mais escaparia.

Estava na frente dele.

Havia uma razão pela qual os [Pesadelos] eram chamados coletivamente de uma raça só, mesmo quando eram compostos por várias raças. Era por causa de sua dualidade. Mesmo que odiassem ser chamados apenas de ‘pesadelos’, eles se orgulhavam de serem considerados [Pesadelos] quando suas raças podiam ser elogiadas.

Sirwen era um desses [Pesadelos].

— Todas as habilidades são criadas e de propriedade dos [Pesadelos].

A maioria das habilidades foram, de fato, criadas por [Pesadelos]. Era por isso que as habilidades usadas por um [Pesadelo] tinham resultados muito mais poderosos.

Sirwen soube que tinha vencido assim que Jaehwan entrou no sétimo portão.

Os Oito Portões do Inferno era uma habilidade infame mesmo entre os [Pesadelos]. Esta era uma habilidade lendária criada por um dos treze [Pesadelos Mestres], seu padrinho. Essa habilidade tinha um resultado melhor se o estado mental do conjurador fosse mais resistente.

— É uma habilidade terrível.

Sirwen tremeu ao conhecer o verdadeiro poder dessa habilidade.

— Qual é o pior inferno do mundo?

Essa habilidade era a resposta perfeita para isso. Ela mais uma vez percebeu o quão grande seu padrinho era, e o quanto ele sabia sobre a ‘vida’.

— O pior inferno é ‘si mesmo’.

[Pesadelos] sabiam disso melhor do que ninguém. Eles foram os que viveram mais tempo, se não para sempre, e lutaram contra sua consciência que até os fez se matar em muitos casos.

Sirwen abraçou Jaehwan que tinha um olhar vazio no rosto.

“Não se preocupe, não vou deixar você morrer.”

Despertados eram especialmente fracos contra essa habilidade. Porque lembravam daquelas memórias que esqueceram depois de se tornarem Despertados. Sirwen tinha experiência em subjugar Despertados com essa habilidade.

Mas foi então que algo caiu de seu nariz.

— Hã?

O líquido escorreu de seu nariz para o ombro de Jaehwan. O sangue então se transformou em pó e desapareceu.

“O-O quê?”

Era impossível. Ter um sangramento nasal significava que o poder do conjurador enquanto usava a habilidade de alucinação estava no limite.

“Impossível! Estou no limite?”

O poder se igualava a quanto tempo o conjurador havia vivido. Quanto mais tempo o conjurador vivesse, mais poderosa seria a habilidade, mas essa habilidade também tinha pontos fracos.

Efeito rebote.

Se o alvo tivesse maior poder, o dano mental direcionado ao alvo seria direcionado de volta ao conjurador.

“De jeito nenhum! Eu vivi por dois mil anos!”

Ela começou a sangrar profusamente e se sentiu tonta. Sirwen se concentrou. O que estava acontecendo?

Quando olhou para dentro, não pôde deixar de ficar apavorada. Milhares de consciências lutavam contra uma.

“Milhares?”

Não estava certo. O número de consciências era o dobro de quanto tempo o alvo viveu. Quem viveu cinquenta anos lutaria contra cem, e com cem anos lutaria contra duzentos. Mas milhares?

“Quanto tempo ele viveu…?”

Sirwen percebeu que era ela quem iria desmaiar se isso continuasse por mais tempo. Mas então, a habilidade mudou. Algo estava acontecendo com o sétimo portão. Não estava relacionado ao seu poder.

“Espera, como ele…?!”

O som da destruição foi ouvido.

O sétimo portão estava sendo destruído.

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