Capítulo 8 – Cruzando a Linha. (Parte 2)

— Boa! — Kuzaku ergueu o braço com entusiasmo.

Mary colocou a mão sobre o peito, olhou para o céu e soltou um suspiro de alívio.

— É isso aí! — Yume sorria de orelha a orelha.

— Viu, eu falei! — Ranta gritou, tão empolgado que já estava falando besteira.

— Feliz Ano Novo! Uau! — Kikkawa disse algo que fazia ainda menos sentido.

Por que de repente é Ano Novo?

Haruhiro não queria acabar com a animação deles, mas aquilo não era o fim. Ele respirou fundo.

— Próxima rodada! Seis Pansukes, dois Tori-sans, e um gigante da classe quatro metros! Estão vindo!

— Hahahahaha! — Tada riu, empurrando os óculos com o dedo indicador esquerdo. — É ótimo não faltar inimigos pra esmagar.

— Podemos enfrentá-los com alegria e bom humor, hein! — Tokimune parecia estar realmente se divertindo. — Vamos nessa, pessoal! Anna-san, estamos contando com você pra nos animar!

— Podem deixar comigo, tá?! — Anna-san estufou o peito com orgulho e estendeu o punho para frente. — Enquanto o sol estiver no céu e Anna-san estiver no chão, a vitória será de vocês! Todo mundo, fight for Anna-san!

Então agora tudo é por causa da Anna-san? Haruhiro não tinha certeza se concordava com isso, mas os outros estavam vibrando, e parecia que a moral deles estava melhorando, então ele decidiu deixar passar.

— Ranta, pegue um dos Tori-sans! — ele gritou. — Kuzaku, lide com o máximo de Pansukes que conseguir!

— Eu vou, então é bom me respeitar, Parupiro! — Ranta berrou.

— Tá! —Kuzaku respondeu.

— Mary, Yume, Shihoru, fiquem juntas por enquanto!

— Entendido!

— Miau!

—…Okay!

— Tada! — Tokimune saiu correndo. — Vamos pegar o gigante branco!

— Eu posso fazer isso sozinho — Tada se gabou.

— Me inclui nessa também! *Sinal de paz, *sinal de paz! Yay, yay, yay! — Kikkawa gritou.

Tada e Kikkawa seguiram Tokimune. Parecia que Mimorin ficaria protegendo Anna-san. Enquanto isso, Inui vagava sem rumo perto de Shihoru.

Sério, qual é a desse cara?

Kuzaku podia lidar com três dos Pansukes, enquanto Haruhiro, Mary, Yume e Shihoru cuidariam rapidamente do restante. Um dos Tori-sans iria para Ranta, mas e o outro?

Haruhiro provavelmente podia contar com Tokimune, Tada e Kikkawa para cuidar do gigante branco. Ele deu uma olhada em direção ao vale. Eles não tinham exatamente derrotado o gigante de seis metros, então era certo que ele subiria de volta ali eventualmente. Precisavam acabar com os reforços antes disso e dar o fora dali o mais rápido possível.

Rápido. Mas sem pressa.

Tada avançou contra o gigante branco.

É impressionante ele fazer isso sem medo.

Kuzaku corajosamente, usou Bash nas lanças dos Pansukes, desviando-as com sua espada longa. O paladino da party não era um louco como Tada. Por causa disso, Haruhiro pensou: Caramba, Kuzaku é incrível. Ele é demais, sério. Talvez ele tivesse Mary a agradecer por isso. É, ele provavelmente não queria parecer patético na frente da pessoa que ama.

De qualquer forma, Haruhiro não deixaria o esforço de Kuzaku ser em vão.

Ele podia ver a linha.

Aquela linha tênue e brilhante.

Não era reta. Ela se curvava e torcia várias vezes. Era uma proposta oferecida pela sua consciência situacional, que surgia de suas observações, combinada com suas previsões baseadas na experiência.

Ei, se eu fizer isso agora, não vai dar certo? dizia. Se ele atrasasse um décimo de segundo, não serviria mais. No caso de Haruhiro, felizmente, seja por hábito ou outra força, ele nunca hesitava quando via a linha—ou melhor, quando ele a via, já estava em movimento.

Com passos suaves, ele passou por um dos Pansukes, enterrando sua adaga no único olho do cultista enquanto fazia isso.

Ao puxá-la, ele realizou um Shatter no Pansuke ao lado, e em seguida, usou seu porrete em sua mão esquerda para aplicar um Hitter no queixo de outro Pansuke.

Para finalizar, ele acertou mais um Shatter em outro Pansuke. Depois, recuou.

— Ohhhhhhhh! — Kuzaku dispersou os Pansukes com sua espada longa e escudo. Um Pansuke estava morto, e três haviam sido pegos de surpresa por Haruhiro, o que os desorganizou, impossibilitando que eles parassem Kuzaku.

Devemos nos jogar neles agora? Não, Haruhiro pensou.

— Ah! —Kuzaku recuou rapidamente. Quando alguém balançava a Lightning Sword Dolphin na direção dele, tudo o que ele podia fazer era evitar.

Era um Tori-san. Dois deles, na verdade. O que Ranta estava fazendo?

Exhaust!

Lá estava ele. Até que enfim.

Ranta saltou e atacou um dos Tori-sans pelo lado. Houve um grande impacto quando a Lightning Sword Dolphin se chocou com a do Tori-san. Ranta venceu o embate e desequilibrou o oponente. Mas havia dois Tori-sans. O outro fez uma investida contra Ranta.

Exhaust! — Ranta disparou para trás a uma velocidade incrível.

Se os Tori-sans o perseguissem, estariam caindo diretamente na armadilha de Ranta. Infelizmente, eles não caíram. Os dois Tori-sans concentraram seus ataques em Kuzaku.

— Droga! Não consigo lidar com dois deles! —Kuzaku foi forçado a correr de um lado para o outro.

Os Pansukes aproveitavam essa abertura para tentar se reagrupar.

— Rantaaaa! — Haruhiro gritou, sem conseguir se conter.

— Estou só começando, tá bom? — Ranta contorceu o corpo todo e assumiu uma pose estranha, com a Lightning Sword Dolphin de lado. — Óh, Escuridão! Óh, Senhor dos Vícios! Dread Wave!

Talvez sua pose ridícula tenha chamado a atenção, porque não foi só Haruhiro—os Pansukes e os Tori-sans também ficaram olhando para ele.

Bem, como se algo fosse acontecer, né.

Era óbvio. Não era só o Deus da Luz, Lumiaris, que não tinha poder no Reino do Crepúsculo. O Deus das trevas, Skullhell, também não tinha.

— Huh? — Haruhiro observou surpreso e desanimado. — O quê? Como assim?

— Hmph… — Ranta olhou para o chão. —Esqueci completamente que não posso usar magia aqui.

— Seu estúpido, Rantaaaa! — Yume gritou.

Ranta era mesmo um completo imbecil, e um lixo, além de irremediável, mas o inimigo havia parado de se mover. Mesmo que fosse um efeito inesperado da idiotice dele, como soldados voluntários, eles deveriam aproveitar ao máximo.

— Ohm, rel, ect, el, nemun, darsh!

Shadow Bond. Shihoru prendeu um elemental das sombras no chão onde os dois Tori-sans estavam. Eles não se moveriam daquele lugar por um tempo.

— Vamos pegar os Pansukes! — Haruhiro ordenou imediatamente, e Kuzaku avançou contra eles.

— Zeeah! Rahhh! Oryahhhhh! — ele gritou.

Haruhiro circulou por trás dos Pansukes. Yume sacou o facão e veio na direção deles, desferindo golpes. Mary não saiu de perto de Shihoru.

De repente, apesar de Haruhiro não ter visto a linha, ele teve a sensação de que poderia derrubar um deles. Tenho que matá-los quando posso, ele pensou. Okay, agora é a hora… Mas, quando ele foi para um Backstab, alguém inesperadamente roubou sua chance.

— Heh! — Era Inui. Aquele devasso Inui aterrissou com um chute nas costas do Pansuke, derrubando-o, e então pisou com força no maxilar do cultista.

Crack. Houve um som desagradável, e o pescoço do inimigo se curvou em uma direção que não deveria.

— Eu sou Inui! Aquele que traz a destruição dos céus!

Certo, foi impressionante e tudo, mas veio do nada. Você me assustou.

Inui se virou para Shihoru, com um brilho misterioso no único olho que não estava coberto pelo tapa-olho.

— Óh, minha noiva predestinada, trilhe o caminho da carnificina comigo!

— De jeito nenhum. — Foi uma resposta imediata, e em um tom bastante firme para Shihoru. Bem, é claro que seria.

— Heh… — Inui se virou e foi embora. — Por enquanto, me despeço…

Espera, como assim? Você está indo? Para onde, inferno?

Não estava claro, mas Inui correu para longe.

Bem… Talvez devêssemos apenas deixá-lo fazer o que quiser? Quero dizer, ele não precisa voltar se não quiser. Temos problemas suficientes para cuidar de nós mesmos.

Tokimune, Tada e Kikkawa circulavam o gigante branco enquanto o atacavam. Parecia que Tokimune e Kikkawa estavam distraindo e servindo de isca, enquanto Tada era o responsável pelos golpes pesados. O gigante branco já tinha danos em ambas as pernas. Pelo ritmo das coisas, parecia que os três conseguiriam derrubá-lo, mas não seria rápido.

Ainda havia tempo antes que os Tori-sans se libertassem de Shadow Bond ou que o efeito acabasse. Nesse tempo, se conseguíssemos eliminar os quatro Pansukes…

Mas, enquanto Haruhiro pensava nisso…

— Delm, hel, en, balk, zel, arve!

…Os Tori-sans foram lançados ao chão. Era o feitiço Blast.

Eles foram jogados contra o solo, rolando um pouco—mas estavam se levantando. Não parecia que estavam completamente ilesos, mas também não pareciam ter sofrido ferimentos graves.

Miiiimoriiiin, Haruhiro lamentou em silêncio. Droga, esses ponchos são realmente resistentes.

— Ah, tá bom… — Haruhiro murmurou para si mesmo, tentando mudar seu estado mental. Não havia como mudar o que já tinha acontecido. Kuzaku, Haruhiro, Ranta, Yume, Mary, Shihoru e Mimorin teriam que lidar com os dois Tori-sans e os quatro Pansukes.

Temos até a Anna-san nos apoiando, então temos a vantagem numérica, sabe. Podemos fazer isso. Devemos conseguir. Tenho certeza. Provavelmente.

Kuzaku mantinha três dos Pansukes sob controle, enquanto Yume lidava com o outro. Ranta parecia estar mirando em um dos Tori-sans. Se ele não o fizesse, estariam encrencados.

Enquanto mantinha os Tori-sans sob vigilância, primeiro teriam que reduzir rapidamente o número de Pansukes, e então—

Haruhiro deu uma olhada em direção ao vale, só para garantir.

Ele olhou de novo para confirmar o que estava vendo.

—…Já?

Isso é terrível.

Não era aquele gigante branco da classe de seis metros tentando subir do vale?

Foi um choque, mas Haruhiro não perdeu a cabeça. Ele não podia afirmar que isso estava dentro de suas expectativas. Estava focado em outras coisas, afinal. Mas eles só tinham que lidar com isso.

Os soldados voluntários estavam recuando.

Eles estão fugindo?

Para onde vão correr?

E por quê?

— Aquilo, hein… — ele percebeu. Desta vez, ele não conseguiu evitar perder a calma.

Do sul.

Algo estava vindo.

Era grande, branco e se contorcia.

Bom, claro. Claro que eles fugiriam. Eu também quero correr. Não há escolha a não ser fugir dessa coisa.

A altura não era tão enorme, embora parecesse maior do que o gigante de seis metros. O problema era o comprimento. Era de vinte metros de comprimento, talvez vinte e cinco. Talvez até chegasse a trinta metros. Quem sabe até mais.

A hidra.

Era uma criatura gigantesca e inquietante, que parecia com nove cobras de dois a três metros de diâmetro todas emboladas juntas. Se ela os atacasse, o que fariam?

Haruhiro, claro, fugiria até os confins do mundo. Essa seria a reação normal.

Parecia que Iron Knuckle, os Berserkers e Orion concordavam com Haruhiro. Eles também eram humanos. Ainda bem. Isso era bom? Não? Não era particularmente bom.

Haruhiro não perdeu tempo para pensar no que fazer.

— Tokimune, é a hidra! Temos que correr!

— Whoa…! — Tokimune tomou sua decisão rapidamente. — Okay, todo mundo corra! Protejam a Anna-san!

— Justo quando estávamos quase terminando aqui. Droga. — Apesar de reclamar enquanto fazia isso, Tada colocou o martelo de guerra no ombro e começou a correr.

— Corram, corram, corraaaam! Corram! —Kikkawa estava animado até em um momento como aquele.

Apesar de Anna-san ser a líder de torcida do grupo, ela estava rangendo os dentes de frustração de forma audível.

— É hora de uma retirada estratégica, yeah, droga! Não temos escolha, entendeu?!

— Vamos. — Mimorin agarrou Anna-san pela nuca e a arrastou.

— Miau…! — Yume se virou e fugiu.

— Justo quando eu ia mostrar o quanto sou incrível! — Ranta também saiu correndo.

Mary hesitou.

— Eu vou ficar bem, então vá! — Kuzaku não recuou. Ou melhor, ele não podia. Se tentasse, os Pansukes o cercariam e o espancariam até a morte.

— Haruhiro-kun…?! — Shihoru olhou para Haruhiro.

— Vai, Shihoru! Você também, Mary! — Haruhiro correu o mais rápido que pôde, tentando forçar-se a ver, ver!—Aquela linha. Era em momentos como esse que ele realmente queria ver.

Mas, claro, nada era tão conveniente assim.

Haruhiro não era um herói. Era apenas um líder. É por isso que não tinha escolha a não ser fazer o que deveria e o que podia como líder.

— Kuzaku, detona eles! — gritou.

— Entendido! Rahhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — Kuzaku usou sua espada longa para afastar várias lanças e então usou Bash no Pansuke à sua frente. — Dahhhhh! Gahseahhh! Rahh! Nwahhhhhhhh!

Sem parar, Kuzaku balançava sua espada enquanto se protegia com o escudo, avançando. Mesmo quando as lanças dos Pansukes acertavam sua armadura, ele as ignorava e continuava avançando.

Kuzaku estava usando uma armadura de placas robusta. Dito isso, quando ele recebia um golpe forte, ainda tinha que doer. Pelo menos ficaria com hematomas.

Aguenta firme. Aguenta firme, por favor, Kuzaku.

— Aí! — Haruhiro agarrou um dos Pansukes, não por trás, mas de lado, e o estrangulou com o braço esquerdo enquanto cravava sua adaga no único olho do cultista.

Isso foi forçado agora, não foi? Se eu tivesse errado o tempo, teria ficado em perigo. Que medo…!

Ele sentia uma massa gelada de medo se agarrar ao estômago. Mas e daí? Que diferença fazia?

Haruhiro se aproximou de outro Pansuke, desferindo um combo com Shatter e Hitter. Mais um Pansuke tentou acertá-lo com sua lança, mas ele saltou para evitar. Mesmo gritando internamente Ah, droga, ah, droga, me dá um tempo, ele rebateu a lança duas vezes com Swat.

Enquanto gritava em pensamento: Sério, me dá um descanso, argh!, ele avançou e usou Arrest (Detenção) para segurar o braço do Pansuke, seguido de uma rasteira para derrubá-lo.

— Assuh! — Kuzaku soltou um grito misterioso para se animar e usou Bash para derrubar um Pansuke.

Agora, vamos correr, pensou Haruhiro.

Ele não precisava dizer nada para que essa mensagem fosse entendida. Haruhiro e Kuzaku começaram a correr ao mesmo tempo.

— Ha ha! — Kuzaku ria enquanto corria. — Isso é incrível! Ha ha ha! Simplesmente incrível!

Não, doido, agora não é hora de rir. Bem, não é que eu não entenda como ele se sente. Kuzaku também deve ter ficado com bastante medo. Agora que está livre disso, ele está sentindo um certo êxtase. Mas será só isso? Ele está aproveitando essa situação horrível a ponto de não conseguir se conter. Será que isso faz parte? A adrenalina disso tudo é viciante. Eu quero viver em paz. É como eu realmente me sinto, mas a questão é se posso. Como seria uma vida sem coisas assim? Surpreendentemente, menos entediante do que eu poderia imaginar…?

Os Pansukes, os Tori-sans e o gigante branco de quatro metros os perseguiam. Atrás deles havia soldados voluntários, cultistas, gigantes brancos e até mesmo a hidra.

Para onde estavam indo era o vale, onde o gigante branco de seis metros estava prestes a sair.

Isso é terrível. Me sinto péssimo. Queria que isso fosse apenas um sonho. Alguém pode me substituir? Eu quero uma ajuda aqui, sabe? Não estou brincando. Se alguém nos salvar e garantir a segurança dos meus camaradas e a minha, eu farei qualquer coisa. Sério. Não importa o que for.

Eu não quero passar por isso. É estressante demais, entende? Cara, estou de saco cheio disso. Não tem nada de divertido nisso, certo?

Eu acho que podemos morrer também. Dessa vez, talvez seja o nosso fim. O que acontece quando morremos? Vamos para o céu? Ou para o inferno, talvez? Deixamos de existir? Voltamos ao nada?

Eu não quero morrer. Tenho medo de morrer. Não quero. Não, não, não quero isso.

É. Eu sabia. Não preciso disso. Esse tipo de situação. Não me importo com um pouco de emoção de vez em quando, mas não preciso desse negócio extremo de vida ou morte. Haruhiro sentia isso com bastante clareza. Eu quero viver em paz!

Tokimune e os outros que tinham ido à frente pareciam estar fazendo um desvio ao redor do vale para alcançar a colina inicial.

Será que vão conseguir evitar o gigante de seis metros por esse caminho? Pensou Haruhiro. Ou não? Não sei, talvez possa ir para qualquer lado.

Não parecia que seus perseguidores iriam alcançá-los por enquanto.

Mesmo que a rota fosse um pouco questionável, eles tinham que segui-la.

O gigante de seis metros já estava fora do vale até a cintura. Ele se apoiava com o braço esquerdo e balançava com o direito.

— Go, go, go, go, go! — gritava o gigante.

Ele estava tentando esmagar Tokimune e Tada com sua mão direita.

— Cuidado! — Haruhiro gritou.

Eles não precisavam que ele dissesse isso. Tokimune, Tada e até mesmo Kikkawa se jogaram no chão para escapar da mão direita do gigante branco.

O gigante branco se apoiou com os dois braços e ergueu o corpo. Enquanto fazia isso, Mimorin e Anna-san, Ranta, Yume, Shihoru e Mary passaram na frente dele.

Inui estava desaparecido. Mas quem se importava com aquele depravado?

Haruhiro e Kuzaku ficaram parados, incapazes de se mover.

— Whoaaaaaa? — Haruhiro gritou.

— O q-qu-qu-qu-quê…? — Kuzaku gaguejou.

O gigante branco de seis metros de altura levantava-se bem diante de seus olhos. Para ser mais preciso, ele acabara de sair do vale, então ainda estava de joelhos, mas ainda assim, era imenso. Enorme. Se eles parassem ali, os inimigos que estavam atrás os alcançariam. Seria como dizer: Sim, por favor, tentem nos acertar, tanto para o gigante branco quanto para os outros inimigos.

Haruhiro deu um tapa nas costas de Kuzaku. Era uma questão de vida ou morte.

— V-Vai! Corre! Temos que ir!

— Guhsuh!

O que diabos “guhsuh” quer dizer?

Isso não ficou claro, mas Kuzaku saiu correndo. Sua forma de correr era um tanto desajeitada, no entanto. Não que a de Haruhiro fosse muito melhor.

Como poderíamos correr direito agora?

— Go, go…!

O gigante branco tentou socar Kuzaku e Haruhiro com a mão esquerda, ainda de joelhos, ou talvez estivesse tentando agarrá-los e esmagá-los.

— Bwuh…! — Kuzaku se jogou no chão de cabeça, evitando a mão direita do gigante.

— Ah…! — Haruhiro rolou para evitar o golpe.

— Go, go, go!

Agora era a mão esquerda. Ela desceu sobre eles.

— Uwahhhhhhhhhhh?! — Kuzaku largou o escudo e continuou a rastejar. Estava desesperado.

Claro, Haruhiro também corria feito um louco com fogo no rabo.

— Nnnngh! — ele grunhiu.

Vai me acertar? Vou ser esmagado?

Quando o chão tremeu violentamente, ele soltou um grito estranho. Parecia que ele havia escapado.

— M-meu escudo! — Kuzaku arfou.

— N-n-n-n-não vale sua vida, tá?! — Haruhiro gritou.

Ele levantou!

O gigante branco levantou!

— Go! Go, go! Go! Go, go! Go! Go, go, go! — O gigante branco de seis metros de altura se levantou e dançou. Não, talvez não estivesse dançando, mas a forma como vinha em direção a Haruhiro e Kuzaku parecia seguir os passos de algum tipo de dança.

Eu nem sei mais o que está acontecendo. Está indo em direções aleatórias. De qualquer forma, precisamos evitar os pés dele. Isso é o máximo que podemos fazer. Precisamos alcançar os outros. Eu adoraria fazer isso, e estamos mais longe do vale do que antes, mas em que direção eles foram? Não, isso não importa—

Somersault Booooooooomb!

Hã?

O gigante branco parou de se mover. Ou melhor, ele tropeçou. Isso aconteceu porque alguém havia acertado seu tornozelo esquerdo com um martelo de guerra, a perna que estava sustentando-o no momento.

Tada.

Por que Tada está aqui?

Não era só o Tada.

— Hah…! — Tokimune exclamou.

Quando Tada acertou o Somersault Bomb, Tokimune o atingiu com um Bash. Bem, não exatamente um Bash, parecia mais um simples empurrão. Ainda assim, ele estava enfrentando um gigante branco de seis metros, sabe? Isso não ia sequer abalar a criatura. Se não fosse pelo fato de que o Somersault Bomb de Tada o fez tropeçar, claro. O ataque combinado deles funcionou. E, além disso…

— Del, hel, en, balk, zel, arve!

Houve um flash de luz e, por algum motivo, uma explosão perto da virilha do gigante branco. Era a Blast de Mimorin.

O gigante branco perdeu totalmente o equilíbrio e deu um, dois passos para trás.

— Haruhiro! — Tokimune se virou com um sorriso exibindo os dentes brancos. — Estávamos devendo essa! Não podíamos deixar você morrer!

— Pare de falar! — Tada girou em círculo, então bateu o martelo de guerra com força na canela esquerda do gigante branco. — E ataque! Tornado Slaaaaaaaaaam!

— Gohhhhh?! — O gigante branco balançou de novo. Que poder.

— Caramba, ele é impressionante — Kuzaku sussurrou.

Haruhiro sentia o mesmo, mas orava para que ninguém começasse a aspirar a ser como ele. Se os membros de sua party começassem a agir assim, seu coração nunca aguentaria o estresse, mesmo que tivesse mais de um. E, fundamentalmente, os humanos só têm um coração, então ele provavelmente morreria de ataque cardíaco em pouco tempo.

Além disso, embora Haruhiro e Kuzaku tivessem sobrevivido graças a isso, estava realmente tudo bem?

Não era só Tokimune e Tada. Havia Mimorin, que havia conjurado o feitiço antes, e Anna-san. Kikkawa estava dando meia-volta e voltando. Mary, Yume, Shihoru e Ranta também estavam lá. E quanto a Inui? Haruhiro não se importava muito com ele, mas eles haviam perdido a chance de fugir.

Os cultistas e os gigantes brancos de quatro metros logo os alcançariam. Os soldados voluntários e a hidra também. Isso resultaria em uma confusão generalizada, e eles estariam envolvidos no meio do tumulto.

Não havia garantias de que as coisas seriam melhores para onde estivessem correndo. Ainda assim, havia uma grande diferença entre tudo terminar aqui e haver um próximo destino para o qual poderiam correr. Se fossem apanhados por aquela onda de inimigos e aliados, estavam praticamente condenados. Ele não conseguia evitar esse pensamento.

Parece que este é o fim. Eu posso sentir minhas forças me abandonando. Bem, claro que está. Isso é difícil. Como eu deveria virar o jogo aqui? Quero dizer, mesmo que eu conseguisse nos colocar de volta nos trilhos, e daí? Tenho certeza de que ainda estaríamos ferrados.

Eu queria poder simplesmente desistir.

FIM DE JOGO

Aquele texto passou pela sua mente.

O que foi isso?

Já vi isso em algum lugar antes…?

FIM DE JOGO

Fim de jogo ou continuar? Sim / Não

Vai continuar? S/N

DESEJA TERMINAR O JOGO NOVAMENTE?

Fim de jogo

Um jogo, hein? Haruhiro pensou. Mas isso não é um jogo.

— Não é, certo? Manato, Moguzo? — murmurou.

É por isso que eu não posso desistir. Não até o final. Desistir está fora de questão.

Primeiro, preciso olhar ao redor. Isso mesmo. Olhe. Olhe direito, e veja.

Iron Knuckle e os Berserkers estavam, em certo grau, ao menos, se movendo juntos como um grupo. Orion estava mais espalhado, mas nenhum dos mantos brancos estava completamente isolado. Pareciam estar se movendo como grupos.

Havia dezenas—não, facilmente mais de uma centena de cultistas. Várias centenas. Quanto aos gigantes brancos, a olho nu, havia cerca de dez da classe de quatro metros, dois da classe de seis metros e um ridiculamente enorme que parecia ser da classe de oito metros.

E então havia a hidra. Aquela coisa era uma má notícia. Sério.

— Kuzaku, você está sem o escudo, então não faça nada muito louco — Haruhiro alertou.

— Tá. Nem se eu quisesse, conseguiria.

— Venha comigo!

Haruhiro levou Kuzaku com ele e se juntou a Ranta, Yume, Shihoru e Mary. Kikkawa, Anna-san e Mimorin também estavam com eles. Logo depois, os cultistas os alcançaram.

— Kikkawa, conto com você como o tanque principal! — Haruhiro chamou.

— Beleza! Pode deixar comigo!

— Todos, fiquem juntos!

Todos deram sua própria resposta, mas Haruhiro estava mais focado em observar do que em ouvir. Ele precisava fazer isso.

Kikkawa balançou sua espada ao redor e atraiu os inimigos para si. Kuzaku e Ranta reforçaram sua defesa em cada lado, atacando os inimigos ali. Se houvesse inimigos que os três não pudessem parar, então Yume, Mary, Mimorin e, finalmente, Haruhiro os suprimiriam. Até Anna-san tinha uma espécie de arma em forma de bastão pronta, enquanto torcia para o resto do grupo.

Shihoru estava bastante exausta. Ela estava recuperando o fôlego e procurando o momento certo para usar magia. Os outros soldados voluntários também pararam de fugir perto de onde Haruhiro e os outros estavam.

Era a hidra. Ela havia alcançado a retaguarda do grupo de soldados voluntários que fugiam.

O cabelo vermelho de Ducky balançava violentamente enquanto ele gritava algo. Um dos Berserkers foi socado por um gigante branco e girou no ar.

Oh, Haruhiro percebeu. É, aquele cara já era. Mas agora não é hora de se preocupar com os outros.

— Ahhh! — Yume gritou, e seu corpo estremeceu. Era um Tori-san. Ela havia desviado a Lightning Sword Dolphin do Tori-san com seu facão.

O Tori-san avançou e tentou cortar Yume.

Ele vai matá-la—Não, eu não vou deixar.

Haruhiro avançou e, ao invés de se colocar entre eles, ele derrubou o Tori-san pelos quadris. Ele usou seu porrete para golpear a mão que o Tori-san segurava a Lightning Sword Dolphin.

Consegui. E aí?

Mas o Tori-san não soltou sua Lightning Sword Dolphin. Ele apenas puxou de volta. Pior ainda, ele estendeu seu Escudo Espelhado.

Ah, droga. Isso não é bom. Não vou conseguir desviar.

— Urgh! — Haruhiro recebeu o golpe do escudo diretamente e foi arremessado.

Será que vou morrer? Ele pensou por um segundo.

— Aí! — Mimorin gritou.

— Pegue isso! — Mary gritou.

Graças aos seus companheiros, ele não precisou morrer. Foi por pouco. Mimorin e Mary atacaram juntas o Tori-san e o fizeram recuar. Enquanto isso, Yume ajudou Haruhiro a se levantar.

— Desculpa, Haru-kun! — ela disse.

— Tá tudo bem! — ele respondeu.

Haveria erros. Não era possível reduzir a taxa de falhas a zero. O importante era apoiar quem errava, evitar que se machucassem e sobreviver. Quando os buracos começassem a aparecer, eles precisavam preenchê-los ou cobri-los para que não se tornassem notáveis. Se eles conseguissem apenas repetir esse processo de forma constante, poderiam sair dali vivos de alguma forma. Se era só isso que precisavam, bem, mesmo que não fosse o ponto forte de Haruhiro, ele poderia tentar pelo menos.

Embora, naturalmente, houvesse limites.

Tokimune e Tada ainda estavam lutando contra o gigante branco de seis metros. Kikkawa, Kuzaku e Ranta estavam indo bem na linha de frente, e Haruhiro, Yume, Mary e Mimorin estavam mantendo uma posição relativamente estável na retaguarda. Graças a isso, Anna-san e Shihoru não precisaram fazer nada até agora. Do jeito que as coisas estavam, provavelmente poderiam contar com a magia de Shihoru quando fosse necessário. Eles poderiam sustentar esse sistema por enquanto.

Pelo que ele podia ver, Iron Knuckle, os Berserkers, Orion e os outros soldados voluntários haviam formado suas próprias formações e estavam conseguindo repelir os inimigos em grupo.

Se os inimigos fossem apenas gigantes brancos de seis metros, talvez não fosse impossível derrotá-los um por um e depois eliminar o inimigo.

O problema seria o gigante branco de oito metros e a hidra.

Os movimentos do gigante de oito metros pareciam lentos, até em comparação com os outros gigantes brancos, mas só o fato de ele estar lá já atrapalhava. Claro, ele também representava uma ameaça.

A hidra estava balançando cinco de seus tentáculos para atacar os soldados voluntários, enquanto os outros quatro se arrastavam, pressionando-a para frente.

Quando o gigante branco de oito metros ou a hidra atacavam, os soldados voluntários não conseguiam lutar. Isso dava uma brecha para os cultistas e outros gigantes brancos atacarem. Eles estavam transformando o campo de batalha em um caos.

O modo como as coisas funcionariam aqui era simples. Se fizessem algo sobre o gigante de oito metros e a hidra, os soldados voluntários venceriam. Isso, se conseguissem fazer algo.

No mínimo, essa tarefa estava além das capacidades de Haruhiro e sua party. Mesmo os Tokkis teriam dificuldade com isso. Não, provavelmente seria impossível para eles também. Quanto a Iron Knuckle, os Berserkers e Orion, se fossem capazes, já teriam feito algo a essa altura. As coisas chegaram a esse ponto porque não conseguiram.

Ainda assim, as coisas não tinham desmoronado ainda. Sempre que algum soldado voluntário era pego pelos tentáculos da hidra, ou jogado no ar pelo gigante de oito metros, e sua party parecia prestes a fugir, alguém rapidamente entrava para ajudar. “One-on-One” Max, “Red Devil” Ducky e Shinohara estavam correndo por todo o campo de batalha para auxiliar seus companheiros.

Com grande esforço, os soldados voluntários mantinham suas linhas e recuavam lentamente. Haruhiro e sua party estavam fazendo o mesmo. Era um recuo gradual.

Mesmo sendo pressionados, resistiam o melhor que podiam.

Haveria um momento de ruptura, sem dúvida.

Eventualmente, seria demais para suportarem, e eles desmoronariam.

Mas era estranho. Mesmo sendo claramente perseguidos, os soldados voluntários mais experientes não pareciam perturbados, apenas faziam o melhor que podiam. Ninguém tinha se entregado ao desespero, e ninguém transmitia um senso de derrota também.

Será que todos haviam parado de pensar em coisas desnecessárias para que pudessem focar na tarefa em mãos?

No fim, as pessoas só podiam fazer o que era possível. Podiam dar o seu melhor. Não podiam controlar a situação além disso. Mesmo que quisessem que as coisas acontecessem de determinada forma, por mais que desejassem e rezassem, as coisas só aconteceriam do jeito que tinham que acontecer.

— Concentre-se. Concentre-se. Concentre-se… — Enquanto sussurrava isso para si mesmo, Haruhiro olhou em volta. Ele observou e entendeu a situação. Ele desviou a lança de um Pansuke.

Havia uma lacuna se formando entre a linha de frente e a retaguarda, então ele ordenou que a retaguarda avançasse. Outro Pansuke estava se aproximando pela retaguarda, então ele ordenou que Yume e Mary recuassem para ficar atrás de Anna-san e Shihoru.

Kuzaku estava bastante exausto. Haruhiro queria deixá-lo descansar, mas isso não era uma opção.

— Continue firme! — ele gritou para Kuzaku.

Ele desviou a lança de um Pansuke. Queria seguir com um Shatter, mas isso era apenas seu desejo. Não era algo que ele tivesse julgado como viável naquele momento. Precisava mostrar moderação.

O gigante de oito metros não havia se aproximado muito mais, mas a hidra tinha. Tokimune e Tada, que estavam saltando ao redor do gigante branco de seis metros, iriam ficar bem?

— A hidra está vindo! — Haruhiro gritou.

Pelo menos ele os havia avisado. Então, desviou a lança de um Pansuke. Ordenou que Kikkawa, Ranta e Kuzaku se movessem duas posições para a esquerda.

Swat, Swat, Swat.

Ele olhou ao redor. Estamos indo para o oeste, pensou. Eles estavam se movendo em direção à colina inicial. O deus gigante estava lá.

Em outras palavras, do jeito que as coisas estavam, eles acabariam sendo encurralados entre a hidra e o deus gigante. Isso, claro, se conseguissem durar tanto.

Não, não. Não pense nisso. Não se distraia. Concentre-se, concentre-se, concentre-se, concentre-se.

— Gahhh! — Kikkawa acidentalmente atingiu a Lightning Sword Dolphin de um Tori-san e ficou atordoado.

— Seu idiota! — Ranta defletiu a Lightning Sword Dolphin com sua própria Lightning Sword Dolphin para proteger Kikkawa.

A linha de frente se desfez, e parecia que os cultistas iriam atravessá-la.

Por um momento, Haruhiro ficou assustado, mas eles conseguiriam passar por isso.

— Kikkawa, continue e troque de lugar com o Ranta! Mimorin, apoie o Kikkawa!

— Certo! — Kikkawa balançou a cabeça para clarear a mente enquanto passava por Ranta.

— Aye! — Mimorin se posicionou diagonalmente atrás de Kikkawa, desviando a lança de um Pansuke com seu cajado.

Eu sei que tinha outro Tori-san por aqui, pensou Haruhiro, escaneando a área. Lá está! Ele deu a volta por trás de nós.

— Mary!

Reagindo ao aviso, Mary torceu o corpo a tempo de evitar a Lightning Sword Dolphin.

— Ohm, rel, ect, el vel, darsh!

Shihoru usou Shadow Echo. Três elementals das sombras voaram em direção ao Tori-san. Estavam relativamente próximos.

Eles iam acertar. Não, o Tori-san bloqueou dois com seu Escudo Espelhado. Mas um atingiu seu rosto.

A cabeça do Tori-san recuou como se ele tivesse levado um soco. Mary golpeou o Escudo Espelhado dele com seu cajado curto, forçando-o a recuar ainda mais. No entanto, ela não podia se concentrar apenas no Tori-san.

Mary e Yume estavam cada uma lidando com um Pansuke. Com o Tori-san se envolvendo também, elas estavam tendo dificuldades. Mesmo que Anna-san se juntasse a elas, seria pouco e tarde demais, e Shihoru não era capaz de lutar de perto. O próprio Haruhiro já estava ocupando dois Pansukes com o Swat.

Devo mandar Mimorin recuar? Ele se perguntou. Ou tiro alguém da linha de frente para ajudar? Decida. Agora.

— Kuzaku, vá para a retaguarda!

— Tá! — Kuzaku começou a recuar imediatamente.

Kuzaku provavelmente estava desesperadamente preocupado com Mary. Seria mais fácil para ele se estivesse ao lado dela, sem dúvida. Agora, como preencher o buraco que ele deixou?

Ranta estava completamente ocupado lidando com o Tori-san à frente, enquanto Kikkawa estava enfrentando vários inimigos também. Mimorin estava lidando com apenas um Pansuke por enquanto. Se Haruhiro lidasse com esse, liberaria Mimorin…

Foco. Eu preciso focar. Foco, foco.

A hidra.

Está perto.

Está bem perto. Ou não? Não sei. Mas… parece estar meio perto.

— Uou! — Tokimune estava pendurado na espada, que havia sido cravada no gigante branco perto da cintura, e parecia prestes a ser jogado para fora.

O que diabos ele está fazendo? Embora, os gigantes brancos tenham corpos bastante duros. Acho que é impressionante ele ter conseguido enfiar a espada ali, né?

Calma. Eu tenho que ficar calmo. Swat, Swat.

Haaaaaze! — Tada gritou.

Tada ergueu seu martelo de guerra na diagonal, acertando a canela esquerda do gigante branco. O corpo massivo do gigante branco tremeu. Pensando bem, Tada estava teimosamente focado em acertar aquele mesmo ponto. Ele estava sério. Tada realmente queria derrubar o gigante branco. Junto com Tokimune, isso talvez fosse possível.

Se tivessem mais tempo, aqueles dois poderiam ter lidado com o gigante branco de seis metros. Naquele instante, algo deve ter acontecido, mas Haruhiro não tinha certeza do que exatamente. Ou melhor, por que aquilo aconteceu? E isso seria mesmo possível?

Ele duvidava de seus olhos.

A cabeça do gigante branco de seis metros simplesmente explodiu. Como uma melancia sendo esmagada com um bastão. Não era incomum que uma melancia fosse esmagada, mas aquela era a cabeça de um gigante branco. Não era estranho ela estourar daquele jeito, com os pedaços voando para todos os lados? Era esquisito, não era? Ou será que Haruhiro era o estranho por pensar assim?

— Waaaaaaaah?! — Tada rugiu. — Essa era minha presa! Quem fez isso?!

Isso mesmo. Não poderia ser um fenômeno natural, então alguém devia ter feito isso. Foi magia? Quem fez isso?

Não demorou muito para a resposta se tornar clara.

— Ohhhhh?! — Ranta saltou para trás.

Sim, não posso culpá-lo por estar surpreso.

A cabeça do Tori-san havia sumido.

Um machado. Era um machado. Empunhado por uma figura baixa e robusta. O anão de barba espessa havia se aproximado do Tori-san por trás e o decapitado com seu machado.

Não pode ser, pensou Haruhiro. Não deveria ser possível cortar os ponchos deles. Isso não se aplica a esse anão—ao Branken?

— Wahahahaaaaaah! — Branken soltou uma risada rouca e perturbadora enquanto cortava cultistas ao meio, um após o outro, com o machado aterrorizante que segurava. Ele os cortava com facilidade.

É uma pergunta meio simples, mas esse machado é leve? Parece meio pesado, sabe? Como Branken consegue balançar um machado maior que ele tão facilmente? Porque ele é absurdamente forte? É assim que funciona?

Haruhiro estava distraído com Branken, então demorou um pouco para perceber, mas ele não era o único que tinha aparecido. Não muito longe, havia uma mulher grande balançando uma espada massiva e, claro, derrubando cultistas um após o outro, ignorando completamente a propriedade de resistência às lâminas dos ponchos. Aquela era Kayo.

Também havia um número misterioso de cultistas caindo como moscas, embora não tivessem sido cortados. Haruhiro se perguntou o que poderia ser, mas eram flechas. Elas estavam sendo disparadas diretamente no único olho deles.

De onde estão vindo as flechas? Ele se perguntou. Oeste, hein.

Provavelmente estavam vindo do oeste. Quando olhou naquela direção, avistou-o. O belo garoto elfo, com seu arco pronto para disparar. Era Taro.

O ex-mago baixinho, Gogh, e a bela maga, Miho, estavam atrás de Taro, com uma expressão de serenidade. O feitiço que havia sido lançado podia ter vindo de Gogh. Ou talvez fosse de Miho.

E então…

— Desculpem. Estamos atrasados.

Aquele homem entrou. Desembainhando sua espada, era o ex-soldado voluntário mais forte, o homem que era uma lenda indiscutível.

— Aquele cara tem uma aura e tanto… — Ranta disse, com um gemido admirado.

Com certeza, pensou Haruhiro.

As pessoas costumam dizer que alguém com muita presença tem uma aura, mas isso pode ser como realmente seria uma aura.

— Akira-san! — Alguém chamou o nome dele.

— É o Akira-san!

— Akira-san está aqui!

— Akira-san!

— Woo! Akira-san!

— Temos o Akira-san!

A atmosfera mudou num instante. Akira-san. Era o Akira-san. Toda a área foi tingida pelas cores de Akira-san! Envolvida pela sua aura!

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